CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS
Jornalista denuncia ameaças por conta de comentário em rede social
Olga Arnt - MTE 14323 | Agência de Notícias - 12:05 - 18/04/2018 - Edição: Letícia Rodrigues - MTE 9373 - Foto: Guerreiro
CCDH ouviu denúncias no período  de assuntos gerais da reunião desta quart-afeira
CCDH ouviu denúncias no período de assuntos gerais da reunião desta quart-afeira
O jornalista Roberto Carlos Dias, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, denunciou à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa as ameaças que vem sofrendo em decorrência de opiniões divulgadas em sua conta pessoal no Facebook. Ele participou hoje pela manhã (18) da reunião ordinária do órgão legislativo, que é presidido pelo deputado Jeferson Fernandes (PT).
 
Acompanhado pelo presidente do Sindjors, Milton Simas, e por outros membros da diretoria da entidade, Dias relatou as ameças e intimidações de que é alvo desde que publicou comentário na rede social com críticas ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ). O post dirigido aos moradores de Caxias do Sul, cidade em o jornalista que reside, alertava que “não adianta lamentar a morte de uma criança estuprada e defender o Bolsonaro, réu em dois processos por apologia ao estupro.”
 
Segundo Dias, o comentário gerou uma onda de agressões e intimidações no Facebook e em grupos de whatsapp, cujo teor foi ficando cada vez mais violento. “Vamos arrebentar este lixo. Vamos atirar com bala de sal para que o ferimento nunca cure. Vamos pegá-lo na rua” foram algumas das ameaças relatadas aos deputados. Ele contou ainda que foi intimidado por um taxista num restaurante em Caxias do Sul. As intimidações só teriam cessado porque o proprietário do restaurante pediu que o agressor se retirasse. “Vivo um exílio doméstico. Vou da casa para o trabalho e do trabalho para casa. Não posso mais circular livremente, pois não sei até que ponto essas pessoas podem ir. Os comentários fortes que fazem mostram que não têm limites”, desabafou.
 
A CCDH deverá acompanhar o caso. No dia 7 de maio, o deputado Pedro Ruas (PSOL) irá até Caxias do Sul para falar com o titular da Delegacia de Polícia onde o boletim de ocorrência foi registrado. Os deputados deverão procurar também o Ministério Público Estadual para que o órgão acompanhe as investigações. “Não estamos diante de um grupo de bate papo nas redes sociais, mas de uma rede que se organiza para ameaçar, intimidar e violar direitos. É preciso tornar estas pessoas visíveis, pois a experiência mostra que são valentes nas redes, mas, na frente do juiz, a conversa muda”, afirmou a deputada Manuela d´Ávila (PddoB), que defendeu o encaminhamento do caso para a Delegacia Especializada em Crimes Virtuais.
 
Violência Policial
A Comissão ouviu também denúncias do morador de Alvorada Alceu Pieretti sobre as circunstâncias que envolvem o assassinato de seu pai, ocorrido no dia 5 de abril. Segundo ele, o assassinato, precedido de tortura, foi praticado por três policiais militares, que invadiram a casa da vítima. “Meu pai almoçou no ginásio na frente de sua casa. No mesmo local, havia uma festa dos brigadianos. Meu pai teria discutido fortemente com alguns deles e depois foi para casa. Três policiais militares foram atrás, torturaram meu pai e depois deram um tiro”, relatou.
 
Alceu afirmou que os PMs encarregados de fazer o isolamento alteraram a cena do crime e, até agora, a Polícia Civil não encontrou a cápsula da bala que atingiu o seu pai. Relatou também que depois de assassiná-lo os policiais voltaram para festa, e um deles foi jogar sinuca vestido com uma camiseta do Grêmio suja de sangue.
 
Ele revelou ainda que, apesar dos moradores terem medo de falar, há informações de que um dos executores de seu pai é viciado em cocaína, tendo o apelido de Cheirador, e outro é alcoólatra. “Há relato de que, ao sair de um bailão, estava tão bêbado que a gurizada de rua tomou a pistola dele. Diante disso, é de se questionar a forma com que o Estado cuida destes profissionais que portam armas letais”, apontou.
 
Ruas defendeu que a CCDH acompanhe o inquérito para garantir que o caso não seja tratado apenas como homicídio, mas englobe a questão da tortura.
 
Participaram da reunião os deputados Jeferson Fernandes (PT), Missionário Volnei (PR), Manuela d Ávila (PCdoB), Pedro Ruas (PSOL), Pedro Westphalen (PP), Miriam Marroni (PT), Bombeiro Bianchini (PR), Luís Augusto Lara (PTB), Valdeci Olveira (PT), Stela Farias (PT) e Enio Bacci (PDT).
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