COMISSÃO DE CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS
Mãe pede ajuda da CCDH para apurar morte do filho no Condomínio Princesa Isabel em Porto Alegre
Francis Maia - MTE 5130 | Agência de Notícias - 13:29 - 25/04/2018 - Edição: Letícia Rodrigues - MTE 9373 - Foto: Guerreiro
Cintia Soares relatou a morte do filho aos parlamentares
Cintia Soares relatou a morte do filho aos parlamentares
A mãe do jovem Lucas Soares Silva, 21 anos, executado há 30 dias por quatro policiais militares em operação noturna dentro do Condomínio Princesa Isabel, pediu ajuda hoje (25) à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. Desde o assassinato do filho, em 24 de março, ela vem juntando as peças do inquérito que, na Polícia Civil, não avança. Ao mesmo tempo, um dos policiais que participou da ação criminosa continua em serviço e promoveu intimidação à pessoa que tenta auxiliar Cintia Soares. Ela deverá entrar em programa especial de proteção, a ser encaminhado pelos deputados.
 
Presidida pelo deputado Jeferson Fernandes (PT), a comissão ouviu o depoimento de Cintia Soares durante mais de 40 minutos. Depois, em contato com o chefe de Polícia, delegado Emerson Wendt, Fernandes agendou audiência para tratar do caso às 16h, no Palácio da Polícia. Também a deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) e os deputados Pedro Ruas (PSOL), João Reinelli (PV) e Pedro Westphalen (PP) acompanharam a narrativa da mãe do jovem assassinado. Vídeos e fotos da ação policial e do rapaz morto foram mostrados aos parlamentares.
 
Ele saiu de casa no final da tarde do dia 24 e se deslocou de Uber até o condomínio localizado na Azenha. Lá, em torno das 18h30, aconteceu a operação policial quando Lucas ainda estava no carro. Recebeu uma bala no braço que perfurou o corpo. Foi retirado do veículo e levado para o interior do prédio, onde recebeu os tiros que o mataram. Sem chamado de emergência e realização de perícia, o corpo foi levado no porta-malas da viatura para o HPS, onde chegou morto com um tiro no coração, conforme depoimento de enfermeira. Cintia reclama a camiseta do filho, com as perfurações de bala. “Sumiu”, contou ela, que falou com a enfermeira que recortou a parte da camiseta com as perfurações.
 
As câmeras de vídeo do HPS não funcionam, a perícia não fez exame residuográfico, o policial envolvido no crime abordou pessoa das relações de Cintia indagando sobre as ações da mãe da vítima com os “direitos humanos” na delegacia. Chegou a enviar áudios para essa pessoa com detalhes do ocorrido naquela noite. O mesmo policial teria dito no Condomínio Princesa Isabel que “matou um e mata mais dois ou três”. Ele foi recebido pelo diretor do Departamento Estadual de Homicídios, Paulo Rogério Grillo. Cintia disse que viatura do 1º Batalhão da BM tem rondado sua residência.
 
Rendido e assassinado
Os quatro policiais, que têm outra versão e alegam que houve confronto durante a operação, vinham perseguindo supostos elementos acusados de roubo de celular em mercado na rua Jacinto Gomes e chegaram no Condomínio Princesa Isabel. Mesmo chamados três vezes, ainda não prestaram depoimento. Seus nomes estão sendo preservados. O Boletim de Ocorrência registra confronto naquela noite na Avenida Princesa Isabel. Cintia contesta as afirmações de que o filho foi morto na frente do prédio. “Não é verdade, foi dentro do condomínio”, conforme apurou junto aos moradores que, inclusive, são testemunhas dela. A mãe quer saber porque o filho foi retirado do local do crime, mas antes indaga: “O que ele fez se estava rendido, com os braços para cima, por que foi morto?”. Inconformada, com o marido paralisado pelo sofrimento e outros dois filhos para cuidar, ela faz as suas diligências para ajudar o investigador responsável pelo inquérito, que não avança. Providenciou até um perito em imagens e vídeos que obteve de moradores no Condomínio. Cintia pediu a participação do Ministério Público na apuração do caso.
 
A mãe manifestou surpresa com a agilidade das redes sociais, uma vez que antes mesmo dela saber da morte, já circulavam fotos do filho tiradas no HPS. “Como isso é possível?”, indagou. A deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) comentou que se trata da construção de narrativa veloz de que a BM protege a população matando bandido, com a desqualificação da vítima justificando o homicídio. A deputada quer saber da arma de onde partiram os tiros que alvejaram Lucas mortalmente. Cintia disse que não teme pela própria vida. “Vou até o fim para apurar a morte do meu filho”.
 
Jeferson Fernandes, que hoje teria audiência com o secretário da Segurança, César Schirmer, para tratar da execução de idoso em Alvorada, na semana passada, por policiais, deverá incluir também este caso na agenda que foi transferida para a próxima semana. Pedro Ruas manifestou a imediata necessidade de a depoente entrar em programa de proteção, além de sugerir contatos com os órgãos de segurança do Estado para apurar o ocorrido.
 
Assédio moral
Em outra oitiva, os deputados receberam documentos do advogado trabalhista Afonso Martha, que trata de assédio moral na Fundação de Atendimento Sócio Educativo – FASE – praticado pela presidência e diretores contra servidores que têm encaminhado ações trabalhistas. Os trabalhadores que encaminharam ações trabalhistas questionando as horas extras trabalhadas estão sendo coagidos a desistir dos processos ou sofrem alterações em suas jornadas de trabalho. “É ameaça direta”, apontou Pedro Ruas, que sugeriu uma audiência com a OAB, uma vez que também o advogado tem sido alvo das investidas desses diretores.
 
Manuela d’Ávila encaminhou pela manifestação também dos dirigentes da FASE e Banrisul. Também no Banrisul ações trabalhistas têm resultado em retaliação aos reclamantes, conforme Antônio Vicente Martins, presidente da Associação Gaúcha dos Advogados Trabalhistas, AGETRA. O banco acumula multa judicial de R$ 1,7 milhão por danos morais coletivos e continua descumprindo a liminar, reclamou o profissional do direito.
 
Moradia estudantil ameaçada
Por último, um grupo de estudantes universitários relatou a situação de despejo que estão enfrentando, depois de o governo do Estado desalojá-los da Casa do Estudante Universitário Cora Aparício de Almeida, a CEUCA, localizada na rua Riachuelo, no centro da Capital. Imprópria para moradia conforme laudo dos bombeiros em 2010, o local foi desocupado e os estudantes que lá residiam por não terem familiares em Porto Alegre foram para dez imóveis providenciados pelo Estado. Acordo firmado em 2014 pela PGE e o MP repercute agora na vida dos jovens, que até o final de junho terão que desocupar os imóveis pagos pelo Estado. “A situação é delicada”, resumiu Ruas. No dia 2 de maio, às 10h, o grupo estudantil, acompanhado pelos deputados da CCDH, tem audiência com a Defensoria Pública. Mas a Secretaria Estadual da Educação também será acionada, conforme sugeriu Manuela d’Ávila, que propôs ainda um chamamento aos ex-moradores da CEUCA, histórico local de resistência cultural.
 
Da reunião ordinária desta quarta-feira participaram os deputados Jeferson Fernandes (PT), presidente; Pedro Westphalen (PP); Lucas Redecker (PSDB); Manuela d’Ávila (PCdoB); João Reinelli (PV); e Pedro Ruas (PSOL).
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