AUDIÊNCIA PÙBLICA
Trabalhadores dos Correios buscam apoio dos deputados para conter crise na estatal
Olga Arnt - MTE 14323 | Agência de Notícias - 21:09 - 25/04/2018 - Edição: Vicente Romano - MTE 4932 - Foto: Marcelo Bertani

Funcionários dos Correios e Telégrafos denunciaram, na noite desta quarta-feira (25) na Assembleia Legislativa, o processo de desmonte e o risco de privatização que a empresa corre. Eles participaram de audiência pública da Comissão Mista Permanente de Defesa do Consumidor e Participação Legislativa Popular, proposta pelo deputado Elton Weber (PSB), para tratar da situação dos trabalhadores e dos usuários dos serviços da empresa. “Nós estamos bastante preocupados com a situação difícil dos Correios, que afeta tanto os seus funcionários quanto a população que necessita de seus serviços. Precisamos encontrar alternativas para que a empresa volte a operar com a eficiência que sempre foi sua marca e recupere sua credibilidade junto à população”, afirmou Weber na abertura do encontro.

Os diretores das entidades representativas dos trabalhadores consideram que, além de problemas de gestão, a crise é provocada por um deficit inédito de pessoal. De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do RS (SintectRS) Carlos Alberto Duarte faltam dois mil carteiros só no Rio Grande do Sul. A situação é resultado da não realização de concurso público para suprir as vagas geradas pelas aposentadorias e pelos desligamentos estimulados por planos de demissões voluntárias. Segundo Duarte, o último concurso público foi realizado em 2011. “Ao mostrarmos a real situação dos Correios, não estamos jogando contra a empresa que nos sustenta, mas buscando o apoio da sociedade para reverter este quadro. Nossos clientes precisam entender a importância que os Correios têm para o Brasil e o que significará para a nossa população se a empresa deixar de ser pública”, frisou.

Já o representante da Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentec) Alexandre Barbosa Rodrigues chamou a atenção para o “risco real de privatização da estatal”, que tem um orçamento anual de R$ 23 bilhões, obteve um lucro de R$ 1 bilhão em 2017 e enviou R$ 8 bilhões aos cofres da União no ano passado. “A população precisa saber que privatizar significa acabar com a garantia do sigilo das correspondências e de direitos individuais”, alertou. Barbosa denunciou ainda que o processo de precarização da empresa nos últimos anos “afastou 20 mil servidores”. “Mesmo assim, entregamos 7 bilhões de correspondências no ano passado”, revelou.

Superintendência Regional
O superintendente de Operações dos Correios no Rio Grande do Sul, Romeu Ribeiro de Barros, disse que, ao assumir o cargo em janeiro deste ano, encontrou um quadro funcional desmotivado. “Nunca presenciei tanta gente faltando mal dos Correios. Tempos atrás, éramos elogiados por onde íamos. Mas acredito que é possível virar o jogo e voltar a apresentar os indicadores de qualidade que sempre nos distinguiram”, declarou.

Ele revelou que já estão em andamento uma série de iniciativas para colocar o serviço em dia, como os mutirões no setor de triagem. “Acredito que até maio o Rio Grande do Sul estará no zero a zero, ou seja, com as entregas em dia”, anunciou.

Posicionando-se contra a privatização, o superintendente afirmou que a venda da empresa não é simples, uma vez que os Correios operam em pequenas localidades que não oferecem atrativos para a iniciativa privada.

A precariedade dos serviços prestados pela estatal tem desaguado no Procon/RS. A diretora da entidade Maria Elisabete Pereira afirmou que o mais preocupante não é a quantidade de queixas, mas a abrangência das reclamações, já que a empresa atende toda a população. Disse ainda que a estatal precisa reconhecer que o mundo mudou e que deve acompanhar os avanços tecnológicos.

Encaminhamentos
O proponente da audiência, deputado Elton Weber, sugeriu como encaminhamento a elaboração de um documento defendendo a realização de concurso público, a criação de um novo plano de carreira para os servidores e a não privatização da estatal. O manifesto será encaminhado à bancada federal gaúcha. “Precisamos buscar novos apoios e exercer pressão política se quisermos alterar este quadro”, justificou o parlamentar.

Também participaram da audiência o deputado Altemir Tortelli (PT); o ex-deputado Jorge Gobbi, assessor da Superintendência Regional dos Correios no Rio Grande do Sul; o vereador de Gravataí Carlos Roberto Dias Fonseca (PSB), que vem tratando do assunto desde 2013; o presidente da Federação Riograndense de Associações Comunitárias e de Moradores de Bairros (FRACAB), Arnóbio Pereira, além de servidores da empresa e sindicalistas.

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