ARTIGO
Crise anunciada pela política de entreguismo
Juliano Roso* | PC do B - 16:28 - 29/05/2018

A greve deflagrada pelos caminhoneiros expõe a fragilidade de uma nação que poderia ter sua matriz energética auto suficiente e modais logísticos diversificados.

O Brasil é refém de uma política entreguista promovida pelo “governo Temer” e, nos últimos dois anos, regrada pelo mercado internacional. Isso fez os preços dos derivados do petróleo crescer de forma galopante.

Por isso, o protesto dos caminhoneiros é justo e legítimo. Desconsiderando, é claro, os pedidos de intervenção militar - isso é tema para uma análise mais profunda.

Desde 2016, foram 229 reajustes no preço do diesel, enquanto nos 12 anos de governo do PT, foram apenas 16. O Brasil tem a segunda gasolina mais cara do mundo. A população não aguenta mais e, por isso, o movimento ganha apoio de diversos setores.

Defendo uma política de preços dos combustíveis justa. A Petrobras deve continuar cumprindo com o seu papel de desenvolvimento da sociedade brasileira e buscar a auto suficiência.

Precisamos estar mobilizados. Estamos diante de um “governo” que tem o intuito de tornar a Petrobras atrativa para o mercado externo, por isso, mudou a forma de revisão dos preços de acordo com a variação internacional.

Hoje, pelo menos quatro refinarias estão à venda, no balcão de negócios conduzido por Temer e pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente. São elas: a da Bahia, Pernambuco, Paraná e aqui no Rio Grande do Sul, a refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, e são espaços fundamentais e estratégicos para nossa economia.

Outro dado alarmante: a produção de combustíveis em nossas refinarias reduziu cerca de 30%. O objetivo foi abrir o mercado brasileiro para a importação de combustíveis, fator que auxiliou no processo de aumento nos preços, na bomba.

Para se ter uma ideia, as importações subiram de 41% para 82%. Estamos exportando óleo cru (commodities), ao invés de refiná-lo em território nacional. Podemos fazer isso! Funcionários das refinarias, que estão no balcão de negociações, afirmam que sua atividade está subutilizada. Este é um erro e coloca em xeque nossa soberania.

Esta greve é resultado do desastroso (des) governo de Temer. A saída passa pela recuperação da Petrobras e, também, do papel estratégico dela,  inclusive na regulação dos preços dos combustíveis.

Nestes, quase 10 dias, Temer mostrou, claramente, sua arrogância, prepotência e a total falta de diálogo para  conduzir este impasse. Falta legitimidade para Temer  encontrar um caminho viável e razoável.

Eu temo pelos próximos capítulos deste enredo. Espero que a falta de diálogo e legitimidade não abra espaço para ações autoritárias.

Nossa democracia é jovem, mas é por meio dela que podemos fortalecer nossa nação.

Intervenção, nunca mais!

*vice-presidente da Assembleia Legislativa

© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia
Rádio Assembleia
COMISSÃO DE ECONOMIA, DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E DO TURISMO
COMISSÃO DO MERCOSUL E ASSUNTOS INTERNACIONAIS
» Veja mais

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul
Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000

Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30