SESSÃO PLENÁRIA
No Grande Expediente, Reinelli presta homenagem póstuma ao ex-deputado Cézar Busatto
Celso Luiz Bender - MTE 5771 | Agência de Notícias - 15:26 - 20/11/2018 - Edição: Letícia Rodrigues - MTE 9373 - Foto: Guerreiro
Parlamentares, autoridades e familiares de Cezar Busatto participaram da homenagem
Parlamentares, autoridades e familiares de Cezar Busatto participaram da homenagem

O deputado João Reinelli (PSD) ocupou a tribuna no Grande Expediente da sessão desta terça-feira (20) em homenagem ao ex-deputado estadual e ex-secretário Cézar Augusto Busatto, falecido em 13 de agosto. “Dedico este espaço a um cidadão e homem público exemplar. Um pai e amigo amoroso, que deixa saudades por ter o incrível dom de reunir reconhecimento e respeito de pessoas de todos os segmentos da sociedade”, iniciou o parlamentar.

Conforme frisou Reinelli, Busatto enfrentou, “de forma serena e corajosa”, um câncer, que apesar de penoso, não foi impedimento para que prosseguisse trabalhando e buscando exercer com determinação sua cidadania, revelando a real medida de sua rara bravura e de sua profunda fé na vida. “Por isso, seu exemplo é maior que sua perda”, resumiu. “Busatto foi um obstinado pela causa pública, um apaixonado pelas questões sociais e, sobretudo, pelas pessoas”, acrescentou. 

Nos seus mais de 30 anos de vida pública, sublinhou Reinelli, “Cézar Busatto foi reconhecido como um dos mais importantes políticos gaúchos, pela competência e dedicação, tendo participado dos fatos importantes envolvendo o país, o Estado e a cidade de Porto Alegre”.

Uma história, um sonho
João Reinelli trouxe momentos da trajetória de Busatto, citando sua origem, em Veranópolis, sua adolescência, em Caxias do Sul, "quando mudar o mundo era sinônimo de lutar contra a ditadura militar", e sua entrada na UFRGS, na Faculdade de Economia, onde, muito além de se graduar, atuou de forma firme e destacada contra os desmandos do período mais cruel do governo militar dentro da universidade, “uma luta que marcou a sua vida pelos 20 anos seguintes, em diversas trincheiras”, emendou o deputado do PSD.

Formado, Busatto passou a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística e, em 1977, foi selecionado para uma bolsa de estudos na Universidade Nacional Autônoma do México, onde realizou o grande sonho da sua vida até então, que era estudar o marxismo. Formou-se Mestre em Economia. Nos dois anos em que lá esteve, buscou compreender o capitalismo a partir da visão de Karl Marx, seguindo na luta contra a ditadura.

“Foi ali que conheceu o MR-8, o movimento revolucionário que enfrentou os modelos autoritários e buscava a radicalização da democracia”, completou. Segundo recordou Reinelli, ao retornar ao Brasil, em 1979, Busatto se integrou organicamente ao movimento, onde militou até 1985. Foi também professor de Economia na Unisinos entre 1980 e 1985.

Caminhada
Foi assessor parlamentar do então deputado estadual José Fogaça, no início da década de 1980. Em seguida, trabalhou com Pedro Simon no Ministério da Agricultura. Servidor público de carreira, participou como secretário especial do governo Simon, sendo responsável pela coordenação de projetos prioritários de investimentos nas áreas social e de infraestrutura básica.

Igualmente, foi secretário da Fazenda no governo Antônio Brito, quando esteve à frente de decisões importantes para o Estado, participando ativamente das negociações para trazer a General Motors para o Rio Grande do Sul, gerando milhares de empregos diretos. Desempenhou, ainda, o cargo de chefe da Casa Civil no governo Yeda Crusius. Foi deputado estadual por três mandatos, entre 1994 e 2006, dois pelo PMDB e um pelo PPS. 

“Nesta Casa”, historiou Reinelli, “participou de momentos de polarização aguda, mas também soube construir sólidas pontes. Como coordenador do Pacto pelo Rio Grande, levou o poder público, empresários e representantes de toda a sociedade e partidos a buscar alternativas para os temas que impactam o desenvolvimento do Estado”. É de sua autoria a Lei que instituiu o Prêmio de Responsabilidade Social, um estímulo para que pequenas, médias e grandes empresas do Estado promovam ações socialmente responsáveis.

Ao final do seu terceiro mandato, convicto de que o sistema político-partidário no Brasil estava corrompido, Busatto desistiu de disputar novas eleições para se dedicar exclusivamente ao trabalho em defesa da cidadania.

Capital
Como secretário municipal de Porto Alegre, continuou Reinelli da tribuna, Busatto trouxe à tona o conceito da governança solidária local. Com ela, propôs sair da lógica tão comum de vencedores e derrotados e construir uma verdadeira integração entre governo e sociedade em favor da inclusão social. Nos últimos anos de trabalho na prefeitura, junto com o prefeito José Fortunati, coordenou o Projeto Porto Alegre Resiliente. “O lançamento da primeira Estratégia de Resiliência de Porto Alegre, em 2016, representou um grande marco na administração municipal e na vida da cidade”, comemorou o deputado do PSD.

“Esta experiência vitoriosa na prefeitura me aproximou ainda mais do amigo Cezar Busatto, que se tornou um mentor e parceiro na elaboração do Projeto de Lei Rio Grande Resiliente, que tramita nesta Casa Legislativa e nasceu inspirado no trabalho coordenado por ele em Porto Alegre”, contou João Reinelli. Na Assembleia, agregou, “constituímos uma Comissão Especial que discutiu os principais eixos para embasar a proposta que prevê incentivo aos 497 municípios rio-grandenses a criarem suas próprias estratégias de prevenção e enfrentamento das adversidades naturais e sociais”.

Revolução Cidadã
Reinelli lembrou, ainda, o último livro escrito por Busatto, a “Revolução Cidadã”, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre deste ano. “Na obra, faz uma análise das cidades como um novo ator político coletivo, que rejeita a caracterização de ente subnacional, que lhe dá inferioridade frente às outras esferas de governo”, sintetizou.

Ainda no livro, acrescentou Reinelli, “Busatto, brilhantemente, previu a ruptura com o sistema político, como este hoje se apresenta. Uma transformação que ainda não sabemos exatamente a que lugar nos levará”. Num dos trechos, mencionou o deputado João Reinelli, ele diz: “Nunca tivemos uma chance tão grande de evoluir para um mundo mais democrático, igualitário e sustentável como temos hoje diante de nós. Isso depende unicamente de nós, de nossas vontades, de nossos desejos, de nossas escolhas como cidadãos e comunidades”.

Por todo este ideal de justiça social e construção coletiva, “trazidos por Busatto, reafirmo que o Rio Grande perdeu não só um homem público que fez a diferença, mas um ser humano extraordinário, que teve a humildade de dividir seu conhecimento, ajudando a transformar vidas e a melhorar a política”, finalizou o parlamentar. 

Em apertes, manifestaram-se os deputados deputado Adão Villaverde (PT) e Regina Becker Fortunati (PTB).

Compuseram a mesa das autoridades, além do presidente Marlon Santos (PDT), o promotor de Justiça Mauro Luiz Silva de Souza; o procurador-geral adjunto para Assuntos Jurídicos, Eduardo Cunha Costa; o secretário de Estado de Modernização Administrativa e dos Recursos Humanos, Rafaelle Cameli; o ex-senador e ex-prefeito da Capital, José Fogaça; e familiares: viúva Miriam Linera, os filhos Leonardo e Carlos Busatto, e irmãos Paulo e Cármen Busatto.

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