COMUNICAÇÕES
Pronunciamentos na tribuna nesta quarta-feira
Marinella Peruzzo* - MTE 8764 | Agência de Notícias - 16:45 - 06/03/2019 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Wilson Cardoso

Confira o resumo dos pronunciamentos dos deputados durante o período das Comunicações da sessão plenária do Parlamento gaúcho desta quarta-feira (6). A íntegra das manifestações pode ser ouvida no endereço www.al.rs.gov.br/legislativo, em áudios das sessões. 

Luciana Genro (PT) disse que o carnaval era um momento de festa, mas que havia sido também um momento de grandes manifestações políticas que percorreram as escolas de samba do Rio de Janeiro, com destaque para a Mangueira, cujo samba-enredo, segundo a deputada, recontou a história do Brasil sob a ótica dos que foram escravizados, dizimados, e não dos seus contadores oficiais. Com o refrão "tira a poeira dos porões, abre alas pros teus heróis de barracões", a escola mostrou no seu desfile "esses heróis dos barracões, as dificuldades da comunidade LGBT, dos negros e negras, indígenas e trabalhadores que sofrem a opressão e a discriminação".

Assim como a Mangueira, continuou a deputada, outras escolas mostraram questões sociais, como a do assassinato de Marielle, que completa um ano sem respostas. Mostrou também protestos e indignação contra o governo Bolsonaro, cuja reação, segundo a deputada, foi postar um vídeo pornográfico pelo twitter, dando amplitude para uma ação isolada que "em nada representava o que foi a beleza do carnaval". Para Luciana, foi uma falta de respeito com os seus seguidores e com o cargo de presidente da República, um gesto lamentável que, a seu ver, poderia justificar até mesmo um pedido de impeachment.

Rodrigo Maroni (PODE) lamentou os acontecimentos do final de semana, as ações de ódio e intolerância que observou, como a comemoração de algumas pessoas pela morte de uma criança de sete anos, neto do ex-presidente Lula. Disse que qualquer psiquiatra diria que essas pessoas eram doentes e que todo esse ódio dirigido a uma pessoa acabaria criando um mito que iria se perpetuar.

O deputado Pepe Vargas (PT) manifestou solidariedade ao ex-presidente Lula e seu filho, Sandro, e nora, pelo precoce falecimento do neto Arthur, lamentando as manifestações de ódio lideradas pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) diante da tragédia da família Lula da Silva. Disse que as leituras métricas das redes sociais apontaram rejeição de 88,7% das pessoas a esse comportamento. Sobre a publicação de vídeo indecoroso pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, na terça-feira de carnaval, ponderou que se trata de falta de decoro no exercício do cargo de presidente da República, uma vez que as cenas escatológicas buscaram desmoralizar o carnaval deste ano, que destinou severas críticas ao presidente da República. Lembrou que no período democrático, todos os presidentes foram alvo de críticas durante o carnaval. Por último, comentou a medida provisória da presidência da República que busca proibir a contribuição sindical dos trabalhadores, num ato de inconformidade do Executivo com as decisões judiciais que têm dado ganho de causa aos sindicatos nesta questão.

O deputado Vilmar Lourenço (PSL) defendeu o presidente da República, Jair Bolsonaro, na divulgação do vídeo nesta terça-feira de carnaval, embora reconhecendo a infelicidade do ato. Disse que a intenção do presidente foi tornar público aos brasileiros o desnível da maior cultura popular do país, resultado dos últimos vinte anos da ideologia dos partidos de esquerda na destruição dos princípios e bons costumes do país. Observou que se as imagens, já retiradas, ofenderam os gaúchos ou brasileiros, em nome do seu partido pediu desculpas, reiterando críticas à transformação da festa popular num “verdadeiro bacanal”, resultado do ideário com o propósito de destruir e confundir as famílias. Endereçou críticas também aos canais de televisão que levam para o interior dos lares essas cenas, muitas delas promovidas com dinheiro público.

Issur Koch (PP) mostrou-se surpreso com os apelos que vem recebendo de cidadãos buscando cargos no setor público. “O que chama atenção não é a quantidade de pessoas, mas o motivo pelo qual buscam ocupar espaço no serviço público: ou querem complemento de renda; ou alegam estar parados e querem se ocupar com alguma coisa; ou estão precisando mas não deram certo em nenhum lugar. Nenhum destes argumentos seriam aceitos na iniciativa privada. Lamentavelmente, não percebem que o serviço público é um espaço nobre, cujo propósito é prestar um serviço de qualidade ao cidadão”, apontou.

Sofia Cavedon (PT) também criticou as manifestações do presidente Jair Bolsonaro sobre o Carnaval. Afirmou, no entanto, que as declarações públicas do presidente são uma cortina de fumaça, criada para dificultar a percepção popular a respeito das consequências sociais da “agenda antipovo” que está sendo implantada no Brasil. Citou a medida Provisória 870, que extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Nutricional e Alimentar (Consea), e a Medida 873, que dificulta a cobrança de contribuição sindical. “Isso demonstra que o presidente teme a organização social, não está aberto ao diálogo e nem disposto a conviver com a presença da sociedade no monitoramento das políticas públicas”, argumentou.

Luiz Henrique Viana (PSDB) destacou o início da Campanha da Fraternidade 2019, que começa logo após o Carnaval, no período da Quaresma. Segundo ele, a edição deste ano “diz muito à classe política, tem grande ligação com os agentes políticos, uma vez que tem como tema A Fraternidade e Políticas Públicas, algo em comum com a finalidade da política”, comparou. Segundo ele, este deve ser um bom período para que os entes políticos avaliem se as leis elaboradas cumprem seu papel, se atendem as necessidades mais básicas. É preciso fortalecer a cidadania”, apontou. Ainda de acordo com Viana, as reflexões devem ser aprofundadas acerca dos objetivos da política, que deve ser a busca do bem comum.

Carlos Búrigo (MDB) se referiu à matéria, publicada nesta quarta-feira (6), tratando do déficit deixado pelo governo Sartori. Disse que, como ex-secretário de Planejamento daquela gestão, precisava lembrar que o ex-governador assumiu no pior momento da história do RS e do país. “Assumiu com um rombo de 25 bilhões reais, em muito elevado por decisão do governador anterior em conceder aumentos salariais para que o administrador posterior tivesse que pagar”, apontou, citando posições e avanços na gestão Sartori, com investimentos em áreas essenciais, em especial na segurança pública. “Igualmente, é preciso referir a coragem do ex-governador Sartori em enviar à AL projetos propondo transformações e modificações necessárias”, resumiu.

Tenente-coronel Zucco (PSL) defendeu o presidente Bolsonaro no episódio do vídeo com conteúdo indecoroso postado em conta no Twitter nesta terça-feira (5).  Zucco disse concordar que o vídeo é “pesado”, mas condenou as críticas ao presidente. “É impressionante o conceito de decoro de alguns. Quem rouba milhões, tudo bem. Quem posta vídeo mostrando uma imoralidade deve ser julgado”, contestou. Zucco também questionou conceito que considerou distorcido: “Urinar nos outros é liberdade de expressão?” Em outro tema, o parlamentar do PSL comentou a participação da Brigada Militar na contenção de distúrbios na Cidade Baixa (bairro boêmio de Porto Alegre) durante o carnaval. O parlamentar convidou seus pares a conhecer o trabalho feito pela instituição durante o carnaval e depois julgarem a atuação dos órgãos de segurança.

Sebastião Melo (MDB) inicialmente prestou solidariedade ao ex-presidente Lula no episódio do falecimento do neto Arthur. “Soltaram os monstros do ódio”, declarou. Em seguida manifestou-se sobre o confronto de frequentadores da Cidade Baixa com a Brigada Militar no carnaval de Porto Alegre. Para ele, estaria faltando ação do governo, e não é correto criminalizar o carnaval. “Faltou organização, licitaram mal a festa”, criticou. Na segunda parte do seu pronunciamento o deputado falou sobre a situação financeira do RS. Ele pediu que o presidente da Assembleia instrumentalize uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ou um decreto legislativo contra o autoaumento de salários do Judiciário e outros poderes estaduais. O deputado também usou a tribuna para cobrar resposta do governo do Estado ao seu pedido de informações em relação à CEEE.

Sofia Cavedon (PT) retomou o tema da morte do menino Arthur, neto do ex-presidente Lula, e das manifestações brutais que suscitou, decorrentes, segundo ela, de um desvirtuamento da política, patrocinado, inclusive, pelo próprio presidente da República e por seus filhos. Disse que essa incitação ao ódio também se via contra a mulher e que o "falso moralismo" de muitos que promoviam pornografia contra a mulher agora se voltava contra o carnaval. Segundo a deputada, o evento, que traz milhares de turistas ao país e movimenta a economia, havia se tornado "incomodativo" para essas pessoas, ao refletir a História do Brasil e de seus verdadeiros heróis, os oprimidos. Sobre o carnaval em Porto Alegre, disse que o evento havia sido suprimido e que, com isso, crescera a manifestação dos blocos. Avaliou que, onde havia concentração de pessoas, havia turbulência, sendo necessária a presença do Estado, não a marginalização da festa.

* Colaboração de Francis Maia, Olga Arnt, Celso Bender e Vicente Romano

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