ARTIGO
À luz da Doutrina Social da Igreja
Luiz Henrique Viana* | PSDB - 17:26 - 07/03/2019
Período de intensa profundidade e recolhimento espiritual para os cristãos mundo afora, a Quaresma abriga, no Brasil, a Campanha da Fraternidade. Neste ano, o tema – sempre de cunho social, imerso na realidade, desde 1962 – diz respeito ainda mais diretamente a nós, deputados: Fraternidade e Políticas Públicas. Somos todos convidados a examinar se as leis que temos criado e as políticas públicas que temos ajudado a construir se inserem na luta pelo bem comum.
 
Em outras palavras, somos convidados a refletir se estamos pensando mais em nós mesmos, em nosso interesse mais imediato e egoísta, ou se pensamos verdadeiramente na promoção da dignidade humana ao formular leis.
 
A Campanha da Fraternidade de 2019 é também um convite para pensarmos fora dos interesses corporativistas, restritos a pequenos grupos. As políticas públicas não podem ser reféns de quem quer que seja. E só podem ser chamadas de públicas justamente porque são de todos. Nunca de poucos, ainda que possam contemplar, muitas vezes, determinadas minorias. Urgentemente, precisamos fortalecer a cidadania e promover o bem comum, como preconiza a Campanha da Fraternidade.
 
Nossa atuação política precisa refletir esses dois ideais. Para os católicos como eu, a atuação política precisa refletir os princípios da Doutrina Social da Igreja, pensada a partir da própria Igreja e não ao sabor de ideologias estranhas a ela. O lema da Campanha da Fraternidade – "Serás libertado pelo Direito e pela Justiça" – nos chama à ação. Convoca-nos a não nos acostumarmos com a miséria e com a falta de acesso a direitos básicos, como o de comer e morar com dignidade.
 
Que ao longo destes 40 dias até a Páscoa possamos fazer o propósito de mergulhar ainda mais em nosso próprio trabalho, espelhados em quem se entregou inteiramente, até a última gota de sangue, pelo outro: Jesus Cristo. Em um país de mil e tantas misérias, o máximo de trabalho dos políticos sempre será pouco. Felizmente, a população tem exigido mais de nós a cada ano. É fundamental que seja assim. Precisamos entregar, em conjunto, mais resultados. Cortando na pele, se preciso.
 
Muito a Igreja Católica tem feito pela sociedade. Para atestar isso, basta dizer que em algumas cidades é do trabalho eclesial que grande parte da população tem acesso à saúde e educação gratuitas, por exemplo. Não se consegue imaginar a assistência social no país sem as mãos postas no trabalho por inúmeros católicos. Não raro, congregações religiosas chegam para dar alívio a pessoas em regiões nas quais o poder público – por suas intrínsecas dificuldades estruturais – é conhecido apenas pelas pegadas de sua ausência.
 
Discutir políticas públicas, como propõe a Campanha da Fraternidade de 2019, à luz da Doutrina Social da Igreja, é discutir, no fundo, que sociedade queremos construir. Mais justa, com certeza. Mas a começar por onde? E como? O tema está na mesa. O debate exigirá honestidade intelectual. E coragem.
 
*Deputado estadual
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