COMUNICAÇÕES
Pronunciamentos na tribuna nesta quarta-feira
Francis Maia*- MTE 5130 | Agência de Notícias - 15:59 - 20/03/2019 - Edição: Celso Bender - MTE 5771 - Foto: Guerreiro
Confira o resumo dos pronunciamentos dos deputados durante o período das Comunicações da sessão plenária do Parlamento gaúcho, desta quarta-feira (20). A íntegra das manifestações pode ser ouvida no endereço www.al.rs.gov.br/legislativo, em áudios das sessões.
 
A deputada Luciana Genro (PSOL) registrou a primeira semana do massacre na escola Raul Brasil, em Suzano, onde dez pessoas foram assassinadas, para alertar que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul registrou ameaças surgidas da deep web contra estudantes do campus do Vale da instituição, em especial negros e mulheres dos cursos de Exatas. A reitoria da UFRGS se manifestou através de nota, depois de solicitar auxílio da Polícia Federal, Abin, Polícia Civil e sua segurança interna. O assunto foi tratado há alguns dias pela reitoria com diretores das faculdades, alertando para as ameaças que surgiram nos fóruns de ódio na internet de ataques contra a universidade. A deputado comentou a gravidade da situação e pediu investigação, referindo o aumento do medo provocado pelo avanço do ódio, especialmente depois da tragédia em Suzano e “o discurso de ódio alimentado pelos nossos governantes”. Explicou que “são milícias virtuais de extrema-direita que se apoiam em discursos de ódios, são misóginos, homofóbicos, racistas, que propagam essas ideias nas redes sociais”, repercutindo naqueles que apresentam problemas de perturbação mental. Reiterou solidariedade com os alunos e alunas da universidade.
 
Zé Nunes (PT) comentou da tribuna a repercussão da viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, no início da semana, provocando constrangimento nos brasileiros. Disse que a postura do presidente nos EUA contradiz a ideia de nacionalismo e valorização do país, pelo contrário, lá “teve postura que não condiz em nada e envergonhou muitos dos que têm nele uma liderança nacionalista”. Bolsonaro fez comentários desabonadores a respeito dos brasileiros que moram e trabalham nos EUA e assumiu postura submissa diante do presidente daquele país, num evidente “grau de rebaixamento na postura do chefe da nação”. O despreparo do presidente brasileiro foi registrado pela imprensa americana, além de assumir compromissos que fragilizam o território nacional ao abrir a base de Alcântara para utilização pelos americanos, inclusive em caso de conflito bélico na América Latina, o fim da exigência de vistos para cidadãos americanos, sem a reciprocidade para os brasileiros, e acordos comerciais que enfraquecem a economia brasileira, como o fim das vantagens do Brasil nos acordos de comércio da OMC. Registrou a postura submissa aos interesses americanos, diferente das posições assumidas pelos dirigentes do Partido dos Trabalhadores durante seus governos, que comercializou com aquele país alcançando avanços históricos.
 
Pepe Vargas (PT) questionou ações do governo federal no plano das relações internacionais que, a seu ver, trarão sérios prejuízos para a economia do país e do RS. Disse acreditar que não era por falta de compreensão que alguém tomava determinadas medidas como presidente ou ministro, mas por concepção. "Qual a vantagem que o país tem ao aderir à OCDE?", perguntou o parlamentar. Disse que os acordos, normas e resoluções da organização não eram impositivas, e sim apenas recomendações. Aqueles que não quiserem segui-las não são obrigados a tal, podendo apresentar reservas. Mas, ao aderir à OCDE, o país ficava de fora do sistema geral de preferências da OMC, perdendo uma série de vantagens com isso. "Por que, então, aderir à OCDE?", perguntou. "Para fazer parte do clube dos ricos?". Também questionou por que se colocar ao lado dos Estados Unidos em questões ideológicas, um país que está em guerra comercial com a China, prejudicando a economia do próprio país. Segundo Pepe, após a medida sobre a taxação do leite, agora a ameaça pairava sobre setores como os da soja e da carne. Para o parlamentar, Bolsonaro não poderia colocar a economia do país em dificuldade "porque quer ser bem recebido pelo Trump ou quem quer que seja". Disse que, "conforme os desdobramentos dessa política econômica suicida que estão desenvolvendo, a economia do RS enfrentará dificuldades".
 
Sérgio Turra (PP) disse que concordava com a deputada Luciana Genro (PSOL) ao condenar as ameaças verificadas na UFRGS, mas que discordava da forma como se usava esta e outras situações similares para se fazer discurso político, delegando-se à direita os discursos de ódio. Conforme Turra, também na China comunista se viam atentados a faca, bem como na Inglaterra, perpetrados por psicopatas, mentes doentias, e o grande desafio era como enfrentá-los. Talvez, disse Turra, a resposta passasse pelo debate sobre a maioridade penal. Citou declarações do professor Mauro Iasi, por exemplo, que incitou o assassinato de conservadores, para ilustrar discurso de ódio da esquerda. "Incitação à violência, parta de onde partir, precisamos ser contra", disse o deputado. 

Luciana Genro (PSOL) manifestou preocupação com o impacto ambiental e social da possível ativação de uma mina de carvão numa área equivalente a 6.142 campos de futebol no município de Charqueadas. Na avaliação da parlamentar, se o empreendimento for autorizado a funcionar por 20 anos, como prevê o projeto, haverá impactos negativos não só no município da Região Carbonífera, mas em outras cidades como Canoas, Eldorado do Sul, Nova Santa Rita e Porto Alegre. “Este empreendimento é capaz de mudar a matriz produtiva da região e promover o deslocamento populacional, além de ter impacto ambiental negativo, podendo contaminar lavouras de arroz orgânico e o próprio Delta do Jacuí, gerando problemas de abastecimento de água em Porto Alegre”, apontou. A parlamentar salientou ainda que, apesar das irregularidades detectadas no projeto por estudos de impacto ambiental, só uma audiência pública em Charqueadas foi realizada para debatê-lo. “Queremos ampliar o debate e, por isso, já solicitamos, junto com o deputado Edegar Pretto, a realização de uma audiência na Comissão de Saúde e Meio Ambiente. Além disso, solicitamos a suspensão do processo de licenciamento ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal”, revelou.

*Com Marinella Peruzzo e Olga Arnt

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