GRANDE EXPEDIENTE
Sebastião Melo analisa no Grande Expediente a desintegração do transporte metropolitano
Francis Maia - MTE 5130 | Agência de Notícias - 17:05 - 29/05/2019 - Edição: Letícia Rodrigues - MTE 9373 - Foto: Celso Bender
O deputado Sebastião Melo (MDB) utilizou o período do Grande Expediente da sessão desta quarta-feira (29) para abordar a situação do transporte metropolitano, alertando para a necessidade de uma nova postura diante do crescimento das cidades e as dificuldades crescentes na mobilidade urbana. Há falta de integração entre os meios de transporte e o alto custo da passagem abre espaço para o transporte clandestino, alertou da tribuna, propondo um debate entre os setores públicos e privados para encontrar alternativas que respondam melhor às demandas sociais.
 
Como presidente da Comissão Especial que trata da integração do transporte urbano metropolitano, o deputado Sebastião Melo relatou o plano de trabalho que prevê audiências públicas e técnicas nos municípios do entorno de Porto Alegre. A primeira delas aconteceu em Guaíba, esta semana, e tratou do transporte clandestino de passageiros.
 
Na avaliação do parlamentar, o crescimento desordenado do Brasil nas décadas de 70 e 80 resultou na concentração de 85% das pessoas nas cidades, resultando no crescimento populacional maior do que o planejamento urbano. O resultado foi o surgimento de “dezenas de cidades dentro da mesma cidade” e a mobilidade urbana comprometida pela falta de planejamento, afirmou. Nos pequenos núcleos urbanos, a proximidade permite deslocamentos a pé ou o uso de bicicletas ou o compartilhamento de carros para acesso ao trabalho, escolas, postos de saúde. Mas isso não é possível na Região Metropolitana de Porto Alegre, pela sua extensão e a diversidade de transporte, rodoviário, metroviário e hidroviário.
 
O transporte rodoviário da região envolve, diariamente, 450 mil passageiros. Na capital, são 750 mil passageiros. Outros 760 mil passageiros deslocam-se pelo sistema metroviário entre a capital e a região. Soma-se, ainda, o transporte hidroviário na ligação entre Guaíba e Porto Alegre, onde funcionam também os serviços de lotações, que transportam em média 60 mil pessoas por dia, e os quatro mil táxis, além dos aplicativos, bicicletas e os patinetes elétricos.
 
Avanço do transporte clandestino
“Todo esse complexo de transporte não é integrado”, ponderou Melo, mostrando a repercussão da falta de planejamento no bolso da população. Os moradores de Canoas, Guaíba ou Sapucaia que se deslocam a trabalho para Porto Alegre utilizam dois ou três meios de transporte, “entram em três modais e não têm bilhete único”, explicando que a integração disponibilizaria ao cidadão o cartão único para todos os modais, com redução dos gastos no transporte.
 
Preocupado com os altos custos da tarifa na região metropolitana, Sebastião Melo protocolou requerimento de audiência pública na Comissão de Segurança e Serviços Públicos, para tratar justamente do custo da tarifa do transporte metropolitano. Mostrou os números de 2018, que aumentaram 8,94% quando a inflação foi de 3,1%, “precisamos abrir essas planilhas”, adiantando um diálogo essencial para compreender a fuga de passageiros na rota metropolitana e o avanço do transporte clandestino, assunto que em Guaíba, na segunda-feira, apurou a circulação de 270 veículos particulares atuando no trecho entre Eldorado e Guaíba ao custo de R$ 50 diários com o diferencial que os passageiros são deixados na porta do serviço.
 
“O sistema está desarranjado”, disse, propondo debate urgente para definir “marcos legais municipais e metropolitanos”, alinhar as diferentes legislações e as redes superpostas ao longo dos trajetos da região. Isso promoveria uma redução de 35% dos ônibus circulando em Porto Alegre, disse o ex-vice-prefeito, que defende ampliar o debate para o uso de novas tecnologias nesse sistema de transporte. Outra discussão necessária é a saúde financeira dos consórcios que operam esse sistema de transporte. Se nada for feito, alertou Sebastião Melo, a clandestinidade vai tomar conta do setor.
 
Comentou, também, que os trabalhadores informais residentes na região metropolitana estão sendo sacrificados e pagam o custo real da passagem, diferente daqueles com carteira assinada ou isentos. “É um fator de exclusão, quem tem a carteira assinada, sobrevive; quem paga a conta é a informalidade”, comentando que é comum longos deslocamentos de trabalhadores a pé ao longo das rodovias entre as cidades metropolitanas até Porto Alegre. Melo pretende debater o futuro dos cobradores de ônibus, cuja atuação está ameaçada de extinção, e a qualidade dos serviços prestados.
 
Sebastião Melo tratou desse assunto com o governador Eduardo Leite, e sugeriu a integração do sistema da Grande Porto Alegre como o grande desafio de sua administração. Afinal, é onde moram 40% dos gaúchos e dos 18 municípios mais violentos do Estado, 12 estão nesta região, salientou. A comissão vai trabalhar com audiências públicas e técnicas e vai até Recife e Goiânia em busca das experiências locais, e autoridades internacionais serão convidadas a depor. Ao encerrar, Melo lamentou que o ex-governador José Ivo Sartori tenha eliminado a Metroplan, “foi um equívoco”.
 
Apartes
Do plenário, manifestaram-se os deputados Tenente-Coronel Zucco (PSL); Frederico Antunes (PP); Gerson Burmann (PDT); Tiago Simon (MDB); Tiago Duarte (DEM); e Aloisio Classmann (PTB); e as deputadas Sofia Cavedon (PT) e Luciana Genro (PSOL).
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