SESSÃO SOLENE
Assembleia registra os 197 anos da Independência do Brasil em sessão solene
Francis Maia* - MTE 5130 | Agência de Notícias - 17:00 - 04/09/2019 - Edição: Letícia Rodrigues - MTE 9373 - Foto: Celso Bender
Em sessão solene, a Assembleia Legislativa registrou nesta quarta-feira (4) as homenagens à Semana da Pátria, pela passagem dos 197 anos da Independência, com a presença de autoridades civis e militares no Plenário 20 de Setembro. A cerimônia, conduzida pelo presidente da AL, deputado Luis Augusto Lara (PTB), reuniu o secretário-chefe da Casa Militar, coronel Júlio César Lopes; o defensor público-geral em exercício, Antônio Flávio de Oliveira; o comandante do Comando Militar do Sul, general de exército Geraldo Antonio Miotto; o comandante da Ala 3, brigadeiro-do-ar Raimundo Nogueira Lopes Neto; o capitão dos Portos de Porto Alegre, capitão de mar-e-guerra Rafael Silva dos Santos; pelo Comando-Geral da Brigada Militar, o coronel Vladimir Ribas; e a Chefia da Polícia Civil, representada pelo delegado Fernando Edison Soares.
 
Conforme determina o Regimento Interno, as bancadas com representação no Legislativo registraram-se para as manifestações da tribuna em homenagem ao 7 de setembro.
 
Issur Koch (Progressista) enalteceu os valores das Forças Armadas, como o respeito à hierarquia. A Semana da Pátria, destacou, oportuniza refletir sobre o país e seu futuro, em especial neste momento de quebra de paradigmas. Referiu o exemplo dado ontem (3) pela Assembleia Legislativa, ao aprovar a extinção da aposentadoria especial aos deputados, numa resposta à cobrança da sociedade por mais eficiência e enxugamento dos gastos públicos. Como educador, disse que reside na educação o melhor caminho para o país, respeitando os valores de respeito e hierarquia. E a hora é de união de todos pelo bem do Brasil, registrando desconforto com as torcidas para que não dê certo, pois acredita que está em curso uma “onda de mudanças” e, por isso, é preciso acreditar.
 
Gerson Burmann (PDT) prestou homenagem às instituições brasileiras que defendem a democracia e o estado democrático de direito. A data da independência foi o marco do Brasil como nação livre e início da concretização da soberania do povo brasileiro, afirmou, mas passados quase dois séculos é preciso enfrentar os problemas que agravam a cidadania brasileira e avançar em aspectos como na educação, ciência, tecnologia e inovação, ampliar investimentos no agronegócio, assegurar o acesso à saúde pública, combater a guerra do tráfico de drogas e a insegurança pública. Apontou a necessidade de maior rigor na fiscalização das fronteiras, nos cuidados com os gestores públicos, estabelecer as relações comerciais com o Mercosul e União Europeia e, repetiu, investimentos redobrados em educação.
 
Tenente-coronel Zucco (PSL) manifestou profunda emoção em seu primeiro pronunciamento da tribuna pela Semana da Pátria, reafirmando seus princípios militares. Destacou a orientação das gerações em que as escolas organizavam atividades de civismo, como o hasteamento da bandeira nacional, o canto do hino nacional, as preparações para o “desfile da mocidade”, a vigília no fogo simbólico. Lamentou o enfraquecimento desse patriotismo diante dos apelos consumistas e da força da tecnologia, mas a Semana da Pátria oportuniza reforçar sentimentos, valores e princípios como a família, escola, Deus e o respeito, a transparência, honestidade e fomento ao bem comum. Reiterou posição do comandante militar do Sul, general de Exército Geraldo Antônio Miotto, de que “vale a pena ser honesto”. Comunicou que projeto de sua autoria, da escola cívico-militar, servirá de modelo na esfera federal, conforme foi comunicado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. E assegurou que as forças militares do país estão prontas para entrar em ação na defesa da Amazônia.
 
Franciane Bayer (PSB) abordou a importância do Estado Democrático de Direito para assegurar a independência do País. “O Estado Democrático de Direito não se restringe a garantir o direito de votar e ser votado, mas assegura o exercício de direitos sociais e individuais numa sociedade que deve ser fraterna, pluralista e sem preconceitos”, ressaltou. A parlamentar fez referência também ao conceito de cidadania, “que é a prática de direitos e deveres por um indivíduo”. “Aos poderes, cabe assegurar esses direitos. No entanto, temos um longo caminho a trilhar, enquanto houver pessoas morrendo em filas de atendimentos, crianças sendo agredidas, mulheres sendo mortas e populações sem contar sequer com água tratada. Mais do que vestir verde-amarelo, precisamos arregaçar as mangas e trabalhar, pois somos todos responsáveis.”, apontou. Finalizou seu pronunciamento conclamando a todos a ser “o sal desta terra e a luz deste País para fazer a diferença, pois queremos um Brasil melhor, que cresça e evolua”.
 
Paparico Bacchi (PL) reafirmou a importância e o significado do momento histórico representado pela Proclamação da Independência em 1822, mas alertou para a necessidade de lutar permanentemente pela independência e soberania do Brasil. “Precisamos continuar fazendo a independência do País. Nossa geração tem essa missão, pois somos escravos em liberdade”, declarou, referindo-se à dependência ao capital financeiro internacional e à tecnologia. “Ainda somos semi-escravos. Precisamos fazer a mea-culpa e romper a dependência financeira e de informação”, finalizou.
 
Sérgio Peres (Republicanos) elogiou a atuação das Forças Armadas na garantia da soberania nacional e ressaltou a importância dos valores cultuados pelos militares para o Brasil. “Nossa Pátria só terá ordem e progresso se tiver a disciplina que o Exército tem”, reverenciou. O parlamentar mencionou ainda a recente polêmica envolvendo a Amazônia. “A Amazônia é nossa. E ela está secando, mas não é pelas queimadas, mas pela exploração das ONGs. Mas tenho certeza de que nosso capitão vai fazer com que nosso País tenha ordem”, apontou. Peres criticou também a atuação da imprensa na cobertura das queimadas no Norte do País.
 
Luciana Genro (PSOL) começou dizendo que o 7 de setembro marca a suposta independência do Brasil, já que não estamos mais subjugados por Portugal, mas seguimos subjugados pelo mercado financeiro. “São os mercados que ditam as políticas econômicas que os governos aplicam, se o dólar sobe ou desce, se o emprego cresce ou diminui. Toda a economia brasileira está subordinada aos interesses do mercado”, explicou. Afirmou que, quando isso ocorre, não há uma verdadeira independência, já que os problemas do povo brasileiro não são resolvidos porque os recursos do país são utilizados para atender aos interesses do mercado financeiro. A parlamentar ainda avaliou que este ano a situação está pior, pois além do governo brasileiro se submeter aos interesses do mercado, como todos os anteriores fizeram, ele desrespeita os direitos humanos, exalta a tortura e as milícias, protege corruptos, faz pouco do fogo que consome a Amazônia e ataca a educação com cortes de verbas de universidades e de bolsas de pesquisa. “O bom desta data é que há resistência, é que há reação”, finalizou, referindo-se à juventude das universidades e das periferias que quer construir um Brasil democrático e independente de fato.     
 
Pepe Vargas (PT) disse que esta é a semana em que comemoramos a independência nacional, mas não se pode falar em nação sem falar do povo que a representa. Lamentou a situação preocupante do povo brasileiro, que enfrenta o aumento da pobreza e do desemprego, além da redução de investimentos públicos em educação, saúde e segurança. “Tudo isso em função de uma política macroeconômica que não preza a soberania nacional e a soberania do nosso povo porque se subordina a interesses de grupos econômicos nacionais e internacionais que não vivem da produção, mas vivem fundamentalmente da especulação”, explicou. Citou a desnacionalização de empresas nacionais, que levam a riqueza para fora do país, e os cortes de recursos na educação, que levará à fuga de cérebros do Brasil. O deputado ainda afirmou que a Amazônia é brasileira sim, mas tem que ser preservada, defendendo que é possível ter atividades econômicas no local, desde que se preserve a biodiversidade e se reconheça a existência de povos que lá vivem. Encerrou dizendo que não há como ter pátria e soberania sem preservar as instituições democráticas.
 
Tiago Simon (MDB) destacou os sentimentos de civismo e patriotismo e o desejo da nação brasileira se afirmar em sua soberania. Citou fatos históricos sobre a independência do Brasil, ressaltando figuras que, ao longo deste período, contribuíram para o desenvolvimento nacional, como José Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, “um dos maiores empreendedores do país”, e Getúlio Vargas, “o maior estadista do século passado”. Lembrou que o Brasil, no século passado, foi a nação que mais teve crescimento econômico no mundo. “Infelizmente foi um crescimento com concentração de renda, com desigualdades, sem justiça social, mas foi um país que cresceu”, avaliou. Disse que estamos resgatando o sentimento de civismo, de patriotismo e de voltar a acreditar no país, independente do governo, porque os governos passam. “Nós não devemos idolatrar mitos políticos, devemos respeitá-los. Devemos apoiar e sustentar todas as medidas de qualquer governo que sejam para o bem do país”, defendeu. Ainda destacou a importância do Exército brasileiro, afirmando que é preciso proteger a Amazônia não só militarmente, mas politicamente por ser a maior floresta do mundo.  
 
Antes de encerrar a sessão solene, o presidente da Casa, Luís Augusto Lara (PTB), saudou a todas as autoridades presentes, especialmente os representantes das forças armadas e das forças de segurança pública do Estado. “A Pátria só é soberana a partir da segurança que todos vocês fazem ao longo da história”, afirmou, ressaltando também a moderação e serenidade com que as forças armadas e as forças da segurança pública no Brasil e no RS vêm atuando.
 
* Colaboração de Olga Arnt e Letícia Rodrigues
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