SEGURANÇA E SERVIÇOS PÚBLICOS
Lideranças sindicais refutam argumentos do governo federal para privatizar Correios
Olga Arnt - MTE 14.323 | Agência de Notícias - 11:23 - 10/09/2019 - Edição: Letícia Rodrigues - MTE 9373 - Foto: Celso Bender
Representantes dos trabalhadores criticaram duramente, durante audiência pública conjunta da Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa e da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, na noite desta segunda-feira (9), a intenção do governo federal de privatizar a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. O encontro, proposto pelos deputados estaduais Luciana Genro (PSOL) e Valdeci Oliveira (PT) e pela deputada federal Maria do Rosário (PT/RS), ocorreu no Parlamento gaúcho e contou com a participação de lideranças das principais entidades representativas dos servidores da estatal.
 
Contrapondo-se ao que classifica como “falácia do governo para induzir a opinião pública a apoiar a entrega do patrimônio público à iniciativa privada”, a presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), Maria Inês Fuginti, sustentou que a empresa não depende de recursos do Tesouro para custear suas despesas e que ocupa a terceira colocação no ranking de confiança dos brasileiros, perdendo apenas para a família e os bombeiros. Além disso, os Correios estão na sexta posição na disputa internacional por qualidade e praticam tarifa abaixo da média de outros países.
 
Com 356 anos de existência, a estatal está presente em todos os municípios brasileiros, garantindo, inclusive, acesso a serviços bancários nas localidades que não contam com agências. O papel social da instituição, na avaliação do representante da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos (FENTECT) Evandro Leoni da Silva, é tão relevante quanto o econômico. “Em 2017, entregamos 154 milhões de livros didáticos e seis milhões de kits da tevê digital, inclusive, rincões mais pobres, onde ninguém mais quer ir. Isso sem falar na distribuição das provas do ENEM em todo o território nacional”, exemplificou.
 
Já o dirigente da Federação Interestadual dos Trabalhadores dos Correios, Mário Terra, alertou para o impacto econômico e social da privatização no mercado de trabalho brasileiro. “O que está em jogo é o fim de uma das maiores empregadoras do Brasil, como 110 mil trabalhadores que podem ficar sem emprego”, apontou, enfatizando que o maior ativo dos Correios é seu patrimônio humano.
 
Brasil à venda
Na mira do programa de privatização do governo federal, junto com outras 16 estatais, os Correios tem sua existência definida pelo artigo 21 da Constituição Federal e seus propósitos relacionados à integração nacional. A sua privatização, na opinião dos parlamentares que participaram da audiência pública, terá impacto no cotidiano da população, já que deverá vir acompanhada do aumento das tarifas e da redução dos serviços nas regiões mais pobres. “Se fizerem um levantamento nos Procons, verão que as principais queixas dizem respeito à energia elétrica e à telefonia, serviços que eram públicos e foram privatizados”, apontou Valdeci.
 
Na mesma linha, Luciana Genro revelou que só oito correios no mundo são totalmente privatizados. “É uma experiência marginal no mundo, mas que teve como resultados aumento de tarfias e fechamento de agências não lucrativas”, ressaltou.
 
Conclamando as lideranças sindicais a aumentar a pressão sobre a base governista no Congresso Nacional, Maria do Rosário lembrou que “não é a primeira vez que tentam privatizar os Correios, mas que nunca estiveram tão perto disso”. “Colocaram o País à venda, e não vai sobrar nada se a população não lutar”, declarou.
 
A deputada federal Fernanda Melchiona (PSOL/RS) também participou do encontro.
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