MOVIMENTO DA LEGALIDADE
Parlamentares apontam atualidade do legado de lutas do ex-governador Leonel Brizola
Olga Arnt - MTE 14.323 | Agência de Notícias - 16:43 - 11/09/2019 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Celso Bender
A Assembleia Legislativa realizou, na tarde desta quarta-feira (11), Sessão Solene em Homenagem ao Movimento Cívico da Legalidade. Representantes de seis bancadas se manifestaram sobre o episódio histórico, que uniu não só os gaúchos, mas lideranças e setores de toda a sociedade brasileira em defesa da ordem jurídica. Na tribuna, os deputados chamaram a atenção para a atualidade do legado deixado pelo ex-governador Leonel Brizola, principal líder do movimento. A sessão foi presidida pelo deputado Edegar Pretto (PT).
 
A Campanha da Legalidade mobilizou a população gaúcha e forças militares para garantir a posse de João Goulart na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros em 1961. Durou 14 dias e eletrizou povo e políticos, a ponto de o Parlamento gaúcho permanecer em assembleia permanente durante este período.
 
Primeiro deputado a subir à tribuna, Luiz Fernando Mainardi (PT) ressaltou o papel decisivo desempenhado pelo então governador Leonel Brizola para retardar o golpe militar, que acabou acontecendo em 1964. Para ele, a coragem de Brizola e a crença do povo foram decisivos para abafar a tentativa de golpe naquele momento e imprimiram um outro rumo para a História.
 
O deputado Sebastião Melo (MDB) lembrou que o Brasil, em seus de 500 anos de existência, teve mais períodos de ruptura do que de democracia. Ele considera que, se Brizola tivesse sido eleito presidente, o Brasil seria diferente, pois o ex-governador gaúcho tinha a educação como sua maior prioridade e nunca deixou de combater as forças reacionárias. “Jango assumiu, restabeleceu o presidencialismo, mas, infelizmente, veio o golpe militar com perseguições, expurgos e tortura, que muitos hoje se negam a reconhecer”, apontou.
 
Neta de Leonel Brizola, a deputada Juliana Brizola (PDT) resgatou trechos de discursos proferidos durante a assembleia permanente do Parlamento gaúcho em 1961 para demonstrar a atualidade do movimento e os pontos em comum com a conjuntura atual. As mensagens pregavam a necessidade de resistir a atos autoritários, inverter tendências, abandonar privilégios e lutar pelo bem comum e pela paz. “Brizola nunca se dobrou e até o último suspiro lutou pela emancipação do povo brasileiro. Se me perguntarem o que ele diria sobre o que acontece hoje no País, não ousaria responder. Mas não resta nenhuma dúvida sobre o lado do qual ele estaria lutando”, concluiu.
 
Método de luta
O deputado Dalciso Oliveira (PSB) lembrou que a realização todos os anos de uma sessão solene para homenagear a Legalidade é uma forma de manter a herança do movimento viva e de proporcionar uma reflexão sobre a defesa da democracia. Ele sublinhou também as qualidades da liderança de Leonel Brizola, especialmente a sua coragem em enfrentar as forças de repressão. “A coragem de Brizola contagiou a população, e o espírito do movimento segue influenciando gerações”, apontou.
 
Já o deputado Paparico Bacchi (PR) revelou que sempre sonhou em se filiar a um partido político e ter a ficha abonada por Brizola. Sonho que virou realidade na década de 1990. “Restam vivos hoje a indignação do Dr. Brizola contra injustiças e a sua luta constante pela libertação do povo brasileiro, que ainda precisa fazer a independência de fato do Brasil”, acredita.
 
Última deputada a se pronunciar, Luciana Genro (PSOL) afirmou que o método usado por Brizola para garantir que a vontade do povo fosse respeitada foi a mobilização popular. “Este método é fundamental nos dias de hoje e mostra que a coragem de um homem unida à coragem de outros homens e mulheres é capaz de garantir a democracia e o cumprimento da constituição”, apontou. Luciana afirmou ainda que a Legalidade deixa como principal lição o fato de que é possível realizar as mudanças necessárias, sem golpe, com democracia e igualdade de direitos. “Neste momento de extrema gravidade, em que mandatários exaltam a tortura e a ditadura, precisamos também retomar o processo de lutas e de organização do povo como foi feito na Legalidade”, concluiu.
 
Prestigiaram a sessão Christopher Goulart, neto do ex-presidente João Goulart; o presidente do conselho da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Batista Filho; o representante da OAB/RS, Rodrigo Cassol Lima; e o jornalista Carlos Bastos, que acompanhou na época, do Palácio Piratini, todos os desdobramentos da resistência comandada pelo então governador do Rio Grande do Sul.
© Agência de Notícias
Reprodução autorizada mediante citação da Agência de Notícias ALRS.
© Agência de Notícias
As matérias assinadas pelos partidos políticos são de inteira responsabilidade dos coordenadores de imprensa das bancadas da Assembleia Legislativa. A Agência de Notícias não responde pelo conteúdo das mesmas.
Versão de Impressão
Sessão Solene

PESQUISA DE NOTÍCIAS
Termo
Período
   


TV Assembleia

Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul - Praça Marechal Deodoro, 101 - Porto Alegre/RS - Cep 90010-300 - PABX (51) 3210.2000
Horário de atendimento: das 08:30 às 18:30