PLENÁRIO
Sessão solene marca a passagem dos 184 anos da Revolução Farroupilha
Olga Arnt - MTE 14323 e Letícia Rodrigues - MTE 9373 | Agência de Notícias - 16:40 - 18/09/2019 - Edição: Sheyla Scardoelli - MTE 6727 - Foto: Evandro Oliveira

Uma sessão solene, realizada na tarde desta quarta-feira (18), marcou a passagem dos 184 anos da Revolução Farroupilha no Parlamento gaúcho. O movimento, que eclodiu em 1835, durou uma década e se constituiu na mais longa revolta brasileira contra o poder central. Capitaneada por estancieiros, a Guerra dos Farrapos, como ficou conhecida, foi precipitada pelo aumento da taxação de produtos gaúchos e o alto custo dos insumos para produção de charque. Parlamentares de nove bancadas se manifestaram na tribuna.

Valdeci Oliveira (PT), primeiro a falar, abordou o caráter classista do Movimento Farroupilha e defendeu uma nova revolução hoje, “sem armas, mas que resgate a autoestima dos gaúchos e prime pelos direitos do povo e suas conquistas civilizatórias”. “Sem desmerecer o movimento, a Revolução Farroupilha partiu das elites e não do povo explorado, chamado apenas para dar a vida por quem detinha o poder local. Essa é a nossa História e é a partir dela que devemos refletir, e não esquecer que os negros, os índios e os pobres foram enviados para as frentes de batalha sem saber se aquela era ou não a sua guerra. Esse heróis também devem ser reverenciados”, pontuou. Para ele, a “nova revolução deve pensar na situação do nosso povo e enxergar o ser humano na sua plenitude e não como um número, um pagador de impostos ou um eleitor”.

Sebastião Melo (MDB), que se diz “goiano de nascimento e gaúcho de coração”, ressaltou que a data exalta a cultura do Rio Grande e reafirma o “sentido de pertencimento dos gaúchos”. O peemedebista, que se pronunciou também em nome da bancada do PPS, lembrou que o movimento foi liderado por estancieiros, ‘que não aguentavam mais ser achacados pelo poder central, tal como acontece hoje”. “Os gaúchos se uniram por um Rio Grande com dignidade. É uma lição que, independentemente de cores partidárias e ideologias, devemos ter como exemplo para construir um estado empreendedor, com justiça tributária e social”, recomendou.

SérgioTurra (PP) traçou um paralelo entre o sistema tributário atual e o vigente no tempo do Império. Citando a obra "A trajetória do Parlamento Gaúcho", da pesquisadora Sandra Pesavento, o parlamentar argumentou que a situação vivida hoje pelos estados e municípios se assemelha ao cenário anterior à Guerra dos Farrapos. “Passados quase dois séculos, não é exagero dizer que a Revolução Farroupilha não acabou. De cada R$ 100 em tributos gerados em nossos municípios, R$ 57 ficam com a União. Aos Estados, restam R$ 25. E para as cidades, a fatia é ainda menor: somente R$ 18. É o dinheiro que falta para estados e comunidades sendo drenado para financiar estruturas obsoletas, ineficientes e uma inchada máquina pública. Por muito menos os farroupilhas foram à Ponte da Azenha e iniciaram a revolução naquele 20 de setembro de 1835”, rememorou.

Luiz Marenco (PDT) rebateu uma das principais críticas às comemorações do 20 de Setembro. “Comemorar uma guerra, de fato, seria algo que beira a loucura. É claro que não fazemos isso. Celebramos a hombridade dos gaúchos, que se levantaram em protesto contra o governo central. Reverenciamos a valentia de compatriotas que, com tropas inferiores em número, foram superiores em diversas batalhas. Louvamos a sede de liberdade de um povo e o amor pela terra. Comemoramos o surgimento de heróis que se levantaram do anonimato para se tornar referência na luta por um ideal de liberdade. Louvamos, inclusive, o republicanismo, que não era o principal objetivo, mas se tornou necessário no importante momento dos embates. Festejamos o salto de desenvovimento social e econômico do Rio Grande do Sul nos nove anos em que foi administrado pelo sistema republicano rio-grandense. E, por fim, aplaudimos a paz do Ponche Verde, que nos deu o senso de humildade e a compreensão de que a maior vitória é viver com dignidade e transformar esses momentos em reflexão para a construção da sociedade gaúcha”, concluiu.

Mateus Wesp (PSDB) propôs uma reflexão sobre o significado da Revolução Farroupilha, especialmente sobre aquilo que o parlamentar considera um mito, que identifica o caráter antimonárquico e separatista como a essência deste movimento. “Essa visão da história, que defendida apenas por alguns dos revoltosos farroupilhas, tem sido equivocadamente difundida há muito tempo”, declarou. O parlamentar explicou que quem começou a exaltar quase que exclusivamente o caráter separatista da revolução em detrimento dos seus propósitos iniciais foi Júlio de Castilhos. Lembrou que os farrapos eram estancieiros e foi desse mesmo estrato social que emergiram as lideranças da Revolução Federalista, a segunda maior revolução vivida em solo gaúcho, cujos participantes, chamados maragatos, eram opositores a Castilhos. Lembrou que a Revolução Farroupilha eclodiu pelos abusos do governo central. “Foi contra esse viés ditatorial, autocrático, antiparlamentar e antidemocrático que sempre se opuseram os gaúchos”, avaliou. “Temos que continuar acreditando que os maiores ideais da nossa Revolução Farroupilha não são os ideais do separatismo, mas sim da descentralização e da luta por maior condição de representatividade”, finalizou.  

Dalciso Oliveira (PSB) afirmou que a Revolução Farroupilha é “o mito fundante da cultura gaúcha”. “Foi a partir dela que se estabeleceu a identidade do povo gaúcho, as tradições e os ideais de liberdade, igualdade e humanidade. Hoje a cultura gaúcha é reverenciada não só no estado, mas no país e no mundo, através dos milhares de CTGs espalhados por todos os cantos”, ressaltou. Ele lembrou que ainda hoje o Rio Grande “ luta, de forma corajosa, para se reencontrar com o progresso. “Sofremos com a pesada taxação de impostos e com a falta de investimentos que permitam ao nosso estado o pleno desenvolvimento da sua capacidade produtiva. Queremos continuar ajudando o Brasil a crescer, mantendo firme a chama farrapa, fazendo com que o lema de nossa bandeira se materialize na política e na vida”, finalizou.

Fran Somensi (Republicanos) disse que, apesar de ter nascido em São Jorge do Oeste, no Paraná, foi no Rio Grande do Sul que ela estudou, trabalhou e construiu sua família. Lembrou que mesmo antes de morar em solo gaúcho, já vivenciava as tradições e costumes, tendo sido 1ª Prenda do CTG Cavalo Branco, em seu município de origem. “Com muito orgulho, posso dizer que também sou gaúcha”, declarou. A parlamentar destacou o nome do general Bento Gonçalves como principal pilar da história da Revolução Farroupilha. Lembrou que foi na Assembleia Legislativa, que ele deu o primeiro grito contra os imperialistas. Para Fran, a maior façanha deixada pela revolução foi mostrar a todo o país que o gaúcho é um povo de garra, de fé e de trabalho. Disse que hoje, diante de crise financeira que assola o RS e de tantos outros desafios, estamos diante de uma nova revolução, mas uma revolução sem guerra, buscando priorizar o povo gaúcho.

Fábio Ostermann (Novo) registrou os 184 anos da Revolução Farroupilha, propondo uma reflexão à luz dos tempos atuais. “Apesar dos méritos até certo ponto discutíveis de alguns dos pleitos farroupilhas, é fato que a revolução e o movimento separatista de então foram provocados por um extremo centralismo e autoritarismo político e econômico que ainda hoje maltratam a população brasileira como um todo e, em especial, a população gaúcha”, ressaltou. Ostermann sugeriu que nos inspiremos nas palavras imortalizadas no hino rio-grandense. “Que encontremos na virtude da liberdade a força e a bravura para deixarmos, a cada dia e de uma vez por todas, de sermos escravos de uma elite política que nos aprisiona, escravos de corporações que tomam, por meio da pressão política organizada, o fruto do nosso trabalho, escravos de instituições ainda em formação e, em muitos casos, em deformação e que precisam ser melhor constituídas, respeitando os direitos estabelecidos na nossa Constituição e os trâmites democráticos”, declarou.    

Paparico Bacchi (PL) disse que, como historiador, poderia se manifestar sobre os aspectos históricos da Revolução Farroupilha, mas que preferiu falar sobre a 1ª Vertente da Música gaúcha, festival organizado pelo CTG Alexandre Pato, de Lagoa Vermelha, que começa nesta quinta-feira (19). Destacou que a cidade já é reconhecida como uma cidade-polo da cultura gaúcha, onde nasceu o xote das duas damas e a chula. Informou que é padrinho do evento, que conta com quase 50 músicas inscritas e que ocorre até sábado (21). Avaliou que, certamente, o festival servirá para descobrir novos nomes da música gaúcha. Por fim, agradeceu o apoio do chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, e do líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Frederico Antunes (PP), que colaboraram para que o evento fosse viabilizado.    

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Sessão Solene, 20 de Setembro

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