TRIBUNA
Pepe cobra que governos estadual e federal revejam políticas de cortes de salários e aposentadorias
Claiton Stumpf - MTB 9747 | PT - 16:37 - 23/10/2019 - Foto: Celso Bender

A revolta popular no Chile foi lembrada pelo deputado Pepe Vargas em declaração de liderança da bancada petista na sessão plenária desta quarta-feira (23), na Assembleia Legislativa. O tema foi abordado pelo parlamentar para contextualizar e chamar a atenção para o risco destes tristes episódios se reproduzirem também no Brasil, a partir da reforma da Previdência.

Para Pepe, seria desejável que o governo estadual e federal fizessem uma análise das medidas que estão adotando. “Os analistas tem convergido ao dizer que não foi apenas a tarifa do metrô. Esse foi apenas o estopim. Já havia o descontentamento latente devido às brutais desigualdades sociais que o modelo ultraliberal adotado no Chile, com aposentados ganhando valores irrisórios equivalendo 300, 400 reais, com os salários dos trabalhadores em geral extremamente deprimidos, com todas as tarifas de energia e outros serviços extremamente elevados, com ausência de sistema público de saúde e de ensino público efetivo.

Consequentemente a população chilena não aguenta mais isso e infelizmente o Brasil caminha no sentido de implantar políticas ultra liberais a exemplo do que o próprio ministro Paulo Guedes, que é fá do modelo chileno, tentava fazer com a previdência implantando um sistema de capitalização que o congresso rejeitou, mas aprovou uma reforma que reduzirá os valores das aposentadorias. Cairá violentamente. Afora aquelas pessoas que sequer conseguirão se aposentar. Porque é uma reforma combinada com a reforma trabalhista que precarizou o trabalho. Caminharemos inexoravelmente para uma situação dessa natureza. Combina-se isso Emenda Constitucional 95, que congela os gastos da União na saúde, educação, Previdência, investimentos na infraestrutura do país.

Conforme Pepe, essa situação combinada com a queda dos rendimentos no trabalho, a precarização do trabalho, o crescente trabalho informal e o salário mínimo sem a política de valorização que o governo não renovou, coloca os brasileiros em situação difícil. No Rio Grande do Sul, as dificuldades não são diferentes, pois o governo do estado pretende arrochar ainda mais os salários e retirar direitos dos servidores. “Se estivéssemos falando de servidores que ganham salários estratosféricos ainda poderíamos até dialogar, mas não é o caso, pois 70% dos servidores do Executivo tem salários inferiores ao teto do regime geral de previdência”.

Pepe exemplificou com os salários de um professor com 20 horas ganha R$ 1.700 a R$ 1.800 e o governo quer que todo servidor que ganhe acima de um salário mínimo tenha um desconto de 14% para o regime próprio de previdência dos servidores. “Haverá um empobrecimento dessas pessoas, que ainda terão um confisco”. Os professores, observou Pepe, faz cinco anos que não têm reajuste de salários. Com queda da renda, consequentemente o consumo das famílias cai e o comércio se ressente, a economia não cresce. Dois terços do PIB depende fundamentalmente de consumo das famílias e se ele não cresce consequentemente a economia não vai se recuperar. “Consequentemente, se os governo estadual e federal não olharem o que está acontecendo, o que está acontecendo no Chile será o que vai acontecer aqui”. 

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