ARTIGO
O autismo não tem rosto
Luiz Henrique Viana * | PSDB - 18:19 - 11/09/2019
Invariavelmente, pouco sabemos do mundo do outro – mesmo daquele que está mais próximo a nós. Cumpre-nos, portanto, olhar para fora sempre com certa cautela. Cumpre-nos, em
outras palavras, evitar julgamentos – os mais apressados, principalmente. Porque é facílimo
errar a mão, o gesto. Com os autistas e seus familiares, por exemplo.
 
Felizmente, temos conversado mais sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Quanto
mais diálogo formos capazes de promover, menos estaremos propensos a ferir e a excluir. No
trabalho feito na Frente Parlamentar de Conscientização sobre o TEA, proposta por mim na
Assembleia Legislativa, nos deparamos com os relatos mais diversos. Uns, lindíssimos. Outros,
sofríveis.
 
Há alguns dias, uma mãe – visivelmente fragilizada e cansada – comentou: “Tentaram impedir
meu filho diversas vezes de ser atendido prioritariamente com o argumento de que ele não
tinha ‘cara de autista’.” Terrível. Resta-nos muito a avançar. O autismo não tem rosto. É um
transtorno, não uma síndrome; um espectro amplo, não uma redução simplista.
Ainda que se desconheçam exatamente as causas do Transtorno do Espectro Autista, um
ponto é pacífico: a importância da intervenção precoce. Quanto mais cedo houver o
diagnóstico e se começar o tratamento, que envolve estímulos multidisciplinares, melhor será
a comunicação da pessoa com TEA, seu desenvolvimento e sua socialização.
 
O Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura, da prefeitura de Pelotas,
é referência nesta intervenção precoce. Não à toa, algumas famílias têm trocado de região do
país (sim, do país) e rumado ao extremo Sul – com pouco dinheiro, mas muita esperança –
para que seus filhos tenham acesso a um atendimento público especializado e de alta
qualidade.
 
A política pública de atenção aos autistas e seus familiares, implementada em Pelotas ainda no
governo do então prefeito Eduardo Leite, felizmente deve ganhar o Estado. A secretária
estadual de Saúde, Arita Bergmann, já deu início às reuniões para pensar com diversos
agentes, a partir da exitosa experiência pelotense, modelos de centros Rio Grande do Sul
afora.
 
Devemos celebrar as iniciativas do poder público e nos envolver cada vez mais com esta causa.
Não de um partido, de um deputado ou de um governo, mas de toda a sociedade.
 
*Deputado estadual
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