MOBILIZAÇÃO
Luciana Genro apoia luta dos metalúrgicos da Gerdau e levará assunto à CCDH
Débora Fogliatto - MTE 17.423 | PSOL - 14:57 - 23/09/2021 - Foto: Divulgação
A deputada estadual Luciana Genro (PSOL) participou na manhã desta quarta-feira (22) de ato em frente à sede da Gerdau em Charqueadas, em apoio à mobilização dos metalúrgicos, que completou dez dias. Após o ato, Luciana Genro levou o assunto à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, que irá ouvir os representantes do movimento na próxima quarta-feira (29), em Assuntos Gerais.

Durante o ato, a deputada lamentou a ausência de grandes sindicatos e centrais sindicais no apoio aos trabalhadores. “O Sindimetrô e o Sindisaúde estão dando um exemplo de solidariedade que deveria ser feito por todos os sindicatos e movimentos, que deveriam estar aqui. Não tem nenhuma luta mais importante hoje no Rio Grande do Sul do que essa. Porque é o enfrentamento com um dos gigantes do capitalismo mundial, e isso não é pouca coisa. Os sete que estão lá dentro estão tendo muita coragem. Eu quero parabenizá-los e dizer que nós, do PSOL, estamos fazendo todos os nossos esforços para apoiar esta luta”, disse.

Em diálogo com os trabalhadores que estão ocupando a fábrica, a deputada ouviu relatos de muito apoio por parte dos demais funcionários, que acabam tendo medo de se juntar ao movimento. “O seu Gerdau vai nas esferas políticas e midiáticas dizer que quer o desenvolvimento do país e o bem dos trabalhadores. É tudo mentira, pois no chão da fábrica o que tem é repressão e exploração”, criticou.

Luciana Genro observou que a ocupação da planta industrial seria muito maior se não fossem as represálias da empresa. “Os sete que estão ali dentro estão em nome de todos que gostariam de fazer greve e protesto e não fazem por medo de repressão. Que democracia é essa onde a classe trabalhadora não pode se manifestar porque vai perder o emprego? Essa é a democracia dos patrões. É a democracia do seu Gerdau”, colocou.

Mobilização dos trabalhadores

Um grupo de sete trabalhadores ocupa a fábrica da empresa desde o dia 13, na luta contra a alteração da jornada de trabalho determinada de forma unilateral. A reivindicação deles é uma só: negociação. O chamado “turno fixo” imposto pela Gerdau pode reduzir em até 35% o salário da categoria, que recebe em média R$ 2.500 mensais como funcionários da empresa que registrou lucro líquido de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre deste ano. A presidente municipal do PSOL Priscila Vaz, metalúrgica e ex-funcionária da Gerdau, o Sindisaúde-RS e o Sindimetrô também estiveram presentes.

Ao longo dos dez dias de mobilização, estes trabalhadores vêm sofrendo uma série de perseguições da empresa, que proibiu acesso ao refeitório, fazendo com que dependam de doações dos familiares para se alimentar. A Gerdau ainda cortou o fornecimento de água quente nos chuveiros dos vestiários, disponibilizando aos sindicalistas apenas banho frio. Também foram retirados os bancos do pátio interno, fazendo com o que os trabalhadores tenham que sentar no chão.

Além disso, os trabalhadores denunciam que o aumento da presença de segurança privada no interior da fábrica, que antes da ocupação era em torno de 5 funcionários e agora conta com mais de 60. Os sindicalistas também explicam que há restrição no acesso e diálogo que eles podem manter com os cerca de 800 trabalhadores da planta industrial.

Na manifestação desta quarta-feira, os seguranças da empresa promoviam uma revista nos carros dos funcionários que ingressavam na fábrica, abrindo inclusive o porta-malas. Um drone também foi posicionado para registrar imagens do ato, numa manobra considerada intimidatória. “Eles fazem isso para identificar se tem familiares de empregados na manifestação e depois adotar represálias”, disse Priscila Vaz.

O Sindimetal de Charqueadas já apresentou uma proposta diante da determinação dos turnos fixos. A reivindicação é de que os adicionais noturnos sejam incorporados por aqueles trabalhadores que já recebiam esses valores no antigo regime de horários, mitigando assim as perdas salariais. Mas a Gerdau se recusa a negociar com os sindicalistas.

Vice-presidente do Sindimetal Charqueadas, José Luís de Souza Castilho coordenava a manifestação do lado de fora da empresa. Funcionário da Gerdau há 34 anos, ele denunciou a forma como os trabalhadores vêm sendo tratados pela empresa.

“A Gerdau está tratando os trabalhadores como se fossem bandidos. Basta vermos o vexame a que estão sendo submetidos na chegada à empresa, com os carros sendo revistados”, criticou.

Enquanto isso, do lado de dentro da fábrica, o presidente do sindicato, Jorge Luiz Silveira de Carvalho, comanda a resistência dos sete metalúrgicos que se recusam a sair enquanto não houver negociação. “A presença de vocês aqui dá um ânimo e alento aos trabalhadores”, disse, referindo-se à manifestação de apoio que ocorria em frente à empresa.

Para Luciana Genro, somente a mobilização dos trabalhadores poderá conquistar uma vitória. “Não é fácil vencer, mas é preciso persistir e acumular força para os próximos passos que virão. Certamente a luta dos trabalhadores da Gerdau em Charqueadas está só começando. Esse é mais um passo num processo de organização, de mobilização e de fortalecimento que vai ter que seguir. Porque independentemente do resultado desta luta, a exploração e a repressão continuam”, concluiu.
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