COMISSÕES
Audiência pública discute uso de biodigestores na bacia do rio Passo Fundo
Marinella Peruzzo - MTE 8764 | Agência de Notícias - 13:56 - 04/10/2021 - Foto: Reprodução Fotografia / ALRS
Uma audiência pública conjunta das comissões de Saúde e Meio Ambiente e de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo discutiu, na manhã desta segunda-feira (4), a matriz produtiva dos biodigestores na bacia hidrográfica do rio Passo Fundo. O debate foi proposto pela deputada Zilá Breitenbach (PSDB), presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente e autora de projeto que inspirou a Política Estadual do Biometano e o Programa Gaúcho de Incentivo à Geração e utilização de Biometano do governo estadual (Lei nº 15.377/2019).

Conforme a deputada, uma vez sancionada a lei, era preciso prosseguir os trabalhos para estimular os produtores a adotarem essa fonte sustentável de energia. “Acredito que esse trabalho pós-lei é o mais importante”, considerou.

O professor e presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Passo Fundo, João Paulo Peres Bezerra, doutor da Universidade Federal da Fronteira Sul, disse que se tratava de um tema fundamental na região, que abrangia 28 municípios parcial ou integralmente, com 185 milhões de habitantes, diante do aumento da produção de proteína animal para atender ao mercado internacional, e registrou o trabalho conjunto que vinha sendo desenvolvido por universidades e institutos técnicos federais. 

A engenheira ambiental Rubia Passaglia, mestranda na área, disse que os projetos de geração de biogás traziam inúmeros benefícios, não só econômicos, mas sociais e ambientais, e que havia ido a campo para verificar a experiência de produtores que tinham biodigestores nas suas propriedades, bem como aqueles que chegaram a tê-los, mas não os tinham mais, buscando entender o que acontecia. Para a pesquisadora, o ônus das medidas ambientais não deveria ser somente dos produtores e políticas públicas poderiam contribuir para estimulá-los a adotarem práticas mais sustentáveis. 

O engenheiro ambiental e diretor-presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis Biogás (Cibiogás), Rafael González, disse que ficava contente em ver o tema sendo tratado no contexto das bacias hidrográficas (e não apenas nos limites territoriais dos municípios), uma vez que os resíduos não tratados acabavam indo parar no “corpo hídrico”. Disse que vinham oferecendo treinamentos em alguns estados, não só sobre o tratamento de resíduos, mas também sobre o uso do biogás, e que a demanda por informação era grande, tanto do setor pecuário, como também de gestores interessados no tratamento dos resíduos urbanos. Na sua avaliação, o cenário era positivo, considerando que o mercado de biogás havia crescido 22% no último ano, no país. 

O veterinário e supervisor de Suinocultura da Aurora Alimentos no Rio Grande do Sul, Fabrício Adriano Rauber, disse que via os produtores tratarem da questão dos dejetos hoje de uma maneira muito responsável e que os biodigestores eram uma solução sustentável. “Hoje temos grandes produtores que já possuem biodigestores nas suas granjas, porém são poucos os que os utilizam para geração de energia”, afirmou. “Já para produção de calor, sim”, constatou. Citou como exemplo uma companhia que teria investido em torno de R$ 400 mil, os quais iriam “se pagar” em cinco anos. Para as pequenas propriedades, segundo ele, o uso era mais difícil, sendo mais comuns as placas solares, e teriam que buscar formas de viabilizá-los. 

Financiamentos
A presidente do Badesul, Jeanette Lontra, disse que, cientes das dificuldades no setor, haviam lançado um programa pouco antes da realização da Expointer denominado "Badesul - Energias renováveis", com recursos próprios do banco que iriam permitir a aquisição de equipamentos importados em condições bastante favoráveis. “Vamos financiar até R$ 10 milhões por equipamento/empresa, 100% do investimento a um custo de 2,5% ao ano, mais Selic ou TJLP, com prazos de 24 meses de carência e até 120 meses para amortização”, explicou.

Gerente de Agronegócios do Banrisul, Douglas Rorig citou algumas linhas do banco que poderiam ser utilizadas, colocando-se à disposição dos produtores rurais, ao lado dos demais gerentes, para buscar alternativas ao setor. 

Experiência exitosa
Renato Sponchiado, da empresa Agrobella, que possui plantas de suíno e bovinocultura, em Seberi e Frederico Westphalen, fez um breve relato de projeto desenvolvido pela empresa, agraciado na última Expointer com prêmio de inovação. Disse que haviam investido em dois biodigestores, "o primeiro sem saber se daria realmente certo" e o segundo, com tecnologia alemã, pelo qual o dejeto era aquecido. Disse que estavam muito satisfeitos financeiramente, mas o processo havia sido bastante penoso devido à falta de informação no estado. Segundo ele, a planta de Frederico Westphalen estava entre as três maiores consumidoras de energia da região e a intenção era conseguir produzir toda a energia que utilizava, assim como em Seberi. 

O presidente da Comissão de Agricultura, Adolfo Brito (PP), colocou a comissão à disposição dos presentes e disse que atuavam com o objetivo de aumentar a produtividade sem se descuidar do meio ambiente. 

O deputado Faisal Karam (PSDB), por sua vez, saudou a possibilidade de aproveitamento do biogás diante do efeito colateral inevitável da criação de animais, que era a produção de dejetos, e mencionou projeto desenvolvido nos anos 80, no Rio de Janeiro, que utilizava na frota da limpeza urbana o gás gerado a partir do lixo e que agora estaria se tentando retomar. 

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, chamou a atenção para a importância do biogás como vetor de desenvolvimento de diferentes regiões do estado e a necessidade de se abordar o tema pela ótica das bacias hidrográficas e conectado em cadeia. 

O diretor do Departamento de Energia da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, Eberson Silveira, disse que havia um grande mercado para o biogás e o biometano e saudou os avanços obtidos até o momento.   

O secretário-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Sínos e do Fundo de Defesa Sanitária Animal, Rogério Kerber, considerou que havia ainda desafios a serem superados, especialmente quanto aos investimentos, mas que trabalhavam para promover as transformações necessárias.

Representando o Ministério Público do Estado, o promotor de Justiça Paulo Cirne disse que todas as iniciativas que tinham como finalidade a preservação ambiental e o uso de tecnologias não poluentes tinham que ser incentivadas e a instituição se fazia presente para acompanhar a discussão. 

A professora Suelen Paesi, da Universidade de Caxias do Sul, aproveitou para convidar os participantes da audiência a comparecerem ao fórum sobre biogás e biometano que será realizado pela universidade nos dias 12 e 13 de abril de 2022. 

Ainda contribuíram para o debate os professores Sandro Giacomelli, da URI, que apontou as dúvidas que acometiam os produtores em relação ao retorno financeiro da adoção dos biodigestores; Adalberto Lovato, da Faculdade Horizontina, que defendeu a necessidade de se montar a cadeia de biodigestores, com a integração dos seus vários atores; o físico Rodolfo Keppeler, que relatou sua experiência em projetos em vários países da Europa e colocou-se à disposição para discutir alternativas para o estado, como o de aproveitamento do solo; o engenheiro Nabor Torri, que sugeriu que se aproveitasse a Expointer como vitrine para as novas tecnologias e que se iniciasse esse trabalho o quanto antes; o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Apuauê-Inhandava, Rueliton Sartori; e o vereador Ale Dal Zotto, de Erechim, entre outros.
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Comissões de Saúde e Meio Ambiente e Agricultura, audiência pública virtual conjunta

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