SAÚDE
Audiência busca alternativas para o enfrentamento do câncer de mama no RS
Olga Arnt - MTE 14323 | Agência de Notícias - 19:05 - 18/10/2021 - Foto: Reprodução Fotografia / ALRS
Cerca de 32% das gaúchas de 50 a 79 anos deixaram de fazer os exames preventivos de câncer de mama durante a pandemia. A estimativa foi apresentada pela diretora do Departamento de Ciclos de Vida da Secretaria Estadual de Saúde, Gislaine Lima da Silva, na audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente realizada nesta segunda-feira (18) para tratar dos desafios para o diagnóstico precoce e o acesso pleno ao tratamento da doença.

O encontro, que ocorreu de forma virtual, foi proposto pela deputada Franciane Bayer (PSB). Na abertura, ela classificou a situação de grave e fez um apelo para a construção conjunta de soluções que assegurem o diagnóstico rápido e o acesso ao tratamento. “O câncer de mama é o que mais acomete mulheres no Brasil. Justamente por isso, não podemos aceitar que entre a mamografia e a biópsia para confirmar um diagnóstico transcorram mais de 60 dias”, apontou.

Segundo a representante da SES, o Rio Grande do Sul tem mamógrafos suficientes, além de contar com um incremento de recursos federais para enfrentar a doença. Admitiu, no entanto, a necessidade de fomentar a organização dos municípios para que façam a previsão correta do número de exames necessários com base no tamanho de suas populações.

Realidade que se repete
Para as organizações da sociedade civil que lidam diariamente com o problema, o represamento de exames durante a pandemia poderá agravar ainda mais um quadro que já não era favorável às mulheres. Em vídeo gravado espacialmente para a audiência, a presidente do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul, Maira Caleffi, revelou que mais de um milhão de gaúchas não acessaram as mamografias disponíveis no serviço público na pandemia e fez um chamamento pela volta urgente da realização dos exames de rotina.

Também integrante do Imama, Nyaya Nunes afirmou que todos os anos a mesma realidade se repete, levando muitas vezes mulheres à morte pela dificuldade de realizar os exames e confirmar o diagnóstico da doença na rede pública. “Muitas vezes, a mulher desiste de acessar o serviço (público), onde pode levar três meses para conseguir uma mamografia, e acaba fazendo uma vaquinha para fazer o exame na rede particular”, apontou.

Para ela, é preciso fazer um mutirão para organizar as filas por prioridade e para capacitar os trabalhadores que atuam na ponta do sistema a lidar com a doença, que impõe uma luta contra o tempo.

Já a representante do Movimento Brasil sem Câncer do Colo de Útero defendeu a testagem genética para pacientes com câncer de útero, ovário ou mama e intensificação da vacinação contra o HPV, que vem caindo no país. Segundo Angélica Nogueira, a testagem poderá direcionar a medicação e identificar famílias de alto risco.

Aplicativo
O médico Alexei Peter dos Santos, da Santa Casa, apresentou um aplicativo desenvolvido por uma startup, apoiada pela Tecnopuc, que permite antecipar diagnóstico de câncer de mama e doenças raras. “É um aplicativo muito simples, com poucas perguntas e que direciona o paciente para o local mais adequado, rápido e logístico para o seu caso. Com isso, podemos acelerar a antecipar o diagnóstico”, revelou.

Com a experiência de quem já foi prefeita, a presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, Zilá Breitenbach (PSDB), acredita que o SUS é o melhor plano, mas que é necessário alterar práticas para resolver os problemas das mulheres que buscam atendimento. “Quando se diz que um exame será agendado para daqui a três meses, estamos banalizando as consequências de uma doença, que é grave. É preciso procurar em todas as instâncias para ver onde se resolve o problema”, recomendou.

Entre os encaminhamentos elencados pela proponente da audiência, estão a capacitação de secretários municipais de saúde e servidores que atuam na ponta do sistema, identificação dos gargalos da rede pública e busca de mais informações sobre recursos federais para o enfrentamento do câncer de mama. 
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Comissão de Saúde e Meio Ambiente, audiência pública virtual

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