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Está inscrito o Deputado Ciro Simoni, que fará uma homenagem,
em nome da Bancada do PDT e desta Assembléia Legislativa, ao extraordinário
homem público do Rio Grande, Deputado Romildo Bolzan.
Esta Mesa registra, com satisfação, a presença de
ilustres representantes da família do homenageado, bem como o Exmo.
Sr. Presidente do Tribunal de Contas, Hélio Mileski, instituição
pela qual passou o Deputado Romildo Bolzan; o Sr. Presidente da Agergs,
Dagoberto Lima Godoy; demais Conselheiros da Agência que prestigiam
este ato.
Saudamos as autoridades, os familiares e nossos demais visitantes e concedemos
a palavra ao Deputado Ciro Simoni para proceder, pelo tempo regimental,
à sua homenagem ao Parlamentar desta Casa, falecido recentemente,
Deputado Romildo Bolzan.
O
SR. CIRO SIMONI (PDT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Saúdo também o Exmo. Sr. Presidente do Tribunal de Contas
do Estado do Rio Grande do Sul, Conselheiro Hélio Saul Mileski;
o Sr. Presidente da Agergs, Dr. Dagoberto Lima Godoy; os familiares do
nosso querido amigo e Deputado desta Casa; e demais Senhoras e Senhores
que nos dão a honra de sua presença.
Ocupo este espaço nobre do Legislativo Rio-Grandense para prestar
uma justa e merecida homenagem a um dos homens mais insignes que por aqui
passaram.
No último dia 8, o Rio Grande - o Litoral Norte, em especial -
chorou a morte de um grande líder. Romildo Bolzan foi e sempre
será uma referência fundamental não só para
o trabalhismo, como para toda a política da nossa Região.
O Dr. Romildo deixou entre nós uma marca que permanecerá
indelével na alma do povo por quem tanto ele lutou.
Desde o início de sua trajetória, surgiu a figura de um
líder destacado entre seus pares. Logo cedo, um garoto vindo do
interior de Restinga Seca, o jovem estudante de Filosofia e de Direito
da PUC, Romildo Bolzan, foi eleito Presidente do Centro Acadêmico
da Faculdade de Filosofia e do Diretório Central dos Estudantes
daquela Universidade. Foi nessa época que a comunidade do Litoral,
em especial a da minha cidade de Osório, começou a conviver
com Bolzan e a admirar sua inteligência e sua dedicação.
Com 22 anos, iniciou sua carreira como professor, lecionando Psicologia
na então Escola Normal Rural de Osório, onde teve uma passagem
brilhante como docente e também como administrador. Sua gestão
como Diretor da instituição, de 1959 a 1963, ficou marcada
pela construção do novo prédio do educandário,
agora denominado Instituto de Educação Ildefonso Simões
Lopes. Bolzan lecionou também História e Latim para os jovens
osorienses.
Seu profundo compromisso com a educação o levou a ser um
dos fundadores da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos -
CNEG -, hoje CNEC - Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, da qual
foi Presidente Estadual. Em sua gestão, construiu o Pavilhão
de Esportes do Centro de Osório, vistosa obra que ainda hoje serve
para a juventude de nossa cidade expressar sua arte e desenvolver as mais
variadas práticas esportivas, além de ter sido Diretor daquela
instituição educacional.
Tanto destaque assim na área educacional e administrativa inevitavelmente
o levou para a militância partidária. E assim, Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados, a política ganhou um notável líder.
Já no seu primeiro mandato como Vereador, exerceu a liderança
da Bancada do antigo PTB na Câmara de Vereadores de Osório.
Sua marcada atuação no Legislativo Municipal o projetou
para eleger-se Prefeito no pleito subseqüente. Bolzan administrou
Osório quando a maioria dos atuais Municípios do Litoral
Norte eram distritos daquela cidade.
Com uma gestão arrojada, Romildo modernizou a administração
municipal e mudou a face de toda a nossa Região. Seu trabalho à
frente da Prefeitura assentou a base para a criação das
novas cidades, proporcionando o desenvolvimento que hoje se verifica em
todo o Litoral.
Advogado, exerceu a profissão com extrema competência nos
períodos em que não cumpriu mandatos eletivos. Foi também
correspondente, em Osório, dos jornais A Hora e Diário de
Notícias. Após o seu mandato de Prefeito, Romildo Bolzan
dirigiu a Sociedade Beneficente São Vicente de Paulo, quando foi
construído o novo hospital, onde, hoje, com muito orgulho, exerço
a Medicina.
Foi através de seu esforço na administração
daquela entidade e junto ao Governo Federal que se construiu e mobiliou
todo o Hospital.
Romildo Bolzan era um grande administrador. Um destacado político.
Um extraordinário líder. Bolzan era um apaixonado pela educação,
pela política e pelo futebol. E, aqui, mais uma forte identidade
entre nós: seu profundo amor pelo Grêmio Foot Ball Porto-Alegrense.
E ele era um gremista não só ardoroso, como também
extremamente atuante. Em 1966, por indicação do então
Presidente do Grêmio, Rudi Armin Petry, foi eleito Conselheiro do
clube, posição que exerceu até seus últimos
dias e onde sempre colaborou com a diretoria. Quantas vezes sofreu com
os reveses no campo de jogo. Mas quantas e tantas outras vezes vibrou
com as conquistas do nosso tricolor.
Lutador incansável pela liberdade e pelos direitos democráticos,
foi um combatente enérgico na oposição ao Regime
Militar. Em 1974, na luta contra a Ditadura, elegeu-se Deputado Estadual
pelo MDB, Movimento Democrático Brasileiro, com a expressiva votação
de mais de vinte e sete mil votos. Em 1978, reelegeu-se com grande votação.
Ainda pelo MDB, representando a ala trabalhista, exerceu a Secretaria-Geral
da Executiva Estadual do Partido de Oposição ao Regime.
Com a redemocratização, a anistia e a volta dos exilados,
Romildo Bolzan participa da fundação do Partido Democrático
Trabalhista, sempre ao lado de Leonel Brizola. Reeleito, em 1982, para
o terceiro mandato como Deputado Estadual, dessa vez pelo PDT, desempenhou
a Liderança da Bancada do Partido nesta Casa.
Sua passagem pelo Parlamento Gaúcho foi marcada por uma corajosa
atuação em favor da população, em especial
dos mais humildes. Aqui ele liderou e presidiu a CPI do Consumidor em
pleno Regime Militar. Também dirigiu o 1Ί Simpósio Nacional
Sobre Formas e Sistemas de Governo, patrocinado por esta Casa. Igualmente,
teve destacada participação nas Comissões de Educação
e Cultura e de Constituição e Justiça, onde sempre
aplicou seu extenso conhecimento jurídico e administrativo.
Como reconhecimento a seu profícuo trabalho como Parlamentar, em
1983 Romildo Bolzan foi agraciado com o Prêmio Springer por um Rio
Grande Maior, a mais conceituada premiação do meio político
gaúcho.
Por sua reconhecida probidade e transparência na administração
pública, ainda em meio a seu último mandato como Deputado,
foi indicado pelo Governador Jair Soares para ser Conselheiro do Tribunal
de Contas do Estado. Sua indicação para o Tribunal de Contas
do Estado obteve aprovação unânime e inconteste dos
Parlamentares desta Assembléia.
Em 1987, foi eleito Vice-Presidente do Tribunal de Contas. No ano seguinte,
com o falecimento do Conselheiro Presidente Edgar Marques de Mattos, é
eleito e empossado Presidente do Tribunal de Contas do Estado para completar
o biênio 88/89. Reeleito por duas vezes, presidiu esse Tribunal
até 1992. Lá, Romildo Bolzan ainda exerceu a importante
função de Corregedor-Geral, até aposentar-se em 1997.
Ato contínuo, por indicação do Governador Antônio
Britto, aprovada por esta Assembléia, assumiu a recém-criada
Agência Estadual de Regulação dos Serviços
Públicos Delegados do Rio Grande do Sul Agergs. Assim como no
Tribunal de Contas, Romildo Bolzan presidiu aquela Agência até
pouco tempo, em um mandato de dois anos, tendo um papel fundamental na
sua organização.
Com uma conduta exemplar, a vida pública de Romildo Bolzan é
motivo de imenso orgulho para quem, como nós, fomos seus companheiros
de caminhada e hoje somos seguidores de sua causa. O Dr. Romildo Bolzan
nos deixou um legado de muitos ensinamentos. Seu exemplo de ética,
transparência e dedicação é um norte a nos
guiar na luta por uma vida melhor para todos.
Assim como foi um grande político, Romildo Bolzan também
foi um notável chefe de família. Entre seus 11 irmãos,
ele já assumira a condição de patriarca com a perda
de seu pai, Ricardo. Pai de cinco filhos, Romildo Bolzan soube criá-los
de forma exemplar, a ponto de serem hoje todos cidadãos respeitáveis
em nossa sociedade.
Uma família unida, liderada por um homem especial, que teve sempre
ao seu lado uma companheira inseparável. Dona Mari querida amiga
Mari foi sempre sua leal e sincera amiga de todas as horas. Com ela,
Romildo Bolzan nos deu a graça de formar esta estimada família,
constituída por seus filhos Romildinho, Mariane, Luciane, Marcos
e Analice; suas noras e genros, Vera, Cláudia, Vidal, Rogério
e o Deputado Vieira da Cunha nosso companheiro nesta Casa, Líder
da nossa Bancada e seus netos, Gabriela, Romildo Neto, Carolina, Fernanda,
Carlos, Eduardo, Juliana e Ricardo. Podem ter certeza de que seu pai,
esposo, sogro e avô foi uma pessoa muito especial. Não só
para os Senhores, que tiveram o privilégio de conviver na sua intimidade,
como também para todos nós que o conhecemos. Romildo Bolzan
foi uma pessoa rara. O povo do Rio Grande o reconheceu como um de seus
mais destacados filhos; um homem inesquecível; um grandioso líder.
Romildo Bolzan permanece entre nós. O que nos deixou foi a matéria.
Seu espírito guerreiro, sua alma combativa não perecerá
jamais. Dentro de nossos corações ficará a saudade
de sua presença física, é verdade. Mas sua passagem
por este mundo não foi em vão. Fica para sempre o legado
de um homem amigo, companheiro, solidário como só ele sabia
ser.
E como um pequeno exemplo dos ensinamentos que o Dr. Romildo Bolzan nos
deixou, quero citar alguns trechos de seu discurso de despedida da Agergs,
realizado ainda no mês de julho passado talvez seu último
pronunciamento público , que precisa ficar registrado. Disse Bolzan:
Em certa ocasião, o escritor Buarque de Hollanda afirmou que 'a
experiência é tal qual um automóvel: com os faróis
acesos apontados para trás'.
Reconheço em mim, inicialmente, a experiência que o tempo
me deu como ensinamento. Mas já com quase 50 anos de vida pública,
não me permito aceitar que os meus faróis estejam em outra
direção, se não iluminando à frente.
Em outro trecho, Dr. Romildo diz:
Há que se encerrar. A manifestação deste Presidente
poderia ser pessoal, mas no momento político por que atravessa
a Nação como um todo, em que determinados homens públicos
não estão a merecer o voto livre e democrático dos
cidadãos, necessita de exemplos incontestáveis.
Por mais difícil que seja o tempo, por maiores que sejam as tormentas,
por mais decepcionantes que sejam determinados segmentos representativos
da sociedade, fico com aqueles que não passaram por nós
em vão. Foram as palavras de Romildo Bolzan naquela Sessão
Solene da Agergs.
Nossa jornada aqui na terra é finita. Apesar de todos os esforços
e avanços da Medicina, o nosso dia derradeiro de vida chegará.
Assim se sucedeu com o Deputado Romildo Bolzan, como também acontecerá
conosco.
Alguns passam pela vida despercebidos. Outros, ao contrário, marcam
indelevelmente sua passagem por aqui. Este último é o caso
do Conselheiro Romildo Bolzan. Sua vida como um todo foi marcada pela
personalidade altiva, decidida e competente. Amigo que ficará marcado
também pelo sorriso largo, pelo abraço fraterno, pela palavra
encorajadora e lúcida, pelo espírito conciliador que sempre
o caracterizou.
Os momentos difíceis sempre enfrentou de cabeça erguida,
com sabedoria e muita firmeza. Sem nunca perder a ternura, soube sempre
fazer o enfrentamento e a boa luta.
A fidelidade aos amigos e companheiros, assim como o respeito aos adversários
fizeram com que sua vida fosse marcada pelo carinho e atenção
dos primeiros e pela admiração de todos.
Eu sempre o chamei de mestre. De fato, o meu comportamento ao seu lado
foi o comportamento de um aprendiz, e todo o conhecimento que adquiri
com essa convivência tem contribuído significativamente na
minha caminhada.
Neste momento, o Grande Arquiteto do Universo já o acolheu. Que
a luz que sempre iluminou sua caminhada possa também brilhar e
mostrar a todos nós o caminho do bem. Que o seu exemplo de vida
possa-nos estimular ainda mais a construir um mundo mais justo e igualitário.
Que assim seja!
O Sr. João Fischer (PPB) V. Exa. permite um aparte? (assentimento
do Orador)
Saúdo o Deputado Francisco Appio, que preside os trabalhos neste
momento, os demais integrantes da Mesa e a família do Deputado
Romildo Bolzan.
Deputado Ciro Simoni, suas palavras expressaram tudo o que tínhamos
a dizer sobre essa pessoa democrática, sobre esse Líder,
que certamente serve de exemplo para todos nós e para todos aqueles
que acreditam ser a democracia a melhor forma de se fazer política
e de se dar liberdade a um povo.
A Bancada do Partido Progressista Brasileiro associa-se à homenagem
que V. Exa. presta a uma pessoa muito especial para o Estado do Rio Grande
do Sul e principalmente para esta Casa.
Pela feliz iniciativa, cumprimento V. Exa., Deputado Ciro Simoni, que
é oriundo da mesma cidade do Deputado Romildo Bolzan e também
de seu genro, Deputado Vieira da Cunha, que aqui trabalha e defende os
ideais desse grande Líder.
Nossos cumprimentos à família do homenageado, a quem nos
dirigimos para dizer que todos nos sentimos orgulhosos pelo fato de nesta
Assembléia Legislativa ter existido um Deputado como Romildo Bolzan.
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Comunico a V. Exas. que a partir
deste momento todos os apartes serão considerados comunicação
de líder.
Por solicitação do Deputado Bernardo de Souza, concedo a
palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.
O
SR. BERNARDO DE SOUZA (PPS) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Minha saudação ao nobre Deputado Ciro Simoni, ao ilustre
Presidente do Tribunal de Contas e ao Representante da Agergs.
Inicialmente, peço desculpas por ter chegado só agora ao
plenário, e peço que debite isso às minhas múltiplas
atividades, as quais, espero, todos compreendam. Mas insisto em estar
aqui para cumprimentar V. Exa. pela justiça deste Grande Expediente
e para trazer a minha homenagem ao homenageado e, especialmente, a seus
familiares.
Não tive a alegria de conviver com o Dr. Romildo Bolzan nesta Assembléia,
onde sei que teve uma marcante atuação, exercendo seu mandato
com dignidade, firmeza e coerência, que eram suas marcas. Isso é
importante registrar.
Encontrei-o, um dia, no Tribunal de Contas do Estado encontrei-o mais
proximamente, quero dizer , quando fui tratar de algum assunto administrativo,
e ele presidia aquela Corte. Lá encontrei o mesmo Romildo Bolzan
que conhecia sério, firme, digno, coerente , mas com uma faceta
que eu desconhecia: afável e de trato muito agradável, porque,
de certa maneira, às vezes intimidava quem chegasse perto sem muito
perto chegar.
Então, esse conjunto de virtudes fizeram de Romildo Bolzan um qualificadíssimo
homem público. Foi Deputado, Prefeito de sua terra, membro do Tribunal
de Contas, Presidente desse Tribunal, membro da Agergs e seu Presidente.
Nós todos choramos a sua perda, como tive a oportunidade de fazer
quando estive aqui, no momento em que a Assembléia velava seu corpo.
Quero aqui fazer essa manifestação de solidariedade à
imagem, à lembrança do grande homem público que foi
Romildo Bolzan. Peço que a família assim receba. Associo-me
a esta homenagem fazendo esse registro, que sei ser muito mais pessoal
e existencial do que político, mas é assim que tem de ser.
(Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Por solicitação
do Deputado Adroaldo Loureiro, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. ADROALDO LOUREIRO (PDT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Minha saudação ao Presidente do Tribunal de Contas do Estado,
Conselheiro Helio Mileski, e ao Presidente da Agergs, Conselheiro Dagoberto
Lima Godoy.
Quero cumprimentá-lo, Deputado Ciro Simoni, pela homenagem que
hoje presta a esta extraordinária figura de homem público,
de cidadão que foi Romildo Bolzan. Pessoalmente, tive a alegria
de conviver com o Dr. Romildo. Conheci-o como Deputado, fundador do nosso
Partido, o PDT, aqui na Assembléia Legislativa, depois acompanhei
a sua trajetória como Conselheiro do Tribunal de Contas, Presidente
e Conselheiro da Agergs e com ele convivi como companheiro e amigo.
Todos os adjetivos proferidos por V. Exa. e os demais Oradores é
pouco para retratar a figura do Dr. Romildo Bolzan, um homem sério,
honrado, digno, disciplinado, cumpridor dos seus deveres e efetivamente
um exemplo a ser seguido por todos nós.
O pronunciamento de V. Exa., Deputado Ciro Simoni, recordou a trajetória
inesquecível deste grande homem público, do pai que foi
o Deputado Romildo Bolzan, cuja família quero aqui cumprimentar
- seus filhos, suas filhas, bem como o Deputado Vieira da Cunha, nosso
Colega de Bancada.
Lembrar as palavras de Bertold Brecht: Há homens que lutam por
um dia e são bons; há homens que lutam por alguns dias e
são melhores; há homens que lutam por muitos anos e são
melhores ainda, mas há homens que lutam por uma vida toda esses
são imprescindíveis.
O Dr. Romildo Bolzan certamente é um desses imprescindíveis,
e o seu exemplo deverá ser seguido por todos nós e irá
iluminar a vida e a caminhada de cada cidadão de bem do Estado
do Rio Grande do Sul. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio - PPB) Por solicitação
do Deputado Germano Bonow, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. GERMANO BONOW (PFL) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Deputado Ciro Simoni, gostaria de cumprimentar V. Exa. por este reconhecimento
a um ex-Parlamentar desta Casa, a um homem público do Rio Grande,
em função dos serviços que prestou. Não repetirei
aqui o que V. Exa. disse de forma brilhante, mas ressaltarei dois pontos
que me tocaram de forma bastante profunda.
De um lado, ressalto a tristeza por alguém que partiu e nos deixou,
por alguém que prestou à sua família e ao Rio Grande
inúmeros serviços. Senti essa mesma tristeza há alguns
dias, conversando com a filha de Romildo Bolzan. Perguntei-lhe se o Deputado
Vieira da Cunha iria concorrer a Deputado Federal, e ela me respondeu
que preferia ficar no Estado, curtindo um pouco mais o seu pai.
Ressalto, por outro lado, que é motivo de muita alegria, ouvir
um homem público do Rio Grande, um Deputado como V. Exa. fazer
referências ao Parlamentar Romildo Bolzan, que também foi
Conselheiro do Tribunal de Contas, Conselheiro do nosso time, do nosso
clube, foi Prefeito e um Político com letra maiúscula, que
ajudou a construir o Rio Grande.
Manifesto aqui o meu contentamento pela justa homenagem e também
por poder presenciar inclusive adversários políticos de
Romildo Bolzan fazerem esse reconhecimento, ao mesmo tempo em que elogio
V. Exa. pela iniciativa de reconhecer o valor desse grande homem que o
Rio Grande acaba de perder. Para mim, esta biografia é um motivo
de muita alegria. Parabéns, Deputado Ciro Simoni. Muito obrigado.
(Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Por solicitação
do Deputado Roque Grazziotin, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. ROQUE GRAZZIOTIN (PT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Em nome da Bancada do PT, manifesto a nossa solidariedade a V. Exa., Deputado
Ciro Simoni, na homenagem a esse homem público que foi o Dr. Romildo
Bolzan, no cenário do Rio Grande do Sul.
Há pessoas que passam, e há pessoas que marcam e ficam.
Certamente o Dr. Romildo Bolzan é uma dessas pessoas que ficam
na história do Rio Grande do Sul, pela sua trajetória, coerência
e posicionamentos. Lá da Serra, ouvíamos uma referência
à pessoa do Dr. Romildo, pela sua integridade e, ao mesmo tempo,
por ser um referencial na política pública rio-grandense.
Em nome da Bancada do PT, transmitimos a nossa solidariedade, de um modo
especial, a todos os familiares do Dr. Romildo Bolzan. Homenagear esse
homem público, Deputado Ciro Simoni, mais o engrandece, pois com
sua atuação engrandeceu também a Assembléia
Legislativa deste Estado. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio - PPB) - Por solicitação
do Deputado Iradir Pietroski, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. IRADIR PIETROSKI (PTB) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Saúdo o Presidente do Tribunal de Contas do Estado e o Presidente
da Agergs.
Quero cumprimentar o Deputado Ciro Simoni pela iniciativa de promover
esta homenagem. Não tive a oportunidade de conviver, neste plenário,
com o Deputado Romildo Bolzan, mas o conheci quando entrei na vida política,
nos idos de 1976 a 1982, período em que fui Vereador do MDB no
interior. Recebia suas correspondências, uma vez que, à época,
ele era Secretário-Geral do Partido, e com base nisso acompanhei
sua vida pública, a qual corresponde à biografia que V.
Exa. traz ao plenário.
Em nome da Bancada do PTB, quero prestar a nossa homenagem e cumprimentar
os familiares de Romildo Bolzan, dizendo que o seu exemplo certamente
deverá ser seguido por qualquer cidadão do Rio Grande, seja
no âmbito familiar ou de cidadania. Romildo fez a sua parte. O Rio
Grande do Sul perdeu um grande Líder. Muito obrigado. (Não
revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio - PPB) - Por solicitação
do Deputado José Ivo Sartori, concedo a palavra a S. Exa. para
uma comunicação de líder.
O
SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) - Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados:
Saúdo o Conselheiro Helio Mileski e o Sr. Presidente da Agergs,
Dagoberto Lima Godoy.
Deputado Ciro Simoni, quero cumprimentá-lo pelo pronunciamento
em homenagem ao ex-Deputado Romildo Bolzan. Somente as pessoas que convivem
com outras têm a sensibilidade e a autoridade com que V. Exa. veio
a esta tribuna pronunciar-se. Mais do que ter sido seu amigo, irmão,
companheiro e parceiro, o homem público Romildo Bolzan foi quem
lhe possibilitou alguns ensinamentos sobre a vida política.
A vida de Bolzan - chamo-o pelo sobrenome porque não fui acostumado
a chamá-lo de Romildo - é a prova de que é possível
na vida política, além da tolerância, ter simplicidade
na convivência com as pessoas, fazer as coisas sem arrogância
e estar sempre pronto para novos desafios.
Talvez este Deputado seja o único dos Parlamentares da Casa que
tenha convivido com o Deputado Romildo Bolzan. Lembro-me inclusive da
última cadeira que ocupou neste Parlamento por incrível
que pareça, ao lado do hoje Conselheiro do Tribunal de Contas Porfírio
Peixoto.
Posso referir aqui que foi muito bondoso comigo, especialmente na ocasião
em que não fui eleito, então candidato pelo MDB. Quando
candidato a deputado estadual pela penúltima vez, ele, que era
o Secretário-Geral do MDB e não deixava passar nada sem
informar a todos os diretórios, a todos militantes, encorajou-me,
deu-me força.
Naquela época, este Deputado era um humilde Vereador de Caxias
do Sul, no interior do Estado, mas aprendi ao longo do tempo, convivendo
com ele, que, às vezes, não precisamos ser intelectuais
para interpretar a vontade do povo e para saber como nos conduzir politicamente.
Não falo isso para deslustrar, mas para reafirmar que, embora o
pensamento seja muito importante, é preciso, acima de tudo, mostrar
a vida que as pessoas levam.
Sabemos as coisas pela experiência. Certa ocasião, ele me
mandou um recado pelo Deputado Vieira da Cunha, e entendi bem o recado:
Pode avisar o Sartori que ele vai ser o homem. 'É a bola da vez'.
Estou falando de pessoas que sabem fazer as coisas devido à sua
experiência, ao seu conhecimento e, acima de tudo, por possuírem
a virtude do congraçamento. Existem os que querem separar, e existem
os que sabem juntar, aglutinar e aproximar os outros duros, firmes,
mas com o coração sempre aberto para o novo.
A família do Romildo Bolzan a esposa, o Romildinho, o Deputado
Vieira da Cunha devem ficar sempre contentes, porque a imagem que ele
nos deixa é a melhor de todas: é a imagem da família
e do trabalho. E nós, que convivemos com ele, guardamos a imagem
de alguém que sempre tinha um jeito próprio de dizer vamos
em frente, vamos de novo.
Fui surpreendido porque não sabia que ele estava doente. Talvez
tenha guardado isso para si por não querer desconfortar ninguém
e para não trazer preocupação.
Mais uma vez, cumprimento a Assembléia Legislativa e V. Exa., Deputado
Ciro Simoni, que presta esta homenagem a um homem público extremamente
honrado, dedicado e sempre pronto para novos desafios. Infelizmente, a
morte o colheu quando ainda poderia traduzir politicamente outras atividades.
Mesmo afastado, Romildo Bolzan estava preparado para voltar à atividade
política, a qual nunca abandonou em todas as atividades que exerceu.
Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. CIRO SIMONI (PDT) Sr. Presidente, quero agradecer as manifestações
carinhosas e importantes dos Srs. Deputados.
O Presidente do Tribunal de Contas, colega do Dr. Romildo Bolzan por muitos
anos naquela mesma instituição, o Presidente da Agergs,
os Deputados, demais companheiros, amigos e todos nós que estamos
aqui prestamos uma homenagem a alguém que foi e sempre será
importante para o nosso Estado pelo seu exemplo e por tudo que construiu.
Agradeço mais uma vez a todos os meus Colegas por conseguirem enriquecer
o que procurei fazer ouvindo o meu coração, o que talvez
seja o mais importante na nossa vida: homenagear aqueles que nos orgulham
como amigos e que, de fato, orgulham o nosso Estado e a nossa Pátria.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Deputado Ciro Simoni, a Mesa,
em nome do Presidente Sérgio Zambiasi, cumprimenta V. Exa. pela
oportunidade que deu ao Parlamento de render uma homenagem a uma pessoa
tão ilustre, que mostrou como é possível fazer vida
pública com dignidade.
V. Exa. oportunizou ainda o resgate de tão boas lembranças,
de momentos de tanta saudade, tanto carinho, tanto respeito pelo Deputado
Romildo Bolzan e pelos seus familiares.
A Mesa agradece a V. Exa., considerando que seu pronunciamento representou
também o pensamento de toda esta Assembléia Legislativa.
Agradece igualmente a presença do Presidente do Tribunal de Contas
do Estado, Helio Saul Mileski que representa os demais Conselheiros,
os quais se encontram em sessão ordinária , bem como do
Presidente da Agergs, Sr. Dagoberto Lima Godoy, que aqui compareceu juntamente
com os demais Conselheiros da Agência.
Suspendo a Sessão por três minutos para cumprimentos aos
familiares do homenageado.
(Suspende-se a Sessão.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Estão reabertos os trabalhos.
Terminado o Grande Expediente, passo à
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A primeira Oradora inscrita é a Deputada Maria do Rosário.
(pausa) Por cessão de tempo, concedo a palavra ao Deputado Roque
Grazziotin.
O SR. ROQUE GRAZZIOTIN (PT) Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados:
Apresento projeto que protocolamos nesta Casa, fruto do trabalho realizado
numa audiência pública, da qual participaram representantes
das torcidas organizadas, da direção dos clubes de futebol
e jornalistas.
Nesse encontro foi analisada a violência que ocorre nos estádios
de futebol. A partir dessa audiência, por sugestão dos participantes,
encaminhamos a esta Casa um projeto que proíbe a venda e o consumo
de bebidas alcoólicas nas dependências dos estádios
de futebol, durante a realização das práticas desportivas.
Segundo os depoimentos, a maior parte dos problemas que ocorrem nas torcidas
deve-se ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas e de outros tipos
de drogas químicas.
Essa violência praticada nos estádios de futebol decorrentes
do uso dessas drogas sabemos que também há outros fatores
que causam esse problema justifica a apresentação do nosso
projeto.
Com a aprovação desta proposta, daremos condições
àqueles que gostam de esporte e que o praticam de voltarem às
praças esportivas com alegria e harmonia e evitaremos a violência
vivida nos estádios de futebol, principalmente em jogos mais significativos
onde a presença de torcedores é maior.
Esse projeto objetiva que o resgate da prática esportiva se torne
um fato que engrandeça o esporte, a justiça e que promova
a paz e a fraternidade entre os povos.
Sabemos que, em virtude do acerbamento do processo de violência,
medidas como a que sugiro já foram tomadas em outros países.
Gostaríamos que o convívio fraterno, sem antagonismos, pudesse
anular esses acerbamentos, muitas vezes provocados pela bebida, utilizados
como fatores de encorajamento e de estímulo a uma reação
contrária àquilo que gostaríamos que acontecesse
nos campos de futebol: a paz e a solidariedade. Muito obrigado. (Não
revisado pelo Orador.)
O
SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito PPB) A próxima Oradora inscrita
é a Deputada Maria do Carmo.(pausa) Por cessão de tempo,
concedo a palavra ao Deputado João Fischer.
O
SR. JOÃO FISCHER (PPB) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Ontem, nesta Casa, o Deputado Luis Fernando Schmidt e este Deputado travamos
um debate de alto nível, que realmente revelou as opiniões
de cada um. S. Exa. estava defendendo o seu Governo, mas todos os dias
vemos o que está acontecendo no Rio Grande do Sul: o descontentamento
da comunidade com o atual Governo.
Hoje, durante o Polêmica, programa do Jornalista Lauro Quadros,
na Rádio Gaúcha, notou-se novamente o quanto o Governo está
andando no caminho errado, porque as pesquisas mostram que dois terços
dos gaúchos estão preocupados com o emprego, com o trabalho,
com as oportunidades e com quem tem condições de criá-las.
Mas o PT insiste em dizer que, toda a vez que alguém recebe incentivo,
o Governo está abrindo mão de recursos, o que não
é verdade, tomando-se o exemplo da já citada empresa Azaléia,
que está retirando do nosso Estado uma unidade e que pode até
deslocar mais algumas, porque o Governo não está sendo sério
com aquilo que foi tratado e com os compromissos que teria a responsabilidade
de honrar mesmo tendo sido firmados durante o Governo anterior , uma
vez que foi realizado um juramento sobre a Constituição,
e as leis foram aprovadas nesta Casa.
Este Governo repete que não dá dinheiro, mas a Azaléia
não queria financiamento. Essa empresa iria fazer um investimento
de 11 milhões e 500 mil reais no Rio Grande do Sul, para o qual
o Governo não precisaria destinar nenhum tostão.
Quanto ao que seria gerado a mais, o Governo daria condição
àquela empresa de creditar o valor referente ao seu investimento.
É claro que a Azaléia não queria isso, e o atual
Governo não quis colaborar, ao contrário de outros Governos,
que fazem mais, gerando mais empregos e oportunidades para todos aqueles
que delas precisam.
Mas a opinião pública mostrou, com o dobro da votação,
que não quer mais este Governo ditatorial, ou extremista, que não
aceita a democracia, que não admite a vontade da maioria e que
tende sempre a caminhar na direção em que a comunidade não
quer.
A sociedade gaúcha não quer caminhar só para o lado
que o Governo deseja. A comunidade quer caminhar para frente, em direção
à paz, como disse o Padre Roque Grazziotin, pois está farta
do enfrentamento e do desrespeito às leis.
O Governo deveria enxergar que os gaúchos querem a atenção
que ele diz dar, mas não dá; querem as obras que o Governo
diz fazer, mas não faz; querem as oportunidades que o Governo diz
criar, mas não cria.
Ontem, desta tribuna, o Deputado Luis Fernando Schmidt afirmou que o Governo
do Estado está investindo muito em educação. Quero
mostrar aqui o investimento, Deputado José Ivo Sartori.
Assim que assumiu, o Governo passado aumentou o repasse trimestral; o
Governo do PT não. Não bastasse isso, está cobrando
tarifas de água e luz das escolas estaduais. Primeiro queria terminar
com os CPMs e agora, além de toda a ajuda que a comunidade precisa
dar aos estabelecimentos estaduais de ensino, quer cobrar as taxas de
água e luz deles.
Gostaria muito que o Governo conseguisse explicar à comunidade
o que está tentando fazer, pois, até agora, ninguém
conseguiu entender. O Governo manda empresas embora e cobra tarifas básicas
das escolas estaduais. Em todas as reuniões do Orçamento
Participativo, a educação aparece em primeiro lugar, mas,
infelizmente, não é o que parece, pois nem isso eles ouvem.
Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito - PPB) - Por solicitação
do Deputado Luis Fernando Schmidt, concedo a palavra a S. Exa. para uma
comunicação de líder.
O
SR. LUIS FERNANDO SCHMIDT (PT) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Não viemos explicar absolutamente nada aqui, pois nada há
para justificar. No entanto, é importante que a comunidade gaúcha
saiba da verdade com relação aos investimentos que o Governo
vem fazendo nos sistemas locais de produção.
Ontem, nesta mesma tribuna, ressaltei o contentamento que reina no setor
da vitivinicultura. E essa não é uma afirmação
nossa, mas, sim, de empresários ligados a essa área como,
por exemplo, o Sr. Dall Pizzol que afirma que o Governo Olívio
Dutra está investindo e valorizando esse setor. Há também
a Associação Gaúcha do ramo moveleiro, que elogia
as ações do Governo com relação a esse sistema
de produção em cadeia.
Poderíamos fazer a mesma análise com relação
a outros setores, como a agroindústria e a própria agricultura,
que recebe recursos como nunca visto antes, repassados por meio de programas
desenvolvidos pelo Banrisul, como, por exemplo, o RS Rural.
Deputado João Fischer, o Jornal do Comércio, na edição
do dia 4 de fevereiro deste ano, divulgou, na coluna do Sr. Affonso Ritter,
que o Presidente do Sindicato das Empresas Construtoras de Estradas afirmou
que nunca, na história deste Estado, foi investido tanto em estradas,
se compararmos com o mesmo período de governos anteriores, como
nos dois primeiros anos deste Governo, totalizando um montante de 570
milhões de reais.
E vou adiante. V. Exa. referiu a educação. O nosso é
o Estado que mais investe por aluno em relação a qualquer
outro deste País. Não somos nós que estamos dizendo
isso, mas, sim, o próprio Governo Federal. Criamos 100 escolas
de ensino médio já aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação,
e há mais 70 para serem aprovadas. Na Região do Vale do
Taquari, por exemplo, o Governo Antônio Britto criou uma escola
de ensino médio, e o Governo Olívio Dutra, nove. São
seis escolas em funcionamento e três que entrarão em atividade
a partir de março de 2002.
Com relação à Azaléia, todos sabemos que o
Governo do Estado tentou uma repactuação, porque essa empresa
não está adequada aos parâmetros exigidos no contrato
assinado pelo Governo anterior. Estamos apenas buscando justiça.
Fizemos isso com outras empresas, como a Brasilata S/A - Embalagens Metálicas,
de Estrela, e a Fruki, de Lajeado, que aceitaram a renegociação.
E mais: já houve concessão de benefícios através
do novo Fundopem para 50 empresas neste Estado.
O Governo Britto investiu 80% do Fundopem em somente seis empresas, deixando
os restantes 20% para pouquíssimas empresas deste Estado. Aliás,
essa foi uma injustiça muito grande, repito, porque quem precisa
de benefício fiscal ou quem precisa de benefício do Governo
do Estado com relação às políticas públicas
na área industrial são as pequenas e médias empresas,
as empresas familiares, substancialmente as empresas brasileiras e gaúchas.
Entendemos que empresas são importantes, independentemente do seu
porte e da sua potencialidade econômica. Porém, não
podemos nutrir com investimentos públicos aqueles que já
têm recursos, como a Ford, por exemplo, que queríamos que
ficasse em nosso Estado. Essa empresa possuía 24 bilhões
de dólares aplicados no sistema financeiro internacional, inclusive
no Brasil, absorvendo nossos juros, cujo índice é o segundo
mais alto do mundo, perdendo apenas para a correção feita
ao dinheiro aplicado na Rússia.
Portanto, Deputado João Fischer, devemos, primeiramente, ter absoluta
responsabilidade, a fim de entendermos que o Estado não cresce
de graça com relação ao PIB industrial e à
agricultura. Há uma enorme incoerência entre o seu discurso
e a prática, pois seria impossível que o Estado estivesse
crescendo com os investimentos feitos pelo Governo apoiado por V. Exa.
se, conforme afirma V. Exa., tivesse o nosso Governo mandado essas empresas
embora.
Há uma contradição que talvez não seja enxergada
nem por V. Exa. nem por seus Colegas. Porém, o nosso Governo está
aplicando nos setores gaúchos que possuem tradição
e que no Governo Britto, apoiado por V. Exa., foram deixados de lado.
(Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito - PPB) - Por solicitação
do Deputado João Fischer, concedo a palavra a S. Exa. para uma
comunicação de líder.
O SR. JOÃO FISCHER (PPB) - Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados:
O esclarecimento é muito importante e muito bom, pois a comunidade
tem que ficar sabendo o que o PT tenta explicar mas não consegue
mostrar. Algo que exibe apenas em ficção, através
de propagandas muito bem elaboradas, omitindo o que acontece na realidade.
O setor de suinocultura do Rio Grande do Sul é composto por pequenos
proprietários e pequenos produtores, que possuem de 50 a 150 porcos
e que precisam do necessário para o sustento de suas famílias.
Um levantamento feito por um professor e economista da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul demonstrou o quanto os paranaenses têm vantagens,
em relação ao Rio Grande do Sul, na produção
de suínos.
Nosso Estado era o maior produtor. Durante o Governo do PDS, em 1970,
produzíamos dois milhões de cabeças. Hoje produzimos
de dois a três milhões de cabeças. Os produtores do
Estado do Paraná, no entanto, recebem um estímulo do Governo
de 31 reais e 08 centavos, iniciativa que poderia ser copiada pelo Governo
do Estado do Rio Grande do Sul. Quem embolsará esse dinheiro será
o produtor, que também poderá conseguir mais competitividade
pelo seu produto. Se obtiver essa vantagem, irá distribuir esse
recurso.
Não precisa o Governo fazer um orçamento que pretende enganar
a todos, pois não acontece na prática.
Deputado Luis Fernando Schmidt, V. Exa. sempre menciona o Governo anterior
como sendo meu Governo, o qual o meu Partido apoiou, estando à
frente da Secretaria de Transportes. Podemos mostrar o que fizemos e comparar
com o que foi feito pelo Governo do PT. No entanto, não venham
dizer que alguns dos recursos que vêm do Fundo Monetário
Internacional, do BID e do BIRD que V. Exas. tanto criticam são
decorrentes de projetos que V. Exas. apresentaram. Se dependesse de propostas
elaborados por seu Partido, não receberíamos nada, porque
V. Exas. não têm condições de elaborar um projeto
para arrecadar recursos no exterior. Essa é uma verdade que todos
conhecem. Seu Partido não tem credibilidade para tanto. O que foi
feito, está feito, e é bom que os recursos estejam vindo.
Talvez V. Exas. estejam realizando algumas dessas obras não as
estou acompanhando , mas tenho conhecimento de que obras que levavam
de dois ou três meses para serem concluídas estão
agora demorando dois ou três anos.
Entendo que o presidente do Sindicato das Empreiteiras tenha dito aquilo
a que V. Exa. referiu. Ele também está preocupado, pois
precisa buscar o que é seu. Como ele poderia xingar o patrão?
Só quem toma essa atitude é o PT. Seu Partido xinga o operariado
e o trabalhador quando não pensam da mesma maneira que o PT, quando
não têm a mesma idéia de democracia que o Partido
apregoa que não é democracia , a de que todos devem pensar
de uma maneira só, ter um partido único. Não é
isso o que queremos. Desejamos liberdade, condições para
que aquele que queira trabalhar possa fazê-lo, assim como quem pretender
gerar oportunidades tenha disponibilidade para isso. Mas que o Governo
não atrapalhe. Se não puder ajudar, que não atrapalhe.
Abordando outro ponto, V. Exas. têm que explicar muito bem a questão
da educação, porque essa deve ser prioridade sempre, mas
não observo isso acontecer. Agora, farão demagogia com base
na Universidade Estadual. Tenho certeza absoluta de que o Governo queria
que não aprovássemos o Projeto nesta Casa. No entanto, nós
o aprovamos, dando oportunidade ao Governo de vir a criar uma universidade
que não falta no Rio Grande do Sul. Faltam muitas outras coisas,
como incentivos para os micro, para os pequenos e para os médios
empreendedores. Se existissem, cada um de nós poderia ter um explicativo
sobre isso. V. Exas. não têm projeto de desenvolvimento e
têm de admitir esse fato.
Deputado Luis Fernando Schmidt, respeito-o muito como Parlamentar. Infelizmente,
V. Exa. tem de defender aqui o indefensável, o inexplicável.
(Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito PPB) Com a desistência antecipada
dos Deputados Sérgio Zambiasi, Paulo Azeredo e Iara Wortmann, a
próxima inscrição pertence ao Deputado José
Ivo Sartori, a quem concedo a palavra.
O SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) Sr. Presidente
e Srs. Deputados:
Não quero discutir números com o Deputado Luis Fernando
Schmidt, até porque os seus números são redondamente
enganosos e insuficientes, não correspondendo à realidade
dos fatos. Vejo que estão muito acostumados a usar números
dos outros como se fossem seus, numa apropriação de atos,
de situações, de trabalhos e de realizações,
visando, única e exclusivamente, a confundir a opinião pública.
A população já sabe que essa prática não
é verdadeira.
Alegro-me muito quando observo que o Estado do Rio Grande do Sul permanece,
como esteve em outras ocasiões, na vanguarda do processo educacional
brasileiro. Não é de hoje sua posição de liderança
no que se refere ao processo de ensino e de aprendizagem, de formação,
de preparo, de luta contra o analfabetismo. Desejamos que este Governo
mantenha, pelo menos neste campo, a vanguarda do Rio Grande no País
em termos educacionais.
Mas o que me traz à tribuna é o fato de o Rio Grande do
Sul ter sido o único Estado ao contrário de todo o País
no qual se realizaram pesquisas eleitorais. Essas aconteceram apenas
e tão-somente aqui. Não irei discutir o mérito das
pessoas que, tanto para o Senado quanto para o Governo do Estado ou para
a Presidência da República, alcançam determinados
índices nessas pesquisas. São pessoas expostas pela mídia
e que, portanto, têm uma postura e assim se colocam.
Sr. Presidente e Srs. Deputados, apenas quero referir que o processo sucessório
sequer faz parte da agenda do Rio Grande e que os próximos candidatos
para a sucessão estadual ainda não estão definidos.
Com isso, fica claro que qualquer pesquisa, nessas circunstâncias,
apenas favorece uma avaliação momentânea e ocasional,
pois a probalidade de erros e de mudanças são muito mais
profundas do que em qualquer outra ocasião.
Gostaria de salientar, ainda, que determinadas classificações
e manifestações divulgadas pela imprensa, como, por exemplo,
as do último pleito estadual, permitem-me formular uma opinião
contrária a esse tipo de pesquisa, a não ser aquelas realizadas
pelos partidos políticos. Penso que essas pesquisas deveriam ser
profundamente fiscalizadas e realizadas com critérios, porque,
se a pesquisa influencia o processo eleitoral, imaginem o quanto elas
podem influenciar antes de os partidos lançarem seus candidatos,
induzindo a que, por tal partido, por tal coligação, deva
ser tal o candidato.
Pessoalmente, penso que as pesquisas deveriam manter-se especificamente
no âmbito partidário. Mas, se elas influenciam lá,
influenciam muito mais cá.
Participei do último pleito eleitoral, como candidato a prefeito,
e a pesquisa CEPA/UFRGS, manifestada num sábado, 30 de setembro,
portanto na véspera das eleições do dia 1Ί de outubro,
nos dava 26,5%, enquanto o candidato à reeleição,
e atual Prefeito de Caxias do Sul, recebia 52,2%. Esses números
estavam estampados em todos os jornais e em todas as rádios da
localidade.
O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito - PPB) - Deputado, o tempo de V. Exa. está
ultrapassado. (pausa) Por solicitação do Orador, concedo
mais um tempo de comunicação de líder a S. Exa.
O SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) - Qual foi o resultado do dia seguinte,
no dia da verdade da urna? O candidato à reeleição
teve 48,16%, e nós, 43,12% dos votos. Como é possível,
de um dia para o outro, que haja uma mudança tão grande
no eleitorado?
Sou testemunha viva dessa situação, dessa realidade. Pensei,
então, que o CEPA/UFGRS não se credenciaria mais para apresentar
pesquisas. Não se pode querer conformar a opinião pública
com uma realidade dessa natureza. E mais: a pesquisa do IBOPE não
dava resultado muito diferente do que apresentei anteriormente, pois,
no dia 27 de setembro, citava 47% a 34%.
É lamentável que se queiram produzir cientificamente respostas
inadequadas para o comportamento político e socio-político
do rio-grandense. De certa forma, essa é uma atitude que não
engrandece o momento político que o Rio Grande do Sul vive. Temos
tolerância, compreendemos a situação, compreendemos
a realidade, mas não se pode querer fazer a cabeça das pessoas
dessa maneira.
Se erros foram cometidos com candidatos definidos, com o atual Prefeito
de Caxias do Sul, com este Deputado e com o Deputado Kalil Sehbe, imaginem,
agora, nas circunstâncias estaduais, quando sequer as coligações
estão estabelecidas e os candidatos, tanto à Presidência
da República quanto ao Governo do Estado e também ao Senado,
não estão definidos.
Essa é uma forma de patrocinar momentos que não estão
à altura do modo de fazer política no Rio Grande do Sul.
Tenho certeza de que a consciência do cidadão rio-grandense,
a consciência política do Rio Grande haverá de, mais
uma vez, mostrar que se podem contabilizar muito mais erros do que os
ocorridos em Caxias do Sul, onde se julgava que o PT ganharia a eleição
mais facilmente do que em qualquer outra localidade, conforme divulgado
em alguns jornais do Rio Grande do Sul.
Sr. Presidente, não quero desmoralizar as pesquisas. Isso já
ocorreu em Caxias do Sul, na prática e no voto, no dia que se seguiu
à eleição e no final do segundo turno, quando, surpreendentemente,
nossa diferença foi de 824 votos, representando 0,4%, enquanto
a pesquisa nos dava 26%.
Devem-se evitar constrangimentos como esse no atual processo sucessório
que nem está estabelecido no Rio Grande do Sul, para que não
haja achincalhes como está sendo prometido. Muito obrigado. (Não
revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito - PPB) - O próximo Orador inscrito
é o Deputado Ronaldo Zülke. Por cessão de tempo, concedo
a palavra ao Deputado Luis Fernando Schmidt.
O SR. LUIS FERNANDO SCHMIDT (PT) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Quero dizer ao Deputado José Ivo Sartori que podemos ter as nossas
diferenças ideológicas, o que é bom e faz parte do
processo democrático. No entanto, não gostaria, absolutamente,
que V. Exa. duvidasse dos números aqui oferecidos, que não
são criação deste Deputado, mas, sim, relatados por
jornalistas, por presidentes de entidades, que representam a verdade com
relação à aplicação dos recursos públicos
feita neste Estado.
O Sr. José Ivo Sartori (PMDB) - V. Exa. permite um aparte? (assentimento
do Orador)
Não sabia que eram os jornalistas que governavam o Rio Grande e
que detinham o poder no nosso Estado.
O SR. LUIS FERNANDO SCHMIDT (PT) - Não governam,
mas alguns gostariam de governar.
É importante, Deputado José Ivo Sartori, que tenhamos consciência
de que a sociedade gaúcha escolheu um novo projeto, no qual as
prioridades são definidas por meio do Orçamento Participativo.
Por isso, conseguimos aplicar os recursos em educação, criar
100 escolas de ensino médio, assim como políticas ligadas
à agricultura, além de incentivos justos às empresas
que têm características regionais, ou mesmo às empresas
que vêm de fora, desde que obedeçam a um contexto de desenvolvimento,
como é o caso da empresa MDF, da cadeia produtiva do ramo moveleiro,
e da Motorola, que se estão instalando aqui.
Este Governo está fazendo investimentos como nunca.
Na nossa Região, estão garantidos 1,5 milhão de reais.
Os recursos serão aplicados na estrada de Lajeado a Santa Clara;
no recapeamento a Bom Retiro do Sul - talvez tenha sido realmente um projeto
do Governo passado, mas projeto é muito fácil de ser feito.
Terminamos a estrada de Estrela a Colinas; fizemos a ponte junto à
área urbana de Colinas; e, mais uma vez, tivemos de terminar uma
obra, a da RS-332 até Nova Bréscia, que diziam ser a estrada
da mentira e que o nosso Governo transformou em estrada de verdade.
Muitos são os investimentos. Aliás, investimos 570 milhões
de reais em pavimentação asfáltica neste Estado.
Estamos fazendo obras de arte, Deputado Elmar Schneider, inclusive na
Região do Vale do Taquari, onde uma ponte entre os Municípios
de Travesseiro e Marques de Souza foi prometida, há 50 anos, por
senadores, deputados federais, deputados estaduais e governadores. Pois
o nosso Governo já tem 1 milhão e 800 mil reais previstos
para as obras que deverão iniciar em outubro.
O Deputado João Fischer quis discutir anteriormente a questão
da suinocultura. É interessante que S. Exa., que foi Governo, que
deu apoio ao Governador Antônio Britto, que tem um Ministro do seu
Partido na Pasta da Agricultura, venha reclamar do Governo Democrático
e Popular com relação à suinocultura. Sabemos que
existem problemas, mas há os que são conjunturais com relação
à Nação e às relações internacionais.
De acordo com as possibilidades, o nosso Governo está estruturando
políticas referentes a esse setor, mas não de forma verticalizada,
e sim na base do debate.
E é exatamente isso, Sr. Presidente, que as Comissões de
Economia e Desenvolvimento e de Agricultura desta Casa discutiram hoje
pela manhã. Ao contrário do que disse aqui o Deputado João
Fischer, o setor da suinocultura no Estado, seja ele empresarial ou de
produção no campo, vem elogiando o diálogo que o
nosso Governo está estabelecendo e, acima de tudo, as políticas
que estão sendo implantadas no setor da agropecuária e da
agricultura.
Não se fazem transformações nem milagres de uma hora
para outra; fazem-se políticas com responsabilidade. E são
elas que estão levando o nosso Governo a desfrutar de um nível
excepcional, se comparado a outros Estados, inclusive os citados como
referência, como é o caso da Bahia que está perdendo
credibilidade em termos de PIB industrial, e o Paraná, que apresentou
uma queda substancial no seu PIB industrial.
Estamos muito tranqüilos, porque a nossa política de geração
de emprego e renda, por meio do Programa Primeiro Emprego e de outros,
está absolutamente acertada. Muito obrigado. (Não revisado
pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito PPB) Com a desistência antecipada
dos Deputados Otomar Vivian, Abílio dos Santos, Vieira da Cunha,
Mário Bernd, Roque Grazziotin, Valdir Andres, Aloísio Classmann,
Onyx Lorenzoni e Adilson Troca, estão encerradas as Comunicações.
Passo às
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