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O primeiro Orador inscrito é o Deputado José Ivo Sartori,
a quem concedo a palavra.
O
SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) - Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados:
Estou encaminhando solicitação de Voto de Pesar pelo falecimento
de um dos fotógrafos que fizeram a história de Caxias do
Sul e - como se falava antigamente - retratou a vida da comunidade e os
eventos daquele Município e de toda a Região.
A obra desse artista da fotografia está espalhada por todo o Rio
Grande do Sul, eternizando aquilo que é o símbolo de toda
uma região que, sob as parreiras, alavancou o seu progresso e desenvolvimento,
evidentemente consagrados nas realizações da histórica
Festa da Uva.
Estou-me referindo a Ulysses Geremia, figura nascida em 1911 e que estaria
completando, no dia 2 de novembro, 90 anos de idade. Sua atividade profissional
começou em 1930, na época em que o Rio Grande sacudia o
Brasil com Getúlio Vargas, construindo a Revolução
de 30, iniciada com o Movimento dos Tenentistas, de 1924.
No início da década de 30, Ulysses havia fundado a sua loja
com a ajuda do seu pai. Começava ali o seu grande ofício,
que somou 70 anos de atividade, desde o lambe-lambe até as formas
mais sofisticadas de preservar a memória histórica das pessoas,
da comunidade e dos eventos de Caxias do Sul.
Seu pai, Giácomo, começou suas atividades na Avenida Júlio
de Castilhos.
Ulysses Geremia deixa a esposa e três filhos, mas, acima de tudo,
uma lição extraordinária a todos os profissionais
da fotografia. Por vezes não sabemos reconhecer a importância
do fotógrafo e da fotografia, mas, até mesmo no cinema mais
moderno e tecnologicamente melhor preparado, o papel principal ainda é
o da revelação e da presença da fotografia, seja
da natureza, do homem ou de seus relacionamentos.
Esse fotógrafo também deixou uma lição a todos
os novos profissionais, os que estão começando e os que
já desempenham as suas atividades. Ulysses Geremia sempre citava
uma frase que se tornou lapidar na história do mundo da arte fotográfica:
Não adianta ter as melhores máquinas e lentes se não
tiver cabeça para usá-las.
Hoje, ouvi uma manifestação da Associação
dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do
Estado do Rio Grande do Sul Arfoc/RS , na pessoa do seu Presidente,
Sr. Paulo Dias , que por sinal cobre as atividades desta Casa através
da fotografia , lamentando a perda de um talento e de uma referência
para os profissionais dessa área.
O Sr. Kalil Sehbe (PDT) V. Exa. permite um aparte? (assentimento do
Orador)
Deputado José Ivo Sartori, mais uma vez, quero-me solidarizar a
V. Exa., parabenizando-o por esta iniciativa, pois conhecemos a origem
do Sr. Ulysses Geremia, quem ele foi e os seus belos serviços prestados
através da fotografia para Caxias do Sul e para a Região.
Peço a gentileza de poder subscrever com V. Exa. este Voto de Pesar,
porque o mundo fotográfico sofreu uma grande perda, bem como Caxias
do Sul. Muitas vezes, pela fotografia fica registrado aquilo que acontece
de mais importante no cotidiano de todas as vidas. Muito obrigado.
O SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) Agradeço ao Deputado Kalil
Sehbe seu aparte e acolho com simpatia a possibilidade de dividirmos esta
homenagem.
Sr. Presidente, solicito a transcrição, nos anais desta
Casa, do depoimento do Repórter Fotográfico Roni Rigon,
com o título Parabéns, Ulysses Geremia, e da notícia
intitulada Caxias perde Ulysses Geremia Fotógrafo morreu ontem,
aos 89 anos de idade, escrita pela Jornalista Janaína Silva, ambos
publicados do jornal Pioneiro de Caxias do Sul, no dia de hoje, à
página 8.
Diante de um personagem como esse faço menção às
suas palavras , também digo que não são suficientes
a máquina e a lente, por mais modernas que sejam, pois é
preciso ter cabeça para poder ser um artista da fotografia ou de
qualquer outra atividade humana. Muito obrigado. (Não revisado
pelo Orador)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Defiro a solicitação
de V. Exa.
(Matéria entregue para transcrição.)
Caxias perde Ulysses Geremia
Fotógrafo morreu ontem, aos 89 anos de idade
JANAÍNA SILVA
Caxias perdeu ontem pela manhã um mestre da arte de fotografar.
O caxiense Ulysses Geremia, 89 anos, morreu em casa em decorrência
de complicações do terceiro derrame sofrido em cinco anos.
Desde 1996, quando fechou as portas do Estúdio Geremia, na Júlio
de Castilhos, a cidade já não era a mesma. Estar na vitrina
dos Geremia era uma honra. Os grandes momentos da Festa da Uva, a inauguração
do Monumento do Imigrante, os retratos de homens de negócios, as
crianças e as moças, todos figuravam ali, contando, por
meio de retratos, um pouco da história da cidade.
Geremia completaria 90 anos dia 2 de novembro. Casado com Zélia
Bazzi Geremia, 66, teve três filhos. Nenhum deles seguiu a profissão
do pai e do avô também fotógrafo. "Eu não vou
forçar, tem que ser uma coisa espontânea, pois o fotógrafo
é um artista", declarou no documentário Geremia: Retrato
de Uma Vida, produzido por alunos da UCS, em 1999.
O fotógrafo era mesmo um artista. Nos documentos, Ulisses está
grafado com "i", mas ele assinava com "y". Geremia foi reconhecido entre
os profissionais por dominar a luz e administrar poses adequadas, realizando
verdadeiras pinturas no papel fotográfico. Apredeu a arte com o
pai, o italiano Giácomo, fotógrafo que por mais de 40 anos
atuou na Júlio. Nascido numa família de seis filhos, foi
o único a interessar-se pelo ofício. "Eu quis aprender,
pois era a coisa mais difícil do mundo ser fotógrafo", contou
em 1999. Geremia começou a atuar em 1930, retocando fotos 3x4,
consideradas "de menor responsabilidade" a partir daí, ingressou
no mundo dos negativos de vidro, filtros e lentes.
Mesmo com a saúde debilitada, Geremia planejava voltar a fotografar
e falava com lucidez e entusiasmo a favor das novas tecnologias. Aos novos
profissionais, deixou uma lição em entrevista ao Pioneiro,
publicada dia 02 de novembro de 99, data em que completou 88 anos: "Não
adianta ter as melhores máquinas e lentes se não tiver cabeça
para usá-la".
O corpo de Ulysses Geremia está sendo velado nas Capelas Cristo
Redentor, e o sepultamento será hoje, às 10h30min, no Cemitério
Municipal de Caxias.
DEPOIMENTO
Parabéns, Ulysses Geremia
Roni Rigon*
Apreciar a vitrina do estúdio fotográfico de Ulysses Geremia,
na Avenida Júlio de Castilhos, era um aprazível deleite
para quem curtia a beleza da arte fotográfica. Em um país
carente de uma bibliografia condizente em épocas passadas, aquele
trabalho exposto constituía-se numa significativa influência
de aprendizado para os novos fotógrafos.
Ulysses sabia cativar olhares para a sua obra, elaborada através
da sensibilidade da perfeição. Seu acervo de imagens ficou
evidenciado pela uniformidade estética. Seja em retratos produzidos
em estúdio ou em ambientes externos, o resultado exprimia o domínio
perfeito do artista em criar composições que valorizavam
o enquadramento do assunto, a disposição dos elementos,
numa combinação meticulosa com a luz.
Não faço parte da geração de Ulysses Geremia.
A única vez que freqüentei seu local de trabalho foi em 1993,
para fazer uma matéria em homenagem ao Dia da Fotografia. Em seu
ambiente, descobri um homem sério, preocupado e honesto com o ofício
de fotografar. Suas atitudes serenas denotavam um comportamento de nobreza.
Naquela ocasião, falou dos seus anos de profissão e, humildemente,
interessou-se pelo meu trabalho realizado na imprensa. Embora sua agenda
fosse repleta de compromissos sempre procurava atender quando solicitado.
Nem mesmo a recuperação de uma isquemia cerebral o fez se
afastar do convívio social com estudantes, jornalistas, historiadores
e amigos.
A fotografia possui a magia de eternizar. Por isso Ulysses continuará
vivo na memória de Caxias de Sul. Sua herança constitui-se
num presente perpétuo aos amantes da história local. Hoje,
os portraits de nossos pais e avós, os registros dos parreirais,
Festas da Uva, da indústria, são imagens que além
de provocar sentimentos nostálgicos agradáveis, representam
um consistente documento iconográfico. Parabéns Ulysses
Geremia.
*Repórter fotográfico do Pioneiro
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) O próximo Orador inscrito
é o Deputado Manoel Maria, a quem concedo a palavra.
O
SR. MANOEL MARIA (PTB) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
É uma grande alegria estarmos, neste momento, ocupando este espaço
destinado à Apresentação e Discussão de Proposições,
quando, hoje, dia 4 de outubro, comemoramos, no mundo todo, o Dia dos
Animais, que é especial para todos nós, porque homenageia
estes nossos amigos chamados irracionais, que, muitas vezes, nos surpreendem
com atos bem racionais.
São cães, gatos, cavalos, os quais, pela sua natureza, certamente
nos são mais próximos, pois precisam da nossa atenção,
do nosso carinho e dos nossos cuidados especiais.
Este Legislador tem-se preocupado muito com os direitos dos animais e,
por isso mesmo, resolveu apresentar o Projeto de Lei nΊ 230/99, que institui
o Código Estadual de Proteção aos Animais, o qual
está tramitando nesta Casa em regime de urgência.
O Código tem o objetivo de proteger esses seres indefesos, muitas
vezes alvos de maus-tratos por parte de seus donos, que precisam de leis
e entidades que os defendam.
Não poderia deixar de mencionar, no dia de hoje, dia dedicado aos
animais, o nome da nossa querida e saudosa Dona Palmira Gobbi, que toda
a sua vida dedicou aos animais e que hoje faz tanta falta a nós
e aos seus protegidos. Dona Palmira não deixou sucessores à
altura da luta que travou durante décadas em defesa dos animais,
dezenas dos quais abrigava na sua própria casa, tirados das ruas
da cidade.
Cabe a nós, Legisladores, no entanto, criar leis que protejam os
animais e, nesse sentido, o Código Estadual dos Animais vem preencher
uma lacuna no Rio Grande do Sul. Certamente, servirá de modelo
a outros Estados que ainda não dispõe de uma legislação
sobre esse tema, que aqui conta com o apoio da mais diversas entidades
de defesa dos animais e ambientalistas.
Tenho a convicção de que em breve poderemos votar esse Projeto
de Lei, que tantos benefícios trará a esses seres, nossos
amigos, que alguém já disse que são os melhores amigos
do homem.
Tenho-me engajado em campanhas de proteção aos animais,
como as que vem desenvolvendo o Grupo de Apoio ao Bem-Estar Animal GABEA
, presidido pela nossa amiga Laiza Fróes. É muito importante
o apoio a essas entidades que lutam em defesa dos animais e que precisam
da solidariedade de empresas e da sociedade, com ações práticas
e objetivos definidos.
Para encerrar, quero dizer que conto com o apoio dos Colegas de todas
as Bancadas para aprovação do Projeto de Lei n° 230/1999,
que cria o Código de Proteção aos Animais. E, uma
vez aprovado nesta Casa, espero vê-lo sancionado pelo Governador
do Estado e transformado em Lei. Muito obrigado. (Não revisado
pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Por solicitação
do Deputado Kalil Sehbe, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. KALIL SEHBE (PDT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Saúdo o distinto público presente neste Parlamento e os
telespectadores da TV Assembléia.
Venho a esta tribuna para registrar algo de grande importância para
a área educacional e cultural de um povo. O Presidente do Grêmio
Náutico União, nosso nobre amigo Carlos Pippi da Motta
grande Presidente daquela entidade , juntamente com a sua diretoria,
hoje tomou uma atitude de um grande líder, aquela que se refere
à luta pela paz mundial e à consciência sobre ela.
Se cada um de nós desejar fazer uma reflexão sobre o que
está fazendo para buscar mais fraternidade, mais harmonia, mais
respeito entre os povos, com certeza deve espelhar-se em pequenos fatos
que têm grande importância, como o evento que ocorreu hoje
na sede do Grêmio Náutico União, na rua Quintino Bocaiúva.
Foi promovido um abraço à sede daquele clube, num ato chamado
União pela Paz; lá estavam representantes de todas as religiões,
credos, etnias, pensando única e exclusivamente no bem comum e
no respeito à vida e à paz.
Isso é algo de grande importância, porque aquela entidade
têm 4.500 jovens freqüentando as escolinhas de formação,
que não visam a educar campeões. Além da grande atividade
recreativa e esportiva daquela entidade, que educa campeões, ela
está formando cidadãos. Formam-se cidadãos com consciência,
com responsabilidade social. Esse grande gesto do Grêmio Náutico
União reflete-se em todos os lares, na comunidade, em todos os
que percebem a situação pela qual o mundo está passando:
o terror que aconteceu no World Trade Center, ocasionado por uma atitude
que não podemos aceitar, deixou o mundo todo em suspense. Estão
em suspense a segurança, as condições econômicas
de cada país e o dia de amanhã.
Cumprimento o Presidente do Grêmio Náutico União.
Ao fazê-lo, saúdo as crianças, os jovens, os vereadores,
a comunidade em geral que esteve presente àquele evento, que foi
uma grande idéia. As grandes idéias têm de ser enaltecidas.
Cabe a nós do Parlamento Gaúcho, que representamos a comunidade
rio-grandense, os mais de 10 milhões de gaúchos, enaltecer
atitudes como essa.
Meu abraço a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, contribuíram
para a realização desse gesto. Um especial cumprimento a
Carlos Alberto Pippi da Motta, Presidente do Grêmio Náutico
União, por mais esse grande gol. Não se trata de uma vitória
desportiva, mas de uma vitória pela vida, pela paz. Com esse grande
abraço a sua sede, aquela entidade deu um exemplo, uma demonstração
de que podemos estar com os pés em uma cidade, em uma região,
em um Estado, mas com os olhos voltados para um mundo melhor e mais cheio
de paz e de fraternidade. (Não revisado pelo Orador.)
O
SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) Por solicitação
do Deputado João Luiz Vargas, concedo a palavra a S. Exa. para
uma comunicação de líder.
O
SR. JOÃO LUIZ VARGAS (PDT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
A Assembléia Legislativa, por meio da Comissão de Finanças
e Planejamento, dá continuidade à discussão da proposta
orçamentária para o ano que vem, à noite, em Cachoeira
do Sul, amanhã pela manhã em Bagé e, à noite,
em Pelotas.
Na cidade de Pelotas, a Frente Parlamentar da Metade Sul discutirá
as questões que envolvem a Região e o descaso que acontece
historicamente com essa área e com outros setores tão importantes
da economia do Estado do Rio Grande do Sul.
Ao discutirmos o Orçamento de 2002, estamos recolhendo informações,
subsídios, e a proposta apresentada inicialmente à Assembléia
Legislativa receberá alterações que, espero, sejam
para contemplar a sociedade gaúcha como um todo. Analisando o Orçamento
do ano que vem, que traz como valor total a quantia de 12 bilhões,
93 milhões, 794 mil, 849 reais, concluiremos com facilidade que,
embora tenhamos essa cifra grande, surpreendente, vimos, por outro lado,
recursos extremamente modestos alocados para investimentos.
Constatamos que pouco mais de 950 milhões de reais estão
destinados para investimentos, e é hora de registrarmos que, no
presente exercício, havíamos projetado e votamos essa
projeção 723 milhões de reais para investimentos.
É lamentável que a realização desses investimentos
tenha chegado agora, quando já cumprimos dois terços do
ano de 2001 a tão-somente 23,4% do que estava previsto, e desse
percentual, ou da importância total de 723 milhões de reais,
somente foram pagos 15,4%.
Mostram, sem dúvida nenhuma, esses dados, o descaso que a atual
Administração vem tendo com investimentos no Estado do Rio
Grande do Sul. E é lamentável que estejamos aqui, na Casa
Parlamentar do Rio Grande do Sul, assistindo diuturnamente ao comparecimento
de servidores da Secretaria da Fazenda angustiados com o desrespeito que
o Sr. Secretário Arno Augustin demonstra com relação
a este Parlamento.
Temos assistido às suas manifestações, e a característica
de todas é protestar contra o Parlamento, parece até que
desejando que o Legislativo não existisse. Basta vermos que chegou
ontem à noite a esta Casa um projeto de lei referente aos depósitos
judiciais. Pois hoje, a primeira manifestação do Secretário
Arno Augustin foi dizer que, se a Assembléia Legislativa não
aprovar a liberação desses depósitos judiciais, o
Estado não poderá pagar a folha dos servidores.
É mais do que uma ameaça, é uma chantagem desqualificada
de quem tem a responsabilidade de gerir as finanças públicas
do Estado do Rio Grande do Sul. As características desse Senhor
têm sido sempre a arbitrariedade e a agressividade. Basta vermos:
não acatar, não aceitar, protestar e desrespeitar a Assembléia
Legislativa nas decisões majoritárias. Basta vermos a mobilização
que está patrocinando no sentido de alterarmos o Parecer do eminente
Deputado Germano Bonow, aprovado na Comissão de Constituição
e Justiça.
Faço este registro, Sr. Presidente, como um protesto pela ameaça
que fez a este Parlamento o Secretário Arno Augustin. (Não
revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) Por solicitação
do Deputado Luis Augusto Lara, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. LUIS AUGUSTO LARA (PTB) Sr. Presidente e Srs. Deputados:
Hoje participei de um evento de fundamental importância do Grêmio
Náutico União, chamado Abraço pela Paz, em que pessoas
da comunidade rio-grandense abraçaram aquele quarteirão.
Essa simbologia envolveu uma questão a mais do que simplesmente
pedir paz no mundo.
Como cristão, como católico, sinto que, na realidade, o
que separa ou pode separar homens, mulheres e crianças do mundo
inteiro são dogmas ou conveniências mesquinhas pessoais.
Tirando isso, todas as pessoas do mundo têm o mesmo objetivo: o
bem-estar de sua família, de sua comunidade, da sua Nação.
Sendo assim, aquele evento ecumênico indicou o que deve servir de
norte a todos nós: a responsabilidade social, que não significa
apenas destinar dinheiro a entidades de caridade, à benemerência.
Muito mais valioso do que o dinheiro também importante é
justamente a simbologia de destinarmos um tempo da nossa vida, do nosso
cotidiano, para buscarmos a responsabilidade social que existe em cada
um de nós.
O exemplo do abraço pela paz mundial do Grêmio Náutico
União pode ser aprimorado por outros clubes, agremiações,
entidades, trabalhadores, junto às crianças de rua, que,
neles, podem buscar uma retaguarda, ser treinadas, praticar esportes.
Também as empresas podem oferecer treinamento à mão-de-obra
desempregada. Até mesmo o simples trabalhador pode abrigar aquele
ambulante de rua, aquela pessoa que não tem um lar para morar.
Esse ato de hoje do Grêmio Náutico União simbolizou
mais que um pedido de paz para o mundo, indicou a necessidade de responsabilidade
social e foi um exemplo de solidariedade àqueles irmãos
que estão no outro lado do mundo, querendo também a paz,
mas, para que isso aconteça, é necessário, antes
de tudo, solidariedade, compreensão, tolerância e justiça
social.
Não há como construir paz mundial sem justiça social.
Delegar essa função única e exclusivamente aos governos
é atitude simplista demais, porque o Estado é constituído
das pessoas que o habitam.
Temos essa responsabilidade que não pode ser delegada somente ao
ente político ou ao ente empresarial, pois temos de buscá-la,
aplicando-a no nosso dia-a-dia, dentro de nossa própria família.
Que o ato simbólico realizado hoje pelo Grêmio Náutico
União seja repetido pelos demais clubes da Capital e do interior,
não apenas quanto ao episódio atual sobre a paz mundial,
mas também quanto à paz em nosso Estado, em nossa cidade
e em nossa família.
Por esse motivo é importante o ato do Grêmio Náutico
União pela tolerância, pela paz e pela solidariedade. Acima
de tudo, o exemplo deve vir de nossos próprios atos, que vão,
repito, muito além do fato de doarmos alguns vinténs, algumas
moedas que estão sobrando em nosso bolso. Muito obrigado. (Não
revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (João Luiz Vargas PDT) Por solicitação
do Deputado João Fischer, concedo a palavra a S. Exa. para uma
comunicação de líder.
O
SR. JOÃO FISCHER (PPB) Sr. Presidente e Srs. Deputados:
Infelizmente, não temos hoje aqui a presença dos Deputados
do Governo, o que se deve à realização do Fórum
Democrático em Cachoeira do Sul.
O que me traz à tribuna é um assunto que vem sendo debatido
pela comunidade e que tem sido cobrado principalmente deste Deputado,
por ser Presidente da Comissão de Economia e Desenvolvimento e
por ser oriundo do setor coureiro-calçadista. Trata-se da unidade
que a empresa Azaléia está por instalar no Nordeste.
O Governo do Estado não estaria conseguindo entrar em acordo com
a Azaléia para manter essa unidade aqui, um empreendimento que
geraria empregos e arrecadação de impostos. A empresa não
necessita de recursos, dispondo de crédito suficiente para obter
capital junto a entidades financeiras nacionais ou internacionais.
Quero ressaltar a importância desse debate. O Secretário
Estadual do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais relatou hoje,
em jornal da Região do Vale dos Sinos, que negociaria com a empresa.
Mas essa maneira de negociar nós já conhecemos. Ela foi
praticada com a Ford, e só não o foi com a GM porque as
obras dessa empresa já estavam bem adiantadas quando assumiu o
atual Governo.
O Governo do PT não negocia com ninguém; embora se diga
democrático, não o é; embora diga que ouve a opinião
pública, não o faz, pois só escuta aqueles que têm
carteirinha do Partido e nele acreditam. No entanto, poucos povos do mundo
ainda acreditam nas idéias que o PT defende, pois significam uma
falsa liberdade, a de confiar naquilo que o Partido prega, havendo a obrigação
de defendê-lo.
Não é bom abordarmos essas questões sem a presença
de Deputados do Governo. Gostaríamos que dois ou três deles
estivessem presentes para poderem debater o assunto, talvez afirmando
que está errada a Azaléia. No entanto, essa empresa tentou
por diversas vezes dialogar com o Governo, que não aceitou suas
reivindicações.
O que a Azaléia pede diz respeito ao que está acontecendo
com qualquer empresa que aderiu ao Fundopem. Esse Fundo era o melhor instrumento
disponível no Estado para atrair empresas, para que essas se expandissem,
para atrair empreendedores do Estado ou de fora que tivessem interesse
em investir aqui.
Qualquer capital investido no Rio Grande é bem-vindo, principalmente
para mim, que sou operário e quero oportunidades para o trabalhador
gaúcho.
Peço aos responsáveis pela solução desse problema
que procurem a Direção da Azaléia para verificar
que decisões devem ser tomadas. Se for constatado que não
existe o programa adequado - dizem que não há como acessar
o programa do qual a Azaléia está-se beneficiando -, o Governo
poderá elaborar um que atenda às necessidades daquela empresa
e que o encaminhem para esta Casa que se encarregará de aprová-lo.
Para que uma empresa queira instalar aqui, é necessário
que Governo demonstre interesse nisso e ofereça condições
que a convençam de que o Rio Grande do Sul é o melhor lugar
para se investir.
Aqui o Governo não é sério, pois não aceita,
de maneira alguma, assumir a responsabilidade, respeitar as leis constituídas
e os contratos.
Estou indignado com a situação que se apresenta. O Governo
deve dizer a verdade para o povo e não iludi-lo, utilizando-se
de obras e projetos criados por outros governantes, como a questão
da MDF, que já vem sendo trabalhada desde 1995. Inclusive, na época,
acompanhei um empresário a uma viagem ao Chile para ver como funcionava
a referida empresa. A mesma coisa aconteceu em 1997, quando tentamos trazer
outra empresa para o Estado, o que foi concretizado agora.
Sr. Presidente, quero reafirmar a indignação deste Deputado
e do povo do Vale dos Sinos, que não quer perder essa unidade da
Azaléia e talvez outras unidades pelo não-cumprimento da
palavra do Governo. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (João Luiz Vargas - PDT) - Por solicitação
do Deputado Onyx Lorenzoni, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. ONYX LORENZONI (PFL) - Sr. Presidente e Srs. Deputados:
A Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência
e Tecnologia realizou na semana passada uma importante missão parlamentar
indo até o Chile. Essa viagem ocorreu devido às semelhanças
daquele País com o nosso Estado e as inovações que
lá já estão vigorando por muito tempo, que podem
ser fontes de análise, de estudo, de inspiração para
quem está preocupado com o futuro da educação de
nível superior, tema que foi o alvo do nosso trabalho aqui no Rio
Grande do Sul.
O Chile tem uma população de 15 milhões de habitantes;
o Rio Grande do Sul, de 10 milhões de habitantes. O nosso Estado
tem um PIB ao redor de 70 bilhões de dólares; o Chile, de
cerca de 79 bilhões de dólares. Portanto, existem similaridades.
E por que fomos ao Chile para discutir e conhecer a questão do
ensino superior? Porque aquele País tem uma experiência única
na América Latina. Na década de 80, mais precisamente entre
os anos de 1981 e 1982, o Chile alterou completamente o seu sistema universitário.
Transformou o ensino superior universitário num ensino completamente
pago, tanto nas universidades públicas quanto, evidentemente, nas
privadas.
Qual era a lógica que presidia essa tomada de decisão? Uma
delas era usar o maior volume possível de recursos públicos
para a educação de 1Ί e 2Ί graus como forma de transformação
da estrutura da sociedade. A outra é a conclusão, o que
hoje é uma certeza e uma unanimidade nacional, de que o ensino
superior gratuito, amplo, para todos, acaba tendo um processo discriminatório,
no qual o acesso se dá via seleção. Acabamos, pelo
mérito e pela qualificação, selecionando aqueles
que têm melhor preparo.
Evidentemente, a história do Brasil - a chilena também era
assim - acabava apontando que mais de 80% das vagas nas escolas públicas
eram ocupadas por filhos das classes A e B, portanto, muito mais favorecidos.
O Chile, então, faz essa transformação.
Na época, havia 8 universidades públicas e 17 privadas,
as quais formavam o chamado Conselho de Reitores, um conjunto de 25 instituições
que receberam o nome de universidades tradicionais. De lá para
cá, o Chile autorizou a criação de novas universidades,
e 45 universidades privadas instalaram-se naquele país.
Como se dá o acesso à universidade chilena e como é
feito o financiamento aos mais de 434 mil jovens que hoje freqüentam
as universidades do Chile, enquanto no Rio Grande do Sul são 220
mil os estudantes do ensino superior?
Há três formas de financiamento.
As universidades tradicionais continuaram recebendo uma parcela daqueles
recursos que historicamente recebiam do Governo Chileno. Quem são
as tradicionais? Universidade Católica do Chile, Universidade de
Santiago, Universidade de Talca, Universidade de Valparaíso, Universidade
Frederico Santa Maria, também de Valparaíso, e uma série
de outras instituições que já tinham uma longa história
algumas têm quase 200 anos de funcionamento ininterrupto na República
Chilena.
Há também um exame de admissão, um exame nacional
de aptidão que avalia 150 mil alunos. Os 27 mil melhores classificados,
em 5 cotas, dividem 50 milhões de dólares de tal forma que
cada um escolhe a universidade e leva consigo um bônus, um crédito
os primeiros 4 mil colocados recebem na ordem de 2 mil dólares
a ser recebido pela universidade, que tanto pode ser tradicional como
privada.
A outra forma de financiamento e este é o ponto sobre o qual
fomos buscar um maior conhecimento diz respeito ao sistema de crédito
e bolsa de estudo.
O SR. PRESIDENTE (João Luiz Vargas PDT) Deputado, o tempo de
V. Exa. já está ultrapassado. (pausa) Por solicitação
do Orador, concedo o tempo de mais uma comunicação de líder
a S. Exa.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL) O crédito educativo do Chile é
um sistema que financia de 5% a 95% do custo da mensalidade. O aluno,
após a formatura, tem 2 anos de carência e, após esse
tempo, conta com até 12 anos para pagar o seu curso, não
comprometendo mais do que 5% do seu salário, seja ele qual for.
O juro é de 2% ao ano, e isso, diferentemente do processo do Crédito
Educativo no Brasil quer o federal, através do Fies, quer o estadual,
através do Procred , abre a possibilidade de um comprometimento
suportável por parte do aluno ex-aluno, hoje profissional ,
já que respeita a diversidade de remuneração que
se irá verificar após a graduação e de acordo
com a profissão escolhida.
O nível básico de recuperação desse crédito
oscila, na média, em torno de 55% do valor fornecido pelo Estado
Chileno. A maioria das universidades tradicionais trabalha com uma recuperação
de crédito ao redor de 70% a 75%, um índice muito bom para
a manutenção do fundo rotativo.
Também há uma outra possibilidade para aqueles alunos completamente
carentes. É o que chamam de becas, bolsas de estudos que pagam
não só os aranceles, que é como chamam as mensalidades
ou a anualidade das universidades, mas que também permitem a permanência
do aluno na universidade, bem como o alojamento, a alimentação,
o vestuário e a compra de livros e de outros materiais. Trata-se,
portanto, de um processo que dá garantia de acesso e de sustentabilidade
ao aluno carente e ao aluno pobre.
Essa experiência, que já é muito rica, passa por uma
extensa discussão no Chile, porque esse programa de crédito
e de bolsas está reservado para aquelas 25 universidades tradicionais.
E vejam como é interessante essa questão, mesmo com lógicas
diferentes, quando se faz preservação e reserva de mercado
em alguma situação. Essas 25 universidades tradicionais
cresceram de 1980 para cá, é verdade. Duzentos e trinta
e quatro mil alunos são atendidos pelas 45 universidades privadas,
que não recebem nem crédito educativo nem bolsa de estudo.
A grande discussão, lá, não é a troca do sistema.
Todos concordam inclusive entrevistamos pessoas nas ruas que o ensino
universitário deve ser pago, mas todos discutem e defendem a possibilidade
da universalização do programa de crédito e do programa
de bolsas de estudo como forma de garantir o acesso e a chegada dos alunos
à universidade.
Fomos buscar inspiração nesse ponto para poder trabalhar
com esse conceito aqui no Rio Grande do Sul. Nossa Constituição
Estadual prevê destinar 0,5% de todas as receitas tributárias
do Estado para estimular o ensino superior comunitário. E daí
nasce e se sustenta o Programa de Crédito Educativo do Estado do
Rio Grande do Sul, que desde sua fundação nunca utilizou
mais do que 25% dos recursos Constitucionais propostos.
Para que V. Exas. tenham uma idéia, neste ano, 22 milhões
de reais estão disponíveis para a utilização
em crédito educativo no Estado, mas até o presente momento
o atual Governo não deu um centavo de crédito para aluno
algum.
Discutir esta questão e buscar o debate e o enfrentamento do acesso
à universidade no Rio Grande do Sul é algo importante. Esse
foi o tema que embasou a discussão que fizemos no primeiro semestre,
em relação à UERGS. Não basta criar uma universidade
estadual, até porque ela hoje é motivo de frustração
para a sociedade gaúcha, uma vez que os cursos oferecidos são
alternativos, não dão acesso a profissões reconhecidas,
além do fato de que o custo será de 29 milhões de
reais, para receber 600 alunos.
Fazendo uma conta rápida, perceberemos que estamos gastando um
volume de recursos extraordinários em contraponto à possibilidade
de se fazer um bom programa de crédito educativo, que poderia preencher
as 50 mil vagas ociosas das nossas universidades comunitárias ou
das universidades confessionais do Rio Grande do Sul. Seguramente, a Universidade
Gaúcha cumpriria, por meio desse apoio importante, uma missão
social muito mais valiosa como mecanismo de mobilidade social, pois daria
condição ao aluno carente, ao aluno pobre, de cursar a universidade
na sua Região, na sua cidade e fazer a transformação
da história da sua família, da sua comunidade e, principalmente,
da sua Região.
Discutir e debater crédito educativo, discutir e buscar alternativas
na construção de um sistema de bolsas de estudos aqui no
Rio Grande do Sul é algo valioso, importante, e a Comissão
de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia
da Assembléia Legislativa está amplamente mobilizada nesse
sentido.
O Estado de Santa Catarina está fazendo uma belíssima experiência
com bolsa de estudo a fundo perdido. Nesta Casa, há uma Proposta
de Emenda à Constituição, do Deputado José
Ivo Sartori, para incluir na Constituição do Estado a possibilidade
de haver concessão de bolsa de estudo no Rio Grande do Sul.
Faço um apelo de união aos Srs. Parlamentares para aprovarmos
em primeiro e segundo turnos essa Proposta, a fim de podermos criar um
programa de crédito educativo e de bolsa de estudo revolucionário
e transformador, que garanta o acesso dos carentes e faça com que
a universidade seja um meio importante e valioso de mobilidade social,
de crescimento e de desenvolvimento para o nosso Estado. Muito obrigado.
(Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (João Luiz Vargas PDT) Não havendo
mais Oradores inscritos para o período de Apresentação
e Discussão de Proposições, passo à
|
|
Com a desistência antecipada da Deputada Cecilia Hypolito, a próxima
inscrição pertence ao Deputado Vilson Covatti. (pausa) Por
cessão de tempo, concedo a palavra ao Deputado João Fischer.
O SR. JOÃO FISCHER (PPB) Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados:
O Deputado Onyx Lorenzoni, Presidente da Comissão de Educação
desta Casa, realizou um excelente trabalho acerca da questão da
Universidade Pública Estadual. Todos sabemos o custo necessário
para manter um aluno na universidade pública seja federal ou
estadual e que esse valor seria bem menor se as vagas fossem compradas.
O Governo sempre afirmou que a educação é prioridade.
Devo lembrar novamente aqui que os integrantes deste Governo sempre criticaram
os outros governos quanto à questão da educação.
Mas é necessário deixar bem claro aos pais que estão
assistindo a esta Sessão que este Governo enviou uma instrução
normativa aos diretores de escolas estaduais informando a cobrança,
a partir de agora, das taxas de água e luz, despesa que deverá
ser debitada dos recursos que todos os governos encaminham aos colégios
estaduais, ou seja, o repasse trimestral.
A última vez em que esse repasse trimestral sofreu atualização
no seu valor foi em 1995, durante o Governo Britto. Além de não
ter sido mais reajustado, esse recurso destinado aos CPMs sofre com mais
esse encargo, já que, se não fossem os professores, os pais,
os alunos, enfim, a comunidade colaborar, as escolas estaduais estariam
fechando suas portas.
Pois, mesmo considerando como prioridade a educação, o Governo
repassou mais esse custo às escolas, que todos os outros governos
pagavam através da Secretaria da Educação. Os CPMs
já pagam a tarifa telefônica, mas isso não se discute,
pois os recursos são oriundos das promoções que realizam.
Agora, a partir da metade do ano, o Governo passou a cobrar as tarifas
de água e luz, alegando que, com isso, haveria uma economia no
consumo desses produtos. Mas o que é isso, Deputado Onyx Lorenzoni?
Essa é uma atitude muito grave cometida por aqueles que tanto falavam,
o que demonstra que era tudo conversa demagógica, conversa para
enganar o povo.
Por isso é muito importante que a comunidade saiba que o Governo
que prega a educação como prioridade provoca, ainda mais,
o encarecimento do custo pago pelas comunidades que ajudam a manter essas
escolas.
Devemos colocar-nos à disposição da comunidade escolar
para que, cada vez em que ocorrer esse tipo de situação,
possamos informar toda a sociedade gaúcha acerca da forma como
o PT administra este Estado, com a incoerência entre o seu discurso
anterior e o que faz na realidade.
Ontem, um Deputado do Governo afirmou que este Parlamentar deveria cobrar
do Ministro Pratini de Moraes suas ações à frente
da Agricultura. Se a agricultura vai bem no Rio Grande do Sul, o responsável
é o Governo do PT. Se vai mal, a culpa é do clima, do Ministro
da Agricultura e do FMI.
Passo a referir os números referentes ao Plano Agrícola
e Pecuário Nacional, que somam 14 bilhões e 700 milhões
de reais, ou seja, valor 30% superior aos recursos destinados, no ano
passado, para esse setor. E, sobre esse valor, ainda incidem juros de
8,75% ao ano.
Há recursos disponíveis para o cultivo de algodão,
amendoim, fruticultura e soja que, no ano passado, recebeu recursos
da ordem de 100 mil reais e, neste ano, passou a receber 200 mil reais
para a colheita a ser realizada no ano que vem. Para as lavouras irrigadas
de arroz, feijão, mandioca, milho, sorgo e trigo, há 300
mil reais. Para o milho, são 200 mil reais. Para o arroz de sequeiro,
150 mil reais.
O custeio pecuário e agrícola das demais lavouras fica em
torno de 60 mil reais.
Existem mais programas que estão sendo oferecidos pelo Ministério
da Agricultura, e quem tem o dever de apresentá-los ao nosso produtor
é a Secretaria de Estado da Agricultura, que, quando repassa recursos
do Governo Federal, diz que o Governo do Estado é que está
fazendo isso. Inclusive, quando mostra as propagandas, indica os recursos
que vieram da União, enquanto o Estado não aplicou nenhum
tostão.
Por esse motivo, chamei, na Sessão de ontem, o Governo do Estado
de chupim, já que põe ovo no ninho alheio, diz que é
dele, e os outros é que têm de criar e alimentar o ser vivo.
Se entra a febre aftosa no Rio Grande do Sul, a culpa é do Ministro
da Agricultura.
O SR. PRESIDENTE (João Luiz Vargas PDT) Deputado, o tempo de
V. Exa. já está ultrapassado. (pausa) Por solicitação
do Orador, concedo o tempo de uma comunicação de líder
a S. Exa.
O SR. JOÃO FISCHER (PPB) Sr. Presidente,
como o Governo Federal está investindo no Rio Grande do Sul, e
o Governo Estadual está-se denominando o pai da criança,
é muito difícil conseguirmos ouvir o que os Deputados de
Situação tentam defender, porque parece que, antes do Governo
do PT, não existia nada, nem estradas, nem agricultura, e tudo
o que foi criado neste Estado foi feito agora.
Quanto ao setor coureiro-calçadista, ontem um economista da Secretaria
de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais Sedai teve a capacidade
de dizer que o Governo do Estado investiu 750 milhões de reais
nesse segmento.
Todos sabem que isso é mentira, porque o setor coureiro-calçadista
reagiu diante da desvalorização da nossa moeda perante o
dólar. A importação de calçados diminuiu,
porque uma sobretaxa foi criada pelo Governo Federal, mas a nossa moeda
estimulou a competitividade do produto, criando a possibilidade, novamente,
de desenvolvimento desse setor, cuja reação foi automática,
uma vez que as empresas estavam estruturadas com máquinas, prédios
e condições de superar a dificuldade só que não
recebiam pedidos, que vieram depois.
Porém, estamos prestes a enfrentar uma dificuldade novamente. Então,
quero ver como o Governo Estadual irá ajudar as empresas e desejo
saber de qual Banco vêm esses 750 milhões de reais, porque
não tivemos nenhum Projeto aprovado nesta Casa que previsse recursos
para o setor coureiro-calçadista. Já os empréstimos
normais do Banrisul, que são provenientes do BNDES e do BRDE para
repasses, sempre existiram, inclusive com juros mais baixos.
Como o Ministro da Agricultura também serve aos Estados de Santa
Catarina, do Paraná e do Mato Grosso, onde não houve ocorrência
de febre aftosa, isso mostra que o Rio Grande do Sul sucateou o nosso
sistema de defesa, que evitaria a entrada de zoonoses no nosso Estado,
presentes nos países vizinhos. E o que aconteceu? A febre aftosa
veio para a Fronteira do Rio Grande do Sul, e o culpado, novamente, foi
o Governo Federal.
Agora, o Ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes conseguiu,
por meio de negociação, fazer com que a carne suína
entre novamente na Rússia, mas o Governo do Estado dirá,
mais uma vez, que ele é que conseguiu fazer essa exportação.
Existe um trabalho que tem de ser realizado pelo Governo Estadual, para
que consiga fazer com que a nossa carne, tanto suína quanto bovina,
entre, novamente, no mercado da Europa, e isso não está
sendo cumprido.
Sr. Presidente, peço a transcrição, nos anais desta
Casa, da síntese do Plano Agrícola e Pecuário para
2001 e 2002, de forma que ficarão registrados no Diário
da Assembléia os valores que estão sendo repassados pelo
Governo Federal para a área da agricultura em todo o País
e que estão à disposição dos trabalhadores
brasileiros e da agricultura do Rio Grande do Sul, se o Governo do Estado
nos ajudar um pouco mais. Obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (João Luiz Vargas PDT) Defiro a solicitação
de V. Exa.
(Matéria entregue para transcrição.)
SÍNTESE DO PLANO AGRÍCOLA E PECUÁRIO
2001/2002
1. FINANCIAMENTO RURAL
PROGRAMAÇÃO DE RECURSOS PARA 2001/2002
Os recursos a serem colocados à disposição dos produtores
no ano agrícola 2001/2002 serão de R$ 14,7 bilhões,
30% acima do ano anterior. Considerando somente os recursos a juros de
8,75% ao ano, serão elevados para R$ 11,6 bilhões, contra
R$ 8,1 bilhões no ciclo anterior. Isto representa um incremento
de 43%, em relação aos programados para o ano agrícola
passado e, 80%, se a comparação cobrir dois anos. Nestes
valores não estão incluídos os montantes destinados
aos programas de financiamento da agricultura familiar.
PROGRAMAÇÃO/APLICAÇÃO DE RECURSOS
2000/2001 E 2001/2002
Em R$ milhões
Modalidade Programação Aplicação Programação
Variação
2000/2001(a) 2000/2001 2001/2001(b) (b)/(a)
Custeio + Comercialização
A juros fixos 6.730,0 9.454,5 9.740,0 45%
A juros livres 1.450,0 557,3 1.100,0 - 24%
Investimento
A juros Fixos 3.110,0 2.449,4 3.860,0 24%
TOTAL 11.290,0 12.461,2 14.700,0 30%
2. AJUSTES NAS NORMAS DO CRÉDITO RURAL
OS LIMITES DE FINANCIAMENTO DE CUSTEIO E EGF PASSAM A SER OS SEGUINTES:
Produto Ano-Agrícola Ano-Agrícola
2000/2001 2001/2002
Algodão R$ 300 mil R$ 400 mil
Amendoim R$ 40 mil R$ 150 mil
Fruticultura R$ 60 mil R$ 150 mil
Soja Regiões Centro-Oeste, Norte
sul do MA, PI e BA R$ 100 mil R$ 200 mil
Demais Regiões R$ 60 mil R$ 150 mil
« Lavouras Irrigadas de arroz,
feijão, mandioca, milho, sorgo e
trigo R$ 300 mil R$ 300 mil
« Milho R$ 200 mil R$ 200 mil
« Arroz de sequeiro, feijão,
mandioca, sorgo e trigo R$ 150 mil R$ 150 mil
Custeio Pecuário e Agrícola das
demais lavouras R$ 40 mil R$ 60 mil
FINAME ESPECIAL Inclusão de novos itens
Para ampliar a gama de beneficiários deste Programa foram incluídos
entre os itens financiáveis, equipamentos para:
Avicultura e Suinocultura;
Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS);
"Packing houses" para as agroindústrias frutícola e apícola;
Implantação e Modernização de Frigoríficos
com atuação em âmbito municipal ou estadual; e,
Beneficiamento e conservação de pescados.
PROGER RURAL Programa de Geração de Emprego e Renda
Redução nos encargos financeiros para investimento
Os recursos do FAT destinados a financiamentos de investimentos através
do PROGER RURAL não têm sido utilizados devido à magnitude
dos encargos financeiros: TJLP + adicional de convênio dos bancos,
que resulta em, no mínimo, 13% a.a.
A partir desta safra, serão destacados recursos de R$ 100 milhões
anuais para estas operações, que serão equalizados
pelo Governo e emprestados à taxa efetiva de juros de 8,75% ao
ano.
FUNCAFÉ Reformulação das normas de crédito
Foram disciplinados financiamentos dentro do Programa e alocados os
seguintes recursos:
R$ 153 milhões para comercialização da safra 2000/2001;
R$ 167 milhões para custeio da safra 2001/2002;
R$ 256 milhões para a colheita da safra 2001/2002.
Criada linha de crédito específica para viabilizar aquisições
de CPR, amparando a comercialização antecipada da produção.
Prorrogado por mais 180 dias o prazo de resgate dos financiamentos concedidos
no âmbito do Programa de Retenção do Café.
3. PROGRAMAS DE INVESTIMENTO COM RECURSOS DO BNDES
Reiterando a firme decisão do governo de apoiar e incentivar o
aumento da competitividade da agropecuária brasileira, foram aprovados
novos programas de crédito de investimento e aprimorados os lançados
nas safras anteriores.
Para tanto, o montante de recursos destinados ao crédito de investimento
a juros de 8,75% ao ano, com recursos do BNDES, foi elevado para R$ 2.310
milhões, que representa um acréscimo de 12,1% sobre os R$
2.060 milhões alocados no ano-agrícola anterior. Somando-se
os recursos dos Fundos Constitucionais, PROGER Rural e FINAME Especial,
serão destinados R$ 3.860 milhões para investimento na agropecuária
brasileira em 2001/2002.
3.1 AJUSTES NOS PROGRAMAS EM ANDAMENTO
Serão destinados, nesta temporada, R$ 2.180 milhões para
a continuação de programas de investimento específicos
para regiões e atividades consideradas prioritárias pelo
Governo nas safras anteriores, à taxa de juros de 8,75% a.a. Dos
11 programas em andamento, 3 permanecem sem modificações:
cajucultura, vinho e sistematização de várzeas. Os
demais sofrerão ajustes, abaixo sumarizados, objetivando melhor
atender às necessidades dos produtores:
PROSOLO Programa de Incentivo ao Uso de Corretivos de Solo
O PROSOLO terá o limite de financiamento aumentado de R$ 40 mil
para R$ 80 mil, por beneficiário/ano.
PROPASTO Programa de Recuperação de Pastagens Degradadas
O PROPASTO terá o limite de financiamento aumentado de R$ 50 mil
para R$ 150 mil, por beneficiário/ano.
Programa de Apoio ao Desenvolvimento da AQÜICULTURA
Os recursos alocados para este Programa serão elevados de R$ 50
milhões para R$ 70 milhões.
O limite de financiamento por beneficiário/ano será aumentado
de R$ 40 mil para R$ 80 mil. Os recursos alocados para este Programa foram
elevados de R$ 50 milhões para R$ 70 milhões.
Serão incluídas, a partir deste ano as seguintes espécies:
Carpas, Tambaquis/Pacus, Trutas, Surubins e Camarões de água
doce.
MODERFROTA Programa de Modernização da Frota de Tratores
Agrícolas, seus implementos e Colheitadeiras.
Este Programa, o mais bem sucedido entre os lançados pelo Governo
nos últimos anos, terá a alocação de R$ 900
milhões de recursos novos para empréstimo na temporada 2001/2002.
Programa de FRUTICULTURA
O Programa terá o limite de financiamento aumentado de R$ 40 mil
para R$ 100 mil, por beneficiário/ano.
O prazo de pagamento será aumentado de até 6 anos para até
8 anos, incluido até 3 de carência.
Programa de Desenvolvimento da APICULTURA
A sistemática de financiamento do programa será alterada
para admitir a concessão de crédito coletivo de até
R$ 150 mil/ano, quando o empréstimo tiver finalidades comuns, observados
os limites individuais de cada beneficiário (R$ 20 mil).
Programa de Desenvolvimento da OVINOCAPRINOCULTURA
O prazo de pagamento deste Programa será aumentado de 5 anos para
até 8 anos, incluindo até 3 de carência
A abrangência passa a ser nacional, mas pelo menos 50% dos recursos
destinados ao Programa devem continuar sendo aplicados na Região
Nordeste.
PROLEITE Programa de Modernização da Pecuária
Leiteira
O PROLEITE terá o limite de financiamento aumentado de R$ 40 mil
para R$ 60 mil por beneficiário/ano.
Foram incluídos como itens financiáveis os equipamentos
de geração de energia alternativa à eletricidade
convencional.
3.2 NOVOS PROGRAMAS DE INVESTIMENTO
O Governo aplicará R$ 250 milhões, em 2001/2002, em novos
programas de apoio a atividades e produtos estratégicos para a
modernização e aumento da competitividade da agropecuária
brasileira.
Programa de Construção de Armazéns nas Propriedades
Rurais
Serão destinados R$ 100 milhões em empréstimos para
a modernização e construção de armazéns
nas fazendas. Os produtores rurais e suas associações, em
todo o território nacional, poderão financiar até
R$ 100 mil por ano.
Programa de Apoio à Floricultura
Serão destinados R$ 30 milhões (R$ 150 milhões em
cinco anos) para acelerar o desenvolvimento do setor, melhorar a qualidade
e produtividade, aumentar as exportações e substituir importações.
Os beneficiários terão limites de financiamento de até
R$ 50 mil por ano.
Tabela com o resumo dos Programas de Investimento no final do documento
4. APOIO À COMERCIALIZAÇÃO
Definição e anúncio antecipado do Programa de Apoio
à Comercialização da Safra 2001/2002, indicando as
prioridades para efeito de sustentação de preços
aos produtores;
Aumento no total de recursos de R$ 2.053,0 milhões para R$ 3.070,0
milhões (50% de acréscimo)
APOIO À COMERCIALIZAÇÃO
DA SAFRA 2001/2002*
Em R$ Milhões
INSTRUMENTOS PROGRAMADO VARIAÇÃO
2000/2001 2001/2002 (%)
OPÇÕES-
LANÇAMENTO 1.314 1.970 50%
AQUISIÇÕES (AGF
E OPÇÕES) 739 1.100 49%
TOTAL 2.053 3.070 50%
Alterações nos Preços Mínimos de Garantia
de alguns produtos, conforme tabela a seguir, objetivando adequá-los
à realidade atual e às perspectivas de mercado. Os demais
permanecem constantes.
Preços Mínimos Alterados
PRODUTOS UNID. PREÇO MÍNIMO (R$ 1,00) Var.
ANTERIOR APROVADO %
ALGODÃO EM
CAROÇO 15kg
Sul, Sudeste, Centro-
Oeste e Bahia-Sul 8,00 8,48 6,0
ALGODÃO EM
PLUMA 15kg
Sul, Sudeste, Centro-
Oeste e Bahia-Sul 28,60 30,32 6,0
CAROÇO DE
ALGODÃO 15kg 1,68 1,78 6,0
ALHO kg
Sul, Sudeste, Centro-
Oeste e Nordeste 1,26 1,30 3,2
ARROZ LONGO
EM CASCA
Sul, Sudeste, NE e CO
(exceto MT) 60 kg 8,37 7,95 (5,0)
Mato Grosso e
Tocantis 60kg 8,07 7,68 (4,8)
Norte (exceto
Tocantis) 60kg 7,61 7,23 (5,0)
MILHO
Sul, Sudeste,
Tocantis, Bahia-Sul,
Sul-Maranhão e
Sul do Piauí 60kg 7,28 7,43 2,0
GO, MS, DF 7,07 7,21 2,0
MT, AC e RO 6,15 6,27 2,0
SISAL
Bahia, Paraíba e
Rio Grande
do Norte kg 0,38 0,42 10,5
SOJA EM GRÃOS
Sul, Sudeste,
Centro-Oeste
e Rondônia 60kg 9,70 10,18 4,9
Norte (exceto
Rondônia)
e Nordeste 9,20 9,66 5,0
SORGO
Sul, Sudeste,
Centro-Oeste
e BA-Sul 60kg 5,51 5,62 2,0
Elaboração: CONAB/GEAME
PROGRAMAS DE INVESTIMENTO
Limites por Prazo do
Programa/ Abrangência Recursos Benificiário/ Financiamento
ANO
Em R$ Mil Em R$ Mil
Todo o País
MODERFROTA 900.000 De acordo De acordo com a renda* com o bem
financiado**
FRUTICULTURA 100.000 100
ARMAZÉM NA 100.000 100 até 8 anos,
PROPRIEDADE 3 de carência
OVINO- 70.000 40
CAPRINOCULTURA
PROPASTO 400.000 150
PROSOLO 300.000 80
PROLEITE 200.000 60 até 5 anos, 2 de carência
FLORICULTURA 30.000 50
APICULTURA 20.000 20 Individual
150 Coletivo
AQÜICULTURA 70.000 80
Nordeste
CAJUCULTURA 50.000 40
RS, SC, PR até 8 anos, VITIVINICULTURA 20.000 40 3 de carência
SISTEMATIZAÇÃO DE 50.000 40 até 5 anos,
VÁRZEAS 2 de carência
TOTAL 2.310.000
* Limite por beneficiário/Ano: Renda até R$ 250 mil = 100%
do valor do bem financiado
Renda maior que R$ 250 mil = 90% do valor do bem financiado
**Prazo de Pagamento: Até 6 anos para tratores e implementos
Até 8 anos para colheitadeiras
O SR. PRESIDENTE (João Luiz Vargas PDT) Com a desistência
antecipada dos Deputados Edemar Vargas, Adroaldo Loureiro, Alexandre Postal,
Paulo Odone, Dionilso Marcon, Adolfo Brito, Abílio dos Santos,
Ciro Simoni, Elmar Schneider, Edson Portilho, Érico Ribeiro, Iradir
Pietroski, Germano Bonow, Jorge Gobbi, não havendo mais oradores
inscritos, estão encerradas as Comunicações.
Passo às
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