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Convido S. Exa. o Presidente desta Assembléia Legislativa, Deputado
Sérgio Zambiasi, para receber neste plenário o Exmo. Sr.
Procurador-Geral de Justiça do Estado, Sr. Cláudio Barros
Silva, e o Exmo. Sr. Presidente da Associação do Ministério
Público, Sr. Ivory Coelho Neto, que farão parte da Mesa
Oficial durante este Grande Expediente em homenagem aos 60 anos da Associação
do Ministério Público do Rio Grande do Sul.
(Transfere-se a Presidência.)
O
SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) Saúdo a presença
nesta Casa do Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça do Estado,
Sr. Cláudio Barros Silva, e do Exmo. Sr. Presidente da Associação
do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Sr. Ivory Coelho
Neto.
A todos que nos visitam e nos prestigiam nesta tarde, damos as boas-vindas.
O Orador inscrito para este período é o Deputado Eliseu
Santos. Por permuta de tempo, concedo a palavra ao Deputado Vieira da
Cunha.
O
SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) Exmo. Sr. Presidente da Assembléia
Legislativa, Deputado Sérgio Zambiasi; Exmo. Sr. Procurador-Geral
de Justiça, Dr. Cláudio Barros Silva; Exmo. Sr. Presidente
da Associação do Ministério Público do Rio
Grande do Sul, Dr. Ivory Coelho Neto; Exmos. Srs. Membros da Mesa Diretora;
Exmas. Sras. e Srs. Deputados; caros Colegas que prestigiam este Grande
Expediente; Senhoras e Senhores:
Primeiramente, registro meu agradecimento ao Colega Deputado Eliseu Santos,
titular deste espaço do Grande Expediente, que, ao aceitar a permuta
com este Deputado, possibilitou a realização desta homenagem
à Associação do Ministério Público
do Rio Grande do Sul, minha entidade de classe, que ontem completou 60
anos de existência.
Precisamente em 8 de outubro de 1941, Abdon de Melo, então Procurador-Geral
de Justiça, presidiu a sessão de fundação
da Associação do Ministério Público do Rio
Grande do Sul, nossa homenageada.
A primeira Diretoria foi composta pelos Promotores José Correa
da Silva, Henrique Fonseca de Araújo, Luís Lopes Palmeiro,
Octávio Pitrez e João Clímaco de Melo Filho.
Vivia o Ministério Público do Rio Grande do Sul um período
histórico de afirmação como Instituição.
Nessa mesma época, foi organizado o primeiro concurso público
para ingresso na carreira e surgiu a Revista do Ministério Público.
No ano seguinte, 1942, em São Paulo, realizou-se o Primeiro Congresso
Nacional do Ministério Público, evento que traçou
o perfil da Instituição.
Em 1944, foi promovido o primeiro concurso de trabalhos jurídicos
dos membros do Ministério Público, sagrando-se vencedora
a monografia intitulada O sistema penitenciário brasileiro, de
Damaso Rocha.
As primeiras eleições para a Diretoria e Conselho Consultivo
da Associação ocorreram em 15 de julho de 1944. Com a participação
de 42 eleitores, o resultado manteve José Correa da Silva na Presidência
e elegeu Luís Lopes Palmeiro para Vice-Presidente, passando o Conselho
a ser integrado por João Clímaco de Melo Filho, Damaso Rocha
e Ernani Coelho.
Em 5 de agosto do mesmo ano, Abdon de Melo foi designado Presidente de
Honra da entidade.
A primeira fase da Associação encerrou-se logo após
o processo Constituinte de 1947, no qual a entidade foi atuante na definição
do perfil constitucional do Ministério Público do Rio Grande
do Sul.
A partir de 1948, constatou-se uma década de desarticulação
da Associação, até que, em 1958, uma junta governativa
foi organizada para convocar uma Assembléia Geral, que se realizou
em 27 de maio daquele ano.
Em 15 de julho de 1958, 33 Promotores da Capital e 74 do interior elegeram
Paulo de Tarso Cachapuz de Medeiros para Presidente e Ladislau Rohnelt
para Vice-Presidente. Para o Conselho foram eleitos Rudy Petry, João
Lyra de Faria e Victor de Bem Stumpf.
Temas relevantes como aposentadoria e pensões foram nessa época
objeto de iniciativa legislativa capitaneada pela Associação.
Organizou-se a Caixa de Pecúlio, retomou-se a edição
da Revista do Ministério Público e contratou-se o primeiro
funcionário, sinais evidentes do revigoramento da entidade.
A década de 60 foi marcada pela ativa participação
da Associação no Congresso das Associações
do Ministério Público do Brasil realizado em março
de 1963, quando se evidenciou a capacidade de mobilização,
liderança e intervenção dos Promotores Gaúchos
nos grandes debates nacionais de interesse institucional.
É dessa época a luta pela construção de casas
funcionais aos Promotores do interior, em parceria com as Prefeituras.
Em 1965, a Associação aliou-se ao Tribunal de Justiça
na reivindicação por reposição salarial e,
no ano seguinte, liderou uma comissão para pleitear, junto ao Ministério
da Justiça, tratamento igualitário à Magistratura
quanto aos vencimentos.
Em 1968, a conquista, junto a esta Assembléia Legislativa, da participação
da Associação na cobrança das custas judiciais oportunizou
a saúde financeira da entidade.
Para fechar a década, realizou-se, em 1969, o primeiro curso de
preparação para o ingresso no Ministério Público,
promovido pela Associação e ministrado por Promotores.
É desse período o processo de mobilização
nacional liderado pelas Associações do Ministério
Público do Rio Grande do Sul e de São Paulo pela manutenção
dos avanços institucionais ameaçados pela reforma constitucional
promovida pela ditadura militar em 1969.
O início da década de 70 foi marcado por importantes avanços
liderados por Lauro Guimarães, que acumulou a presidência
da Associação e a chefia da Instituição a
partir de março de 1971. Nessa época, três associados
ocupavam cadeiras neste Parlamento: os Deputados Lidovino Fanton, Antônio
Carlos Rosa Flores e João Carlos Gastal, todos de destacada atuação.
Vejam a minha enorme responsabilidade: estar à altura de tão
ilustre representação parlamentar de membros do Ministério
Público que passaram por esta Casa.
No mesmo ano de 1971, foi adquirida a sede campestre da Associação,
cujas reformas e benfeitorias, realizadas ao longo dos últimos
trinta anos por sucessivas gestões, transformaram o local, na Zona
Sul de Porto Alegre, numa das mais belas e aprazíveis sedes de
entidades de classe do nosso Estado.
Já os anos 80 foram marcados pela reconquista do regime democrático
em nosso País e assinalaram, não por acaso, o fortalecimento
do Ministério Público. Pela sua natureza e vocação,
é natural que o Ministério Público avance à
medida que avança a democracia em nosso País.
Em 1981, em 14 de dezembro, o Ministério Público se afirmou
definitiva e nacionalmente como Instituição com a promulgação
da Lei Complementar nΊ 40.
A Associação, então presidida por Paulo Olímpio
Gomes de Souza, mais uma vez teve participação decisiva
e estratégica no alcance das conquistas institucionais.
Em 30 de novembro de 1983, foi fundada a Escola Superior do Ministério
Público, que, no ano seguinte, ministrou o primeiro curso de habilitação
para a carreira.
Fui aluno da Escola nessa época, um período de aprendizado
que foi fundamental para que obtivesse, no concurso público de
1986, o ingresso na carreira do Ministério Público.
Em 1987, membros da Associação tomaram a frente na organização
da Comissão Nacional Pró-Constituinte, mesmo ano em que
se realizaram as primeiras eleições diretas para Procurador-Geral
de Justiça, mais um avanço democrático alcançado
pela Associação.
Os anos seguintes, 1988 e 1989, foram particularmente marcantes, pois
foram promulgadas as Constituições Federal e Estadual, que
deram ao Ministério Público sua moderna feição,
com novas e importantes atribuições, como o de guardião
do regime democrático e defensor dos interesses sociais e individuais
indisponíveis.
Cláudio Barros Silva, ex-Presidente da Associação
e atual Procurador-Geral de Justiça, diga-se de passagem recentemente
reeleito com histórica e expressiva votação aqui
presente , foi extremamente feliz ao se referir a esse período.
Disse o Dr. Cláudio Barros Silva: A década de 80 foi de
efervescência institucional. Houve um salto. Deixamos de ser uma
Instituição vinculada ao Poder Executivo para sermos uma
Instituição ao lado dos Poderes de Estado, com garantias
fundamentais para fiscalizar os próprios Poderes do Estado. De
todas as instituições públicas deste País,
a que mais cresceu foi a do Ministério Púbico.
Tem razão o Procurador-Geral.
Mas o crescimento trouxe consigo um grande desafio: preparar a Instituição
para que seus membros pudessem cumprir com eficiência suas novas
missões.
Os últimos anos têm sido de muito trabalho para estruturar
o Ministério Público de modo a torná-lo capaz de
realizar a contento suas tarefas.
Esta é a característica que identifico nos anos 90, ainda
presente nos nossos dias: a estruturação e a organização
do Ministério Público o novo Ministério Público
, sempre com o acompanhamento da nossa Associação de Classe,
que, ao longo da sua história, tem desempenhado o papel de linha
de frente no processo de conquistas institucionais.
Do ponto de vista da assistência aos seus membros, é dessa
última década a criação, pela Associação,
da SAS Superintendência de Assistência à Saúde
, que garante aos Promotores, aos Procuradores de Justiça e a
seus dependentes dignidade e qualidade no atendimento médico e
hospitalar.
É de destacar também a criação da Mútua,
sistema de pecúlio por morte, e da nossa Cooperativa de Crédito.
Relevo especial, porém, merece a recente aquisição
do prédio próprio para funcionamento da sede administrativa
da Associação, na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto,
nΊ 501, nesta Capital, inaugurada na eficiente e marcante gestão
do meu colega e amigo, que também se encontra presente para a nossa
honra, Delmar Pacheco da Luz.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ao completar 60 anos, a Associação
reafirma o seu compromisso com a cidadania, na certeza de que a defesa
das prerrogativas dos Promotores e Procuradores de Justiça se dá
menos por questões corporativas e mais muito mais pelo interesse
público de termos um Ministério Púbico altivo, atuante
e independente no cumprimento de suas importantes funções
institucionais de: promover privativamente a ação penal;
zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos aos direitos assegurados
na Constituição; proteger o patrimônio público
e social, o meio ambiente e outros interesses difusos e coletivos; defender
os interesses e direitos das populações indígenas;
e exercer o controle externo da atividade policial.
São tarefas da mais alta relevância, que o povo, através
de seus legítimos representantes constituintes, resolveu entregar
ao Promotor de Justiça, atribuindo a sua instituição
o status constitucional de permanente e essencial à função
jurisdicional do Estado para que ele, Promotor de Justiça, não
faltasse jamais aos seus deveres.
Resta-nos, ao final, reiterar os parabéns à Associação
do Ministério Público do Rio Grande do Sul pelos seus 60
anos. Graças ao trabalho de seus presidentes e companheiros de
diretoria que se sucederam ao longo dessas seis décadas, desde
o pioneiro José Correa da Silva até o atual, aqui presente,
Ivory Coelho Neto, é que hoje podemos comemorar a existência
de um Ministério Público que nos enche de orgulho.
A Sra. Maria do Rosário (PT) V. Exa. permite um aparte? (assentimento
do Orador)
Deputado Vieira da Cunha, em seu nome cumprimento o Procurador-Geral de
Justiça, Dr. Cláudio Barros Silva; o Presidente da Associação,
Dr. Ivory Coelho Neto, e todos os integrantes do Ministério Público
Estadual.
No momento em que marcamos nesta Assembléia Legislativa os 60 anos
desta Associação, ressaltamos o nosso reconhecimento pelo
trabalho democrático desenvolvido por esta instituição,
pelo vínculo que, ao longo de sua trajetória, demonstra
ter com as causas importantes da sociedade brasileira, que são
as vinculadas à proteção do estado de direito, do
estado democrático, da justiça social, pela busca de uma
sociedade pautada pela igualdade de oportunidades.
Nós, que reconhecemos no Ministério Público, em especial
a partir da Constituição de 1988, uma instituição
que conquistou junto à sociedade brasileira um destaque entre as
maiores do País, temos que reconhecer que a tarefa da Associação
cuja atuação aqui destacamos também contribuiu para
essa trajetória.
Se temos nos dias de hoje preceitos constitucionais, tarefas claras do
Ministério Público e um espaço democrático
para aonde o cidadão, de toda natureza, pode dirigir-se, é
porque os Procuradores de Justiça, os Promotores de Justiça,
por meio de sua organização, souberam defender esse estado
democrático, construindo, ao lado do movimento social, da sociedade
brasileira, esse arcabouço jurídico que nos dá direitos
e oportunidades para a igualdade.
Portanto, em nome da Bancada do Partido dos Trabalhadores, cumprimentando
V. Exa., cumprimentamos também a Associação, desejando
à entidade uma vida de ainda maior reconhecimento e dignificação,
principalmente junto a nossa comunidade. Muito obrigada.
O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) Agradecemos o aparte de V. Exa., Deputada
Maria do Rosário.
O Sr. Eliseu Santos (PTB) V. Exa. permite um aparte? (assentimento do
Orador)
Cumprimento o Deputado Vieira da Cunha; o Presidente Sérgio Zambiasi;
o Dr. Cláudio Barros Silva, Procurador-Geral do Estado do Rio Grande
do Sul; o Dr. Ivory Coelho Neto, Presidente da Associação
do Ministério Público do Rio Grande do Sul; os membros,
promotores e toda a equipe do Ministério Público do Rio
Grande do Sul.
Deputado Vieira da Cunha, é com muita alegria que me dirijo esta
tarde a V. Exa., agradecendo a oportunidade de ceder este espaço
para uma homenagem à Associação do Ministério
Público.
Deveria ter em mãos o Dicionário Aurélio, para procurar
sinônimos para termos como dignidade, competência, altruísmo
e coragem, que identificam bem o Ministério Público, pois
faltam-me palavras para expressar o orgulho que tenho desta entidade.
Ontem, tarde da noite, examinei aquele exemplar que recebi. Deu-me vontade
de passar toda a noite lendo-o, mas, como tinha cirurgia marcada de manhã
cedo, tive que deixá-lo num cantinho para continuar hoje a leitura.
Uma entidade que tem como Presidente de Honra o Sr. Abdon de Mello, que
iniciou seu trabalho com muita coragem, dignidade e firmeza, só
pode ser o que é hoje o nosso Ministério Público.
Quero, em nome do Partido Trabalhista Brasileiro, homenagear os componentes
desta entidade, a todos os presentes e aos não-presentes, aos que
já deixaram o nome na história, com um grande abraço
de carinho e respeito.
Como gaúcho, orgulho-me de muitas entidades de meu Estado: da Justiça,
do Ministério Público e da história democrática
do Rio Grande do Sul. Estamos exatamente homenageando o motivo desse orgulho
gaúcho que trago no coração. Meus parabéns
ao nosso Ministério Público. Muito obrigado.
O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) Deputado Eliseu Santos, reitero de modo
especial a V. Exa. o meu agradecimento pela sensibilidade que teve ao
fazer a permuta do nosso tempo de Grande Expediente, a fim de que pudesse
este Deputado homenagear a Associação do Ministério
Público, exatamente no momento em que completa 60 anos.
O Sr. Vilson Covatti (PPB) V. Exa. permite um aparte? (assentimento
do Orador)
Cumprimento V. Exa., Deputado Vieira da Cunha; o Sr. Presidente desta
Casa, Deputado Sérgio Zambiasi; o Procurador-Geral do Ministério
Público do Estado, Sr. Cláudio Barros Silva, e o Presidente
da Associação do Ministério Público, Sr. Ivory
Coelho Neto.
Para o Parlamento Gaúcho esta é uma homenagem muito significativa,
pela contribuição que o Ministério Público
nos dá com um de seus membros: um Colega que nos orgulha pelo seu
exemplo, pela sua conduta, pela sua dignidade e pelo seu conhecimento
de causa, o Deputado Vieira da Cunha.
Nosso orgulho também se deve ao fato de estar V. Exa. aqui, dando
o exemplo, para cada um de nós, de que para ser um Promotor de
Justiça é preciso, acima de tudo, ser um promotor da justiça
na sociedade gaúcha.
Quando comecei a advogar, no interior do Estado, em Frederico Westphalen,
aprendi a admirar e a respeitar o Ministério Público com
o Promotor Vanderlei Lino Serena, que hoje está em Soledade.
Na luta cotidiana, deparei-me com outro exemplar Promotor, que cuidava
da sociedade gaúcha com zelo, tino e determinação,
mas, ao mesmo tempo, não deixava de ser amigo da sociedade e dos
advogados. Para nosso orgulho, o Sr. Roberto Bandeira Pereira é
hoje um exemplo da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Rio
Grande do Sul.
Igualmente nos orgulhávamos do exemplo que o Ministério
Público dava com o conterrâneo Lauro Guimarães.
Chegando à Assembléia Legislativa, pude perceber o que significa
o trabalho da Associação do Ministério Público,
por intermédio do Presidente Cláudio Barros Silva, que foi
seguido pelo Dr. Delmar Pacheco da Luz, e, agora, pelo Dr. Ivory Coelho
Neto. Também aprendemos a respeitar a Associação
por meio da ação marcante, equilibrada e responsável
do Dr. Ricardo, que nos ajuda em nossas funções parlamentares.
A Associação do MP confunde-se com o próprio exercício
do Ministério Público, que soube muito bem, a partir da
Constituição Federal de 1988, com os freios e contrafreios
peculiares a esta categoria, ocupar seu espaço. Hoje, com orgulho,
digo que o Ministério Público constitui a reserva moral
e intelectual da nossa sociedade. O MP é, sem dúvida, guardião
da justiça e da esperança da população gaúcha.
Parabéns à Associação e à instituição
Ministério Público pelo belíssimo trabalho que têm
realizado e pelo exemplo que têm dado à sociedade do Rio
Grande do Sul. Muito obrigado.
O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) Muito obrigado, Deputado Vilson Covatti.
O Sr. Francisco Appio (PPB) V. Exa. permite um aparte? (assentimento
do Orador)
Deputado Vieira da Cunha, inicialmente gostaria de saudar o nosso prezado
Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Sérgio Zambiasi;
o eminente Procurador-Geral de Justiça e Presidente do Conselho
Nacional de Procuradores, Dr. Cláudio Barros Silva; o Dr. Ivory
Coelho Neto, que preside a Associação do Ministério
Público; as Sras. e Srs. Promotores de Justiça deste Estado.
Tenho de V. Exa., Deputado Vieira da Cunha, uma saudável inveja.
É a inveja pelo fato de V. Exa. haver requerido este pronunciamento,
esta homenagem, por não poder ser Promotor como V. Exa. e por não
ter o seu dom de passar com tanta clareza, com tanta objetividade e sinceridade
o sentimento desta Casa.
Mas posso, e V. Exa. bem o compreenderá, sentir a mesma emoção
por laços familiares, porque tenho o privilégio de ter na
minha família alguém que, durante muito tempo, foi também
Promotor de Justiça e que me trouxe grande orgulho, grande satisfação
e a oportunidade, nas conversas do cotidiano, nos encontros entre pai
e filho, de conhecer mais sobre esse instrumento fantástico de
que a sociedade dispõe.
O aparte que faço a V. Exa. só é possível
porque meu Líder Partidário, Deputado José Farret,
me concedeu essa honra. Posso, portanto, Deputado Vieira da Cunha, deixar
meu coração falar à vontade.
Faz algum tempo, mas não muito, instalamos uma Comissão
Parlamentar de Inquérito nesta Casa. Hoje, V. Exa. é Relator
de uma outra CPI, presidida pelo Deputado Valdir Andres. Aquela Comissão
Parlamentar de Inquérito produziu um trabalho tão extraordinário
no combate ao crime organizado que os 50 mil exemplares do relatório,
cuja impressão foi determinada pelo Presidente Sérgio Zambiasi,
serão divulgados e distribuídos gratuitamente já
na semana que vem em bancas de revista, escolas, faculdades, porque, além
de uma peça de notícia-crime ao Ministério Público,
se transformou também num documento pedagógico.
Fiquei muito feliz e honrado ontem, em Caxias do Sul, num debate numa
emissora de rádio com o seu colega Dr. Paulo Weschenfelder e com
o Procurador do Ministério Público Federal Dr. Celso Três,
em poder reconhecer graças também à participação
das pessoas através de telefonemas que o Ministério Público
hoje é provavelmente o melhor lugar para a sociedade depositar
as suas insatisfações, as suas denúncias, as suas
indignações.
Por isso, queremos um Ministério Público forte. Por isso,
esta Casa não negou nada à Procuradoria-Geral de Justiça
nos projetos que aqui tramitaram. Por isso, o Ministério Público
tem esse conceito e essa respeitabilidade. Mais do que isso: o próprio
relatório foi produzido num compartilhamento com o Ministério
Público, que criou uma força-tarefa tão boa que o
eminente Procurador acabou de firmar, com a Secretaria da Justiça
e da Segurança do Governo do Estado, um convênio para torná-la
permanente, o que nos deixa, portanto, mais orgulhosos.
Afinal de contas, o Ministério Público começa a colocar
também coletes à prova de bala e a enfrentar a bandidagem
não só com a lei. O Dr. Carlos Araújo, que permanentemente
se faz presente em nossa CPI da Segurança Pública, e qualquer
promotor do interior do Estado sabem que, ao denunciar um delinqüente,
passam a ser visados por ele. E o que nos deixa indignados é que
o Estado, como instituição, não dá a mínima
segurança para o cidadão e muito menos para o Promotor Público.
Louvo o seu trabalho e rogo a Deus que lhe dê proteção,
porque se há proteção para a testemunha não
há para o promotor.
Peço, sinceramente, que a sociedade saiba reconhecer o papel do
Ministério Público e que saiba dar a ele a receptividade
no momento em que deseja coordenar as atividades, chamando ao seu lado
prefeitos, delegados, entidades e sindicatos para uma ampla mobilização
contra o crime organizado.
V. Exa. ao levar ao Conselho Nacional o desafio de criar instituições
de combate ao crime organizado em todo o País, dá a demonstração
de que, no Rio Grande do Sul não é só em Vacaria,
Delmar Pacheco da Luz , todo gaúcho tem faca na bota. Muito obrigado.
O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) Obrigado Deputado Francisco Appio.
O Sr. João Luiz Vargas (PDT) V. Exa. permite um aparte? (assentimento
do Orador)
Saúdo o Procurador-Geral de Justiça, Dr. Cláudio
Barros Silva e o Presidente da Associação do Ministério
Público, Dr. Ivory Coelho Neto.
Os sonhos são para as crianças, e a luta é para quem
cresceu. Mas existem sonhos de justiça e de liberdade que são
para todos nós, sonhos esses que conseguimos realizar, muitas vezes,
em função das ações do Ministério Público
no cumprimento das leis.
V. Exa., Deputado Vieira da Cunha, oportuniza ao Parlamento, através
da manifestação soberba das suas palavras e dos apartes
anteriormente feitos, que possamos agradecer ao Ministério Público
e à Associação do Ministério Público
por sua ação.
Nesta Casa, Dr. Cláudio, Dr. Delmar e Dr. Ivory, V. Exas. atuam
de forma competente, por intermédio de seu colega e também
Deputado Vieira da Cunha antes o faziam por intermédio do ex-Deputado
Jarbas Lima , confundindo-se com os próprios Deputados. Permita-nos
agregar a esta homenagem de V. Exa., Líder da nossa Bancada, o
agradecimento ao trabalho do Ministério Público desenvolve,
à honradez que demonstra a cada gesto e ao orgulho permanente que
seus integrantes manifestam na defesa dos interesses do povo do Rio Grande.
Assim é o dia-a-dia das atividades dessa instituição.
Os sonhos são para as crianças; a luta é para quem
cresceu.
O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) - Agradeço o aparte ao Deputado João
Luiz Vargas.
O Sr. Paulo Odone (PPS) - V. Exa. permite um aparte? (assentimento do
Orador)
Saúdo o Exmo. Presidente Deputado Sérgio Zambiasi, o Exmo.
Procurador-Geral, Dr. Cláudio Barros, e o Exmo. Presidente Ivory
Coelho Neto.
Deputado Vieira da Cunha, faço esta manifestação
em meu nome e, pela primeira vez, em nome da Bancada do PPS, o que muito
me orgulha e honra.
Ontem, na solenidade realizada no Solar dos Câmara, com a presença
do Presidente Sérgio Zambiasi e de grande número de membros
do Ministério Público, o Presidente Ivory Coelho Neto, manifestando-se,
fez uma citação do Dr. Abdon de Mello, primeiro Presidente
daquela Associação, dizendo que ao Ministério Público
não é dado ter a paixão política, somente
a paixão da justiça. Por esse motivo, esta homenagem é
totalmente descomprometida, o que concede maior valor a este Grande Expediente
de iniciativa do ilustre Deputado Vieira da Cunha, também membro
do Ministério.
A Assembléia Legislativa reconhece no Ministério Público
o instrumento institucional inafastável para atingirmos nossos
objetivos ligados ao interesse público. Certos ou equivocados,
aqui cada um de nós persegue um fim social e um fim político.
Tendo em vista o papel que o Ministério Público passou a
desempenhar com a Constituição de 1988 com relação
à defesa da cidadania, é imprescindível que esta
Casa tenha sempre presente essa instituição. E aqui, Deputado
Sérgio Zambiasi, quero dizer que, no ano que fui Presidente desta
Assembléia, o que honrou meu currículo político,
pude ter as maiores alegrias decorrentes do relacionamento transparente
e aberto com o Ministério Público, o que já vinha
desenvolvendo, inclusive, com o Procurador-Geral, Dr. Cláudio Barros
Silva.
O nosso Legislativo sempre foi valorizado pelo Ministério Público,
que terá deste Deputado, pelo resto da vida, onde estiver, essa
reciprocidade, pelo reconhecimento do papel fundamental que o Ministério
exerce.
Não vejo como poderiam funcionar - conforme já se disse
nesta Casa - as nossas comissões parlamentares de inquérito,
sequer aquilo que ao político é dado como obrigatório
fazer, que é a promoção da denúncia pública
com transparência e com clareza, se não fosse, ao final,
levado o pedido ao Ministério Público para sua intervenção
no âmbito social.
Deputado Vieira da Cunha, por raras vezes esta Casa tem a oportunidade
de fazer uma homenagem tão isenta, tão descomprometida como
esta. Por esse motivo, a minha alegria em ver a feliz iniciativa de V.
Exa., que se honra, também, dessa corporação, uma
das fundamentais instituições deste País e da nossa
democracia.
Quero deixar, em nome da Bancada do PPS e em meu próprio, a minha
solidariedade e as minhas congratulações à sua iniciativa
e deixar um grande abraço a todos os membros do Ministério
Público deste Estado.
O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) - Agradeço o aparte ao Deputado Paulo
Odone.
O Sr. José Ivo Sartori (PMDB) - V. Exa. permite um aparte? (assentimento
do Orador)
Saúdo o Sr. Presidente, Deputado Sérgio Zambiasi; o eminente
Deputado Vieira da Cunha, autor desta proposta que homenageia a Associação
do Ministério Público do Rio Grande do Sul; o Sr. Procurador-Geral
do Ministério Público, Dr. Cláudio Barros Silva;
e o Sr. Presidente da Associação, Sr. Ivory Coelho Neto.
Deputado Vieira da Cunha, em nome da Bancada do PMDB, com alegria, damos
continuidade às demonstrações de respeito ao Ministério
Público que fizemos em outras oportunidades.
O Deputado João Osório e este Deputado fomos constituintes,
época em que, certamente, foram conquistados grandes avanços
na área da Justiça, que até podem gerar alguma contrariedade
para os defensores da sociedade quanto ao papel que cabe a esse Poder.
O Deputado João Osório e este Parlamentar sentimo-nos muito
satisfeitos, porque, no PMDB, naquela oportunidade, contribuímos
para que houvesse muitos avanços. Encontramos algumas contrariedades
e dificuldades que persistem nos dias atuais, dificultando o exercício
livre da defesa do cidadão que, às vezes, não tem
o mínimo direito e cujas necessidades de justiça não
podem ser resgatadas.
Não estamos homenageando o Ministério Público, embora
ele mereça homenagens permanentes, mas estamos homenageando a Associação
do Ministério Público, que justamente irmana, congrega e
reflete os interesses e os questionamentos não apenas para congraçamento,
mas também para as grandes atitudes que devem influenciar o corpo
da instituição Ministério Público.
Em nome dos Deputados do PMDB - Elmar Schneider, João Osório,
Alexandre Postal e Jair Foscarini, este último não pode
estar aqui, pois está convalescendo de uma cirurgia cardíaca
-, posso dizer que não apenas a nossa Bancada, mas toda a Assembléia
Legislativa têm orgulho do Ministério Público do Rio
Grande do Sul, especialmente pelo trabalho conjunto desenvolvido em diversas
e repetidas oportunidades. Cito como exemplo o trabalho em parceria na
CPI do Crime Organizado, do qual participou o Deputado Elmar Schneider
e outros Colegas, como bem referiu o Deputado Francisco Appio.
Quero deixar registrado que, quando fui Secretário de Estado, morando
em Porto Alegre, colhi grandes amizades no Ministério Público,
pois era usuário permanente daquele estabelecimento.
Menciono aqui o eminente Procurador, também Presidente da Associação,
hoje Presidente do Conselho Nacional, Dr. Ivory Coelho Neto; Dr. Paulo
Emilio Barbosa; Dr. Delmar Pacheco da Luz; Dr. Voltaire de Lima Moraes,
hoje Desembargador; Dr. José Antônio Paganella Boschi; Dr.
Paulo Olímpio Gomes de Souza. Quero citar também o Dr. Antonio
Dionísio Lopes, grande amigo, colega de faculdade e uma das figuras
que muito honrou o Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Deputado Vieira da Cunha, V. Exa. também honra o Ministério
Público do Rio Grande do Sul pelo exercício político
reto e digno que sempre desempenhou.
Deixamos aqui, em nome da Bancada do PMDB, o registro da importância
das pessoas que fazem, fizeram e vão fazer o Ministério
Público do Rio Grande do Sul cada vez mais próximo da sociedade
e dos gaúchos. Muito obrigado.
O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) Agradeço o aparte ao Deputado José
Ivo Sartori.
Realmente, não poderia concluir este pronunciamento sem homenagear
os Presidentes da nossa Associação do Ministério
Público. Não foi possível citar todos eles, um a
um, no meu pronunciamento, e o Deputado José Ivo Sartori há
pouco lembrou alguns outros Colegas que tiveram a oportunidade de presidir
a nossa Associação.
Sr. Presidente, solicito transcrição nos anais da Casa da
relação dos Presidentes da Associação do Ministério
Público e respectivos períodos de gestão, desde a
sua fundação, em 1941, até os nossos dias, como forma
de homenageá-los pela dedicação à causa daquela
instituição. Sem sua luta, o Ministério Público
certamente não teria a solidez e o respeito que conquistou.
Vamos em frente. Muito foi realizado, é verdade; mas há
muito ainda a fazer. Afinal, ao completar 60 anos, a Associação
permanece com o entusiasmo da sua fundação, agora temperado
pela experiência de quem travou o bom combate e está pronta
para novos desafios.
Parabéns à Associação do Ministério
Público do Rio Grande do Sul! Muito obrigado. (Não revisado
pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) - Deputado Vieira da Cunha,
esta Presidência defere o pedido de V. Exa., associando-se a todas
as manifestações em que a palavra orgulho dominou.
(Matéria entregue para transcrição.)
RELAÇÃO DE PRESIDENTES DA ASSOCIAÇÃO
DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO
RIO GRANDE DO SUL
(1941 2001)
José Correa da Silva 1941 a 1947
Abdon de Mello 1944 Presidente de Honra
Paulo de Tarso Cachapuz de Medeiros 1958 a 1962
Mauro Cunha 1962 a 1964
Antônio Ricardo de Medeiros 1964 a 1966
Paulo Cláudio Tovo 1966 a 1968
Ivânio da Silva Pacheco 1968 a 1970
Lauro Pereira Guimarães 1970 a 1972
Francisco José Pinós Lobato 1972 a 1974
Euzébio Cardoso da Rocha Vieira 1974 a 1976
Augusto Borges Berthier 1976 a 1978
Paulo Olímpio Gomes de Souza 1978 a 1982
Luiz Alberto Rocha 1982 a 1986
José Antônio Paganella Boschi 1986 a 1988
Voltaire de Lima Moraes 1988 a 1990
Paulo Emílio Jenisch Barbosa 1990 a 1992
Paulo Ricardo Tonet Camargo 1992 a 1994
Cláudio Barros Silva 1994 a 1996
Delmar Pacheco da Luz 1996 a 2000
Ivory Coelho Neto 2000 a 2002
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) - Srs. Deputados, para completar
esta homenagem tão sensível que prestamos ao Ministério
Público nesta tarde, informo aos Parlamentares que a Assembléia
Legislativa, dando prosseguimento às ações ontem
realizadas nesta Casa, com o lançamento das Histórias de
Vida do Ministério Público do Rio Grande do Sul, participará
da Feira do Livro com um espaço especialmente contratado, tendo
oportunidade de oferecer a todos os Parlamentares local para lançamento
de suas publicações. Também estará, de forma
parceira, recebendo a representação do Ministério
Público, do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça,
enriquecendo nossa participação naquele evento.
Esta é uma informação privilegiada que estamos divulgando,
neste momento, engajados na homenagem que se presta pela passagem desta
data tão importante que hoje comemoramos.
Informo também V. Exas. que o lançamento da segunda publicação
das Histórias de Vida do Ministério Público do Rio
Grande do Sul será feito no dia 14 de dezembro, nesta Casa.
Agradecendo a presença de todos os membros do Ministério
Público, seus trabalhadores e todos que desempenham atividade profissional
naquela instituição, suspendo a Sessão por alguns
minutos para que os Parlamentares possam cumprimentar os homenageados.
(Suspende-se a Sessão.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Estão reabertos os trabalhos.
Terminado o Grande Expediente, passo à
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Por solicitação do Deputado Onyx Lorenzoni, concedo a palavra
a S. Exa. para uma comunicação de líder.
O
SR. ONYX LORENZONI (PFL) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Perdemos quase um ano. O desabafo é do Presidente da Ford no Brasil,
Antônio Maciel Neto, feito à reportagem da revista Exame,
ao constatar e relatar o episódio que levou a empresa a sair do
Rio Grande do Sul para se instalar na Bahia.
No dia 12 de outubro, sexta-feira, feriado nacional, ocorrerá a
inauguração da fábrica da Ford naquele Estado. A
festa que poderia ser realizada ali do outro lado, em Guaíba, acontecerá
bem distante daqui, na Bahia. Aqui fica apenas a tristeza da perda que,
mais uma vez, registramos neste Parlamento.
Para o Governador da Bahia, César Borges, a Ford tem outro significado:
é o principal elemento impulsionador do atual estágio de
desenvolvimento econômico e social daquele Estado.
No final do mês de agosto, estive na Bahia visitando as instalações
da Ford e constatei que o canteiro de obras é duas vezes maior
do que o da fábrica da GM instalada em Gravataí.
A Bahia dispõe hoje de um investimento de 1,2 bilhões de
reais que está gerando mais de cinco mil empregos diretos e cerca
de cinqüenta mil indiretos, além de uma avalanche de oportunidades,
de empresas e de investimentos que podem ser verificados em Camaçari,
onde se situa o Pólo Petroquímico baiano.
Há apenas uma hora, Sr. Presidente, o Governador da Bahia assinou
novos protocolos de implantação de projetos industriais,
como da Daulux, fabricante de placas de policarbonato, da TRM, da Zaraplast,
da PSA e da Tecplast. Essas empresas gerarão 79,7 milhões
de reais em investimentos. Para quem não sabe, o grupo Zaraplast
é o maior transformador de plástico do País.
A retirada do Rio Grande do Sul como competidor nacional por atração
de investimentos, devido à decisão equivocada do incompetente
Governo que temos a desgraça de vivenciar, provocou um efeito que
pode ser medido concretamente: entre os 228 empreendimentos industriais
que se instalaram na Bahia está a Ford, e, desde agosto último,
a Goodyear também negocia a sua instalação nas terras
de Jorge Amado, visto que o Governo do PT deu um jeito para que essa empresa
também fosse embora do nosso Estado, mais exatamente de Glorinha.
Além disso, 131 empresas aguardam, na Secretaria da Indústria
e Comércio do Governo da Bahia, liberação para sua
instalação.
Por meio do Projeto Amazon, a Ford produzirá, na Bahia, a partir
de março, 250 mil veículos por ano. Essa fábrica,
a mais moderna do mundo, permitirá que cada empregado produza em
torno de cento e vinte veículos por ano, enquanto a média
anual internacional, nas montadoras tradicionais, é de quarenta
unidades para cada funcionário.
Com a geração de 50 mil empregos diretos e mais de 50 mil
empregos indiretos, esses veículos serão produzidos de acordo
com o que há de mais moderno em termos industriais no mundo todo,
com a utilização de mais de cento e trinta e cinco robôs
de última geração.
Sr. Presidente, passo a ler parte da declaração do empresário
guaibense José Francisco Sperotto, publicada no Correio da Bahia:
É impossível medir a perda para o Rio Grande do Sul. É
lastimável que a administração estadual seja voltada
para o atraso e não tenha idéia de progresso. Foi uma grande
alegria para Guaíba quando o ex-Governador Antônio Britto
colocou a pedra fundamental. Era a esperança da renovação
e do crescimento.
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Deputado, o tempo de V. Exa.
já está ultrapassado. (pausa) Por solicitação
do Orador, concedo o tempo de mais uma comunicação de líder
a S. Exa.
O SR. ONYX LORENZONI (PFL) Na Bahia, o início das operações
da montadora é encarado como um mutirão para levar aquele
Estado a uma posição de destaque no cenário nacional
e internacional.
Conforme declarações do Governador baiano, a Ford é
o maior emblema da transformação da matriz industrial daquele
Estado, antes centrada na produção de bens intermediários
e que, a partir do advento da Ford, passará a produzir bens de
consumo final.
Por um golpe de sorte, talvez, a Ford acabou vindo para a Bahia, disse
o Governador César Borges. S. Exa. lembrou ainda que a montadora
estava comprometida com o Rio Grande em função de uma acordo
feito com o ex-Governador Antônio Britto e aprovado por este Parlamento.
Mas com a mudança de Governo e a entrada do PT, os compromissos,
lamentavelmente, não foram mantidos.
Disse ainda o Governador baiano: Tivemos a oportunidade, em determinado
momento, de verificar que a Ford estava prestes a desistir do Estado Gaúcho
porque lá não havia segurança para o seu empreendimento.
Por isso, lançaram um anúncio nos jornais nacionais, dizendo
que lá se cumpriam os acordos assumidos, e a Ford acabou indo para
a Bahia.
Nós todos, este Parlamento e a sociedade gaúcha, sabemos
que não foi um golpe de sorte. Não! A Ford foi embora devido
à absoluta convicção do atual Governo de que, para
referendar o seu compromisso doutrinário e ideológico, era
necessário mandar embora esse símbolo do capitalismo americano
tão odiado e tão desprezado pelo Partido que, lamentavelmente,
administra o Estado do Rio Grande do Sul.
Na página 10 do Jornal do Comércio de hoje, foi publicada
uma matéria importante para mostrar à sociedade gaúcha
como funciona este Governo, que, ao inaugurar a sua gestão, hasteou
a bandeira de Cuba na frente do Palácio Piratini.
Aquela bandeira não estava lá de graça nem por acaso.
Encontra-se no Rio Grande do Sul uma missão cubana chefiada pelo
Diretor do Ministério da Indústria Sidero-Mecânica
de Cuba, Sr. Jorge Suárez Rodríguez, e da qual faz parte
o industrial cubano Julio César Gallego Torres. Essa delegação
esteve reunida com os Secretários Zeca Moraes e Renato de Oliveira
e, para nossa tristeza absoluta, pretende captar empresas gaúchas
para se instalarem em Cuba. Segundo a proposta, a empresa investe 50%
do capital, e o Governo do comandante Fidel, mais 50%. Assim, o Governo
do PT estimula a geração de empregos em Cuba!
Sr. Presidente, apelo à Comissão de Serviços Públicos,
à Comissão de Economia e Desenvolvimento e à Comissão
de Fiscalização e Controle da Assembléia Legislativa
para que convoquem os Secretários Zeca Moraes e Renato de Oliveira,
responsáveis diretos pela expulsão da Ford, da Azaléia
e de mais centenas de empreendimentos industriais do Rio Grande do Sul,
a fim de sabermos se o dinheiro pago pelo contribuinte gaúcho destina-se
à promoção de empregos em Cuba.
É indispensável fazermos esse questionamento, e, para tal,
enviarei formalmente aos Presidentes das referidas Comissões requerimento
de convocação dos dois Secretários. Talvez também
deva ser convidada a missão cubana que, seguramente, está
sendo recepcionada com carro oficial, possivelmente com almoço
ou jantar no Palácio e com todas as honras pelo Governador Olívio
Dutra para explicar se os Secretários e o Governo do PT estão
a serviço da geração de empregos para os gaúchos
ou para os cubanos.
Por fim, Sr. Presidente, sou obrigado a registrar a inauguração
daquela grande empresa na Bahia. Apesar de ser este um triste momento
de reflexão para os gaúchos, também é uma
grande oportunidade para a sociedade ver claramente quem está a
serviço da nossa população e quem está a serviço
apenas da própria ideologia, do próprio partido e dos próprios
privados e personalísticos interesses.
Este Governo, que não é popular nem democrático,
infelizmente desgraçou o futuro de milhares de pessoas no Rio Grande
e nunca vamos permitir que este Parlamento e a nossa sociedade esqueçam
isso. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) A primeira inscrição
no período de Apresentação e Discussão de
Proposições pertence à Deputada Maria do Rosário,
a quem concedo a palavra.
A
SRA. MARIA DO ROSÁRIO (PT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Ocupo esta tribuna, neste período de Apresentação
e Discussão de Proposições, para sugerir que esta
Casa assuma uma postura clara junto ao Governo Federal, buscando a imediata
reabertura das negociações com os servidores, os docentes,
os técnicos-científicos e administrativos das universidades
federais, no sentido de que seja construída uma solução
para o momento que estamos vivendo, honrando a necessidade de contarmos
com uma educação pública de nível superior
gratuita e cada vez mais forte e qualificada.
Estão presentes neste plenário os representantes da Associação
dos Docentes da UFRGS, que estão à frente do comando local
de greve e que abrigam, certamente, as inquietações daqueles
que estão em Santa Maria, Rio Grande, Pelotas, enfim, em todo o
Estado e em todo o Brasil, vivendo um drama com relação
à educação pública.
Os servidores públicos das universidades encontram-se há
sete anos sem qualquer reajuste salarial. E, para agravar essa situação,
servidores públicos federais, que sentaram a uma mesa de negociações
com o Governo, não obtiveram qualquer divulgação
do que estaria por vir por parte do Ministro Paulo Renato Souza ou de
qualquer integrante do Governo. E o dia seguinte às negociações
foi dramático, na medida em que o pagamento dos salários,
que estava previsto para 2 de outubro, não foi realizado.
Apesar de liminar ter sido concedida pela Justiça garantindo o
pagamento, o Governo organizou-se rapidamente para impedir a sua execução;
e até este momento os servidores se encontram feridos no seu direito
à realização de greve e limitados na sua possibilidade
de manifestação. O Governo Federal responde a essa situação,
que envolve a produção científica, tecnológica,
cultural e milhares de estudantes, sua família, docentes e trabalhadores
na área do ensino, tão-somente com a truculência,
com a inoperância e com o corte dos salários.
Sr. Presidente, solicito a transcrição, nos anais desta
Casa, de uma carta recebida neste plenário intitulada Carta aos
Parlamentares, na qual a ANDES/SN, a Fasubra, o Sinasefe e a UNE chamam
a atenção dos Parlamentares do Congresso Nacional e de todos
nós, Deputados e Deputadas Estaduais, para o nosso reconhecimento
do papel da universidade pública. A carta aborda a idéia
de que todos devemo-nos empenhar para a reabertura imediata das negociações.
Destaco, de forma especial, trecho do que aqui está escrito: A
Comissão de Educação e Orçamento da Câmara
Federal constatou a existência de mais de 1 bilhão de reais
destinados à Educação no orçamento de 2001
e até agora não gastos. Isso contraria as informações
emitidas pelo MEC, segundo as quais o Governo vem investindo sistematicamente
na educação brasileira como um todo, inclusive a superior.
Neste momento, é preciso que a Assembléia Legislativa, por
meio de um telegrama subscrito pela Mesa Diretora e pelas Lideranças,
dirija-se ao Presidente do Senado e ao Presidente da Câmara dos
Deputados, órgãos em que papel tão importante exercem
os Deputados Federais do Rio Grande do Sul e de todo o Brasil, para viabilizar
a reabertura das discussões. É necessário que o Congresso
Nacional se posicione porque, amanhã, em Brasília, Deputados
Federais de todo o País estarão encaminhando, ao lado de
Colegas representantes do nosso Estado, um pedido ao Governo Federal para
que o Ministro reabra as negociações.
Faço isso destacando que hoje, na Comissão de Educação,
testemunhamos uma pérola da atuação do Governo Federal
na área da educação. Na Revista do Provão,
publicação oficial do Ministério da Educação,
que é paga com recursos públicos do MEC , os mesmos recursos
que faltam nas universidades e no salário dos trabalhadores, foram
publicadas nada mais nada menos do que cinco fotos do Ministro. Isso atesta
o quanto o MEC está instrumentalizado para a promoção
pessoal de quem se coloca como candidato à Presidência, enquanto
soluções não oferece para os graves problemas da
educação, particularmente da universidade pública.
Obrigada. (Não revisado pela Oradora.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Defiro a solicitação
de V. Exa.
(Matéria entregue para transcrição.)
CARTA AOS PARLAMENTARES
Senhores e Senhoras Parlamentares,
É do conhecimento dos Senhores o momento por que passa a greve
dos Servidores Públicos Federais, particularmente a do setor da
Educação. O movimento já havia avançado para
a abertura de negociações com a organização
de mesas de trabalho, o que no momento teve apoio amplo dos Senhores.
Como se sabe, entretanto, a postura do Ministro Paulo Renato, nosso interlocutor
até aquele instante, foi de deslealdade, ao promover, logo depois,
a retenção dos salários. Essa atitude arbitrária
e unilateral do Ministro caracterizou uma ruptura com o processo que vinha
sendo construído, fato este que, para nós, o descredencia
da condição de interlocutor. Isso nos remete à necessidade
de interlocução direta com o Presidente da República.
A Comissão de Educação e Orçamento da Câmara
Federal constatou a existência de mais de 1 bilhão de reais
destinados à Educação no orçamento de 2001
e até agora não gastos. Isso contraria as informações
emitidas pelo MEC, segundo as quais o governo vem investindo sistematicamente
na Educação brasileira como um todo, inclusive a superior.
Tais contradições, que culminaram na suspensão dos
salários, demonstram que o gesto e as decisões do governo
são de natureza política, nada tendo a ver com a questão
financeira. Convém lembrar, inclusive, que, como foi colocado numa
sessão presidida pelo deputado Freire Júnior, no dia 02
de outubro, a receita líquida do país tem crescido desde
95, enquanto a folha do funcionalismo federal tem decrescido.
A cassação de nossas liminares, por parte do Supremo Tribunal
Federal, só vem a confirmar a origem política das ações
direcionadas contra o movimento grevista e a nossa pauta de reivindicações.
Das argumentações apresentadas pelo Ministro Ilmar Galvão,
por exemplo, algumas merecem destaque, como a inexistência do direito
à greve, por falta de regulamentação constitucional,
e o fato de que a greve representa "uma grave lesão pública
e administrativa". Como se pode perceber, já há, nesse despacho
do Ministro Ilmar Galvão, um julgamento do mérito da greve,
acompanhado de argumentos incompatíveis com a realidade concreta.
Nesse caso, uma outra contradição entra em cena, que é
incluir num despacho sobre liminar uma avaliação moral do
movimento, o que fica nítido na consideração de que
"não se examinam as questões da causa em que deferido o
writ ou a liminar, mas apenas se ocorre, com tal deferimento, hipótese
de risco de grave lesão à ordem, à saúde,
à segurança e à economia pública".
Ora, examinando o teor e a construção do despacho judicial,
observamos que há uma intenção de culpabilizar o
movimento grevista pela situação caótica do país,
incluindo aí a falta de segurança social e o descontrole
da economia por parte do governo. Esta visão não concebe
a greve como uma reação digna dos servidores ao caos estabelecido
no serviço público federal, e sim como a causa de toda essa
tensão social gerada pelo atual governo. Em síntese: transforma
a conseqüência em causa, ainda que insista no contrário.
O movimento grevista, orientado por sua assessoria jurídica, está
entrando no Supremo Tribunal Federal com um pedido de revisão de
sentença, por considerar a sustação das liminares
uma interpretação imprópria e equivocada, o que,
a nosso ver, não traduz a visão do STF em sua totalidade
e prioriza a circunstância política, em detrimento de uma
análise mais depurada do direito. Sabe-se, Srs. Parlamentares,
que o exercício do direito à greve e à livre expressão,
em todos os sentidos, constitui um dos fundamentos da democracia, que
garante um país soberano e respeitador das diferenças de
classes e de grupos, para que não haja refluxos históricos
a tendências autoritárias.
Nossa ação no campo jurídico soma-se a decisões
políticas contundentes, como a de contatar os Srs. Parlamentares
na perspectiva de obstrução da pauta do Congresso como um
ato político que garanta audiência com Fernando Henrique
Cardoso para a abertura de negociações e respostas efetivas
à nossa pauta. Acreditamos na sensibilidade dos Senhores e das
Senhoras, como legítimos representantes da sociedade, para o acolhimento
das nossas solicitações: obstrução da pauta
e participação no ato do dia 10 de outubro, em frente ao
Palácio do Planalto, para a protocolização do pedido
de audiência.
PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA, DEMOCRÁTICA, GRATUITA,
AUTÔNOMA, LAICA,
DE QUALIDADE
E SOCIALMENTE REFERENCIADA
Comandos Nacionais de Greve
ANDES/SN FASUBRA SINASEFE UNE
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) O próximo Orador inscrito
é o Deputado José Ivo Sartori, a quem concedo a palavra.
O
SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados:
Devido a acordo estabelecido e por artifício regimental, deveremos
apreciar amanhã o Projeto de Lei nΊ 222/2001, bem como o Projeto
de Lei nΊ 223/2001, ambos do Poder Executivo. O primeiro altera o nome
da Secretaria de Turismo para Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer e
a sua própria estrutura; e o segundo cria a Fundergs, a Fundação
de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, a ser vinculada à Secretaria
de Turismo, caso seja modificado o nome dessa Pasta.
Quero preliminarmente, aproveitando o espaço no período
de Apresentação e Discussão de Proposições,
que me cabe regimentalmente, adiantar a posição que está
sendo proposta e veiculada pela Bancada do PMDB, já que o prazo
fatal para essa decisão é o dia de amanhã, em função
do pedido de urgência solicitado pelo Poder Executivo a este Parlamento.
Esta, sendo uma Casa política, pode adiantar suas posições,
na medida em que isso pode ser passível de melhor negociação,
em que possa ser estabelecido um novo caminho, uma nova realidade.
Somos favoráveis a que o Departamento do Esporte e do Lazer, que
estava vinculado à Secretaria de Educação, passe
para a Secretaria de Turismo. Mas não somos favoráveis a
que se crie uma fundação, porquanto envolveria a criação
de mais CCs, de mais estrutura e de mais FGs. Isso causaria inclusive
problemas no que diz respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal,
uma vez que os limites por ela estabelecidos já estariam superados.
Dessa forma, se há um limite já excedido, não se
poderia pactuar uma nova realidade para essa estrutura administrativa.
Criaríamos evidentemente a possibilidade, através de uma
Emenda, de vincular-se o antigo Departamento de Esporte e Lazer da Secretaria
de Educação à Secretaria de Turismo, que teria o
seu nome modificado para Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer, dando-se
a essa Secretaria uma nova estrutura, porque não se pode impedir
que se dê a quem governa oportunidade de administrar como deseja.
Estamos ouvindo algumas explicações no sentido de que, através
da Fundação, poderiam ser captados recursos. O fundo já
existente poderia operar da mesma maneira e, para a captação
de recursos, não seria empecilho o fundo proposto nesse Projeto
que temos disponibilidade de aprovar.
Repito: o que está se propondo é a mudança do nome,
a transferência da estrutura da Secretaria de Educação
e Cultura para a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer se assim confirmada
, que também teria o seu fundo, evidentemente garantindo os recursos,
sem necessidade de ser criada uma nova empresa ou uma nova instituição.
Em nome dos colegas Deputados João Osório, Elmar Schneider,
Jair Foscarini e Alexandre Postal, externo essa posição,
tendo em vista que deveremos apreciar este Projeto no dia de amanhã.
Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Não havendo mais Oradores
inscritos para o período de Apresentação e Discussão
de Proposições, passo à
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O primeiro Orador inscrito é o Deputado Elvino Bohn Gass. (pausa)
Por cessão de tempo, concedo a palavra ao Deputado Roque Grazziotin.
O
SR. ROQUE GRAZZIOTIN (PT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Nesta semana, um fato da maior seriedade e gravidade aconteceu no mundo.
Parece que o velho faroeste recomeçou e que os tambores estão
rufando novamente. Agora não são mais as velhas cargas de
cavalaria ou de infantaria que estão acontecendo. Hoje presenciamos,
estarrecidos, o deslocamento de porta-aviões, de destróieres,
de submarinos, de bombardeiros, de mísseis, de satélites,
todos de alta tecnologia, uma parafernália da máquina mortífera
de guerra que foi posta em ação para reativar uma economia
decadente.
Condenamos e lamentamos o terrorismo posto em prática no dia 11
de setembro e as centenas e centenas de vítimas que perderam a
vida, assim como também condenamos esse terrorismo de estado capitaneado
pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha contra o povo do Afeganistão
e a sua autoproclamação do direito de atacar todos os que
consideram seus inimigos.
Infelizmente, a humanidade parece que não aprende com a história,
e, ao invés de colocar os recursos na construção
do desenvolvimento, na construção da paz, na construção
da solidariedade, assistimos, ainda nesses tempos, à reprodução
dos gestos mais primitivos da humanidade.
A Zero Hora do dia 8 de outubro, na página 5, traz os pronunciamentos
do Presidente Norte-Americano George W. Bush e de Osama bin Laden, que
solicitamos, Sr. Presidente, sejam transcritos nos anais desta Casa, para
que não percamos a memória dos fatos e das justificativas
dadas.
No primeiro pronunciamento, sob o título O Talibã vai pagar
um preço, o Presidente George W. Bush expõe as suas razões,
as razões que motivam a sua tomada de posicionamento. Por incrível
que pareça, ao mesmo tempo em que anuncia que lançarão
bombas e mísseis, ele anuncia também que jogarão
comida, medicamentos e suprimentos para os sofridos e famintos homens,
mulheres e crianças do Afeganistão. Parece ironia da história.
Na mesma página consta um pronunciamento de Osama bin Laden, com
o título de A América não viverá em paz, defendendo
as suas razões.
Solicito a transcrição nos anais desta Casa dos dois artigos,
para que não seja perdido futuramente o rumo da história
e para que possamos deixar registradas as razões que motivaram
tanto um como o outro a essa absurda guerra que estamos presenciando.
Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Defiro a solicitação
de V. Exa.
(Matéria entregue para transcrição)
Bush ameaça o terror
Pouco depois do início dos ataques ao Afeganistão, o presidente
George W. Bush fez pronunciamento explicando as razões da guerra
contra o terrorismo e prometeu ajuda humanitária aos afegãos.
Bush deixou claro que os ataques começaram pelo Afeganistão,
mas a batalha é mais ampla e cada nação terá
uma escolha a fazer, porque neste conflito não há campo
neutro.
"O Talibã vai pagar um preço"
"Por ordem minha, o exército dos Estados Unidos iniciou ataques
contra os campos de treinamento de terroristas da Al-Qaeda e as instalações
militares do regime Talibã no Afeganistão. Estas ações,
com objetivos cuidadosamente definidos, destinam-se a interromper o uso
do Afeganistão como base de operações terroristas
e a atacar a capacidade militar do regime Talibã".
"Nós temos o apoio da vontade coletiva mundial".
"Há mais de duas semanas, eu dei aos líderes do Talibã
uma série de exigências claras e específicas: fechem
os campos de treinamento de terroristas, entreguem os líderes da
rede Al Qaeda e devolvam todos os estrangeiros, incluíndo cidadãos
americanos, injustamente detidos em seu país. Nenhuma dessas exigências
foi atendida. E agora, o Talibã vai pagar um preço."
"Ao destruir os acampamentos e interromper as comunicações,
nós vamos tornar mais difícil para a rede do terror treinar
novos recrutas e coordenar seus planos maléficos."
"Ao mesmo tempo, o povo oprimido do Afeganistão conhecerá
a nossa generosidade e a dos nossos aliados. Enquanto estivermos atacando
alvos militares, nós vamos também jogar comida, medicamentos
e suprimentos para os sofridos e famintos homens, mulheres e crianças
do Afeganistão."
"Os Estados Unidos são amigos do povo afegão, e amigos dos
quase 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo que praticam a fé
islâmica. Os Estados Unidos são inimigos daqueles que ajudam
os terroristas e dos criminosos bárbaros que profanaram uma grande
religião cometendo assassinato em nome dela."
"Hoje nos concentramos no Afeganistão, mas a batalha é maior.
Cada nação tem uma escolha a fazer. Neste conflito, não
há campo neutro. Se qualquer governo patrocinar os fora-da-lei
e assassinos de inocentes, eles se tornarão fora-da-lei e assassinos
de inocentes também. E seguirão esse caminho solitário
por sua conta e risco."
"Somos uma nação pacífica. Contudo, como aprendemos
tão súbita e tragicamente, não pode haver paz em
um mundo de terror. Face a esta nova ameaça, o único caminho
para obter a paz é perseguir aqueles que a ameaçam. Não
pedimos por esta missão, mas vamos cumpri-la."
"O nome da operação militar realizada hoje é Liberdade
Duradoura. Nós defendemos não apenas a nossa preciosa liberdade,
mas também a liberdade das pessoas em toda parte poderem viver
e criar seus filhos livres do medo. Sei que muitos americanos sentem medo.
E nosso governo está tomando fortes precauções."
"Nós pedimos muito àqueles que vestem nosso uniforme. Esperamos
que eles deixem seus entes queridos, viajem grandes distâncias,
arrisquem-se a ser feridos, pedimos até mesmo que estejam preparados
para fazer o sacrifício definitivo de suas vidas."
"Para todos os homens e mulheres em nosso exército eu digo isto:
sua missão está definida. Os objetivos são claros.
Suas metas são justas. Vocês têm minha total confiança,
e vocês terão todas as ferramentas necessárias para
cumprir com seu dever."
"Desde 11 de setembro, uma geração inteira de jovens americanos
obteve uma nova compreensão do valor da liberdade, de seu preço,
de suas exigências e de seu sacrifício. A batalha está
acontecendo agora em muitas frentes. E nós não renunciaremos,
não cansaremos, não faltaremos e não falharemos.
A paz e a liberdade vão prevalecer."
Terror ameaça Bush
Uma rede de TV do Qatar divulgou ontem um pronunciamento do terrorista
Osama Bin Laden. Ele saudou os atentados de 11 de setembro e ameaçou
com novos ataques. Bin Laden disse que Deus abençoou um grupo de
muçulmanos de vanguarda para destruírem a América
e agradeceu a Deus por ver o medo tomar conta dos Estados Unidos.
"A América não viverá em paz"
"Aqui está a América, atacada por Deus em um dos seus órgãos
vitais, de forma que seus melhores prédios são destruídos.
Graça e gratidão a Deus. A América se encheu de medo,
de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Graças a Deus."
"O que a América enfrenta hoje é uma porção
muito pequena do que enfrentamos há décadas. Nossa nação
islâmica tem sentido a mesma coisa há mais de 80 anos, a
humilhação e a desgraça. Seus filhos são mortos
e seu sangue é derramado, suas santidades dessacralizadas".
"Deus abençoou um grupo de muçulmanos da vanguarda, a dianteira
do Islã, para destruírem a América. Que Deus os abençõe
e lhes dê um lugar supremo no paraíso, porque Ele é
o único que pode fazê-lo."
"Um milhão de crianças inocentes estão morrendo no
momento em que falamos. Estão sendo mortas no Iraque sem nenhuma
culpa. Não ouvimos nenhuma crítica, nenhum édito
dos governantes hereditários."
"Todos os dias vimos os tanques israelenses na Palestina, indo a Jenin,
Ramallah, Beit Jalla e muitas outras partes da terra do Islã, e
não ouvimos ninguém levantando a voz ou reagindo. Mas quando
a espada caiu sobre a América depois de 80 anos, a hipocrisia levantou
sua cabeça lamentando pelos assassinos que brincaram com sangue,
a honra e as santidades do Islã."
"O mínimo que pode ser dito a respeito desses hipócritas
é que eles são apóstatas que seguiram o caminho errado.
Eles apoiaram o carrasco contra a vítima, o opressor contra a criança
inocente. Busco refúgio em Deus contra eles e peço a Ele
que nos deixe vê-los da forma que merecem."
"Todo muçulmano, depois desse evento, deve lutar por sua religião,
depois que os altos funcionários dos Estados Unidos da América,
a começar pelo chefe dos infiéis e sua equipe, que se envolveram
em uma demonstração de vaidade com seus homens e seu equipamento,
que colocaram até mesmo os países que acreditam no Islã
contra nós o grupo que recorreu a Deus, o Todo-Poderoso, o grupo
que se recusa a ser derrotado em sua religião."
"Eles têm dito falsidades ao mundo. Dizem que estão lutando
contra o terrorismo. Em uma nação no fim do mundo, o Japão,
centenas de milhares de pessoas, jovens e velhos, foram mortas, e eles
dizem que isso não é um crime mundial. Para eles, isso não
é claro. Um milhão de crianças foram mortas no Iraque,
e para eles isso não é claro."
"Mas, quando um pouco mais de 10 pessoas foram mortas em Nairóbi
e Dar Es Salaam, o Afeganistão e o Sudão foram bombardeados
e a hipocrisia tomou conta do chefe dos infiéis internacionais,
o símbolo mundial moderno do paganismo, a América e seus
aliados."
"Digo a eles que esses eventos dividiram o mundo em dois campos: o campo
dos fiéis e o campo dos infiéis. Que Deus nos proteja deles."
"Todo muçulmano deve se levantar para defender sua religião.
O vento da fé está soprando e o vento da mudança
está soprando para remover o mal da península de Maomé,
que a paz esteja com Ele."
"Quanto à América, digo a ela e a seu povo algumas palavras:
juro por Deus, o Grande, que a América nunca mais sonhará
e não viverá em paz até que a paz reine na Palestina
e o exército de infiéis deixe a terra de Maomé."
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) Por solicitação
da Deputada Maria do Rosário, concedo a palavra a S. Exa. para
uma comunicação de líder.
A SRA. MARIA DO ROSÁRIO (PT) Sr. Presidente,
Sras. e Srs. Deputados:
Venho a esta tribuna fazer um registro veemente de protesto e indignação
com os acontecimentos que marcaram a humanidade no dia 11 de setembro
e no último domingo.
Fizemos em Porto Alegre, no domingo pela manhã, uma caminhada pela
paz. Em muitos locais do Rio Grande, as escolas estão mobilizadas,
trabalhando a idéia de uma cultura de paz, da não-violência
e de que a guerra é uma espiral onde a violência afunda cada
vez mais a humanidade, segundo palavras de Martin Luther King.
Não só em meu nome, mas em nome de um comitê que se
reúne nesta Casa desde 1999 por uma cultura de paz, que trabalha
a partir do princípio da não-violência, gostaria de
fazer o registro sobre um documento da sociedade civil que já conta
com a assinatura de autoridades públicas como a do Governador do
Estado e do Prefeito de Porto Alegre, pedindo também a assinatura
dos Srs. Parlamentares. Esse documento será dirigido às
Nações Unidas, ao Governo dos Estados Unidos, aos governos
do mundo e à comunidade em geral. Trata-se do Manifesto contra
a guerra e o racismo, por uma cultura de paz, que diz:
No momento em que o mundo vive uma situação limite, agravada
pelos fatos ocorridos no dia 11 de setembro, na qual a guerra constitui-se
em uma realidade na vida de milhares de seres humanos, o Comitê
Gaúcho por uma Cultura de Paz vem manifestar seu total repúdio
a todo ato terrorista, ao mesmo tempo em que condena o racismo e a ofensiva
militar.
Junto a todos os gaúchos que, pessoalmente ou em grupo, atuam pela
paz e a não-violência, afirmamos que é no quadro do
direito internacional e da Carta das Nações Unidas que devem
ser identificados, presos e julgados os autores do atentado do dia 11
de setembro.
Cremos na construção de um mundo de paz e de segurança
coletiva, firmado sobre o direito, sobre a democracia, a justiça
social, a solidariedade, os princípios da tolerância, o desenvolvimento
durável, a promoção e o respeito aos direitos humanos.
Sustentamos a necessidade de instituições nacionais e internacionais
a serviço da luta contra as desigualdades e a cooperação
de todas as nações do mundo para o desarmamento, a prevenção
dos conflitos e a instauração de uma cultura de paz.
Consideramos ainda indispensável a incorporação das
mulheres à Mesa das negociações pela construção
da paz, enquanto sujeitos ativos nesse processo, capazes de defender os
seus direitos e de suas crianças as mais expostas em conflitos
, e pessoas indispensáveis à consolidação
da Justiça, da Esperança e da Paz efetivamente duradouras.
Por isso, conclamamos:
À Organização das Nações Unidas a estabelecer
imediatamente um Tribunal Penal Internacional para julgar os culpados
dos ataques terroristas de 11 de setembro;
Ao povo e ao Governo dos Estados Unidos a desistir da investida de represálias
militares, a solicitar a intervenção urgente da ONU para
julgar, imparcialmente, os responsáveis e a colocar suas forças
policiais e militares a serviço desse tribunal, sob comando deste
tribunal;
A todos os governos do mundo a intensificar as ações legislativas
e diplomáticas para uma Corte Penal Internacional para julgar,
permanentemente, as violações ao direito internacional humanitário;
Às autoridades políticas e administrativas de todos os países
a tomar as medidas necessárias para frear a proliferação
das agressões físicas contra as pessoas que se tornaram
alvo de vingança;
Aos funcionários governamentais e membros das forças policiais
e militares de todo mundo a não cumprir ordens cuja execução
implique violação aos direitos humanos;
Aos cidadãos e cidadãs de todos os Estados do mundo a exigir
de seus governos e parlamentos o aperfeiçoamento do estado de direito,
a plena vigência dos direitos humanos e a colaborar ativa e criativamente
nesta tarefa;
Ao Governo Brasileiro, finalmente, a insistir na solução
diplomática e a se manter firme à vocação
e aos princípios pacifistas que regem a Constituição
e o povo do nosso País;
Ao povo gaúcho a fortalecer suas lutas e esforços por outro
mundo possível, justo, humano, pacífico, onde os conflitos
se decidam por negociação, diálogo e entendimento
de forma eqüitativa a todas as partes.
Esse documento é um espelho do desejo do povo brasileiro e do povo
gaúcho de paz, de entendimento, de não-retaliação,
de nenhuma guerra. Não há, aqui, líderes para o mundo,
nem Osama bin Laden, um terrorista internacional, nem presidente americano
vocacionado para vingança. O perdão e o melhor entendimento
entre as nações é o que devemos buscar, para que
a justiça se efetive e a guerra não seja uma realidade,
evitando-se assim a perda de mais vidas humanas. Obrigada. (Não
revisado pela Oradora.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio PPB) A próxima inscrição
pertence a este Deputado. (pausa) Por cessão de tempo, concedo
a palavra ao Deputado José Farret.
O
SR. JOSÉ FARRET (PPB) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Ocupo a tribuna para saudar o jornal A Razão, da cidade de Santa
Maria, o qual, no dia de hoje, completa 67 anos de feliz existência.
O jornal A Razão foi criado em 1934 por Clarimundo Flores e outros
políticos, com o objetivo maior de difundir as idéias de
Oswaldo Aranha.
A implantação do jornal foi financiada pelo Coronel Flodoaldo
Silva, prestigioso estancieiro de Uruguaiana e um dos mais ardorosos defensores
das idéias do eminente político de Alegrete.
A Razão teve, desde os primeiros momentos de seu surgimento, a
melhor acolhida e apoio por parte da comunidade não apenas de Santa
Maria, mas de mais de quarenta Municípios que, em sua totalidade,
são atingidos por sua tiragem.
Mais tarde, Assis Chateaubriand, que já incorporara, aos seus Diários
e Emissoras Associadas, o Diário de Notícias e a Rádio
Farroupilha de Porto Alegre, incorpora também o jornal A Razão
à cadeia associada.
Os fenômenos socioeconômicos, políticos e sociais foram
evoluindo, ora em favor de uns, ora em detrimento de outros, e os veículos
Associados do Rio Grande do Sul foram fechados. A Razão de Santa
Maria, segundo tudo indicava, teria o mesmo destino. Em fins de 1981,
com sua credibilidade bastante abalada, sobretudo pela frouxidão
do seu aparelho administrativo, A Razão se aproximava do fim. Em
agosto de 1982, surge em Santa Maria uma nova empresa, a Empresa Jornalística
De Grandi.
O jornal A Razão, nos seus 67 anos, esteve sempre presente nas
causas comunitárias. A participação na luta pelos
interesses da comunidade sempre foi uma característica marcante
do jornal. Nesse período, encampou inúmeras lutas por aspirações
populares, promovendo debates, questionando e indicando os pontos nevrálgicos
e determinantes do desenvolvimento. Em todas as áreas de interesse
comum, A Razão segue presente, mobilizando a opinião pública
em questões cruciais do Município e da Região.
Poucos meses depois de fundada, em maio de 1935, A Razão somou-se
ao Rotary Club numa campanha em prol da fundação de um prédio
para os colégios estaduais da cidade. A iniciativa originou um
memorial entregue ao então Governador do Estado, Flores da Cunha.
Ainda no setor educacional, concretizou-se a criação da
Universidade de Santa Maria, a maior conquista da cidade, apoiada por
José Mariano da Rocha, que escrevia as matérias que A Razão
publicava, repercutindo nos escalões governamentais. O jornal esteve
presente também na democratização da UFSM, que desembocou
na eleição direta para reitor.
Na área da saúde, o jornal assumiu uma verdadeira batalha
contra a infestação de mosquitos, em 1967. Em 1969, lançou
campanha em defesa da população, que estava consumindo leite
misturado com água. O problema da escassez de leitos hospitalares
tem recebido, através de décadas, intenso e contínuo
acompanhamento. Por meio de colunas especializadas, incentivou o esporte,
promovendo diversas competições. A mais notável,
que ocorre até hoje, é a Copa A Razão.
O jornal vive hoje uma nova fase, de dinamismo gráfico, de agilidade
de informações e de cobertura jornalística, de crescimento
e aprimoramento editorial. No entanto, sua Diretora, Sra. Zaira De Grandi,
não se afasta da participação do jornal nas causas
comunitárias que promovem o desenvolvimento ou que fortalecem as
representações políticas da cidade. Entende o jornal,
com toda a razão, que fazendo isso estará fortalecendo e
melhorando a cidade e a Região.
No decorrer dos tempos, o jornal passou por várias reformas e foi-se
modernizando. Hoje, totalmente informatizado, com equipamentos de última
geração, mantém em rede suas áreas: Redação,
Comercial, Circulação, Administrativo-Financeira, Pessoal,
Recursos Humanos e Eventos.
Dentro desse espírito, o jornal participa e promove vários
eventos que visam à integração da cidade e da Região,
da sua comunidade, dos seus habitantes, como concursos de beleza e o Dia
do Vizinho, que promovem a união das pessoas, tornando a vida mais
amena e de melhor qualidade. Talvez a maior notícia que, na essência,
é a exceção seja esta: poucos são os jornais
que chegam aos 67 anos de circulação ininterrupta, como
é o caso de A Razão, de Santa Maria. Obrigado. (Não
revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio - PPB) - Com a desistência antecipada
dos Deputados Luis Augusto Lara, Giovani Cherini, Bernardo de Souza, Jair
Foscarini e Ivar Pavan, o próximo Orador inscrito é o Deputado
Frederico Antunes, a quem concedo a palavra.
O
SR. FREDERICO ANTUNES (PPB) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Estivemos nesta tribuna, há mais ou menos quinze dias, para expressar
nosso sentimento de repúdio a um fato ocorrido nos assentamentos
Rondinha e Barroca, localizados na cidade de Jóia, no interior
do Estado.
Naquele momento, informávamos aos colegas Parlamentares o fato
ocorrido, detalhando o envolvimento direto e exclusivo do MST no atentado
contra vidas naquele local. Comentávamos o assassinato, cometido
por membros do MST, do produtor Pedro Milton da Luz Pedroso que foi morto
pelas costas com um tiro de revólver calibre 20. Sua mulher recebeu
um coronhaço, e seu filho, de quatro anos, foi ameaçado
de morte quando via o seu pai morto na sala de sua casa.
Além desse produtor assassinado, da sua mulher, que foi ofendida
e agredida, e do seu filho que também foi agredido, outros assentados
daquela Região tiveram suas casas depredadas, as suas carteiras
e os seus animais roubados.
Dentre os indiciados pela Dra. Carla Mussi, Delegada de Polícia
com sede em Augusto Pestana - falamos nisto desta tribuna com muita indignação
-, estava citado o nome de um funcionário público com cargo
em comissão da Secretaria Extraordinária de Reforma Agrária
do Estado do Rio Grande do Sul. Portanto, homem de confiança do
Sr. Secretário Antônio Marangon, que, por sua vez, é
homem de confiança do Sr. Governador Olívio Dutra.
Pois bem, no dia 21 de setembro o Sr. Antônio Marangon foi entrevistado
e, ao ser indagado sobre o fato ocorrido e sobre a participação
do seu funcionário, S. Exa. respondeu que seu funcionário
era uma pessoa competente e se dizia inocente. Disse também que
a Secretaria não havia recebido notificação da Justiça
sobre o pedido de prisão e que iriam deixar que ele decidisse se
devia apresentar-se ou não. Isso foi no dia 21 de setembro, e o
fato ocorreu no dia 7 de setembro de 2001.
Hoje, lemos em quase todos os jornais em circulação no Estado
notícia referente à publicação, no Diário
Oficial de ontem, da exoneração do Sr. José Censi,
funcionário do Governo Olívio Dutra, datada do dia 19 de
setembro.
Então, o Sr. Secretário Antônio Marangon, no dia 21
de setembro, dizia que esse funcionário era competente e quase
o julgava inocente, entretanto assinou a sua exoneração
dois dias antes de dar a entrevista.
Isso é um verdadeiro absurdo, de forma que estamos denunciando,
sim, uma onda de terrorismo que o MST assume no Rio Grande do Sul. Temos
neste Estado e no Brasil, como já disse um repórter, a filial
de bin Laden e das FARC, que é o MST, sim. E a Deputada Maria do
Rosário, desta tribuna, leu um manifesto maravilhoso, que sensibilizou
todos os que a estavam ouvindo naquele momento e que quase sensibilizou
este Deputado.
Faria um apelo à Deputada Maria do Rosário - a situação
está ocorrendo no nosso Estado e é aqui que temos a responsabilidade
de atuar - para que fizéssemos um manifesto de repúdio a
atos terroristas, atos de violência como esse do MST, com os mesmos
princípios de tolerância e proteção aos direitos
humanos na luta contra o desarmamento. E, para simbolizar a incorporação
das mulheres no movimento a favor da paz, como aqui disse a Deputada,
sugerimos que a viúva do cidadão assassinado cruelmente
pelo MST seja a primeira convidada a assinar nossa declaração.
O manifesto que a Deputada leu continha uma provocação às
autoridades mundiais. No nosso manifesto gaúcho deveria ser feita
também uma provocação às autoridades estaduais,
colocando-se no final deste documento solicitação ao Sr.
Governador Olívio Dutra de que imediatamente repense o apoio explícito
dado a este Movimento recheado de covardes e assassinos. Muito obrigado.
(Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio - PPB) - Estão inscritos os Deputados
Manoel Maria, João Luiz Vargas, José Ivo Sartori e José
Gomes. Os Deputados acima referidos desistiram antecipadamente de sua
inscrição. A próxima inscrição pertence
ao Deputado João Fischer. Por cessão de tempo, concedo a
palavra ao Deputado Érico Ribeiro.
O
SR. ÉRICO RIBEIRO (PPB) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
No dia 11 de setembro, o mundo assistiu estarrecido às cenas do
ato de guerra contra as cidades de Nova Iorque e Washington. Enquanto
a humanidade era sacudida pelo impacto dos terríveis episódios,
em certos locais - e esta Casa foi um deles - foram constatadas expressões
risonhas e até mesmo comentários tentando transformar as
vítimas em réus da tragédia.
Esses mecanismos de distorção foram comuns, como era esperado,
mas servem muito bem para demonstrar simpatias e afinidades ideológicas
que se elevam sobre os mais nobres valores humanos.
O que direi a seguir, Sr. Presidente, não guarda qualquer relação
com o ato de guerra dos talibãs; são observações
que vêm na esteira de uma análise sobre economia mundial
e sobre o papel nela desempenhado pelas grandes potências.
O assunto já era pauta antes do ataque e persistirá, tenho
certeza, como tal após a solução do conflito ora
em desenvolvimento na Ásia. Faz mau uso do tema quem tenta relacioná-lo
com qualquer forma de terrorismo, especialmente com o terrorismo de base
étnica e religiosa.
Os países periféricos, como o Brasil, padecem imensas dificuldades
em suas pautas de exportação. Essas dificuldades têm
duas causas simultâneas: sobretaxas e barreiras de origem fiscal
ou tributária impostas pelos países ricos aos produtos dos
países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento e os poderosos subsídios
que esses mesmos países proporcionam aos seus próprios produtos
primários e agroindustriais.
Tais políticas internas impedem uma melhor distribuição
de renda entre as nações, impedem a prosperidade exatamente
das nações mais empobrecidas, desestimulam o crescimento
do comércio internacional e dão causa à pobreza de
muitos povos, inclusive do nosso.
Os países de maior base agrícola, como é o caso do
Brasil, ficam embretados em uma situação sem saída:
ou concedem semelhantes incentivos a seus produtores - e não há
recursos em suas economias nacionais para isso - , ou precisam reduzir
seus custos e preços a valores ínfimos para poderem competir
com a produção subsidiada do assim chamado Primeiro Mundo
- principal mercado consumidor do planeta.
Sr. Presidente, a França, dentre os países de Primeiro Mundo,
é o que mais oferece essas barreiras e incentiva seus produtores.
Pois eis que o candidato do PT à Presidência da República,
em recente visita à França, resolveu louvar as práticas
protecionistas francesas. Triste cena: a vítima aplaudindo o algoz
e seu chicote. Só posso encontrar duas explicações
para o fato: o presidenciável petista não tem a menor idéia
do que está acontecendo e desconhece os esforços de seu
próprio País contra o protecionismo europeu, norte-americano
e japonês, isto é, dos países do Primeiro Mundo, ou
as afinidades ideológicas, de linha socialista, se sobrepõem,
no presidenciável petista, ao próprio interesse nacional.
As duas explicações não são excludentes. Falta
preparo a esse cidadão para o cargo ao qual está concorrendo
e a ideologia se impõe ao interesse nacional. A prova disso está
em que os Estados Unidos fazem a mesma coisa que a França faz,
ou algo parecido, e eu duvido que o Sr. Lula vá a Washington louvar
as políticas protecionista norte-americanas. Isso pegaria muito
mal entre os seus companheiros do nosso País. Muito obrigado. (Não
revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Francisco Appio - PPB) Srs. Parlamentares, por acordo
de lideranças, no período da Ordem do Dia da Sessão
de amanhã daremos continuidade à apreciação
do Projeto de Lei nΊ 21/99, cuja discussão foi interrompida na
última Sessão, além do exame de outras matérias.
Com a desistência antecipada dos Deputados Eliseu Santos, Adilson
Troca e Jussara Cony, estão encerradas as Comunicações.
Passo às
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