106º SESSÃO ORDINÁRIA, EM 05 DE DEZEMBRO DE 2001.
Presidência dos Deputados Francisco Appio, Maria do Rosário e João Osório.
Às 15h15min, o Sr. Francisco Appio assume a direção dos trabalhos.


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Havendo número regimental e invocando a proteção de Deus, declaro abertos os trabalhos da presente Sessão.

Solicito ao Secretário que proceda à leitura da Ata de Sessão anterior.

(O Sr. Kalil Sehbe procede à leitura da Ata de Sessão anterior.)

O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Declaro aprovada a Ata que acaba de ser lida, ressalvando aos Deputados o direito de retificá-la, por escrito, se assim o desejarem.


Solicito ao Secretário que proceda à leitura do expediente que se encontra sobre a mesa.

(Transcreve-se a matéria lida.)


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Não há mais expediente a ser lido.

Informo aos Srs. Deputados que, por ocasião da reunião dos Líderes de Bancada, esta Assembléia Legislativa acordou que haverá Sessão Extraordinária na próxima terça-feira às 10 horas. Às 15 horas desse mesmo dia, haverá Sessão Solene, e às 16 horas, Sessão Extraordinária. Também por acordo de Líderes, foi marcada para as 10 horas da próxima quarta-feira Sessão Extraordinária.

Passo, a seguir, ao período destinado ao

GRANDE EXPEDIENTE



 

Está inscrita a Deputada Jussara Cony. Por permuta de tempo, concedo a palavra ao Deputado Luis Fernando Schmidt, que fará uma homenagem à presença da mulher na vida pública brasileira, particularmente à Dra. Elisabete Barreto Müller, Delegada de Polícia titular da 7ª Região Policial, em Lajeado. Convido a Dra. Elisabete Barreto Müller a compor a Mesa.

Está com a palavra o Deputado Luis Fernando Schmidt.


O SR. LUIS FERNANDO SCHMIDT (PT) – Saúdo o Deputado Francisco Appio, que representa neste momento a Mesa Diretora e o Deputado Sérgio Zambiasi, Presidente desta Casa, que se encontra na China, em missão oficial; os Srs. Deputados e especialmente as Sras. Deputadas Cecilia Hypolito, Iara Wortmann, Jussara Cony, Luciana Genro, Maria do Carmo e Maria do Rosário.

Faço ainda uma saudação muito especial à Dra. Elisabete Barreto Müller, homenageada neste Grande Expediente; ao Sr. André Müller, seu marido; à Sra. Eloá Barreto da Silva, mãe da homenageada; à Sra. Ana Beatriz Sieben, Escrivã Policial de Lajeado; à Sra. Elaine Toepper Caio, Escrivã Policial de Lajeado; à Sra. Rosa Maria Vitola, Escrivã Policial de Lajeado; à Sra. Varni Maria Petter, Comissária de Polícia de Lajeado; à Sra. Soloete Strapasson, Escrivã de Polícia de Lajedo; à Sra. Olga Regina Soares, Escrivã de Polícia de Lajeado; à Sra. Jane Elisabete Ferreira Dias e à Sra. Sônia Teresinha Cezimbra, representando os Correios; ao Sr. Gilmar Boff Mengue; à Sra. Iduvirges Müller, sogra da homenageada; ao Sr. Arno Müller, sogro da homenageada; à Sra. Raquel Arruda Gomes, representando o Dr. Airton Michels, da Susepe; ao Dr. Gilberto Borsato da Rocha, representando o Chefe de Polícia, Dr. Araújo; à Dra. Márcia Scherer, Delegada de Polícia de Lajeado; ao Dr. Mauro Malmann, Delegado de Polícia de Teutônia; à Dra. Flávia Collossi Frey, Delegada de Polícia de Encantado; ao Dr. João Antônio Peixoto, Delegado de Polícia de Lajeado; à Dra. Magda Riggo, Assistente Social de Lajeado; ao Dr. Carlos Roberto Alves de Medeiros, Delegado de Salvador do Sul e de Barão; e ao Dr. Alessandro Roldão de Medeiros, Advogado de Porto Alegre.

Neste Grande Expediente, quero fazer uma homenagem à mulher e registrar a passagem do dia 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher. É oportuno registrar também que estamos às vésperas da data em que se comemora a Declaração Universal dos Direitos Humanos, dia 10 de dezembro, quando se passam 53 anos da adoção e proclamação do documento pela Assembléia Geral das Nações Unidas.

No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, data que marca o trágico acontecimento de 1857, ocorrido em Nova Iorque, quando 129 operárias têxteis que exigiam aumento de salário, redução da jornada de trabalho de 16 para oito horas diárias, melhores condições de trabalho e licença-maternidade foram cruelmente queimadas, a Deputada Maria do Rosário, uma das presenças femininas marcantes da Assembléia Legislativa, fez o registro nesta Casa. A nobre Deputada lembrou do respeitado filósofo e cientista político Norberto Bobbio, quando escreveu que a revolução da mulher foi a mais importante revolução do século XX.

Segundo o informativo da Marcha Mundial das Mulheres, uma entidade que conta com a participação de mais de 140 países e teve significativa contribuição no I Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, 70% dos pobres do mundo são mulheres. As mulheres recebem 36% do valor do rendimento médio dos homens no meio rural brasileiro e representam 48% dessa população; 56% começam a trabalhar antes de completar 10 anos de idade, sendo submetidas a uma jornada de trabalho que varia de 10 a 18 horas; 60,6% delas engravidam entre 15 e 21 anos de idade; 43,1% não utilizam qualquer método contraceptivo. Apenas 15% das mulheres assalariadas rurais têm carteira de trabalho assinada; 96% não têm carteira de motorista; 57% não têm carteira de identidade e 38% não têm título de eleitor.

Ratificando as palavras da Psicóloga Maria Luiza Curti, do movimento Domínio Feminino, são traços de uma campanha de desvalorização da mulher que se arrasta por séculos, talvez a mais bem-sucedida campanha de que se tem notícia, pois foi difundida sem descanso, com o intuito de fazer penetrar nas mentes a desqualificação da mulher. Para isso, foram mobilizadas, ao longo dos séculos, instituições como a família, a Igreja, a escola, o Estado, que agiram nas estruturas objetivas e subjetivas, cristalizando nas mentes masculinas o mito da inata inferioridade da mulher.

A mulher também foi atingida por essa nefasta ideologia. O objetivo também era ela, pois é ela quem transmite a ideologia desvairada aos filhos. Ela também acreditou que era um ser de segunda classe, que o homem era um ser perfeito e superior, que só errava quando ela, ser abjeto, o fazia cair em danação.

Foi um longo caminho percorrido pela corrente feminista para desfazer esse eminente equívoco, que se iniciou de forma tímida e pouco audaciosa no período da Renascença, considerando os obstáculos desfavoráveis que o contexto sociocultural oferecia. Os números que traduzem uma realidade do presente nos mostram que a tão propalada tomada de consciência até hoje não se completou, e que o domínio masculino – claro que não com a mesma virulência – resiste. Na política, a mulher ainda guarda resquícios de proibições quanto a participar da vida pública, exceto uma minoria, pois muitas ainda pensam que é um campo essencialmente masculino. Não perceberam que essas barreiras existem e resistem no inconsciente.

Hoje, na França, por força da nova Lei de Paridade, que obriga todos os partidos políticos a apresentarem um número igual de candidatos e candidatas, há uma corrida à procura de mulheres dispostas a se candidatarem. Apesar da medida, somente 9% dos cargos legislativos são ocupados por mulheres. Já nos Estados Unidos, 13% dos Senadores são do sexo feminino, e as suecas ocupam 45% do Legislativo.

Não foi fácil para a mulher a conquista de seu próprio espaço profissional. No começo dessa transição, a mulher que se arriscava precisava, para se impor, masculinizar sua figura, vestir figurinos os mais próximos dos homens, bater na mesa e falar grosso para ser respeitada. Hoje, a mulher já não precisa se masculinizar para mostrar que é competente.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Instituto CNT-Sensus sobre preferências entre homens e mulheres para cargos públicos revelou os seguintes dados: 59,8% dos cidadãos acham as mulheres mais honestas; 53,7%, responsáveis; 51,2%, confiáveis; 47,5%, competentes; 44,7%, firmes; 42,8%, capazes. As mulheres conseguiram romper com o círculo do reforço generalizado secular promovido pelo medo do dominador e promover profundas transformações na condição feminina.

As que possuem vocação para a vida pública necessitam romper interiormente com o condicionamento de que a política é um campo tipicamente masculino, precisam acreditar que sempre foram capazes e, agora, podem e devem ser felizes com suas próprias escolhas. Entre tantas mulheres que revolucionaram e revolucionam nossa sociedade, quero salientar alguns exemplos, iniciando por esta Casa, que registra o excelente trabalho, independentemente de cores partidárias ou ideológicas, das Deputadas Cecilia Hypolito, Iara Wortmann, Jussara Cony, Luciana Genro, Maria do Carmo e Maria do Rosário.

Quando falamos em direito relativo às questões de gênero no Rio Grande do Sul, a experiência da Organização Não Governamental Themis – Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero é intransponível. A ONG sem fins lucrativos, atualmente coordenada pela Advogada especialista em Sociologia Jurídica e Direitos Humanos Virgínia Feix, foi fundada em 1993 por um grupo de advogadas feministas dispostas a desenvolver trabalhos que promovessem a defesa dos direitos das mulheres. Articulada com diversas entidades de Direitos Humanos, a Themis tem-se destacado pelo Programa de Acesso à Justiça, que se divide em três partes: Formação de Promotoras Legais Populares, Advocacia Feminista e Estudos e Publicações.

A Formação de Promotoras Legais Populares consiste em capacitar mulheres líderes comunitárias com noções básicas de Direitos Humanos e das mulheres, organização do Estado e do Poder Judiciário para o exercício da cidadania e garantia do acesso à Justiça. O curso se desdobra na criação de um serviço de atendimento à mulher, o SIM, em cada região onde acontece a capacitação.

Nos plantões semanais de atendimento, em locais cedidos por instituições da comunidade, as Promotoras Legais Populares multiplicam os conhecimentos construídos no curso, atendendo as demandas das mulheres e da população em geral. O programa já capacitou 600 Promotoras Legais Populares em 12 Municípios do Rio Grande do Sul. A Themis é reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho e pelas parcerias com diversas Organizações Não Governamentais de Direitos Humanos.

Quero salientar que no Vale do Taquari, em meio à revolução feminina, surge uma mulher que é exemplo e se tornou a primeira Delegada Regional de Polícia do Rio Grande do Sul. Faço, neste espaço, uma homenagem especial à Delegada Elisabete Barreto Müller, casada com André Michel Müller e mãe de dois filhos: Larissa, de quatro anos, e Anderson, de um ano e meio.

Com atuação no movimento social, pelo Núcleo Diocesano Justiça e Paz, de Santa Cruz do Sul, e com a experiência de lecionar cinco anos, Elisabete iniciou sua carreira na área do Direito Penal, prestando assessoria judiciária para o presídio da cidade onde militava.

Suas qualidades intelectuais lembram Hipácia, da Academia Neoplatônica, que foi assassinada por monges em 451 d.C. Mas o tempo em que Elisabete vive permitiu que ela se formasse em Direito em 1989, com a melhor avaliação de sua turma, ganhando uma bolsa para a Escola Superior do Ministério Público, a qual concluiu em 1990. Foi aprovada no concurso para Delegado de Polícia em 1991, iniciando suas atividades como Delegada em Cruzeiros do Sul. Em 1997, foi congratulada, juntamente com sua equipe, com o Prêmio Qualidade Total na Administração Pública, no quesito Segurança Pública, quando respondia pela Delegacia de Arroio do Meio. Em 1998, num concurso em todos os órgãos públicos, foi premiada com menção honrosa pelo bom atendimento ao público, pelas ações de motivação dos funcionários e pela integração com a comunidade.

No mesmo ano, foi uma das criadoras da Casa de Passagem, uma entidade do Vale do Taquari que abriga mulheres vítimas de violência, dando-lhes assistência jurídica, social e psicológica. Atualmente é Presidente da Casa de Passagem. Em março de 1999, recebeu o Troféu Evidências, destinado para personalidades de destaque do Vale do Taquari.

Elisabete tem um currículo que lembra outras mulheres pioneiras que marcaram a história do Brasil, como Maria Augusta Generoso Estrella, que, filha de comerciante português, estudou nos Estados Unidos, no New York Medical College and Hospital for Women, formando-se médica em 1882, porque, no Brasil, não eram aceitas mulheres nas faculdades. Foi tendo seu caso como pressão que, a partir de 1881, a matrícula de mulheres nas escolas superiores brasileiras passou a ser permitida. Como disse Karl Marx, a liberdade da mulher é condição fundamental para a libertação de toda a humanidade.

Lembro personalidades que passaram por esta Assembléia Legislativa e que se consagraram pelas causas feministas, como o companheiro de Partido, Deputado Federal Marcos Rolim, que registrou uma mensagem para as mulheres, da qual gostaria de repetir um trecho e estendê-lo à Dra. Elisabete, às Deputadas desta Legislatura, às mulheres presentes nesta Sessão, às servidoras desta Casa, e a todas que enfrentam, lutam e abrem espaços para a influência feminina, essencial, imprescindível e necessária para a sociedade: Nós, que vencemos todas as maldições e trituramos as afrontas, já não aceitamos as âncoras em nossos porões, os interditos, os estreitos limites. Galopamos sobre as rezas e as mobílias, sobre as heranças e as panelas. Com as fogueiras que nos deram, tricoteamos estrelas; com as chibatadas, traçamos a ventania. Nós, que temos sede das vinhas, emigramos do cotidiano para a história. Somos mulheres inteiras, de trigo, de cobre, de neve, de cetim. Nós somos assim: uma onda pela manhã, um raio ao meio-dia; à tarde, uma avelã; à noite, uma melodia.

Deputada Maria do Rosário, agradeço a oportunidade que me é dada por esta Casa de dizer à Dra. Elisabete que é uma grande honra poder estar aqui, certamente representando a vontade de muitas Deputadas e de muitos Deputados, mas principalmente o desejo de grandes setores da sociedade gaúcha, que amadureceram no sentido de compreender o papel fundamental que as mulheres ocupam hoje na sociedade brasileira, regional, municipal e mundial.


O Sr. Elmar Schneider (PMDB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador)

Deputado Luiz Fernando Schmidt, cumprimento V. Exa. pela iniciativa, justa, merecida, desta homenagem prestada à Delegada Regional do Vale do Taquari e do Vale do Caí, Dra. Elisabete Barreto Müller.

Em nome da minha Bancada, a do PMDB, e também da Bancada do PTB, quero destacar que este, indiscutivelmente, é um momento especial para as mulheres, porque basta olhar em torno e ver a Delegada Márcia Scherer, a Delegada Flávia Colossi, da Delegacia de Encantado, e a Dra. Simone Spadare, da Promotoria Pública do Vale do Taquari, da cidade de Estrela. Isso prova que a mulher vem ocupando, a cada dia que passa, mais espaço. É bom que isso esteja acontecendo.

Tive a alegria, no dia 17 de agosto, de visitar as Delegacias de Polícia e os postos da Brigada Militar do Vale do Taquari. Felizmente, conseguimos incluir no nosso Relatório da CPI da Segurança Pública, aprovado ontem, os problemas daquela comunidade. Esperamos que os dignos profissionais daquela Região, assim como os do restante do Estado, tenham melhores condições de trabalho.

Lembro que foi no Governo Pedro Simon que surgiu a primeira Delegacia Regional da Mulher, se não me falha a memória, na cidade de Caxias do Sul.

Lamentavelmente, as notícias publicadas hoje na imprensa nos trazem grandes preocupações. Todos os jornais noticiaram o caso de uma Senhora que foi assaltada e seqüestrada ao levar seu filho, uma criança de quatro meses, ao médico. Para enfrentar situações como essa, é preciso que os competentes profissionais da Polícia Civil tenham melhores condições de trabalho, e ficamos torcendo para que isso aconteça.

Deixo registrada aqui a nossa homenagem à Delegada Elisabete Barreto Müller, do Vale do Taquari e do Vale do Caí e, mais uma vez, Deputado Luis Fernando Schmidt, cumprimento-o pela feliz iniciativa.


A Sra. Luciana Genro (PT) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador.)

Em nome da Bancada do PT, especialmente das mulheres da nossa Bancada, Deputadas Cecilia Hypolito e Maria do Rosário, cumprimento V. Exa. pela iniciativa de trazer esse tema à Assembléia Legislativa.

Não há dúvida nenhuma sobre os avanços conquistados pela luta das mulheres nos últimos anos, especialmente ao longo do século XX, mas, também, não temos dúvida nenhuma de que muitos avanços ainda são necessários.

Hoje, cada vez mais, a mulher se afirma não como melhor ou igual ao homem, mas como sendo tão respeitada quanto ele – porque sabemos que há essa diferença –, sem desmerecer um ou outro. Esse parece ser o grande objetivo das mulheres, do ponto de vista da conquista do seu lugar na sociedade. Infelizmente, ainda estamos muito longe de alcançar esse objetivo.

A participação da mulher, especialmente na política, cresceu enormemente nos últimos tempos, mas ainda está muito aquém das nossas necessidades, e a maior prova disso é a representação da mulher nesta Assembléia Legislativa, que tem crescido ano a ano – é verdade –, mas ainda está muito distante da representação da mulher na sociedade.

Isso, com certeza, está relacionado à falta de infra-estrutura que os governos e a sociedade em geral oferecem à mulher, para que ela participe da política e de outras esferas da vida pública. Por exemplo, como ela tem a obrigação familiar – cobrada pela própria família e pela sociedade – de cuidar dos filhos e da casa, muitas vezes acaba abrindo mão do seu papel público em nome do seu papel privado. Por isso é fundamental o incentivo à participação da mulher na vida pública, e essa homenagem, sem dúvida nenhuma, caminha nesse sentido.

Nós, do PT, somos pioneiros nessa luta pela participação da mulher, quando incentivamos, nas nominatas do Partido, a destinação de cotas de 30% às mulheres, o que, a partir dessa iniciativa, acabou inclusive se tornando lei.

Gostaria de me referir especialmente a nossa homenageada, a Dra. Elisabete Barreto Müller, que faz parte dos quadros da Segurança Pública, uma área particularmente carente de mulheres. Se a discriminação existe na política, no trabalho e na sociedade em geral, na área da Segurança Pública tenho certeza de que é ainda maior e mais brutal. Ainda maior é também a necessidade de se superar esses preconceitos e obstáculos, porque, com certeza, a sensibilidade da mulher na área da Segurança Pública é extremamente útil para que possamos ter a segurança mais humanizada, menos violenta, menos corrupta e mais voltada aos interesses do conjunto da população.

Registro aqui os nossos cumprimentos à Dra. Elisabete Müller, por ter sido a primeira mulher a encabeçar uma Delegacia Regional de Polícia do Rio Grande do Sul, o que é, sem dúvida, um feito que orgulha a todas as mulheres.

Deputado Luis Fernando Schmidt, ao propor essa homenagem, V. Exa. possibilitou a todos nós, Deputados do Partido dos Trabalhadores, o orgulho por podermos também homenagear a nossa companheira e amiga Delegada e todas as mulheres gaúchas. Muito obrigada.


O Sr. Francisco Appio (PPB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador)

Parabenizo V. Exa. pelo tema e pela homenagem que presta. Cumprimento a ilustre homenageada, que representa as mulheres na vida pública, particularmente na área da Segurança Pública, Dra. Elisabete Müller, da 7ª Regional de Lajeado. Cumprimento, ainda, a Deputada Maria do Rosário, que preside esta Sessão.

Se a geração do nosso tempo mergulhar em um passado recente, irá perceber a grande contradição e a absoluta intolerância que havia há cerca de 35 anos, quando não era dado acesso às mulheres na função pública. Oriundo do Banco do Brasil, presenciei a transformação da década de 70, quando pela primeira vez as mulheres puderam ingressar naquela instituição. Essa é uma história recente e por isso intolerável. Na geração de nosso tempo, não podemos mais conviver com essas discriminações. É um absurdo que tenhamos colocado tantas resistências à presença da mulher nas funções públicas. E não fomos apenas nós, os homens, que fizemos isso, sozinhos, mas, sim, toda uma sociedade conservadora.

Deputado Luis Fernando Schmidt, quero elogiar o gesto de V. Exa. e a admirável participação da mulher na área da Segurança Pública. Faço essa manifestação em nome da minha Bancada, do meu Líder, Deputado Vilson Covatti, da Deputada Maria do Carmo, que preside a Fundação Gaúcha da Mulher e que, por razões imperiosas, não pôde comparecer a tempo para prestar este aparte, e também da Sra. Bete Colombo, Presidente da Associação da Mulher Progressista do PPB, que, como em outros Partidos políticos, possui admiráveis exemplos no trabalho de valorização da mulher e da retirada dos entulhos e preconceitos à participação feminina em qualquer segmento da sociedade, seja na vida pública, seja na vida privada.

Por essas e tantas outras razões, Deputado Luis Fernando Schmidt, V. Exa. com absoluta, com rigorosa certeza, cumpriu aqui o papel destinado a esta instituição de ajudar a remover esses obstáculos à atuação da mulher, mas, sobretudo, de valorizar seu trabalho corajoso especialmente na Segurança Pública. Se ao homem já é difícil o desempenho de suas funções nessa área, imagine-se à mulher que, além de tudo, tem de remover preconceitos ainda enraizados em nossa sociedade. Parabéns a V. Exa. Parabéns à nossa Delegada Regional.


O Sr. João Luiz Vargas (PDT) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador)

Deputado Luis Fernando Schmidt, a Bancada do PDT, por delegação do nosso Líder, Deputado Vieira da Cunha, pediu que cumprimentasse V. Exa. pela oportuna homenagem à Dra. Elisabete Müller. Essa manifestação vem acompanhada do sentimento que a comunidade dirigida pela homenageada transmitiu ao Deputado Luis Fernando Schmidt. A sua atuação transmite segurança, equilíbrio e sensibilidade.

Aliás, os poetas, Deputado Luis Fernando Schmidt, buscam inspiração nas águas, nas matas, na natureza, na lua. Em todas as formas de inspiração, eles procuram aprimorar os seus versos e os seus escritos, mas não há forma de inspiração maior do que a recolhida pelos poetas das mulheres e nas mulheres, porque elas são a razão maior da vida e da procriação.

E, vermos uma jovem Senhora com a obrigação de buscar a formação com sua atividade, recolhida nos bancos escolares, na Universidade e depois na Escola de Polícia, é vermos a procura do equilíbrio. Fiquei aqui pensando de que forma poderia homenagear a sua pessoa, Dra. Elisabete. Homenageá-la é homenagear a vida, porque mulher é amor, é procriação, é vida. Meus cumprimentos.


A Sra. Jussara Cony (PC do B) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador)

Deputado Luis Fernando Schmidt, em primeiro lugar quero cumprimentá-lo por patrocinar este momento em que a Assembléia Legislativa tem a oportunidade de homenagear muitas coisas que se unificam.

Quando V. Exa. solicitou que cedesse meu tempo para fazer um Grande Expediente, e explicou o motivo, além de não titubear em fazer isso, fiquei muito contente, por reconhecer o trabalho de V. Exa. nesta Casa, pela sua responsabilidade, pelo seu envolvimento na gestação de um novo Estado. Além disso, esta homenagem envolve um setor estratégico para qualquer projeto de desenvolvimento que garanta os direitos do povo do Rio Grande.

Nosso Estado está buscando gestar uma nova segurança pública, e isso é um enorme desafio. É um enorme desafio porque pressupõe o enfrentamento de históricas questões que nunca foram resolvidas para que a segurança pública realmente possa atender, conforme estabelece a Constituição, antes de mais nada, à cidadania.

Num segundo momento é importante ressaltar o significado desta homenagem. Estamos homenageando a primeira Delegada Regional de Polícia, casualmente de uma região com a qual V. Exa. tem envolvimento. Historicamente, as mulheres têm-se dedicado à área da saúde, da assistência social, da educação – não quer dizer que esses setores não sejam importantes. Mas, quando pensamos na Secretaria da Fazenda, na área da segurança pública, é preciso ressaltar o significado de uma mulher ser Delegada Regional de Polícia. Esse fato representa a importância da participação da mulher em todos os setores da vida política, econômica, social, cultural e pública.

Em terceiro lugar, desejo registrar que prestar uma homenagem a uma mulher demonstra o quanto nós, mulheres, já percorremos com nossa luta pela busca da nossa igualdade, da nossa emancipação, que corre lado a lado com a busca pela libertação dos povos, pela soberania e pela igualdade.

Ao longo da história, as nossas diferenças naturais têm-se transformado em desigualdades nas áreas política, econômica, social e cultural, e na vida pública. Então, este é um dia especial. Homenageamos uma mulher que está à testa de um setor estratégico e importante como é a segurança pública, e, com isso, homenageamos a luta das mulheres por essa busca de participação, e mais, pela contribuição para as transformações de fundo, das quais necessitamos.

As transformações não ocorrerão sem a metade feminina do mundo, para que busquemos este mundo, como dizíamos em Pequim, de igualdade, de desenvolvimento e de paz.

Por último, gostaria de lembrar que a semana passada culminou com um Seminário, nesta Casa, que percorreu o Estado do Rio Grande do Sul, e que há seis anos vem sendo realizado pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente, sob a coordenação das Deputadas Cecilia Hypolito e Maria do Carmo e sob a coordenação-geral desta Deputada. Este trabalho vem enfocando a temática da saúde da mulher. Pois, neste ano, a temática foi A Violência é uma Questão de Saúde Pública.

E aí percebemos a importância de uma mulher à testa de uma Delegacia Regional com este receber feminino, com este olhar, com esta vivência feminina, à procura de garantir o acolhimento desta questão crucial da violência, que atinge a todos, mas, de forma muito particular, as mulheres, porque aumenta em crueldade e em requinte, infelizmente, neste momento de crise política, econômica, social e moral que vive a sociedade brasileira.

Quero dirigir-me a V. Exa., Deputado Luis Fernando Schmidt, para, num ato muito simbólico, fazer a entrega à Delegada Elisabete Barreto Müller do pré-relatório do Seminário Saúde, um Bem que se Quer; A Violência é uma Questão de Saúde Pública. Trata-se de uma análise que as mulheres do Rio Grande fizeram para a busca, cada vez mais, de políticas públicas que garantam a nossa igualdade.

Essa é uma antecipação da entrega oficial que faremos a todas as autoridades nas comemorações de 8 de março. Mas é uma forma de homenagear V. Sa. e, dessa maneira, homenagear as mulheres que lutam por um novo País, por um novo mundo. V. Sa. tem muito a ver com isso, pois é um exemplo para todas as mulheres, principalmente na área de segurança pública.

Entregarei ao Deputado Luis Fernando Schmidt o pré-relatório desse Seminário, que percorreu o Rio Grande do Sul, porque faço questão que S. Exa. o entregue à Dra. Elisabete Barreto Müller. Com certeza, S. Sa. será uma grande aliada – e não só no Vale do Taquari – pela inserção deste trabalho no traçado das políticas de segurança pública do Governo Democrático e Popular.


O SR. LUIS FERNANDO SCHMIDT (PT) – Deputada Jussara Cony, agradeço a V. Exa. a cedência deste espaço, para o qual eu não estava inscrito. A Deputada Jussara Cony, prontamente, como aliás é de seu feitio, atendeu ao nosso pedido. As palavras de S. Exa, da Deputada Luciana Genro e, com certeza, da Deputada Iara Wortmann, que em seguida se pronunciará, testemunham a força e o empenho das Deputadas nesta Casa.


A Sra. Iara Wortmann (PPS) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador)

Em nome da Bancada do PPS, Partido Popular Socialista, do nosso Líder de Bancada, Deputado Bernardo de Souza e dos nossos companheiros Deputados Mário Bernd, Paulo Odone, Berfran Rosado e Cézar Busatto, venho, em primeiro lugar, parabenizar V. Exa., Deputado Luis Fernando Schmidt. Somente um homem com a sua sensibilidade é capaz de num Grande Expediente ir à tribuna homenagear uma mulher, a primeira Delegada Regional de Polícia, Sra. Elisabete Barreto Müller, uma mulher de qualidade, tenho certeza.

No momento em que o mundo inteiro se preocupa com a violência, nós todos, homens e mulheres, temos o grande compromisso de buscar um novo tempo, de mais cooperação, de mais solidariedade e de mais paz.

Dra. Elisabete, quanto mais mulheres ingressarem não somente na política mas em todas as áreas, inclusive nessa em que a Senhora assume com muita competência, mais próximos estaremos da construção de um mundo melhor.

Deputado Luis Fernando Schmidt, quando assumi meu mandato nesta Casa no ano 2001, a Assembléia Legislativa iniciou uma comemoração – que não se esgotou no dia 8 de março, pois estendeu-se ao longo daquele mês – da qual participaram as seis Deputadas que compõem esta Casa, juntamente com o Deputado Sérgio Zambiasi.

Esta homenagem, realizada na penúltima semana deste ano legislativo, encerra a homenagem à mulher de 2001 e, com certeza, inicia a do próximo ano.

Sentimo-nos extremamente honradas pela participação da Dra. Elisabete neste ato, em cuja figura todas nós, mulheres gaúchas, sentimo-nos homenageadas. Mas, acima de tudo, cumprimentamos V. Exa., Deputado Luis Fernando Schmidt, pela decisão de homenagear uma mulher.


O SR. LUIS FERNANDO SCHMIDT (PT) – Agradeço a aparte aos nobres Colegas. Agradeço igualmente ao Deputado Francisco Appio, que abriu os trabalhos desta Sessão, e à Deputada Maria do Rosário, que a preside neste momento.

Cumprimento as pessoas que nos assistem, os funcionários da Secretaria de Estado da Fazenda, especialmente a Sra. Íria Salton Rotunno, as servidoras da Casa, as Senhoras e os Senhores presentes.

Dra. Elisabete, é uma enorme satisfação poder homenageá-la, porque a Senhora serve de exemplo para que outras mulheres trilhem caminhos para conquistar espaços, representando as mulheres e a liberdade da sociedade gaúcha e brasileira. Um grande abraço. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – O Deputado Luis Fernando Schmidt fará a entrega de flores à Dra. Elisabete Barreto Müller. (palmas)

Em nome da Mesa Diretora desta Casa, cumprimentamos a Sra. Elisabete Barreto Müller, Delegada Regional de Polícia do Vale do Taquari, que tem sob a sua coordenação a área da segurança pública em 59 Municípios gaúchos, sendo responsável por 32 Delegacias, além de coordenar a Casa de Passagem do Vale do Taquari, que é um lugar de abrigo e acolhida às mulheres e às crianças vítimas de situações de violência na família.

O Deputado Luis Fernando Schmidt nos brindou com a possibilidade de prestar esta homenagem. Agradecemos a V. Exa. e queremos, juntamente com os Parlamentares que fizeram apartes – particularmente as Sras. Deputadas que utilizaram o tempo de liderança da sua Bancada –, registrar a nossa honra, a nossa alegria e o nosso carinho.

É com esse mesmo carinho, dedicação e competência que observamos no seu trabalho que, neste momento, acolhemos este Grande Expediente como uma homenagem de todo o Parlamento, que deseja expressar o quanto é positivo termos à frente de uma Delegacia Regional de Polícia a Sra. Elisabete Barreto Müller.

Esperamos que o seu exemplo de trabalho, de dedicação e de competência sirva para abrir muitas portas a todas as mulheres, a toda a população gaúcha, no rumo da igualdade, do respeito e da superação de toda discriminação e violência.

Parabéns à Delegada Elisabete Barreto Müller, a todos que atuam junto a ela nas Delegacias, aos homens e mulheres e a todos que nos honram com sua presença nesta tarde, especialmente às companheiras e os companheiros que dignificam o seu trabalho.

Nossos cumprimentos ao Deputado Luis Fernando Schmidt por prestar, ao final dos trabalhos de 2001, esta homenagem. Muito obrigada a todos. Suspendo a Sessão para os cumprimentos.

(Suspende-se a Sessão.)


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Estão reabertos os trabalhos da presente Sessão.

Terminado o Grande Expediente, passo à

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE PROPOSIÇÕES



O primeiro Orador inscrito é o Deputado Giovani Cherini, a quem concedo a palavra.


O SR. GIOVANI CHERINI (PDT) – Sr. Presidente e Srs. Deputados:

Hoje, dia 5 de dezembro, é o Dia Internacional do Voluntariado.

Encerra-se amanhã o calendário do Ano Internacional do Voluntariado, marcado pela mobilização realizada pelas Nações Unidas em prol dessa causa, da qual participaram 123 países.

O comitê brasileiro, liderado por Milu Villela, realizou um excelente trabalho que, de tão bem-sucedido, destacou-se dos demais programas internacionais apresentados em recente reunião das Nações Unidas em Genebra.

O comitê conseguiu criar, nas principais capitais de nossos Estados, centros de voluntariado que vêm exercendo papel estratégico, para que o trabalho voluntário de brasileiros tenha merecido reconhecimento, seja estimulado e profissionalizado.

O fato de o comitê ter conseguido dar visibilidade à questão do trabalho voluntário em nosso País constitui, por si só, uma enorme contribuição para o fortalecimento do terceiro setor.

Historicamente, o trabalho voluntário sempre existiu, mas, assim como aconteceu com o terceiro setor, não havia o reconhecimento da importância dessa atividade para a melhoria das nossas condições de vida.

A mídia contribuiu significativamente para que a atividade voluntária saísse do anonimato e ganhasse uma nova identidade e o respeito de todos. Em recente entrevista, Milu chama a atenção para o fato de que foram mais de duas mil reportagens feitas sobre o tema somente na mídia impressa.

O caderno especial, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, de 28 de outubro de 2001, destaca os resultados e a pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a ação voluntária no Brasil. Nesta pesquisa, estes dois resultados chamam nossa atenção: 83% dos brasileiros considera o trabalho voluntário muito importante; 73% da população nunca fez nada nesse sentido.

Essas informações são interessantes, porque indicam que, embora exista reconhecimento por parte dos brasileiros de que o trabalho voluntário se constitui uma atividade fundamental para a melhoria das condições sociais, o engajamento não é significativo.

Elas confirmam que os Centros de Voluntariado são necessários, uma vez que poderão oferecer oportunidades para a grande maioria que considera o trabalho voluntário importante de transformar esse potencial de vontade em ações de solidariedade. Dessa forma, os Centros estão contribuindo para que o percentual de pessoas de nossa população que se dedicam ao voluntariado possa ser aumentado.

Em termos estatísticos, sempre somos forçados a nos referir aos Estados Unidos, que possuem informações detalhadas sobre o terceiro setor. Segundo informações do Independent Sector, nos Estados Unidos, cerca de 49% da população é de voluntários, que doam mais de 20 bilhões de horas anuais, o que corresponde a 201 bilhões de dólares, valor significativo que supera muitos PIBs do nosso planeta, chegando a um terço da produção de nossas riquezas anuais.

Hoje, no Dia Internacional do Voluntariado, queríamos votar Projeto de nossa autoria que cria o voluntariado junto ao serviço público municipal, estadual e federal. No Brasil, faltam instrumentos que disciplinem a questão do voluntariado. Hoje, o cidadão, ao formar-se numa faculdade, não pode prestar serviço gratuito num posto de saúde, por exemplo, ou numa escola. Nos Estados Unidos, é muito comum a prestação de serviço voluntário junto aos órgãos públicos.

A nossa proposta visa normatizar e criar, no âmbito do Estado, um corpo de voluntários. Trata-se de um serviço gratuito que não trará ônus para o Poder Executivo. Na medida em que aprovarmos este Projeto, estaremos trabalhando para, talvez na próxima semana, votarmos um projeto criando o voluntariado no serviço público. Dessa forma, as pessoas, ao se aposentarem, poderão trabalhar de forma gratuita em algum órgão público, sem terem problemas trabalhistas, sentindo-se útil para a sociedade.

Queremos homenagear este dia com um trabalho em defesa da votação deste nosso Projeto. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador. )

O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Registro a presença de 35 alunos da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, de Caxias do Sul, sob a coordenação da Professora Sônia, e de 34 alunos da Escola Municipal Maurício Cardoso, de Barão, sob a coordenação da Sra. Fernanda Zanatta. Sejam bem-vindos à Assembléia Legislativa.


O SR. JOSÉ FARRET (PPB) – Sr. Presidente, por duas vezes este Deputado utilizou o espaço destinado ao Grande Expediente, com presença de homenageados, os quais não puderam fazer parte da Mesa, tendo em vista que essa disposição é permitida apenas em caso de realização de Grande Expediente Especial. Entretanto, tenho percebido que tal determinação não é observada em outros casos. Pergunto como devo agir para, no futuro, não infringir as regras.


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Deputado José Farret, no momento oportuno esclarecerei a dúvida de V. Exa.

O próximo Orador inscrito é o Deputado João Luiz Vargas, a quem concedo a palavra.


O SR. JOÃO LUIZ VARGAS (PDT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Sr. Presidente, venho a esta tribuna para propor que esta Casa encaminhe convite aos Deputados Federais e à Comissão da Câmara Federal que averiguou a situação da morte do Presidente João Goulart a apresentarem o Relatório da referida Comissão nesta Casa.

Em nome da Bancada do PDT, quero registrar que no dia de amanhã estará transcorrendo 25 anos de falecimento do Presidente João Goulart. Solicito a transcrição de um material alusivo à data para que fique registrado nos anais da Casa. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador. )


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Defiro a solicitação de V. Exa.

(Matéria entregue para transcrição. )

JANGO, 25 DE ANOS DE SAUDADES

No próximo dia 06 de dezembro, amanhã a saudade de Jango controlado pelo tempo de sua ausência chega aos 25 anos. O mês era de dezembro. Ano de 1986, num dia quente de verão. Logo cedo, pelas ondas da Rádio Tiaraju de São Sepé, anunciava-se a morte do ex-Presidente, ocorrida, segundo notícias, em uma de suas propriedades na Argentina, vítima de enfarte.

Imediatamente contatamos com os companheiros de São Borja, para saber qual o destino do líder. Qual não foi a nossa surpresa, para não dizer espanto, transformada em indignação, quando soubemos que o Governo Brasileiro, por ordem de Brasília, impediria a passagem do corpo já sem vida de um ex-Presidente da República através da Ponte que liga Paso de Los Libres a Uruguaiana. Tratamento desumano inaceitável para um homem de formação pacífica e democrática, que assentiu todas as agruras e injustiças do regime sem manifestar nunca qualquer tipo de reação que passasse pelo derramamento de sangue dos irmãos.

E aí travou-se uma luta entre gaúchos de todos os partidos, inclusive, para tentar demover a ordem anônima de Brasília que decretava uma das mais injustas e duras punições para um homem público: a de não poder, depois de morto, ver seus restos mortais recolhidos ao descanso da terra natal, ao lado dos pais, irmãos, enfim, no seu torrão natal.

Eram mais de dez horas da manhã quando um militar da tradicional família Bermudez, de Uruguaiana, adversários políticos tradicionais do PTB no Estado, conseguiu demover a insensibilidade de setores radicais do Governo Federal.

O corpo de Jango cruzou o rio Uruguai, carregando consigo uma comitiva de amigos e políticos que já havia decidido: cruzariam a fronteira que separa os dois países de qualquer forma, pacificamente, carregando o ex-Presidente que pedia passagem apenas para morar, já sem vida, no cemitério da sua São Borja, nem que para isso precisassem muitos deles ficar estendidos por entre Libres , Uruguaiana e São Borja.

Resolvido o impasse, Jango morto, junto com seus amigos desfilaram uma última vez pela estrada que hoje leva o seu nome e liga São Borja a Uruguaiana. Desde a saída até a chagada, centenas de militares armados, tanques, caminhões acompanhavam a Caravana estacionados em pontos estratégicos da estrada, precavendo-se, quem sabe temendo a ressurreição de Jango. Na verdade o medo era do povo ou da reação do povo.

Assim chegamos a São Borja, levados direto para a Igreja Matriz que ele mandou construir e onde foi confortado para receber em prantos seus amigos pobres e pretos que desfilavam a sua frente derramados em dor e lágrimas.

Eram mais de vinte mil pessoas aglomeradas na volta da Praça Quinze, à frente do Templo, sob um calor de 40 graus, homenageando o amigo, popular, bonachão, carismático, político dos mais decentes e honestos, que passou pela Presidência da República em dois anos e idealizou a maior obra de construção da vida do campo e da cidade deste país.

A multidão impaciente e revoltada com o tratamento dado a Jango depois de sua morte era um barril de pólvora pronto a explodir. Quando o corpo do ex-Presidente, saindo da Igreja, em direção a última morada, carregado pelo povo, chegou nos primeiros degraus da Matriz, ecoaram os primeiros gritos, que pareciam brotar do chão. E eram mãos e rostos crispados sob o sol abrasador daquele 6 de dezembro, que transformava o trágico no glorioso, desafiando centenas de policiais e o governo militar insano e insensível, que tentara proibir um filho do Brasil de ser enterrado na sua terra, esmurravam o ar, gritando: "Abaixo a ditadura!". Foram mais de quinze quadras, entre a Igreja e o cemitério, entre os choros da saudade e os gritos do protesto, que tinham refrões de todas as ordens.

Guardo na imagem aquela caminhada embalado pelo espírito de civismo, democracia, dor e revolta, consciente de que aquele dia representava um marco na luta pela redemocratização plena do País que realmente veio ocorrer logo após.
Nunca Jango foi tão atual. Trinta e sete anos nos separam do ano de 1964. Mas as idéias nacionalistas de reforma então propostas são retratos da verdade e, de tão atuais que são, retratam a história da Argentina, hoje ferida mortalmente pelos inimigos estrangeiros, mesmos inimigos nossos, donos do mesmo capital e poder que embalou o sonho dos revolucionários de 1º de abril de 1964. Pensando em fazer um bem para o País, plantaram mais um tempo, longo tempo de espoliação e exploração do povo trabalhador brasileiro.

A história política deste País precisa pagar sua dívida com Jango. Embora o tempo cumpra essa missão, ficará em nossos corações marcados pela imensa saudade a dor de ter assistido um ex-Presidente morrer sem que o Governo tivesse a humildade do reconhecimento, não declarando luto oficial na Pátria da qual fora dirigente máximo. Jango foi enterrado com as bandeiras do seu País, País que amou sem restrições, hasteadas normalmente.

Essa é a luta do nosso PDT. Recompor para a história desta Nação a verdade sobre um homem e sobre as idéias de Governo dele. Todas de plena realização e construção, que almejavam realmente defender os interesses nacionais e que foram sepultados pelos interesses políticos e econômicos, de grupos chamados "modernamente" de neoliberais e globalizantes.

Que a Assembléia Legislativa, que integrou com a Câmara Federal a Comissão que averiguou a situação em que ocorreu a morte do Presidente Jango, convide essa Comissão da Câmara para que seja apresentado o Relatório aqui neste Parlamento.


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Não havendo mais Oradores inscritos para o período de Apresentação e Discussão de Proposições, passo à

ORDEM DO DIA

Solicito ao Secretário que proceda à chamada dos Deputados para verificação de quórum.


O Sr. Secretário – Bancada do PT: Deputados Cecilia Hypolito, presente; Dionilso Marcon, presente; Edson Portilho, presente; Elvino Bohn Gass. (ausente); Ivar Pavan, presente; José Gomes. (ausente); Luciana Genro, presente; Luis Fernando Schmidt, presente; Maria do Rosário. (ausente); Ronaldo Zülke. (ausente); Roque Grazziotin, presente.

Bancada do PPB: Deputados Adolfo Brito, presente; Érico Ribeiro, presente; Francisco Appio, presente; Frederico Antunes, presente; João Fischer, presente; José Farret, presente; Marco Peixoto. (ausente); Maria do Carmo. (ausente); Otomar Vivian, presente; Valdir Andres, presente; Vilson Covatti, presente.

Bancada do PTB: Deputados Abílio dos Santos, presente; Aloísio Classmann, presente; Edemar Vargas, presente; Eliseu Santos. (ausente); Iradir Pietroski, presente; Luis Augusto Lara, presente; Manoel Maria, presente; Osmar Severo, presente; Paulo Moreira, presente; Sérgio Zambiasi. (ausente)

Bancada do PDT: Deputados Adroaldo Loureiro. (ausente); Ciro Simoni. (ausente); Giovani Cherini, presente; João Luiz Vargas, presente; Kalil Sehbe, presente; Paulo Azeredo. (ausente); Vieira da Cunha, presente.

Bancada do PPS: Deputados Berfran Rosado. (ausente); Bernardo de Souza, presente; Cézar Busatto, presente; Iara Wortmann, presente; Mário Bernd. (ausente); Paulo Odone, presente.

Bancada do PMDB: Deputados Alexandre Postal, presente; Elmar Schneider. (ausente); Jair Foscarini, presente; João Osório. (ausente); José Ivo Sartori, presente.

Bancada do PFL: Deputados Germano Bonow, presente; Onyx Lorenzoni. (ausente)

Bancada do PSDB: Deputados Adilson Troca, presente; Jorge Gobbi. (ausente)

Bancada do PC do B: Deputada Jussara Cony, presente.


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Presentes 38 Deputados, há quórum para deliberação.


O SR. OTOMAR VIVIAN (PPB) – Sr. Presidente, solicito a V. Exa. que consulte os Srs. Líderes a respeito da possibilidade de votarmos em primeiro lugar o Requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito do Preço do Leite e, na seqüência, o Requerimento da Comissão Especial de Assuntos de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, ambos de suspensão dos trabalhos durante o recesso parlamentar.


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Solicito aos Líderes de Bancada que se manifestem quanto à proposição apresentada pelo Deputado. (pausa) Havendo concordância unânime de S. Exas. , está invertida a pauta.

Em votação o Requerimento nº 80/2001, da Comissão Parlamentar de Inquérito do Preço do Leite, de suspensão do prazo de funcionamento de seus trabalhos durante o período de recesso parlamentar, de 16 de dezembro de 2001 a 14 de fevereiro de 2002. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

PARTIDO UF PARLAMENTAR VOTO
PPB RS ÉRICO RIBEIRO S
PTB RS MANOEL MARIA S
PPB RS FREDERICO ANTUNES S
PPB RS JOÃO FISCHER S
PPB RS JOSÉ FARRET S
PPB RS MARCO PEIXOTO S
PPB RS OTOMAR VIVIAN S
PPB RS VALDIR ANDRES S
PPB RS VILSON COVATTI S
PMDB RS ALEXANDRE POSTAL S
PPS RS CÉZAR BUSATTO S
PPS RS IARA WORTMANN S
PMDB RS JAIR FOSCARINI S
PMDB RS JOÃO OSÓRIO S
PMDB RS JOSÉ IVO SARTORI S
PPS RS PAULO ODONE S
PC DO B RS JUSSARA CONY S
PTB RS ABÍLIO DOS SANTOS S
PTB RS ALOÍSIO CLASSMANN S
PTB RS EDEMAR VARGAS S
PTB RS IRADIR PIETROSKI S
PTB RS LUIS AUGUSTO LARA S
PPB RS ADOLFO BRITO S
PTB RS OSMAR SEVERO S
PTB RS PAULO MOREIRA S
PDT RS GIOVANI CHERINI S
PDT RS JOÃO LUIZ VARGAS S
PDT RS KALIL SEHBE S
PDT RS VIEIRA DA CUNHA S
PT RS CECÍLIA HYPÓLITO S
PT RS DIONILSO MARCON S
PT RS EDSON PORTILHO S
PT RS IVAR PAVAN S
PT RS LUCIANA GENRO S
PT RS LUIS F. SCHMIDT S
PT RS ROQUE GRAZZIOTIN S
PPS RS BERNARDO DE SOUZA S
PSDB RS ADILSON TROCA S
PFL RS GERMANO BONOW S


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Com 39 votos favoráveis e nenhum voto contrário, está aprovado o Requerimento nº 80/2001.

Em votação o Requerimento nº 81/2001, da Comissão Especial de Assuntos de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, de suspensão dos trabalhos da Comissão Especial para Tratar de Assuntos de Previdência do Estado durante o recesso parlamentar. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

(Procede-se à votação pelo painel eletrônico.)

PARTIDO UF PARLAMENTAR VOTO
PPB RS ÉRICO RIBEIRO S
PTB RS MANOEL MARIA S
PPB RS FREDERICO ANTUNES S
PPB RS JOÃO FISCHER S
PPB RS JOSÉ FARRET S
PPB RS MARCO PEIXOTO S
PPB RS OTOMAR VIVIAN S
PPB RS VALDIR ANDRES S
PPB RS VILSON COVATTI S
PMDB RS ALEXANDRE POSTAL S
PPS RS BERFRAN ROSADO S
PPS RS CÉZAR BUSATTO S
PPS RS IARA WORTMANN S
PMDB RS JAIR FOSCARINI S
PMDB RS JOÃO OSÓRIO S
PMDB RS JOSÉ IVO SARTORI S
PPS RS PAULO ODONE S
PC DO B RS JUSSARA CONY S
PTB RS ABÍLIO DOS SANTOS S
PTB RS ALOÍSIO CLASSMANN S
PTB RS EDEMAR VARGAS S
PTB RS IRADIR PIETROSKI S
PTB RS LUIS AUGUSTO LARA S
PPB RS ADOLFO BRITO S
PTB RS OSMAR SEVERO S
PTB RS PAULO MOREIRA S
PDT RS GIOVANI CHERINI S
PDT RS JOÃO LUIZ VARGAS S
PDT RS KALIL SEHBE S
PDT RS VIEIRA DA CUNHA S
PT RS CECÍLIA HYPÓLITO S
PT RS IVAR PAVAN S
PT RS LUCIANA GENRO S
PT RS LUIS F.SCHMIDT S
PT RS ROQUE GRAZZIOTIN S
PPS RS BERNARDO DE SOUZA S
PSDB RS ADILSON TROCA S
PFL RS GERMANO BONOW S


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Com 38 votos favoráveis e nenhum voto contrário, está aprovado o Requerimento nº 81/2001.

Passaremos à apreciação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição nº 109/2001.


O SR. VILSON COVATTI (PPB) – Sr. Presidente, solicito a inversão de pauta com relação à Proposta de Emenda à Constituição nº 109/2001. Requeiro também que seja apreciado agora o Projeto de Lei 215/2000, que também foi objeto de acordo.


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Deputado Vilson Covatti, informo a V. Exa. que o Projeto de Lei 215/2000 não consta deste acordo, que precisa ser cumprido. Este Projeto fará parte de um novo acordo, que será cumprido a partir do encerramento da votação destes Projetos.

Solicito aos Líderes de Bancada que se manifestem quanto à proposição apresentada pelo Deputado. (pausa) Havendo a concordância unânime de S. Exas., procedemos à inversão da pauta, deixando a votação da Proposta de Emenda à Constituição nº 109/2001 para o final da Ordem do Dia.

Em discussão e votação o Projeto de Lei nº 265/2000, do Deputado Luis Fernando Schmidt: Cria o cadastro estadual de poços tubulares profundos e dá outras providências. Ao Projeto foi apresentado um Substitutivo. A matéria entra na Ordem do Dia com base no art. 63 da Constituição Estadual.

Em discussão. (pausa) Não havendo manifestação de nenhum dos Deputados, encerro a discussão.

Em votação. Primeiramente, votaremos o Substitutivo nº 1, do Deputado Luis Fernando Schmidt, ao Projeto de Lei nº 265/2000. (pausa) Por solicitação do Deputado Alexandre Postal, concedo a palavra a S. Exa. para encaminhar a votação da matéria.


O SR. ALEXANDRE POSTAL (PMDB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Vejo com simpatia a possibilidade de o Rio Grande do Sul ter um cadastro de todos os poços artesianos que foram perfurados no nosso Estado; não tenho nenhuma contrariedade com relação a isso. Entretanto, tenho muitas dúvidas quanto a este Substitutivo, sobre o qual tive a oportunidade de conversar com o Deputado Luis Fernando Schmidt. Há taxas e vistorias que têm que ser feitas em poços construídos há tempo, assim como custos.

Percebe-se a boa intenção do Deputado, mas creio que a maioria das Bancadas não estão preparadas para votar a matéria. Peço que S. Exa. reveja seu pedido de colocar em votação este Projeto, que é interessante, mas ainda não estamos esclarecidos suficientemente sobre como serão cobradas essas taxas daqui para frente. Melhor seria se pudéssemos votar um projeto que previsse tais mudanças com relação à abertura de novos poços artesianos, os quais passariam a contar com uma autorização que não a da Fepam, porque essa leva muito tempo para liberar a autorização para a ampliação de uma indústria. Essa demora não é novidade, porque inclusive Deputados do Governo têm interferido no sentido de agilizar algumas liberações.

Dou um exemplo a V. Exas: minha cidade é cruzada pelo riacho Tacaoca. O Município de Guaporé conseguiu recursos, junto à Caixa Econômica Federal, para canalizar esse arroio, mas queriam que tivesse 30 metros de cada lado sem construção. Como o arroio se localiza dentro da cidade, não podemos tirar as casas dos dois lados. O objetivo era a regularização para evitar problemas de enchentes, mas isso a Fepam não autoriza.

Temos de rever este Projeto, Deputado Luis Fernando Schmidt, porque ele ainda não foi totalmente esclarecido. A matéria é interessante, mas não terá aprovação no dia de hoje. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Em votação o Substitutivo nº 1. (pausa) Por solicitação do Deputado Luis Fernando Schmidt, concedo a palavra a S. Exa. para encaminhar a votação da matéria.


O SR. LUIS FERNANDO SCHMIDT (PT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Gostaria de cumprimentar o Deputado Alexandre Postal pela preocupação que demonstra, mas em nenhum momento este Substitutivo diz que um detentor de poço tubular profundo tem de pagar determinada taxa.

Temos um entendimento junto à Fepam, à Secretaria do Meio Ambiente e à Corsan no sentido de que as liberações sejam feitas por seu intermédio. A Corsan tem todo o interesse em manter os nossos lençóis freáticos com qualidade e, acima de tudo, com muita vazão, em termos da utilização excessiva de poços artesianos.

O que queremos, na verdade, é um registro desses poços artesianos, e que a Corsan, a Secretaria do Meio Ambiente, assim como outras autarquias e secretarias, tenham condições de avaliar a qualidade da água.

Não podemos mais nos submeter à visão que, infelizmente, alguns ainda têm, de achar que a água de um poço tubular profundo ou de um poço artesiano é de boa qualidade. Temos que ter absoluta certeza, e quem tem de dar essa certeza é exatamente a Corsan, instituição que tem-se preocupado com a gestão hídrica no Estado, de forma muito concreta com as relações com os agricultores, com as empresas e com a sociedade como um todo.

Deputado Alexandre Postal, essa é uma preocupação que – volto a dizer –, respeito, mas não há nenhuma contradição, até porque o § 2º do art. 3º do Substitutivo determina: O cadastro dos poços existentes, a partir da data de vigência da presente lei, acontecerá em apenas uma etapa, que deverá atender o que consta neste artigo, acompanhado de um 'laudo técnico' elaborado por profissional devidamente habilitado e com atribuições afins, em prazo a ser regulamentado.

Portanto, essa é exatamente a atribuição que terá a Corsan. E este Deputado não pode, sob pena de ilegalidade, forçar no Projeto essa responsabilidade da Companhia. No entanto, esse entendimento já existe, porque este Projeto foi elaborado juntamente com técnicos do Governo. Muito obrigado.(Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Em votação o Substitutivo nº 1 (pausa) Por solicitação do Deputado José Ivo Sartori, concedo a palavra a S. Exa. para encaminhar a votação da matéria.


O SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Este Substitutivo tem o mérito de desencadear uma discussão sobre os poços artesianos, ou pelo menos o que se refere ao seu cadastramento. Nesta questão, temos duas realidades distintas. Uma delas é quanto aos Municípios que possuem sistema próprio de abastecimento de água, feito por meio de poços artesianos – e boa parte dos Municípios do interior do Estado utilizam esse sistema –, e a outra é quanto ao restante dos Municípios, que têm seu abastecimento vinculado à Companhia Riograndense de Saneamento.

A utilização de poços artesianos para o abastecimento de água é oficial, e, na verdade, esse cadastramento já deve existir. O nobre Deputado deve estar-se referindo aos poços artesianos industriais, particulares ou rurais, que são utilizados no abastecimento de água para as atividades caseiras e produtivas de qualquer família.

Mas, Sr. Presidente e Srs. Deputados, evidentemente essa seria uma precaução para evitar que os usuários contraíssem doenças. Não temos absolutamente nada contra o cadastramento, mas é muito impor a uma família do interior, a uma família de colonos, ter uma planta de situação, obter um perfil geológico, ter o responsável técnico do projeto, e, para quem vai fazer o novo poço, a execução da perfuração, o revestimento, o tipo de investimento, a execução do poço, as características físico-químicas e bacteriológicas da água, as condições de funcionamento do poço.

E mais, Sr. Presidente, o cadastro dos poços existentes, a partir da data da vigência da presente lei, acontecerá em apenas uma etapa, que deverá atender ao que consta neste artigo, acompanhado de um laudo técnico elaborado por um profissional devidamente habilitado e com atribuições afins em prazo a ser regulamentado. Vale dizer que o custo do cadastro do poço já existente é algo terrível, porque vai precisar, no mínimo, de um geólogo, e não vai ser o Poder Público que vai realizar essa atividade. Assim, esse custo vem de forma a assoberbar qualquer família, especialmente a rural, porque, na cidade, certamente, não há essa necessidade. É a única objeção que temos em relação a isso.

É realmente necessário o cadastramento, mas como o Deputado Luis Fernando Schmidt, a partir deste debate, foi obrigado a apresentar um Substitutivo, seria extremamente importante que S. Exa. desse uma oportunidade e o prazo necessário para o aperfeiçoamento do Projeto, de modo a não causar prejuízo aos coitados dos nossos colonos do interior, que já vivem essas dificuldades e não poderiam suportar o custo de contratar um profissional tecnicamente habilitado para poderem cadastrar o poço que têm na sua propriedade.

O tempo, às vezes, é o melhor remédio. No entanto, a discussão é boa e positiva, e o mérito do cadastramento também. Eram essas as objeções. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Em votação o Substitutivo nº 1. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

(Procede-se à votação pelo painel eletrônico.)

PPB RS ÉRICO RIBEIRO N
PTB RS MANOEL MARIA N
PPB RS FREDERICO ANTUNES N
PPB RS JOÃO FISCHER N
PPB RS JOSÉ FARRET S
PPB RS VALDIR ANDRES N
PPB RS VILSON COVATTI N
PMDB RS ALEXANDRE POSTAL N
PPS RS BERFRAN ROSADO N
PMDB RS ELMAR SCHNEIDER N
PPS RS IARA WORTMANN N
PMDB RS JAIR FOSCARINI N
PMDB RS JOÃO OSÓRIO N
PMDB RS JOSÉ IVO SARTORI N
PC DO B RS JUSSARA CONY S
PTB RS ABÍLIO DOS SANTOS N
PTB RS ALOÍSIO CLASSMANN N
PTB RS EDEMAR VARGAS N
PTB RS IRADIR PIETROSKI N
PPB RS ADOLFO BRITO N
PTB RS OSMAR SEVERO N
PTB RS PAULO MOREIRA N
PDT RS CIRO SIMONI N
PDT RS GIOVANI CHERINI S
PDT RS PAULO AZEREDO N
PDT RS VIEIRA DA CUNHA S
PT RS CECÍLIA HYPÓLITO S
PT RS DIONILSO MARCON S
PT RS EDSON PORTILHO S
PT RS IVAR PAVAN S
PT RS LUCIANA GENRO S
PT RS LUIS F.SCHMIDT S
PT RS ROQUE GRAZZIOTIN S
PPS RS BERNARDO DE SOUZA S
PSDB RS ADILSON TROCA N
PFL RS GERMANO BONOW N


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Com 12 votos favoráveis e 24 votos contrários, está rejeitado o Substitutivo nº 1 ao Projeto de Lei nº 265/2000.

Em votação o Projeto de Lei nº 265/2000. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

(Procede-se à votação pelo painel eletrônico.)

PPB RS ÉRICO RIBEIRO N
PTB RS MANOEL MARIA N
PPB RS FREDERICO ANTUNES N
PPB RS JOÃO FISCHER N
PPB RS JOSÉ FARRET N
PPB RS VALDIR ANDRES N
PPB RS VILSON COVATTI N
PMDB RS ALEXANDRE POSTAL N
PPS RS BERFRAN ROSADO N
PMDB RS ELMAR SCHNEIDER N
PPS RS IARA WORTMANN N
PMDB RS JAIR FOSCARINI N
PMDB RS JOÃO OSÓRIO N
PMDB RS JOSÉ IVO SARTORI N
PPS RS PAULO ODONE N
PC DO B RS JUSSARA CONY N
PTB RS ABÍLIO DOS SANTOS N
PTB RS ALOÍSIO CLASSMANN N
PTB RS EDEMAR VARGAS N
PTB RS IRADIR PIETROSKI N
PPB RS ADOLFO BRITO N
PTB RS OSMAR SEVERO N
PTB RS PAULO MOREIRA N
PDT RS CIRO SIMONI N
PDT RS GIOVANI CHERINI N
PDT RS KALIL SEHBE N
PDT RS PAULO AZEREDO N
PDT RS VIEIRA DA CUNHA S
PT RS CECÍLIA HYPÓLITO S
PT RS DIONILSO MARCON S
PT RS EDSON PORTILHO S
PT RS IVAR PAVAN S
PT RS LUCIANA GENRO S
PT RS LUIS F.SCHMIDT S
PT RS ROQUE GRAZZIOTIN S
PPS RS BERNARDO DE SOUZA N
PSDB RS ADILSON TROCA N
PFL RS GERMANO BONOW N


O SR. PRESIDENTE FRANCISCO APPIO (PPB) – Com 8 votos favoráveis e 30 votos contrários, está rejeitado o Projeto de Lei nº 265/2000.

A SRA. JUSSARA CONY (PC do B) – Sr. Presidente, retifico o meu voto, que é sim.


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Esta Presidência registra seu voto favorável à matéria recém-rejeitada, permanecendo, entretanto, o resultado consignado no painel eletrônico.

Em discussão e votação o Projeto de Lei nº 267/2001, do Deputado Abílio dos Santos: Isenta do pagamento de pedágio os condutores de veículos comerciais com mais de dois eixos. O Projeto entra na Ordem do Dia com base no art. 63 da Constituição Estadual.

Em discussão. (pausa) Por solicitação do Deputado Abílio dos Santos, concedo a palavra a S. Exa. para discutir a matéria.


O SR. ABÍLIO DOS SANTOS (PTB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Venho a esta tribuna para defender o Projeto de Lei n° 267/2001, de minha autoria, e fazer algumas considerações.

Este Projeto é simples e vai ao encontro dos interesses dos caminhoneiros do Rio Grande do Sul. Pela proposta, todo veículo com mais de dois eixos – eixos subseqüentes – e que não estiver carregado ao passar no posto de pedágio só pagará o equivalente ao que se cobra dos veículos de dois eixos. Quero que fique esclarecido que esse tipo de veículo, se não estiver carregado, de maneira alguma dará prejuízo à empresa concessionária – e fica a cargo dessa empresa fiscalizar se está carregado ou vazio.

Este Projeto, repito, vem para atender a uma aspiração do caminhoneiro rio-grandense, amenizando pelo menos um pouco o peso no seu bolso. Portanto, peço aos meus companheiros de Oposição e aos Deputados do Governo que me ajudem a aprová-lo em prol dos caminhoneiros gaúchos. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Continua em discussão o Projeto de Lei nº 267/2001. (pausa) Por solicitação do Deputado Bernardo de Souza, concedo a palavra a S. Exa. para discutir a matéria.


O SR. BERNARDO DE SOUZA (PPS) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

A iniciativa do nobre Deputado Abílio dos Santos é mais do que justa e generosa. Entretanto, ela conflita diretamente com uma Emenda Constitucional que esta Casa aprovou, de iniciativa do nobre Deputado Iradir Pietroski.

Trata-se da Emenda Constitucional nº 27, que acrescentou um quarto parágrafo ao art. 163 da Constituição do Estado. O que diz esse § 4º? Será assegurado o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão e permissão, vedada a estipulação de quaisquer benefícios tarifários a uma classe ou coletividade de usuários, sem a correspondente e imediata readequação do valor das tarifas resultante da repercussão financeira dos benefícios concedidos.

Esse novo texto constitucional está a dizer, com toda a justiça – e este Deputado votou favoravelmente à Emenda, a qual foi aprovada por esta Casa –, que todo benefício a uma coletividade de usuários tem de ter o seu valor financeiro, o seu impacto, avaliado, dimensionado – quanto se reduz na arrecadação? – e imediatamente repassado aos demais usuários que não ficam isentos. Por isso, parece-me que o Projeto do nobre Deputado Abílio dos Santos encontrará um terrível óbice constitucional, embora afetiva, política e eticamente, esteja solidário a essa iniciativa.

Aliás, essa questão dos pedágios está mais do que a merecer uma revisão geral no Estado.

Quem tiver a necessidade ou o gosto de visitar a maravilhosa terra de Pelotas, saindo de Porto Alegre – como este Deputados e muitos outros mais fazemos –, passará por quatro pedágios: um federal, no Município de Eldorado do Sul; outro estadual, no Município de Guaíba; e dois híbridos, um em Cristal e outro chegando a Pelotas. No retorno, passará em mais três praças de pedágio: no estadual de Guaíba e nos dois híbridos.

Por que chamo de híbridos aqueles dois pedágios? Porque já não consigo mais conviver com quem, defendendo o Governo Federal, não tolera falar no assunto – a fim de que o pedágio federal não seja objeto de alguma avaliação – e com aqueles que, por não tolerar críticas ao Governo Estadual, não querem falar sobre tema para não mencionar os pedágios estaduais.

Já encaminhei representações ao Ministério Público Estadual e ao Federal.

Volto à questão, nobre Deputado Abílio dos Santos. Por que híbridos? Porque esses pedágios que se pagam quando se vai a Pelotas –em Cristal e chegando próximo ao Município – foram oriundos de uma Lei Estadual, contra a qual votei – foi um edital estadual, uma concorrência estadual, um contrato estadual. Não é porque seja contra pedágio como conceito que o defendo; sou contra a razoabilidade do abuso dos valores e do número de praças de cobrança, como temos no caso de Porto Alegre a Pelotas.

Formalizei, como qualquer cidadão pode fazer, com base na Lei relativa à reclamação dos serviços públicos, o pedido de que fosse feita a rescisão com o concessionário do pólo rodoviário de Pelotas, a Ecosul. Não recebi resposta, a qual, segundo Lei aprovada por unanimidade nesta Assembléia, deveria vir em 15 dias. E depois, com os fundamentos que autorizariam a rescisão da concessão por descumprimento pelo concessionário, foi feita a devolução da rodovia à União. Ocorre que o contrato de delegação para o Estado dizia que, se um dia retornasse à União, junto iriam todas as concessões existentes. Quem devolveu sabia que devolveria com praças de pedágios. Enquanto isso, quatro pedágios para lá, três para cá.

Não consigo entender a lógica dos que dizem que existe uma vantagem em pagar metade na ida e metade na volta, porque não há como voltar de Pelotas para Porto Alegre a não ser pela BR-116. Se alguém tentar voltar por Nova Iorque ou por Montevidéu, terá uma despesa muito maior. Não há lógica nenhuma na hipotética possibilidade de escolha. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Continua em discussão o Projeto de Lei nº 267/2001. (pausa) Por solicitação do Deputado Roque Grazziotin, concedo a palavra a S. Exa. para discutir a matéria.


O SR. ROQUE GRAZZIOTIN (PT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Mais uma vez voltamos ao tema dos pedágios, e estaria na hora de esta Casa pensar, realmente, numa revisão profunda no processo de concessão – privatização – das rodovias em nosso Estado.

Está cada vez mais difícil, para todos os usuários, continuar enfrentando as estradas no dia-a-dia com esse sistema. Por isso, o Projeto do Deputado Abílio dos Santos tem seu significado, pois procura isentar de pagamento os condutores de veículos comerciais com mais de dois eixos.

Como foi dito pelo Deputado Bernardo de Souza, sabemos que a proposta poderá passar por uma dificuldade de ordem constitucional, mas, no seu mérito, ela é profundamente significativa, na medida que procura corrigir uma injustiça muito grande que se faz com todos os condutores, principalmente aqueles que moram no interior do Estado.

Nós, Deputados que também moramos no interior, sabemos o quanto se tem de pagar a cada passagem por um posto de pedágio. Para a construção das praças de pedágio, foi instituído um modelo de forma a se cercarem as grandes cidades, os pólos, fazendo com que não haja possibilidade de saída senão pagando para passar.

Por isso, estamos propondo, como fizemos anteriormente, uma revisão de todo o modelo existente. Talvez este não seja o momento, mas no próximo ano, certamente, deveremos apresentar algum projeto.

Acredito que todos os Deputados que aprovaram o modelo de concessão dos pólos rodoviários, pela experiência adquirida em todos esses anos, estão começando a se convencer da injustiça que se está cometendo.

O pagamento de pedágios estaduais na ida e na volta foi proposto a pedido do Sindicato dos Transportadores de Carga, e predominou a visão de que somente esses condutores seriam beneficiados. No entanto, cada um dos demais usuários de estradas está sendo penalizado, basta ver o fluxo de veículos no pedágio ilegal instalado entre as cidades de Farroupilha e Caxias do Sul, o qual, por decisão do Supremo Tribunal Federal, está inviabilizado – aliás, faço votos de que aquela praça não volte a funcionar nunca mais e fique como monumento à irresponsabilidade e à incompetência existente quando da instalação daqueles pólos de pedágio.

Temos de rever, sim, todo o modelo de concessões implantado no Estado e que está prejudicando cada vez mais a população.

Recordo que, logo no início, a região de Pelotas não tinha pedágio. Assim que foram instalados os pedágios, começou a haver reclamações significativas, tanto que tínhamos marcado, a pedido da comunidade de Pelotas, uma audiência pública da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos a ser realizada na próxima terça-feira – a qual teremos que suspender devido à pauta da Assembléia Legislativa para a semana que vem – para tratar especificamente dos pólos de pedágio da região de Pelotas. No início, parecia que estava tudo bem, que não iria interferir na vida diária dos cidadãos. No entanto, com a implantação daquele pólo, houve reclamações significativas.

Estamos cada vez mais convencidos de que, se não revermos o modelo de pólos rodoviários implantados no nosso Estado, o prejuízo e a injustiça vão-se instaurar. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Continua em discussão o Projeto de Lei nº 267/2001. (pausa) Por solicitação do Deputado Paulo Azeredo, concedo a palavra a S. Exa. para discutir a matéria.


O SR. PAULO AZEREDO (PDT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Cumprimento o Deputado Abílio dos Santos pelo equilíbrio e justiça que busca através de seu Projeto.

Um caminhão carreta carregado leva 27 mil quilos de carga ou 30 mil quilos, se for cavalo trucado – o Deputado Aloísio Classmann também entende dessa questão –, tendo uma carga bruta total de mais de 40 toneladas e, quando vazio, pesa em torno de 15 toneladas. Quando carregado, pesa mais de 40 toneladas; vazio, 15 toneladas, mas paga o mesmo valor.

O proprietário de caminhão que tem recursos adquire um balão pneumático e levanta os dois eixos, fazendo com que o caminhão, quando volta vazio, tenha 15 toneladas em cima de um eixo, pagando, portanto, pedágio sobre apenas um eixo. Alguns levantam apenas um eixo, deixando dois. E quem não tem 700 reais para instalar um sistema de balão pneumático de suspensão dos eixos paga sobre os três eixos.

Portanto, este Projeto para caminhões vazios, carretas ou caminhões trucados que também suspendem um eixo vem fazer justiça em relação ao caminhão que volta sem frete, mas que, da mesma forma, é onerado pelo valor do pedágio. Hoje, um caminhão carreta, da nossa Região a Rio Grande, paga em torno de 63 reais de pedágio. É um custo elevado.

O Projeto de V. Exa. , Deputado Abílio dos Santos, faz justiça no tocante à distribuição da tonelagem que transita em nossas rodovias e também aos caminhões vazios, que, com certeza, danificam menos as rodovias, e conseqüentemente devem pagar um pedágio menor. Votaremos favoravelmente a este Projeto meritório, que atende às necessidades de todos aqueles que transitam em nossas estradas levando as riquezas do nosso Estado. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador. )


O SR. PRESIDENTE. (João Osório – PMDB) – Continua em discussão o Projeto de Lei nº 267/2001. (pausa) Não havendo manifestação de mais nenhum dos Deputados, encerro a discussão.

Informo aos Srs. Parlamentares que, se não houver quórum, estará encerrada a Ordem do Dia.


O SR. IVAR PAVAN (PT) – Sr. Presidente, havia uma praxe nesta Casa, que foi adotada por longo período, segundo a qual, quando não se obtinha quórum na primeira votação, se repetia a votação na tentativa de obter-se o quórum necessário. Era praxe, e acredito que faça parte do Regimento desta Casa.


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Nobre Deputado, a atual administração da Mesa não tem seguido esta norma. Portanto, se não atingirmos os 28 votos, será encerrada a Ordem do Dia.

Em votação o Projeto de Lei nº 267/2001. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

(Procede-se à votação pelo painel eletrônico.)

Partido UF PARLAMENTAR VOTO
PPB RS ÉRICO RIBEIRO S
PTB RS MANOEL MARIA S
PPB RS JOSÉ FARRET S
PPB RS VALDIR ANDRES S
PPB RS VILSON COVATTI S
PMDB RS ALEXANDRE POSTAL S
PPS RS CÉZAR BUSATTO N
PMDB RS JOÃO OSÓRIO N
PPS RS PAULO ODONE S
PC DO B RS JUSSARA CONY N
PTB RS ABÍLIO DOS SANTOS S
PTB RS ALOÍSIO CLASSMANN S
PTB RS EDEMAR VARGAS S
PTB RS IRADIR PIETROSKI S
PPB RS ADOLFO BRITO S
PTB RS OSMAR SEVERO S
PTB RS PAULO MOREIRA S
PDT RS CIRO SIMONI S
PDT RS GIOVANI CHERINI S
PDT RS PAULO AZEREDO S
PDT RS VIEIRA DA CUNHA S
PT RS CECÍLIA HYPÓLITO N
PT RS DIONILSO MARCON N
PT RS EDSON PORTILHO N
PT RS IVAR PAVAN N
PT RS LUCIANA GENRO N
PT RS LUIS F. SCHMIDT N
PPS RS BERNARDO DE SOUZA N
PSDB RS ADILSON TROCA S.
.

O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Com 19 votos favoráveis e 10 votos contrários, está aprovado o Projeto de Lei nº 267/200l.

Em discussão e votação o Projeto de Lei nº 216/2001, do Deputado Adroaldo Loureiro: Institui a Semana Estadual de Promoção da Saúde Bucal no Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências. O Projeto entra na Ordem do Dia de acordo com o art. 63 da Constituição Estadual.

Em discussão. (pausa) Não havendo manifestação de nenhum dos Deputados, encerro a discussão.

Em votação. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

(Procede-se à votação pelo painel eletrônico. )

Partido UF PARLAMENTAR VOTO
PTB RS MANOEL MARIA S
PPB RS JOSÉ FARRET S
PPB RS VALDIR ANDRES S
PPB RS VILSON COVATTI S
PMDB RS ALEXANDRE POSTAL S
PPS RS BERFRAN ROSADO S
PPS RS CÉZAR BUSATTO S
PMDB RS ELMAR SCHNEIDER S
PPS RS IARA WORTMANN S
PMDB RS JOÃO OSÓRIO S
PPS RS PAULO ODONE S
PC DO B RS JUSSARA CONY S
PTB RS ABÍLIO DOS SANTOS S
PTB RS ALOÍSIO CLASSMANN S
PTB RS EDEMAR VARGAS S
PTB RS IRADIR PIETROSKI S
PTB RS OSMAR SEVERO S
PTB RS PAULO MOREIRA S
PDT RS CIRO SIMONI S
PDT RS GIOVANI CHERINI S
PDT RS PAULO AZEREDO S
PDT RS VIEIRA DA CUNHA S
PT RS CECÍLIA HYPÓLITO S
PT RS DIONILSO MARCON S
PT RS EDSON PORTILHO S
PT RS IVAR PAVAN S
PT RS LUCIANA GENRO S
PT RS LUIS F. SCHMIDT S
PT RS MARIA DO ROSARIO S
PT RS ROQUE GRAZZIOTIN S
PPS RS BERNARDO DE SOUZA S
PSDB RS ADILSON TROCA S
PFL RS GERMANO BONOW S.
.

O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Com 33 votos favoráveis e nenhum voto contrário, está aprovado o Projeto de Lei nº 216/2001.

Passaremos a apreciar o Projeto de Lei nº 138/2001, do Deputado Mário Bernd.


O SR. BERNARDO DE SOUZA (PPS) – Sr. Presidente, em nome do nobre Deputado Mário Bernd, que não está presente porque está atendendo uma consulta médica com seu filho, solicito a V. Exa. a retirada do Projeto de Lei nº 138/2001, de sua autoria, da Ordem do Dia de hoje, se consenso houver, e sua transferência para a semana que vem, até porque S. Exa. não está presente e, segundo consta, já há um Decreto governamental na linha da sua proposta, que o Deputado Mário Bernd deseja examinar com mais calma.

O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Solicito aos Líderes de Bancada que se manifestem quanto à proposição apresentada pelo Deputado. (pausa) Havendo a concordância unânime de S. Exas. , está retirado da pauta da Ordem do Dia de hoje o Projeto de Lei nº 138/2001.

Em discussão e votação o Projeto de Lei nº 212/2000, do Deputado Alexandre Postal: Cria o Programa Estadual para o Desenvolvimento da Apicultura – Proapis – no Rio Grande do Sul. O Projeto entra na Ordem do Dia de acordo com o art. 63 da Constituição Estadual.

Em discussão. (pausa) Não havendo manifestação de nenhum dos Deputados, encerro a discussão.

Em votação. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

(Procede-se à votação pelo painel eletrônico. )

Partido UF PARLAMENTAR VOTO
PPB RS ÉRICO RIBEIRO S
PTB RS MANOEL MARIA S
PPB RS FREDERICO ANTUNES S
PPB RS JOSÉ FARRET S
PPB RS VALDIR ANDRES S
PPB RS VILSON COVATTI S
PMDB RS ALEXANDRE POSTAL S
PMDB RS ELMAR SCHNEIDER S
PMDB RS JOÃO OSÓRIO S
PMDB RS JOSÉ IVO SARTORI S
PPS RS PAULO ODONE S
PC DO B RS JUSSARA CONY N
PTB RS ALOÍSIO CLASSMANN S
PTB RS EDEMAR VARGAS S
PTB RS IRADIR PIETROSKI S
PTB RS OSMAR SEVERO S
PTB RS PAULO MOREIRA S
PDT RS CIRO SIMONI S
PDT RS GIOVANI CHERINI S
PDT RS JOÃO LUIZ VARGAS S
PDT RS PAULO AZEREDO S
PDT RS VIEIRA DA CUNHA S
PT RS CECÍLIA HYPÓLITO N
PT RS DIONILSO MARCON N
PT RS EDSON PORTILHO N
PT RS IVAR PAVAN N
PT RS LUCIANA GENRO N
PT RS LUIS F. SCHMIDT N
PT RS MARIA DO ROSARIO N
PT RS ROQUE GRAZZIOTIN N
PPS RS BERNARDO DE SOUZA N
PSDB RS ADILSON TROCA S.
.

O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Com 22 votos favoráveis e 10 votos contrários, está aprovado o Projeto de Lei nº 212/2000.


O SR. BERNARDO DE SOUZA (PPS) – Sr. Presidente, pelo que consta em minhas anotações, deveremos votar agora, após o anúncio de V. Exa., a Proposta de Emenda à Constituição nº 115/2001.

Solicito a V. Exa. que, antes de apregoar a matéria, proceda à verificação de quórum pelo painel eletrônico. A votação de uma emenda constitucional requer um quórum especial, e desejo verificar o quórum existente para saber se mantenho a Proposta ou solicito a sua retirada, para ser votada em outro dia.


O SR. PRESIDENTE. (João Osório – PMDB) – Esta Presidência acata a solicitação de V. Exa. Procederemos à verificação de quórum logo após a manifestação do Deputado Paulo Azeredo.

Por solicitação do Deputado Paulo Azeredo, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.


O SR. PAULO AZEREDO (PDT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Viajamos, neste ano, para a Espanha. Lá, de Sevilha a Madri, percorremos 550 quilômetros em duas horas e quinze minutos num trem-bala.

Analisando o contexto do nosso Estado, de nosso Litoral, e sabendo que milhares de pessoas se deslocam, durante o verão, em direção às praias gaúchas e catarinenses, convidamos os nossos Pares para o lançamento de uma proposta de criação do trem-bala gaúcho. Esse trem-bala inicialmente cobriria o percurso de Porto Alegre a Torres e, posteriormente, chegaria até Florianópolis, em Santa Catarina, até São Paulo e, mais tarde, à Metade Sul do Estado, dirigindo-se à Argentina, buscando o Mercosul.

Com essa visão de futuro, integraremos a Argentina e o Uruguai ao Centro do País, a São Paulo, por meio de um trem-bala, a um custo menor do que os aviões, contando com maior segurança e com rapidez. Num trem que viajasse a 350 quilômetros por hora, levaríamos cerca de 45 minutos para ir de Porto Alegre a Torres, a um custo aproximado ao de uma passagem de ônibus executivo, e num tempo de três a quatro vezes menor.

Estaremos lançando essa idéia em nossa reunião da Comissão de Segurança e Trafegabilidade da Malha Rodoviária do Rio Grande do Sul, quinta-feira, dia 13, nesta Assembléia Legislativa, às 10 horas, no plenarinho. Podemos mencionar alguns benefícios que serão obtidos com essa implantação, dentre os quais está o desenvolvimento da Região Sul do Brasil. O trem-bala seria pioneiro no nosso País e no Rio Grande do Sul.

Esse investimento tornará a Região Sul um dos principais pólos turísticos do País, criando milhares de empregos; aquecendo a economia nos setores metalúrgico, turístico, de prestação de serviços, imobiliário e de telecomunicações; diminuindo o movimento das estradas e, conseqüentemente, o número de acidentes; retomando o investimento em transporte ferroviário no Brasil; fortalecendo o Mercosul; facilitando o deslocamento para o Litoral; e aumentando consideravelmente o movimento nas praias gaúchas.

As justificativas são: Porto Alegre é a Capital do Mercosul; haverá a diminuição da poluição; será o primeiro passo para tornar o Rio Grande do Sul um Estado de Primeiro Mundo; propiciará o encurtamento da distância entre Porto Alegre e cidades vizinhas, com possível ligação com Montevidéu, Buenos Aires e São Paulo, ajudando a atrair investimentos para o Rio Grande do Sul.

Os principais benefícios quanto aos fatores econômicos nacionais são: redução expressiva no consumo de combustível; interesse do Brasil em fortalecer o Mercosul; atrair investimentos estrangeiros; tornar a Região Sul um pólo turístico internacional.

Quanto aos fatores ambientais, destacam-se a energia limpa e a preservação das reservas de petróleo.

Quanto aos fatores políticos internacionais: aumento do prestígio do Brasil junto à comunidade internacional; aumento da credibilidade brasileira em relação aos Estados Unidos em caso de contratação da Empresa Talgo Internacional – americana.

Relativamente à aprovação do Projeto na Assembléia Legislativa, haveria inúmeras vantagens, como, por exemplo, no setor metalúrgico, com o fornecimento de matéria-prima para construção da ferrovia, reforçando as empresas gaúchas.

No dia 13 de dezembro, às 10 horas, quando for lançado na Assembléia Legislativa este Projeto, teremos oportunidade de enumerar todos os demais benefícios que poderão advir para o nosso Estado. Trata-se de uma sugestão de futuro. O Governo Federal e Estadual, assim como a iniciativa privada, teriam um tempo para a concessão do trem-bala gaúcho.

O Rio Grande do Sul, pioneiramente, poderá sair rumo ao Centro do País e ao Mercosul. Com esse Projeto, estaremos buscando a redução de acidentes, o desenvolvimento do nosso Estado, a geração de empregos e o aumento da renda. Esse é o futuro. É preciso sonhar. Sonhar é preciso; sonhar é viver. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Atendendo a solicitação do Deputado Bernardo de Souza, vamos proceder à verificação de quórum. Solicito aos Deputados que registrem sua presença pelo painel eletrônico.

(Procede-se à verificação de quórum.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Presentes 29 Deputados, há quórum para deliberação.


O SR. BERNARDO DE SOUZA (PPS) – Sr. Presidente, solicito que a Proposta de Emenda à Constituição nº 115/2001, do Deputado João Luiz Vargas, seja apreciada na próxima Sessão, tendo em vista que não haverá quórum para a sua aprovação.


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Solicito aos Líderes de Bancada que se manifestem quanto à proposição apresentada pelo Deputado. (pausa) Havendo a concordância unânime de S. Exas., declaro retirada da Ordem do Dia de hoje a Proposta de Emenda à Constituição nº 115/2001, transferindo-a para a pauta da próxima Sessão.


O SR. VILSON COVATTI (PPB) – Sr. Presidente, solicito que a Proposta de Emenda à Constituição nº 109/2001, do Deputado Érico Ribeiro, seja apreciada na próxima Sessão.


O SR. PRESIDENTE. (João Osório – PMDB) – Solicito aos Líderes de Bancada que se manifestem quanto à proposição apresentada pelo Deputado. (pausa) Havendo a concordância unânime de S. Exas., declaro retirada da Ordem do Dia de hoje a Proposta de Emenda à Constituição nº 109/2001, transferindo-a para a pauta da próxima Sessão.

Em votação o Requerimento de dispensa de publicação e interstício para a imediata votação da redação final dos Projetos de Lei nºs 212/2000, 216/2001 e 267/2001, ora aprovados, Requerimento este assinado pela Deputada Maria do Rosário. Os Deputados que o aprovarem permaneçam sentados.(pausa) Aprovado.

Em votação a redação final dos Projetos referidos no Requerimento ora aprovado. Os Deputados que a aprovarem permaneçam sentados. (pausa) Aprovada.


O SR. VILSON COVATTI (PPB) – Sr. Presidente, é visível que, após a última verificação de quórum, Deputados se ausentaram do plenário. Gostaríamos que fosse feita uma nova verificação de quórum antes de o próximo Requerimento ser apreciado.

O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Procederemos à verificação de quórum logo após o próximo pronunciamento.

Por solicitação do Deputado Ivar Pavan, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.


O SR. IVAR PAVAN (PT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Deputado Vilson Covatti, é exatamente para dialogar sobre este tema com as Lideranças e com os Parlamentares desta Casa que venho à tribuna. O Requerimento a ser apreciado tem o objetivo de incluir na Ordem do Dia um Projeto que está em construção.

Ainda pela manhã, houve um debate sobre o assunto, e uma das reivindicações importantes desta Casa foi atendida pelo Sr. Secretário. Alguns Parlamentares reclamaram que os tributos constavam no Projeto e os benefícios não. O Secretário se comprometeu a enviar à Assembléia uma Emenda fixando a Receita, a Despesa, os tributos, bem como os fundos. Então, dessa forma, estará sendo atendida a reivindicação feita pelos Parlamentares.

Estamos diante do limite de tempo, e as Bancadas de Oposição, que são maioria nesta Casa, têm condições de permitir que isso se concretize ou não. O Governo continua aberto ao debate, com o objetivo de construir uma alternativa que sirva para viabilizar um Projeto da mais alta importância para incentivar o crescimento econômico e a geração de empregos no Rio Grande do Sul.

As Lideranças de Oposição têm autonomia inclusive para fazer o que percebo que começa a ocorrer aqui: esvaziar o plenário, deixando-nos uma alternativa muito mais restrita. Por exemplo, no caso de não ocorrer a votação hoje, sobra-nos a opção de incluirmos o Projeto na Ordem do Dia da próxima terça-feira ou de uma Sessão Extraordinária, convocada pela própria Casa, ainda dentro do período legislativo, no dia 14, sexta-feira.

Como Deputado da base do Governo, coloco-me à disposição para voltar a conversar com todas as Bancadas que tenham o desejo de oferecer contribuições para construirmos essa alternativa. Não é bom para a política que se faça o bloqueio do debate.

Apelo no sentido de que cada posição política possa aqui ser expressa e de que o Projeto possa ser discutido, para que as sugestões possam ser incorporadas ou não a ele. Faço esse apelo porque acredito que já há uma maioria nesta Casa francamente favorável a essa proposição, mas temos essa dificuldade de os Parlamentares não permitirem a sua inclusão para apreciação, o que dificulta a sua tramitação.

Repito: não havendo quórum hoje, sobra-nos a alternativa de terça-feira. Há cada vez menos alternativas, mas o nosso desejo continua, a nossa disposição também, com o objetivo de ouvirmos as sugestões e de encontrarmos novas alternativas. Isso porque temos certeza de que grande parte da população gaúcha, de modo especial setores da maior importância, geradores de emprego, geradores de desenvolvimento, a Região Sul do nosso Estado, todos estão esperando ansiosamente que a Assembléia Legislativa discuta, vote e aprove esse Projeto, com os aperfeiçoamentos necessários que possam ser feitos.

Portanto, acredito que o Parlamento Gaúcho não vai fugir a essa responsabilidade de discutir e de garantir que a nossa sociedade possa ver viabilizada essa redistribuição de recursos tributários. Não é um Projeto de aumento de tributos, mas, sim, de diminuição de carga tributária, e, por conta disso, não há justificativa que possa fazer com que a Assembléia Legislativa não queira discuti-lo e votá-lo. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Atendendo à solicitação do nobre Deputado Vilson Covatti, solicito aos Deputados que registrem sua presença pelo painel eletrônico.

(Procede-se à verificação de quórum.)

O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Não havendo quórum, declaro encerrada a Ordem do Dia.

Passo ao período das

COMUNICAÇÕES



O primeiro Orador inscrito é Deputado Elvino Bohn Gass. (pausa) Por cessão de tempo, concedo a palavra à Deputada Luciana Genro.


A SRA. LUCIANA GENRO (PT) – Sr. Presidente e Srs. Deputados:

Ontem, na Câmara dos Deputados, infelizmente tivemos a aprovação da Emenda Constitucional que flexibiliza os direitos trabalhistas. É muito interessante esse conceito de flexibilizar direitos trabalhistas, porque direitos, se são flexíveis, não são direitos, são meras possibilidades, assim como também não existem obrigações flexíveis. Se uma obrigação é flexível, ela não é uma obrigação.

O que a Câmara dos Deputados votou ontem foi, na verdade, um ataque aos direitos trabalhistas contidos na CLT e um ataque à própria Constituição Federal. Por isso, desta tribuna, solidarizo-me com o Deputado Paulo Paim, nosso futuro Senador do Rio Grande, que, através do seu gesto de arrancar uma página da Constituição Federal, mostrou o que essa proposta do Governo Federal está fazendo com a nossa Constituição: rasgando-a, rasgando direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora em décadas de lutas.

Alguns exemplos são claros para mostrar como essa proposta trará prejuízos aos trabalhadores: o adicional noturno e a sua proporcionalidade poderão ser negociados, assim como as horas-extras e o descanso semanal; as férias poderão ser divididas e parceladas, o que pode diluir esse dinheiro, que é um refúgio fundamental dos trabalhadores no seu aperto financeiro; os salários poderão ser reduzidos, tornando o que hoje já é praticado por muitas empresas uma prática ainda mais comum.

E tudo isso em nome, em tese, de uma futura geração de empregos, como se fossem os direitos trabalhistas que estivessem impedindo o Brasil de crescer, impedindo as empresas de aqui investir, impedindo os empresários brasileiros de investir e gerar mais empregos. Sabemos que isso é uma absoluta mentira.

Um país com uma política de juros altíssimos jamais terá investimentos produtivos. Não compensa ao empresariado investir na produção, quando pode ganhar mais no mercado financeiro. Lamentavelmente essa é a realidade. É assim que age o nosso empresariado diante dessa nefasta política econômica do Governo Federal.

Sr. Presidente, existem alguns exemplos muito claros que demonstram que a flexibilização dos direitos trabalhistas não trouxe nenhum ganho aos trabalhadores. Um estudo divulgado pela Prefeitura de São Paulo demonstra que em 15 países membros da Organização de Cooperação de Desenvolvimento Econômico – OCDE – o nível de emprego parcial passou de 14,1%, antes da reforma trabalhista, para 15,2%, e a taxa de desemprego cresceu nesses países, na média, de 6,1% para 6,8%.

Vejamos, por exemplo, o caso da Alemanha, onde a taxa de desemprego era de 4,8%, antes da reforma trabalhista, e, após, passou a ser de 8,7%. No Japão, a taxa de desemprego era de 2,1% e passou a ser de 4,7%. Isso comprova que a diminuição do desemprego através das reformas trabalhistas e da flexibilização de direitos é uma mentira.

Na América Latina, temos o exemplo da Argentina, onde a taxa de desemprego era de 7,5% antes da reforma que flexibilizou os direitos trabalhistas, jogando-os na lata do lixo, passando, depois, para 14,3%. No Chile, era de 7,4% antes da reforma trabalhista, passando, depois, para 9,8%.

Vimos, também, o terrível crescimento do emprego parcial, isto é, do emprego temporário, do emprego precário, do emprego sem direitos. Na Alemanha, o índice de emprego parcial passou de 10,5% para 15%. No Japão, passou de 16,5% para 23,2%. Essa é a realidade.

Para que conste nos anais e para que a população gaúcha tome conhecimento, cito o nome dos Parlamentares que votaram a favor dessa ataque aos direitos trabalhistas: Deputados Darcísio Perondi, Júlio Redecker, Luis Carlos Heinze, Nelson Marchezan, Telmo Kirst e a Deputada Yeda Crusius. Eles, com certeza, receberão o troco nas urnas de 2002. Muito obrigada. (Não revisado pela Oradora.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Com a desistência antecipada dos Deputados João Fischer, Luis Augusto Lara, Kalil Sehbe, Bernardo de Souza e Alexandre Postal, a próxima inscrição pertence ao Deputado Ivar Pavan. Por cessão de tempo, concedo a palavra ao Deputado Edson Portilho.


O SR. EDSON PORTILHO (PT) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Saúdo os funcionários desta Casa e os teles-pectadores que acompanham as nossas Sessões.

Venho a esta tribuna me solidarizar com o pronunciamento da Deputada Luciana Genro. É preocupação do nosso Partido, da nossa Bancada e também do nosso Governo as lutas históricas e as conquistas que os trabalhadores brasileiros vêm travando em defesa do patrimônio público e das leis trabalhistas.

O que deveria ser discutido no Congresso Nacional é a ampliação dessas conquistas, e não o seu desmonte, como vem sendo feito pelo projeto neoliberal, capitalista e selvagem implantado em nosso País e em toda a América do Sul.

Temos que continuar lutando contra esses abusos e desmandos. Certamente os trabalhadores brasileiros estão, hoje, repudiando essa atitude, principalmente a dos Deputados gaúchos que tiveram a cara-de-pau de votar contra os interesses dos trabalhadores.

Precisamos denunciar esses fatos em panfletos, organizar painéis da CUT, do PT, da Frente Popular e divulgar amplamente, no Rio Grande do Sul, o nome dos Deputados que traíram a classe trabalhadora e que, nas eleições de 2002, certamente, irão pedir o voto dos mesmos trabalhadores que traíram na noite de ontem.

Vamos continuar lutando e resistindo para garantir as conquistas e os direitos que paulatinamente o desgoverno de FHC vem retirando dos trabalhadores. Enquanto isso, em nosso Estado resistimos – e o estamos enfrentando – ao desemprego com projetos de inclusão social, com projetos na área do trabalho, com o Programa Primeiro Emprego, o Programa Família Cidadã e de Garantia de Renda Mínima Familiar, e outros importantes, que o Governo Democrático Popular vem lutando para implementar no sentido de gerar, sim, mais emprego, melhor distribuição de renda e condição de vida para a nossa população.

Sr. Presidente, não poderia deixar, na tarde de hoje, de ocupar esta tribuna para dizer que os trabalhadores gaúchos e brasileiros estão muito atentos ao que está acontecendo no Congresso Nacional, principalmente à votação que infelizmente ocorreu no dia de ontem. Vamos continuar lutando e resistindo, porque queremos mudar a sociedade, transformá-la e acabar com esse capitalismo selvagem, com o neoliberalismo que tem destruído nações como o México, a Argentina e outros países da América Latina.

Haverá eleições no Brasil no próximo ano. Será mais uma disputa de projeto. De um lado, estarão aqueles que estão junto ao poder nesses 500 anos de existência do País, os poderosos, os grandes empresários, os latifundiários, os donos do capital e os banqueiros; de outro, o povo, os excluídos, os trabalhadores e aqueles que não tiveram, ao longo da história deste País, a oportunidade de governar e transformar a sociedade, dando oportunidade a todos.
Sr. Presidente, solicito a transcrição nos anais desta Casa de matéria sobre esse tema, da jornalista Rosane de Oliveira, intitulada Urgência desnecessária, publicada no jornal Zero Hora; e do resultado da votação que ocorreu ontem na Câmara dos Deputados, na qual consta o nome de todos os Deputados gaúchos e seu respectivo voto.

Agradeço a atenção a todos e registro que o nosso mandato está voltado também para atender às necessidades dos excluídos, dos negros, das mulheres, às demandas da área da educação e da saúde. Entendemos que essa discriminação também está ligada ao capitalismo. Só conseguiremos romper com esses preconceitos e com essas discriminações se conseguirmos transformar a sociedade, tornando-a justa, igualitária, socialista e anti-racista. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Defiro a solicitação de V. Exa.

(Matéria entregue para transcrição. )

Urgência desnecessária

Rosane de Oliveira
Editora de Política
rosane.oliveira@zerohora.com.br

Tanta pressa em votar as mudanças na CLT deixou a impressão de que haverá uma chuva de investimentos no Brasil a partir do momento em que o projeto virar lei. Improvável. A alteração não é suficiente para compensar a falta de competitividade do Brasil, em especial os juros altos e a elevada carga tributária.

A mudança aprovada preserva direitos assegurados na Constituição, na lei do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e na legislação previdenciária. Em outras palavras, o acordo coletivo não pode alterar regras da aposentadoria, nem o percentual de 8% do depósito do FGTS, nem a contribuição para o INSS, nem as férias de 30 dias. O que muda é a forma como serão concedidos benefícios cuja regulamentação é feita por lei ordinária.

Se muda pouco, por que a oposição e a Central Única dos Trabalhadores fizeram tanto estardalhaço? Porque conhecem a fragilidade dos sindicatos e temem sair perdendo nas negociações. Temem que tenha sido aberta uma porteira na legislação trabalhista e por onde passa um boi logo esteja passando uma boiada.

Uma das possibilidades abertas pela mudança na CLT, a de fracionar as férias em três ou mais vezes, é objeto de uma proposta de autoria do deputado Aloisio Mercadante, do PT. Esse projeto prevê que as férias poderão ser gozadas em três períodos de 10 dias – coisa que muitos empregados já fazem, à revelia da lei, por acordo direto com as empresas.

Com a aprovação do projeto, o governo conseguiu atualizar o mapa da fidelidade. Aliados que votaram a favor, mesmo correndo o risco de ver seu nome e fotografia estampados nos cartazes da CUT e chamados de traidores nos carros de som da campanha, terão a gratidão do Palácio do Planalto. Por gratidão entenda-se liberação de recursos de emendas ao Orçamento, cargos e benesses. Como das outras vezes em que a base do governo foi submetida a testes.


O VOTO DOS GAÚCHOS

Deputado Partido Voto
Adão Pretto PT Não
Airton Dipp PDT Não
Alceu Collares PDT Não
Ana Corso PT Não
Cézar Schirmer PMDB Não
Clóvis Ilgenfritz PT Não
Darcísio Perondi PMDB Sim
Edir Oliveira PTB Não
Enio Bacci PDT Não
Esther Grossi PT Não
Ezídio Pinheiro PSB Não
Fetter Júnior PPB Não
Fioravante PT Não
Germano Rigotto PMDB Não
Henrique Fontana PT Não
Júnio Redecker PPB Sim
Luis Carlos Heinze PPB Sim
Marcos Rolim PT Não
Mendes Ribeiro Filho PMDB Não
Nelson Marchesan PSDB Sim
Nelson Proença PPS Não
Orlando Desconsi PT Não
Osmar Terra PMDB Não
Osvaldo Biolchi PMDB Não
Paulo José Gouvea PL Não
Paulo Paim PT Não
Pompeo de Mattos PDT Não
Telmo Kirst PPB Sim
Yeda Crusius PSDB Sim
Total: 29 deputados


O SR. PRESIDENTE (João Osório – PMDB) – Com a desistência antecipada dos Deputados José Farret, Manoel Maria, Paulo Azeredo, Elmar Schneider, José Gomes, Marco Peixoto, Osmar Severo, Onyx Lorenzoni e Jorge Gobbi, não havendo mais Oradores inscritos, estão encerradas as Comunicações.

Passo às

EXPLICAÇÕES PESSOAIS



Não havendo Oradores inscritos para este período, declaro encerrada a presente Sessão, convocando os Deputados para outra, amanhã, à hora regimental.

(Levanta-se a Sessão às 18h05min. )

Estiveram presentes a esta Sessão os seguintes Parlamentares:

Bancada do PT: Deputados Cecilia Hypolito; Dionilso Marcon; Edson Portilho; Ivar Pavan; Luciana Genro; Luis Fernando Schmidt; Maria do Rosário; Roque Grazziotin.

Bancada do PPB: Deputados Adolfo Brito; Érico Ribeiro; Francisco Appio; Frederico Antunes; João Fischer; José Farret; Marco Peixoto; Otomar Vivian; Valdir Andres; Vilson Covatti.

Bancada do PTB: Deputados Abílio dos Santos; Aloísio Classmann; Edemar Vargas; Iradir Pietroski; Luis Augusto Lara; Manoel Maria; Osmar Severo; Paulo Moreira.

Bancada do PDT: Deputados Ciro Simoni; Giovani Cherini; João Luiz Vargas; Kalil Sehbe; Paulo Azeredo; Vieira da Cunha.

Bancada do PPS: Deputados Bernardo de Souza; Berfran Rosado; Cézar Busatto; Iara Wortmann; Paulo Odone.

Bancada do PMDB: Deputados Alexandre Postal; Elmar Schneider; Jair Foscarini; José Ivo Sartori; João Osório.

Bancada do PFL: Deputado Germano Bonow.

Bancada do PSDB: Deputado Adilson Troca.

Bancada do PC do B: Deputada Jussara Cony.