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Está inscrito o Deputado Kalil Sehbe.
Por permuta de tempo, concedo a palavra ao Deputado José Gomes.
O
SR. JOSÉ GOMES (PT) Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
O Rio Grande do Sul tem-se caracterizado, nos últimos três anos, por ser um Estado de gestão democrática e participativa, demarcada pelo Orçamento Participativo e pela implementação de política de inclusão social calcada no desenvolvimento econômico sustentável e solidário.
O Governo Democrático e Popular tem como estratégia recuperar e fomentar o desenvolvimento econômico viável e ecologicamente sustentável em todos os setores. A atuação atende a três eixos básicos: reforço à matriz produtiva, fomento a novos surgimentos estratégicos e formação de uma economia popular e solidária.
O Governo tem procurado, nos últimos três anos, estabelecer um diálogo com a sociedade, que vem mudando a face do nosso Estado. De 1999 a 2000, o Rio Grande é o Estado que apresenta o maior crescimento, inclusive na participação popular. Se é verdade que a desvalorização do câmbio nos ajudou, não se pode negar que as ações do Governo Democrático e Popular foram fundamentais e deram ao Rio Grande o diferencial de resultados positivos.
Tivemos um crescimento do PIB na ordem de 3,6% mais de quatro vezes superior ao nacional. O Rio Grande do Sul terminou o ano de 2000 com um crescimento ainda maior, de 4,6%. Esses dados confirmam a importância de se manter uma política de desenvolvimento que estimula a estrutura produtiva já existente e provoca o desenvolvimento com que tanto sonhamos.
Nosso Estado colheu a maior safra de sua história. Chegamos à produção de 18 bilhões de toneladas de grãos.
O significativo crescimento da exportações gaúchas em 2000, que apresentou um aumento de 15,6% em relação a 1999, reforça as ações de incentivo à exportação desenvolvidas por meio do Programa de Feiras Setoriais, que têm promovido a nossa indústria no exterior.
É importante dizer que o apoio à matriz produtiva existente e aos setores locais de produção fizeram com que, por meio de um programa do Governo do Estado, chamado Extensão Empresarial, fossem atendidos durante o ano de 2000 nada mais nada menos que 5.449 micro, pequenos e médios empresários, envolvendo 72 mil trabalhadores em todo o Estado do Rio Grande do Sul. Houve também por parte deste Governo o Crédito Assistido, projeto que vem atendendo e já atendeu a mais de 1.643 empresas em 205 Municípios, para as quais foram liberados em torno de 17,5 milhões de reais, uma média de 10,3 mil reais para cada empreendimento.
O apoio às exportações e disse há pouco que esse foi um dos fatores de desenvolvimento de nossa indústria viabilizou a participação de 450 empresas gaúchas em feiras ou missões internacionais, todas elas de negócios, criando 4 mil novos empregos ou mais e gerando vendas, até dezembro do ano passado, que superaram 45 milhões de reais.
A estimativa de crescimento de ICMS, gerado por mais de sete mil negócios fechados, é quatro vezes maior do que o valor do investimento no programa.
Quanto à modernização tecnológica, o Governo investiu no Projeto de Apoio aos Pólos de Inovação Tecnológica. Também reafirmou investimentos, por meio de contratos e convênios, voltados à pesquisa agrícola com ênfase na agroecologia , à informática e ao desenvolvimento regional. Neste ano, o Governo pretende investir mais de 10 milhões de reais no setor da modernização tecnológica.
Para a reforma agrária, tão debatida nesta Casa e criticada por setores conservadores, o Governo já adquiriu até agora mais de 70 mil hectares, tendo assentado aproximadamente quatro mil famílias sem terra. O programa desenvolvido pelo Governo garante não somente terra, mas também crédito, assistência técnica e, principalmente, infra-estrutura básica moradia, água, luz, estradas, saúde e educação , tendo investido em torno de 100 milhões de reais. Isso significa que, entre 1980 e 1998 18 anos, portanto , os governos que passaram investiram nesse setor o ínfimo valor de 1 milhão de reais. Vejam a diferença com que estamos tratando esse setor!
O Programa da Agroindústria Familiar já financiou projeto no valor total de mais de 3 milhões e 200 mil reais, beneficiando mais de 1.761 famílias de pequenos produtores rurais
Pelo Programa RS-Rural e RS-Especial, foram investidos 62,1 milhões de reais, beneficiando mais de 62 mil famílias de pequenos e médios produtores, pescadores artesanais, assentados e indígenas.
No Programa Vitivinicultura, já foram investidos mais de 21 milhões de reais, beneficiando 937 famílias e 323 cooperativas e vinícolas.
O Programa Troca-Troca, em 1999, beneficiou 146 mil famílias; em 2000, 176 mil famílias; e, em 2001, espera-se que alcance mais de 200 mil famílias.
Na infra-estrutura para desenvolvimento econômico, até outubro deste ano, já investimos 640 milhões de reais em obras rodoviárias, recuperamos a sinalização em mais de 1.500 quilômetros de estradas e já concluímos mais de 300 quilômetros de novas estradas.
As obras do atual Governo, no setor, empregaram mais de 15 mil trabalhadores. Através de Operação Safra, foram recuperados 2.600 quilômetros de estradas não-pavimentadas, com investimento de 16 milhões de reais.
Através da Sulgás, neste Governo, o Rio Grande do Sul já construiu 250 quilômetros de rede dos gasodutos Brasil-Argentina e Bolívia-Brasil, em território gaúcho, número que deverá chegar a 310 quilômetros ainda este ano.
O Programa Emergencial de Obras acrescentou, em tempo recorde, 1.018 megawatts ao sistema elétrico gaúcho, permitindo a esse suportar um recorde histórico de consumo da ordem de 3.945 megawatts. Em transmissão, geração e distribuição, já foram investidos 225,8 milhões de reais.
No que diz respeito à inclusão social, política emergencial de emprego, qualificação de trabalho e educação profissional, o Programa Primeiro Emprego é um dos únicos no Brasil voltado exclusivamente à inclusão de jovens no mercado de trabalho. Até 23 de novembro, esse Programa já viabilizou emprego para mais de 13 mil jovens em 6 mil pequenas e médias empresas, em 364 Municípios.
Com o objetivo de capacitar 25 mil jovens de 16 a 24 anos para o acesso ao trabalho, lançamos o Programa Quero meu Primeiro Emprego. O Panflor/Qualificar-RS, em dois anos, treinou 325 mil trabalhadores em 395 Municípios deste Estado.
O Projeto Família Cidadã já atente hoje 8.373 famílias, que recebem uma renda mínima, em média, de 220 reais, por um período de um ano. Para o Programa, já estão orçados 25 milhões de reais. Isso é muito diferente do que foi estabelecido, em nível nacional, pelo Programa Bolsa Escola, em que, no máximo, uma família pode receber 45 reais, ou seja, 15 reais por cada filho, podendo, no máximo, serem beneficiados três filhos.
Na intermediação de mão-de-obra, foi viabilizado o acesso ao trabalho para mais de 98 mil trabalhadores, sendo que, no ano de 2000, conseguimos atingir o maior número de colocação dos últimos 20 anos.
Quanto ao fomento a segmentos estratégicos e atração e estímulo a novos segmentos, o Programa Gaúcho de Informática possui várias linhas de atração Via Empresa, Software Livre, Rede Escolar Livre , com a constituição do Centro de Excelência em Tecnologia Avançada Ceitec e o Pólo de Informática. O Ceitec começará a operar em 2004, com sede em Porto Alegre.
Quanto ao enfrentamento das disparidades regionais um desafio enfrentado por este Governo estamos buscando alternativas de desenvolvimento para todas as Regiões. Por exemplo: o Pólo Cerâmico da Região da Campanha irá provocar a diferença regional.
No que se refere à formação de economia popular solidária, até outubro de 2001 foram atendidos 230 empreendimentos que geraram ou mantiveram mais de 10 mil postos de trabalho, viabilizando e gerando mais de 3 mil novos postos de trabalho.
É nesse sentido que gostaríamos de estabelecer um debate com esta Assembléia. Os números provam que o Rio Grande do Sul vem mudando a sua face em função de um grande desenvolvimento econômico. Para reforçar o que afirmo, os jornais de hoje, especialmente Zero Hora, na página 24, publica uma matéria intitulada: Economia Gaúcha cresce 5,01% este ano. Esse dado dá a dimensão exata de que os programas e os projetos desenvolvidos por este Governo têm caminhado, não na contramão da história, mas a favor da economia gaúcha.
É lamentável que esta Casa não tenha tido a oportunidade de estabelecer um debate sério sobre as propostas corretas nas quais balizamos a nossa diferença em relação aos demais Governos que administraram este Estado.
A matéria publicada dos jornais Zero Hora, Jornal do Comércio, O Sul e Correio do Povo mostra a verdadeira face da administração do Governo Olívio Dutra no que tange à economia deste Estado.
É importante dizer que enfrentamos dificuldades, sim, porque a Oposição nesta Casa tem mostrado que é pequena quando não debate um tema seriíssimo, como é o caso do novo programa de incentivo ao crescimento do Estado. A alegação no debate é de que de fato o Governo não quer reduzir impostos. Mas os dados que apresentamos, os números que queremos propor à sociedade demonstram que o Governo apresenta uma redução de ICMS no montante de 90 milhões de reais e, ao mesmo tempo, tenta zerar esse déficit. Em quatro itens consegue buscar o resgate desses 90 milhões, principalmente para provocar o desenvolvimento através de fundos para a proteção da pequena e da microempresa, e pela criação de benefícios para que o setor produtivo possa contratar mais empregados.
Sr. Presidente, solicito a transcrição nos anais das seguintes matérias publicadas nos jornais do dia de hoje: no Jornal do Comércio, na página 5, a matéria intitulada RS supera expectativas e deve crescer e 5% no ano; na Zero Hora, na página 24, Economia gaúcha cresce 5,01% este ano; no jornal O Sul, a matéria sob o título de Indústria do RS fecha ano com emprego recorde; no Correio do Povo, a notícia de que o Estado deve crescer 4,95% em 2002.
Tudo isso demonstra que o Estado do Rio Grande do Sul vem crescendo e que este ano supera a expectativa de pessimismo da Oposição, que, cada vez mais, se tem revelado pequena na sua ação, na sua projeção e perspectiva. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O
SR. PRESIDENTE (Roque Grazziotin PT) Defiro a solicitação
de V. Exa.
(Matéria entregue para transcrição.)
RS supera expectativas
e deve crescer 5% no ano
Setor exportador garantiu resultado,
alavancado pela agropecuária
Mariane Walter
Apesar das perspectivas negativas geradas pelo desencantamento da crise energética e pelo agravamento da recessão argentina, o ano deve fechar com resultados positivos para o Estado. "Esperamos um crescimento de 5,01% do PIB gaúcho, que deve chegar a R$ 87,61 bilhões", afirma o presidente da Fiergs, Renan Proença. A estimativa consta no Balanço 2001 e Perspectivas, divulgado ontem pela entidade. Para o Brasil, a previsão é crescimento de 2,2%.
Proença diz que o indicador surpreendeu. Em setembro, antes dos atentados terroristas, a expectativa da própria Fiergs era de que a elevação ficasse entre 3,4% e 4,4%.
"O Estado foi beneficiado pelo setor exportador", destaca o dirigente, lembrando que, esse ano, as vendas gaúchas para outros países devem atingir US$ 6,49 bilhões, o que representa um crescimento de 12,4% sobre 2000.
O setor agropecuário, segundo Proença, teve um papel determinante nesse resultado. "O segmento foi beneficiado pelo câmbio e pela safra recorde, e propiciou o aumento das exportações de commodities e da produção industrial de máquinas agrícolas", explica.
Também os problemas sanitários europeus, acrescenta, beneficiaram a produção e a comercialização da carne gaúcha. Em razão desses dois fatore, a projeção da Fiergs é de que o PIB estadual da agropecuária cresça esse ano 8,23%.
No setor industrial ocorreu o inverso. A desaceleração econômica, os juros elevados e o racionamento de energia contribuíram para que a taxa de crescimento da indústria medida pelo Índice de Desenvolvimento Industrial (IDI) feche o ano em torno de 5,44%, frente aos 9,2% de 2000.
Desfecho argentino será definitivo para o País
O desempenho da economia brasileira em 2002 está diretamente condicionado ao desfecho da crise argentina. As alternativas apontadas pela Fiergs são a dolarização e a desvalorização. "Acredito que eles já estão indo em direção à primeira", destaca o presidente Renan Proença. Se houver desvalorização, no entanto, Proença acredita na possibilidade de contágio. "Haverá impacto sobre câmbio e juros". Ele aposta que a dolarização será efetivada, e, dentro desse cenário, prevê um aumento de 3,97% no PIB do Estado em 2002. "A agropecuária deve continuar alavancando o resultado, pois o crescimento do setor deve chegar a 6,34%, frente aos 5,44% da indústria", destaca.
O assessor econômico da Fiergs, Nuno Figueiredo Pinto, acredita que, no caso de uma desvalorização, a situação será bem pior. "A população argentina vai restringir o consumo", prevê. Se a Argentina optar por essa alternativa, o PIB gaúcho deve crescer apenas 2,76% em 2002.
CONJUNTURA Projeções divulgadas ontem pela Fiergs consideram a situação argentina determinante para o Estado em 2002
Economia gaúcha cresce 5,01% este ano
Graças principalmente à agricultura, a economia gaúcha deverá crescer 5,01% este ano, segundo estimativa divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). O parque industrial do Estado deverá bater recorde de exportações com um crescimento do saldo comercial de 32,46% no ano e de ocupação, com 630 mil pessoas empregadas no mercado formal.
Para 2002, as projeções da Fiergs consideram dois cenários. Em ambos, a situação da Argentina é determinante para o Estado. Entre desvalorização do peso e dolarização, os industriais gaúchos preferem a substituição total do peso pela moeda norte-americana.
O desempenho da economia gaúcha foi apresentado ontem pelo presidente da Fiergs. Renan Proença, quando lembrou que 2001 foi um ano de reversão de expectativas. No final do ano passado, observou, a indústria comemorava um crescimento recorde de 9% e planejava outros 6,2% de expansão em 2001. A desaceleração da economia norte-americana, a crise brasileira de energia, a deterioração da Argentina e os atentados terroristas nos Estados Unidos sepultaram as previsões iniciais. O crescimento da industria gaúcha ficará em 5,44% este ano, e a agricultura terá uma expansão de 8,23% de acordo com a Fiergs.
No ano passado podíamos dizer que a indústria carregou o crescimento do PIB, mas neste ano, o agribusiness foi o determinante disse Proença.
Apesar da queda superior a 40% das exportações para a Argentina, a indústria gaúcha ganhou novos mercados ou ampliou negócios com parceiros importantes, como os Estados Unidos. A retração do consumidor norte-americano, sobretudo depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, não impediu que as vendas para os EUA substituíssem a receita obtida anteriormente pelos exportadores gaúchos com a Argentina. Conforme a Fiergs, o Estado fechará este ano com exportações correspondentes a US$ 6,4 bilhões, que representa um aumento de 12,4% em relação a 2001. Já as importações, equivalentes a US$ 4,16 bilhões, aumentaram 3,63%. Com isso, o saldo comercial gaúcho será de US$ 2,33 bilhões, um crescimento de 32,4% já o saldo projetado para a balança comercial brasileira será menor: US$ 2,31 bilhões.
Entidade prevê expansão
menor no ano que vem
Renan Proença explicou que 75% da produção gaúcha de 2001 foi vendida fora da Região Sul, o que leva os industriais a acreditarem que a dolarização causaria menos prejuízos do que a desvalorização. Na análise da Fiergs, tanto o PIB do Estado quanto o nacional crescerão menos em 2002, mas o resultado será pior com o fim da paridade peso-dólar.
O diretor de comércio exterior da Fiergs, Paulo Tigre, disse que a Argentina "é cara demais" e que o país terá de encontrar uma maneira de reduzir seus custos. Tigre avalia que a dolarização seria um meio de o governo argentino ganhar tempo e buscar formas de cortar despesas sem a necessidade de desvalorizar sua própria moeda.
As eleições do ano que vem são mais um fator a dificultar as projeções para o próximo ano, segundo Renan Proença. Mesmo contando com o cenário mais hostil no próximo ano, devido ao desaquecimento da economia global, o presidente da Fiergs está convencido de que há espaço para nova queda dos juros básicos antes do final do ano. Proença avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom), na sua próxima reunião, deverá reduzir em pelo menos um ponto percentual a taxa Selic, hoje em 19% ao ano.
RADIOGRAFIA DA ECONOMIA
Como devem se comportar alguns dos principais indicadores econômicos em 2002
BALANÇA COMERCIAL/RS
Item Cenário 1 Cenário 2
US$-% US$-%
Importações 41,1 bilhões (-1,25) 4,03 bilhões (-3,03)
Exportações 6,63 bilhões (2,09) 6,71 bilhões (3,29)
Saldo 2,51 bilhões (8,04) 2,67 bilhões (6,07)
PIB (%) CENÁRIO 1 CENÁRIO 2
BR 2,91 1,97 RS 3,97 2,76
PIB/RS POR SETOR (%)
Item cenário1 cenário2
Agricultura 6,34 8,52
Indústria 4,95 1,84
Serviços 2,69 1,81
PRODUÇÃO INDUSTRIAL (%)
Item cenário1 cenário2
BR 1,95 -3,12
RS 1,97 -2,84
OCUPAÇÃO (%)
Item cenário1 cenário2
Emprego formal (BR) 0,39 -1,43
Emprego formal (RS) 1,45 -0,51
Desemprego na indústria (BR) 6,65 7,79
Desemprego na indústria (RS) 5,51 6,22
CENÁRIO 1
Para compor esse cenário, a Fiergs considerou duas situações: o prolongamento da atual situação da Argentina, isto é, a continuação dos problemas estruturais, e dolarização. Com dolarização, o cenário prevê que a medida teria o apoio do FMI. A alternativa é a menos prejudicial para a economia gaúcha, segundo a Fiergs.
CENÁRIO 2
A Argentina é obrigada a extinguir a paridade entre dólar e peso e entra em moratória. Além de aumentar a instabilidade no câmbio e na taxa de juros no Brasil, a aternativa provocaria perdas comerciais para a produção gaúcha. Com a desvalorização do peso, os produtos argentinos ficariam mais baratos e ganhariam competitividade. Além disso, como a maior parte da dívida dos argentinos está dolarizada, reduziria o seu poder de compra.
As previsões da Fiergs para alguns indicadores econômicos este ano:
CRESCIMENTO DA ECONOMIA (%)
PIB/BR 2,20
PIB/RS 5,01
PIB/RS POR SETOR (%)
Agricultura 8,23
Indústria 5,44
Serviços 3,86
BALANÇA COMERCIAL DO RS
US$ Crescimento (em %)
Exportações 6,49 bilhões 12,41
Importações 4,16 bilhões 3,63
Saldo 2,33 bilhões 32,46
PRODUÇÃO INDUSTRIAL (%)
Brasil 2,19
RS -0,92
VENDAS DA INDÚSTRIA (%)
Brasil 12,78
RS 7,92
OCUPAÇÃO (%)
BR RS
Emprego formal 1,36 1,99
Emprego formal na indústria - 3,44
Desemprego aberto 6,09 5,46
Desemprego na indústria 6,47 5,21
Fonte: Fiergs
EM 2001, foram criados 613 mil novos empregos formais na indústria gaúcha, que crescerá 5,44% até o fim do ano.
Indústria do RS fecha ano com emprego recorde.
Os números foram apresentados ontem no Balanço Anual da Federação das Indústrias do RS. Para 2002, o crescimento estimado é de, no máximo 4,95%.
A indústria gaúcha, apesar de não ter tido um crescimento recorde como em 2000, quando encerrou o ano, em média , 9% maior, teve resultado positivo em 2001. A estimativa da Fiergs (Federação das Indústrias do RS) é de que a indústria encerre o ano com um crescimento de 5,44% em suas atividades.
Para 2002, as duas previsões que a entidade faz uma para um cenário econômico positivo e outra, negativo são inferiores ao índice deste ano, 4,95% e 1,84%, respectivamente.
Segundo o economista-chefe da Fiergs, Nuno de Figueiredo Pinto, as estimativas foram feitas sobre dois possíveis cenários na Argentina. "A crise no país vizinho é o principal problema a ser enfrentado pelo Brasil e pelo Rio Grande do Sul", disse. O cenário positivo espera a dolarização da economia do país, e o negativo, a moratória seguida de desvalorização cambial.
PESQUISA Cresceu o desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre, em outubro, conforme os dados da pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela FEE (Federação de Economia e Estatística) em conjunto com outras entidades. O índice passou de 14,5% em setembro para 15,3% em outubro. Foram extintos 17 mil postos de trabalho. O principal responsável pela redução no número de vagas foi o comércio.
Estado deve crescer 4,95% em 2002
Presidente da Fiergs apresenta balanço
deste ano e faz estimativas
positivas para economia gaúcha.
A projeção de crescimento da economia no Rio Grande do Sul para 2002, conforme estudo divulgado ontem pela Fiergs, é de 4,95%. Em 2001, o Estado encerrará dezembro com um incremento de 5,44%, impulcionado principalmente pelo desempenho recorde da safras agrícolas, das exportações e pela política cambial de taxas flutuantes. De acordo com o presidente da Fiergs, Renan Proença a reação do mercado argentino é decisiva para a confirmação dos índices de crescimento. "Caso o governo argentino renuncie à lei de conversabilidade desvalorizando o peso e gerando déficit (calote da dívida), a projeção cai de 4,95% para 1,84%", disse Proença.
A balança comercial do RS encerra o ano com um saldo positivo de 2,33 bilhões de dólares, sendo 6,49 bilhões de dólares o total das exportações e 4,16 bilhões de dólares o volume importado. De janeiro a outubro de 2001, o crescimento registrado, em relação ao mesmo período de 2000, foi de 13,5% resultado recorde para o Estado, que passa a ocupar o segundo lugar no ranking dos principais estados exportadores, atrás apenas de São Paulo. Destacam-se fumo (27,5%), produtos alimentares (46,3%), material de transporte (25,3%) e calçados (4,5%).
A projeção para 2002 é de crescimento da balança comercial gaúcha de 8,04%, com aumento de 2,09% nas exportações e queda de 1,25% nas importações. Já no Brasil, cujas estimativas são de que as exportações fecharão em 58,7% bilhões com crescimento de 6,6% em relação a 2000, a evolução provável para 2002 é de até 2,19%. A previsão de expansão do PIB é de 2,20% cerca de metade do crescimento conquistado no ano passado, de 4,3%. Segundo Proença, a próxima reunião do Copom será marcada pela redução da taxa de juros em torno 1%. Outro destaque do estudo é a criação de 50.557 novos postos de emprego formal no RS, uma expansão de 3,06%.
O SR. PRESIDENTE (Roque Grazziotin PT) Terminado o Grande Expediente, passo à |
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Por solicitação do Deputado Vieira da Cunha, concedo a
palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.
O
SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Minha saudação aos alunos do Colégio Província
de São Pedro, que nos honram com sua presença na Sessão
de hoje.
Em nome da Bancada do Partido Democrático Trabalhista, que tenho
a honra de liderar nesta Casa, ocupo a tribuna para assinalar a passagem
dos 35 anos da morte do ex-Presidente João Belchior Marques Goulart.
Jango, como é carinhosamente conhecido, marcou como poucos a sua
passagem no cenário político estadual e nacional. Nosso
conterrâneo formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul e, antes de eleger-se Vice-Presidente da República
e tomar posse como Presidente da República do Brasil, foi Deputado
Estadual nesta Casa.
É importante destacar que o nosso conterrâneo João
Goulart elegeu-se Vice-Presidente da República na época
em que essa função era exercida por alguém eleito
pelo voto direto da população.
Jango foi figura central de grandes acontecimentos da República
em momentos de afirmação do regime democrático, como
na Legalidade, em 1961, movimento cívico popular liderado pelo
então Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola,
que garantiu a posse de João Goulart como Presidente da República;
ou como o plebiscito realizado em 1963, que restituiu a Jango, por 9 milhões
contra apenas 2 milhões, os poderes de Presidente do Regime Presidencialista,
que lhes haviam sido retirados pelo Golpe Parlamentarista implantado em
1961.
Jango foi também a figura central do amargo Golpe Militar de 1964.
Quando se preparava para realizar as grandes e estruturais reformas que
o Brasil espera até hoje, Jango foi deposto. Seu Governo Popular
tinha compromisso com as chamadas reformas de base, a fim de transformar
o Brasil numa Pátria em que nosso povo tivesse igualdade de oportunidades.
Jango caiu porque seu Governo faria a reforma agrária até
hoje urgente e necessária; a reforma educacional, para que o filho
do pobre, o filho do trabalhador, o filho do operário tivesse acesso
a uma escola pública gratuita e de qualidade; a reforma do sistema
financeiro, para impedir que os banqueiros continuassem a auferir lucros
exorbitantes às custas de juros extorsivos; e tantas outras reformas
que mudariam a face do Brasil, transformando-o num País onde imperassem
os valores da solidariedade e da justiça social.
Há 25 anos, exatamente no dia 6 de dezembro de 1976, Jango morria
na Argentina, no exílio, proibido de pisar no solo da Pátria
que ele tanto amava e à qual ele tanto se dedicou e se doou.
As circunstâncias de sua morte a propósito, refiro a não-realização
da autópsia até hoje nos levam a suspeitar da hipótese
de que Jango tenha sido mais uma vítima da chamada Operação
Condor, que visava à eliminação das lideranças
populares da América Latina.
De qualquer forma, reverenciamos hoje a memória de Jango, na certeza
de que o seu sofrimento não ocorreu em vão. Ficou o seu
exemplo de homem público honrado a inspirar a todos que acreditam
num Brasil livre e soberano, que garanta dignidade a seu povo.
Ao grande e inesquecível Presidente João Goulart as nossas
homenagens. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Roque Grazziotin PT) Por solicitação
do Deputado Elmar Schneider, concedo a palavra a S. Exa. para uma Comunicação
de Líder.
O
SR. ELMAR SCHNEIDER (PMDB) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
População gaúcha que nos acompanha pela TV Assembléia,
esta foi uma semana, no meu entender, importantíssima para o nosso
Parlamento. A Assembléia Legislativa do Estado, na sua grande maioria,
aprovou o Relatório da CPI da Segurança Pública.
Somos sabedores de que esta Casa é essencialmente política.
Este Parlamento, que já tinha dado sua contribuição
com a realização da CPI do Crime Organizado que fez um
belo e importante trabalho , mais uma vez foi chamado a auxiliar no combate
ao caos instalado hoje na área da segurança pública
em nosso Estado.
Enganam-se as pessoas que pensam que o Rio Grande não tem um projeto.
O Governo sabe exatamente aquilo que quer. Temos hoje a tão falada
Polícia Cidadã, mas que está com as mãos amarradas,
não pode atuar, como foi possível observar na inauguração
das novas instalações do Aeroporto Salgado Filho. O Presidente
da República ficou aguardando por uma hora e meia a chegada de
S. Exa. o Governador Olívio Dutra, porque, na ocasião, houve
uma manifestação mantida e sustentada com o dinheiro público
do Movimento dos Sem-Terra que, aliás, de luta pela terra não
tem nada, da terra não quer nada, eles moram na Duque de Caxias
em apartamentos luxuosos, possuem celulares e têm tudo.
Lá tentaram fazer um protesto, e o Comandante da Polícia
da Grande Porto Alegre, em nome da ordem, fez com que se retirassem. O
Presidente da CUT fez, então, uma visita ao Vice-Governador e pediu
o afastamento do Chefe de Polícia, fazendo com que houvesse imediatamente
o afastamento do Comandante.
Mais uma vez, fica claro e identificado o projeto do atual Governo, cujo
Secretário de Estado da Justiça e da Segurança é
uma pessoa inteligente e culta, mas é um grande poeta atuando numa
Secretaria tão séria e que tem de zelar pela segurança
da população do Rio Grande do Sul.
O Governo parece-me que está muito satisfeito com o Dr. José
Paulo Bisol. A CPI da Segurança Pública foi a que mais depoimentos
teve, a que mais audiências realizou, que conseguiu colocar em seu
Relatório que o atual efetivo é o mesmo de 30 anos atrás,
bem como a forma como o atual Governo procura avocar os inquéritos,
batendo fielmente nos problemas, como foi no caso do material de limpeza
nas escolas públicas. Uma empresa tinha a sua volta duas empresas
que esquentavam as licitações. O Delegado vinha fazendo
um belo trabalho, mas o Governo disse: Opa, na Secretaria da Educação
não pode mexer! Quando mexeram, avocaram o inquérito, que
está engavetado, e continua tudo por isso mesmo.
Lá pelas tantas, no meio da CPI, o que aconteceu? O Dr. Jairo Carneiro,
e isto foi dito ontem aqui por um Deputado do PT, Roque Grazziotin, foi
expulso do Partido dos Trabalhadores.
Engraçado, os carros da Brigada Militar, sem querer, vão
parar na oficina do ex-Tesoureiro do PT, Jairo Carneiro. Eles não
querem entrar nessa oficina, mas entram, por acaso. Talvez porque os carros
de hoje sejam modernos, automáticos.
Com isso, fica provado que ainda existe uma estreita relação
entre o Governo do Estado e o ex-Tesoureiro do PT, Dr. Jairo Carneiro.
Os carros da Brigada Militar estão na sua oficina e estão
sendo pagos com dinheiro público. É o legítimo cala
a boca petista, como se diz.
O Dr. Jairo pede proteção e consegue, através da
Polícia Federal, chegar à CPI dizendo que tudo aquilo que
havia falado tinha sido inventado. Ninguém inventa com os detalhes
que o Dr. Jairo descreveu. Isso fez com que o Poder Judiciário
autorizasse a quebra do seu sigilo bancário, fiscal e telefônico,
o que teve muita resistência, pois não queriam que isso ocorresse.
Diante dessa documentação, tínhamos absoluta certeza
de que o Jairo Carneiro havia falado a verdade na fita e havia mentido
na CPI. Por esse motivo, ele foi indiciado por falso testemunho pelo nosso
Relator, Deputado Vieira da Cunha. Em seguida, apareceu mais um documento
sobre o Chefe de Polícia, Delegado Luiz Fernando Tubino, escolhido
pelo Governador Olívio Dutra, e o articulador financeiro, Dr. Diógenes
de Oliveira.
O
SR. PRESIDENTE (Edson Portilho PT) Deputado, o tempo de V. Exa. já
está ultrapassado. (pausa) Por solicitação do Orador,
concedo mais um tempo de comunicação de líder.
O SR. ELMAR SCHNEIDER (PMDB) O mesmo Dr. Diógenes, que era Secretário
Municipal dos Transportes da Prefeitura de Porto Alegre quando da intervenção
dos ônibus de Porto Alegre e que, em uma tacada só, comprou
600 veículos da empresa Marcopolo, de 1992 para cá é
o caixa do PT, é o homem forte do Governador Olívio Dutra
e do Tarso Genro nas campanhas petistas do Rio Grande do Sul.
O documento narra exatamente aquilo que o Jairo Carneiro havia dito: Não
reprimir a contravenção. Nós temos uma relação
estreita com essa gente. Essa gente quem? Contravenção?
Jogo do bicho? O Sr. Diógenes teve oportunidade, na CPI, de falar
sobre a origem do dinheiro, mas não conseguiu explicar.
É assustador como estamos acompanhando pela mídia que
o Partido dos Trabalhadores queira devolver a sede, aquela mesma sede
que serviu para que eles dessem um golpe na sociedade gaúcha, com
tantas e tantas mentiras que fizeram com que ganhassem a eleição.
Não há registro de que tenham pago água, luz, telefone
numa campanha política. Não há. Ganharam tudo de
graça.
Mas não dá para desassociar o corpo do Clube de Seguros
do Partido dos Trabalhadores. É o mesmo corpo, são as mesmas
pessoas. Portanto, devolver aquele prédio para quem? E devolver
o dinheiro para quem? Aqueles 600 mil reais que constam na agenda como
tendo sido entregues em seis parcelas de 100, como é que o PT vai
devolvê-los? Para quem? A pessoa que entregou os primeiros 100 não
está mais no Rio Grande. Teve de sair daqui.
Felizmente, a Assembléia Gaúcha cumpriu o seu dever quando
alguns tentaram, e com dinheiro público, andando de avião,
de helicóptero pelo Rio Grande, dizer que a CPI fez tal e tal trabalho.
Com dinheiro público é que estão fazendo tudo isso.
O Ministério Público agora vai ter uma tarefa muito dura,
porque há documentos, há provas dentro do Governo falando
dessa lambuza, dessa lama, dessa sujeira.
Alguns ainda queriam empurrar tudo isso para baixo do tapete. Claro, é
só lembrar que, quando foi votada a CPI da Segurança Pública,
os Deputados do Governo não queriam a sua criação.
Pergunto às pessoas que estão em casa assistindo a esta
Sessão pela TV Assembléia: Vocês estão satisfeitos
com a segurança pública no Estado? Está bom assim?
Está uma maravilha a segurança pública? Dá
para deixar o Sr. José Paulo Bisol, dá para deixar o Olívio
Dutra?
As pessoas que nos estão acompanhando é que sabem realmente
o caos em que se encontra a segurança pública. As pessoas
estão em casa, viraram presidiárias, com duas, três
portas, e os bandidos andam soltos, livres, porque não se pode
reprimi-los. Para nos dirigirmos ao bandido, temos que pedir: Com licença,
bandido. Por favor, aqui há um policial que quer te ouvir. Dá
licença. Queremos falar com V. Exa. Esse é o tratamento
que recebe hoje o bandido no Rio Grande do Sul.
Confundem-se as coisas, mistura-se segurança pública com
cidadania. Essa palavra, aliás, está em baixa, pois tomaram
dinheiro das empresas do Rio Grande do Sul dizendo que seria para as criancinhas,
para as obras sociais, e esse dinheiro, todo ele, foi desviado. Portanto,
a palavra cidadania realmente está em baixa no Rio Grande do Sul.
Mas felizmente o Parlamento fez a sua parte, cumpriu o seu dever, está
com a consciência tranqüila.
Agora, vale a pena confiar no Poder Judiciário para que nunca mais
o Estado seja o mesmo, para que a transparência e a honestidade
sejam realmente, no dia-a-dia, uma prática para todos. (Não
revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Edson Portilho PT) Por solicitação
do Deputado Roque Grazziotin, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O SR. ROQUE GRAZZIOTIN (PT) Sr. Presidente, Srs.
Deputados:
Gostaria de trazer a esta Assembléia Legislativa um documento elaborado
pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na 48ª
reunião ordinária do seu Conselho Permanente, realizada
em Brasília de 27 a 30 de novembro passado.
O título desse documento é Eleições 2002.
Propostas para reflexão, que faz uma introdução apresentando
a importância e a necessidade da transformação rumo
a uma sociedade justa, que é um processo contínuo, que exige
profundas mudanças culturais e implica a participação
de todos.
Pronunciando-se sobre problemas nacionais, por ocasião das eleições,
a Igreja Católica dá continuidade ao esforço realizado
desde a década de 30, aprofundado nos anos 60, quando deu apoio
às reformas de base, e nos anos 70, apoiando o processo de redemocratização
e a defesa dos direitos humanos. Incentivou as emendas populares na Constituição
de 1988 e a iniciativa popular de lei contra a corrupção
eleitoral em 1999.
Esse documento mostra a gravidade da situação nacional e
internacional, aponta sinais de resistência e esperança,
recorda o ensino social da Igreja, explicita as grandes opções
em jogo e oferece diretrizes para todo o povo brasileiro.
Também aponta três grandes metas que são fundamentais
e prioritárias para os dias de hoje. A primeira é a erradicação
da fome, e, para isso, é preciso realizar uma justa redistribuição
de renda no País, efetivar a reforma agrária vinculada a
uma política agrícola e aplicar os diferentes projetos de
renda mínima.
Outra meta colocada é o respeito aos direitos humanos de todos,
principalmente a necessidade da inversão de prioridades no uso
dos recursos públicos e o redirecionamento da atual política
econômica voltada ao serviço das dívidas interna e
externa em detrimento dos investimentos sociais.
Lembra-nos também a importância da realização
humana, através do direito ao trabalho, e pronuncia-se sobre uma
auditoria das dívidas internas e externas e uma revisão
dos acordos com o Fundo Monetário Internacional.
Na área social, recorda-nos que uma verdadeira democracia exige
a superação de todas as formas de discriminação,
de classe, de raça, de gênero, bem como o fim da violência
e da impunidade.
A terceira grande meta é por um desenvolvimento sustentável,
pelo qual, atentos ao futuro do desenvolvimento do planeta, devemos procurar
produzir tudo o que necessitamos sem danificar a natureza, que é
fonte de vida para as gerações futuras.
Em frente ao consumismo dominante, lembra-nos a cultura da solidariedade
e de uma economia solidária. Por isso, Sr. Presidente, solicito
que esse documento seja dirigido aos Partidos políticos, tanto
de âmbito federal como estadual, como também seja transcrito
nos anais desta Casa, para que todas as Bancadas com assento nesta Assembléia
legislativa possam aprofundar a reflexão sobre essas propostas
que podem contribuir, e muito, para a construção de uma
sociedade realmente melhor, mais justa e solidária para todos.
Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE (Edson Portilho PT) Esta Presidência defere
o pedido de V. Exa.
(Matéria entregue para transcrição.)
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
48ª Reunião Ordinária do Conselho Permanente
Brasília-DF, 27 a 30 de novembro e 2001
ELEIÇÕES 2002
PROPOSTAS PARA REFLEXÃO
Introdução
1. O povo brasileiro deverá escolher, em 2002, o Presidente da
República, os Governadores dos Estados, Senadores, Deputados Federais
e Estaduais.
2. Atenta aos sofrimentos e esperanças do povo, a Igreja Católica
no Brasil, como já é tradição, considera seu
dever oferecer critérios e orientações que possam
ajudar os cristãos a cumprir seu dever eleitoral, com consciência
e responsabilidade. A política é forma sublime de exercer
a caridade.
3. A transformação rumo a uma sociedade justa é um
processo contínuo, que exige profundas mudanças culturais
e implica a participação de todos. Embora não se
possa esperar resultados mágicos menos ainda na realidade brasileira
marcada pela desigualdade social , as eleições dos dirigentes
políticos são etapas que podem fazer avançar decisivamente
esse processo.
4. No ano 2002, as eleições serão de grande importância
para a definição de um futuro próximo, onde a sorte
de todos os brasileiros e brasileiras estará em jogo. A Igreja
faz um forte apelo à consciência dos cidadãos, para
firmar as bases de uma sociedade verdadeiramente democrática.
5. Este documento pretende ser um instrumento de trabalho, para que nossas
Dioceses, paróquias, comunidades, movimentos e pastorais reflitam
sobre a presença e a atuação dos católicos
na política. Propomos que, a partir dele, sejam elaborados subsídios
ou cartilhas, com feições locais, que orientem as eleições
de 2002.
6. Pronunciando-se sobre os problemas nacionais, por ocasião das
eleições, a Igreja Católica dá continuidade
ao esforço realizado desde a década de 30 para promover
a participação dos católicos na vida política.
Deus deu seu apoio às reformas de base no início dos anos
60 à defesa dos direitos humanos e à redemocratização
nos anos 70. Incentivou as emendas populares na Constituição
de 1988 e a iniciativa popular de Lei contra a corrupção
eleitoral em 1999.
7. Após mostrar a gravidade da situação nacional
e internacional, este documento aponta sinais de resistência e esperança
recorda o Ensino Social da Igreja, explicita as grandes opções
em jogo, e oferece diretrizes para as comunidades eclesiais.
Situação nacional e internacional: desafios
8. A fome continua sendo o maior flagelo, transformando-se numa verdadeira
guerra que mata mais que todas as outras. Na verdade, não se trata
de falta de alimentos. O mundo tem condições de produzir
mais do que são capazes de consumir todos os seus habitantes. O
trágico defeito está em não se assegurar o acesso
de muitos à alimentação necessária.
9. O Brasil sofre de uma das mais perversas distribuições
de riqueza do planeta. Segundo fontes oficiais, há pelo menos 44
milhões de pobres1. Num país tão rico como o nosso,
o escândalo é que 11 milhões de pessoas ainda passam
fome todos os dias2, enquanto persiste o consumismo ostensivo dos privilegiados.
10. Essa situação de fome perdura também porque maus
políticos a utilizam para se manter no poder.
11. A submissão do país ao processo de globalização
neoliberal aprofundou as desigualdades e tende a aumentar a exclusão.
A solução dos problemas sociais depende mais da distribuição
da riqueza do que do seu crescimento.
12. Há pessoas, em cargos públicos, que realmente exercem
seu mandato pelo bem de todos. Mesmo assim, vemos crescer a distância
entre a população e a maioria dos políticos. Estes
vêm sofrendo enorme desgaste por causa dos escândalos que
atingem até mesmo os seus principais líderes. Além
disso, o Congresso Nacional enfraqueceu-se tolerando o regime antidemocrático
das Medidas Provisórias.
13. A cassação de mandato de vários políticos
corruptos criou esperanças de renovação. A impunidade,
porém, ainda prevalece favorecendo a cultura da corrupção.
O desvio de recursos públicos, o tráfico das drogas e outras
formas de crime organizado aumentam a violência e a insegurança
da população.
14. A este quadro nacional preocupante, somam-se perspectivas internacionais
pouco alentadoras, agravadas pelos acontecimentos de 11 de setembro de
2001 e seus desdobramentos. O mercado financeiro domina cada vez mais
a economia mundial em detrimento das necessidades da maioria da população.
Em todos países, a concentração de renda e o aumento
de exclusão geram "massas sobrantes" submetidas ao desemprego,
à fome e à ausência ou ao descaso das políticas
públicas.
15. O terrorismo mundial provoca uma reação político-militar
que vitima um dos países mais pobres do mundo e que empurra os
demais para um círculo vicioso de repressão, ameaçador
de liberdades individuais e coletivas. Numa exibição de
poderio militar, reaviva-se o comércio generalizado de armas, em
detrimento dos investimentos sociais.
16. A potência hoje hegemônica no mundo vem pressionando o
nosso país a aderir ao projeto da ALCA Área de Livre Comércio
das Américas que ameaça aumentar a submissão do
Brasil e de toda América Latina aos interesses da economia dos
Estados Unidos.
17. Neste novo contexto mundial, visualiza-se a necessidade de nosso país
definir um projeto nacional próprio e assumir um papel de líder
na integração latino-americana.
Sinais de resistência e esperança
18. Com alegria, vemos emergir, em meio a sinais sombrios, um crescimento
da consciência dos Direitos Humanos; a sede de participação,
sobretudo das mulheres e dos jovens; a luta contra toda a forma de discriminação
e um maior reconhecimento do pluralismo étnico e cultural; o respeito
ao ecossistema e à vida.
19. O desenvolvimento das forças produtivas e da tecnologia suscita
esperanças de superação de antigos limites no campo
da saúde, da comunicação e de outros. Esses progressos,
porém, não são partilhados por todos. A maioria vive
o desencanto e a frustração pela falta de acesso a esses
benefícios.
20. Estamos diante de novas formas e campos de atuação,
de novos atores sociais, que se afirmam na sociedade atual, como cidadãos
protagonistas de um mundo novo.
21. Entre eles:
O povo que, na sua luta pela sobrevivência, baseada na solidariedade
e no voluntariado, vai criando alternativas de resposta às suas
necessidades e novas formas de trabalho;
A sociedade civil que toma iniciativas diversas contra o crescimento
descontrolado das dívidas externa e interna;
As famílias, "fonte de esperança para o futuro da humanidade",
que se reúnem e articulam para garantir a educação
dos filhos e reivindicam políticas sociais específicas;
Os movimentos, como o do Fórum de Lutas pela Reforma Agrária,
que exerce pressão para que a Reforma se concretize e seja fixado
o módulo máximo para as propriedades rurais;
Os Conselhos Municipais e os grupos de cidadãos que se organizam
para acompanhar e fiscalizar a atuação de suas Câmaras
de Vereadores;
A Lei nº 9840 contra a corrupção eleitoral, conquistada
pela Iniciativa Popular, que obteve nas eleições do ano
2000 alguns resultados positivos. A Justiça Eleitoral não
conseguiu afastar da atividade política pessoas sem escrúpulos,
que se aproveitam da miséria e da ignorância para se elegerem,
mas se prepara para aplicar mais plenamente essa Lei nas eleições
de 2002;
O Ministério Público, quando assume com firmeza sua missão
no aperfeiçoamento de nossas instituições democráticas,
à luz da Constituição cidadã;
Os Meios de Comunicação que vêm cumprindo um papel
importante no processo de democratização, embora revelem
freqüentemente uma defesa do sistema vigente, comprometendo a formação
da consciência crítica da população;
Os movimentos em defesa da ecologia que têm despertado uma nova
consciência na preservação da natureza, do equilíbrio
vital do planeta e da convivência humana;
Os movimentos sociais, que abrem novos espaços para a solidariedade
e promovem um clima de maior tolerância e de respeito ao diferente.
22. Muitas destas iniciativas sociais têm contado com o incentivo
e parceria da Igreja como instituição ou de grupos de cristãos,
movidos pela fé. Não por acaso, a sociedade civil tem manifestado
sua confiança na Igreja Católica, conforme mostram as pesquisas
de opinião. Isto está em sintonia com sua missão
de ser esperança dos pobres.
23. Neste início de novo milênio, em que uma globalização
excludente ameaça o horizonte da humanidade, valorizamos iniciativas
de entidades da sociedade civil, como a do Fórum Social Mundial,
realizado no início do ano 2001, em Porto Alegre, com continuidade
prevista para o ano de 2002. Amparados em nossa fé cristã,
queremos nos associar a esta inspiração criativa, excluindo
toda manifestação de violência.
O Ensino Social da Igreja
24. O Ensino Social da Igreja emerge da fé na Boa Nova de Jesus
Cristo, vivida na espiritualidade, refletida pela tradição
teológica e explicitada pelo Magistério. Não foram
poucas as advertências dos profetas e do próprio Jesus em
relação ao cuidado que todo o ser humano deve ter com seus
irmãos, sobretudo os pobres e os excluídos. Essa verdade
é tão explícita, que mereceu do Papa Paulo VI a afirmação
contundente: "Entre evangelização e promoção
humana desenvolvimento, libertação existem laços
de ordem antropológica [...], laços de ordem teológica
[...]; laços daquela ordem eminentemente evangélica, qual
é a ordem da caridade: como se poderia proclamar o mandamento novo
sem promover na justiça e na paz o verdadeiro e o autêntico
progresso do homem?"3
25. Portanto, quando a Igreja Católica se pronuncia sobre a realidade
social, política e econômica, o faz consciente de que de
sua "missão religiosa decorrem benefícios, luzes e forças
que podem auxiliar a organização e o fortalecimento da comunidade
humana"4.
26. A Igreja assume, desta forma, sua missão no campo político,
visando formar as consciências cristãs de que há uma
relação intrínseca, e portanto indissociável,
entre vida e fé, promoção humana e missão
religiosa;
27. Há mais de cem anos, a Igreja Católica tem sistematizado
seu ensino social face às ideologias dominantes seja do liberalismo,
seja do socialismo. Recentemente, a prevalência do chamado neoliberalismo
e as novas condições de produção e distribuição
da riqueza têm levado o Magistério da Igreja a explicitar,
com clareza seu posicionamento tanto contra os desvios do atual sistema
quanto em favor de novas formas de solidariedade.
28. O Papa João Paulo II tem marcado seu pontificado com a chamada
de toda a Igreja para o desenvolvimento da globalização
da solidariedade. Ele considera como missão da Igreja, seu serviço
e comprovação da sua fidelidade a Cristo, o incentivo às
mais diversas formas de solidariedade, pois isso a identifica como a "Igreja
dos pobres"5.
29. Na Exortação Apostólica Ecclesia in America,
1998, falando sobre os pecados sociais que clamam aos céus, afirma
o Papa João Paulo II: "Domina cada vez mais, em muitos países
americanos, um sistema conhecido como "neoliberalismo", sistema este que,
apoiado numa concepção economicista do homem, considera
o lucro e as leis de mercado como parâmetro absolutos em prejuízo
da dignidade e do respeito da pessoa e do povo. Por vezes, este sistema
transformou-se numa justificativa ideológica de algumas atitudes
e modos de agir no campo social e político, que provocam a marginalização
dos mais fracos. De fato, os pobres são sempre mais numerosos,
vítimas de determinadas políticas e estruturas freqüentemente
injustas"6.
30. Na Carta Apostólica "No Início do Novo Milênio",
2001, diz o Papa com igual força: "O nosso mundo começa
o novo milênio, carregado com as contradições de um
crescimento econômico, cultural e tecnológico, que oferece
a poucos afortunados grandes possibilidades, e deixa milhões e
milhões de pessoas, não só à margem do progresso,
mas a braços com condições de vida muito inferior
ao mínimo que é devido à dignidade humana"7.
31. Tudo o que foi recordado do Magistério da Igreja quer ser inspiração
para opções que teremos de fazer, com a máxima responsabilidade,
no ano das eleições. A Igreja não se furta de sua
obrigação ética e evangélica de formar as
consciências para que os cristãos e as pessoas de boa vontade
assumam, com transparência e compromisso sério, o dever de
fazer a melhor escolha, não apenas pensando em si, mas de maneira
forte e radical no bem comum.
No horizonte das eleições de 2002, as grande opções
em jogo
32. O presente documento quer ser um instrumento de trabalho que estimule
não somente os católicos, mas todos os cidadãos de
nosso país, a assumirem plenamente suas responsabilidades sociais.
33. Ele não está unicamente voltado para as próximas
eleições, mas quer abrir um espaço de diálogo
antes, durante e depois das eleições para que algo de
novo possa efetivamente nascer, em nosso país, da atuação
dos responsáveis políticos que serão eleitos em 2002.
34. A luta por uma real democracia representativa, deve impelir os partidos
a assumir, plenamente, sua responsabilidade na escolha dos seus candidatos
às eleições. É inadmissível que muitos
desses partidos, mesmo entre aqueles de grande representação
nacional, continuem apresentando, como candidatos, pessoas comprovadamente
inescrupulosas no uso de recursos públicos. Há quem se aproveite
das brechas da lei para não perder a elegibilidade , mesmo quando
condenado.
35. Ao assumir compromissos políticos, a Igreja Católica
o faz a partir do imperativo ético da defesa da vida, em cada momento
de seu desenvolvimento terreno. Esse é o critério máximo
de julgamento de qualquer sistema político, dos modelos econômicos
e das soluções técnicas. Esse imperativo ético
se concretiza, em cada momento e lugar, em metas políticas. Diante
da atual realidade brasileira, três grandes metas ganham prioridade:
a erradicação da fome, o efetivo respeito dos direitos humanos
para todos; o desenvolvimento sustentável, que garanta qualidade
de vida à população e respeite a ecologia.
36. Sugerimos que os partidos políticos incluam essas metas em
seus programas de políticas públicas, correspondendo a um
projeto social. Assumidas pelos futuros membros eleitos para o Executivo
e para o Legislativo, elas não só alimentarão a cultura
da esperança, como poderão contribuir para uma convivência
mais justa, condição para a superação da violência
institucionalizada e para a construção da paz.
Para a erradicação da fome
37. É preciso realizar com urgência, uma justa redistribuição
da renda do país. Não basta produzir alimentos em quantidade,
se a eles a população toda não tiver acesso.
38. É necessário efetivar a verdadeira Reforma Agrária,
há tantos anos prometida. Ao lado de enormes propriedades, muitas
vezes improdutivas, milhares de famílias sem terra reclamam alguns
hectares para a própria sobrevivência. A "terra de negócios"
não pode ter primazia sobre a "terra de trabalho".
39. Urge uma política agrícola vinculada à reforma
agrária, que privilegie o pequeno produtor rural. Promova-se uma
política de incentivo à agricultura familiar, por meio de
programas de fixação e assentamento, facilidades de créditos,
assistência técnica e de recursos hídricos, apoio
e garantia à comercialização dos produtos.
40. Merecem efetiva aplicação os diferentes projetos de
renda mínima amplamente conhecidos. Quando combinados com a exigência
de freqüentar a escola, ataca-se também o problema do analfabetismo.
Além disso, oferecem novas oportunidades às famílias
mais carentes e reduzem os índices de subnutrição
e de mortalidade infantil, como fazem as pastorais sociais, com destaque
à Pastoral da Criança.
Para o respeito aos direitos humanos de todos
41. Impõem-se uma inversão de prioridades no uso dos recursos
federais, estaduais e municipais, privilegiando as carências mais
urgentes da população brasileira como a educação,
saúde, moradia e segurança. Cabe redirecionar a atual política
econômica, voltada para o serviço das dívidas interna
e externa, em detrimento dos investimentos sociais. Essa inversão
exige, por sua vez desenvolver mecanismos de controle, por parte da população,
da aplicação do orçamento e dos gastos públicos.
42. É fundamental para a realização humana o direito
ao trabalho. A criação de postos de trabalho deve ser priorizada.
Os partidos não podem ignorar a voz do povo, que pede geração
de novos empregos, mediante investimentos na construção
de moradias populares e no saneamento, e incentivo às cooperativas
e aos mutirões.
43. Incentive-se a expansão do mercado interno, visando à
satisfação das necessidades básicas do povo e o desenvolvimento
da poupança interna, que diminuiria a dependência do país
com relação aos capitais externos especulativos. Promova-se
auditoria das dívidas externa e interna e uma revisão dos
acordos com o FMI.
44. Os investimentos nas áreas sociais devem contribuir para que
a maioria da população veja finalmente respeitados os direitos
fundamentais da pessoa humana, em nosso país. Um tratamento injusto
é dado, de fato, aos pobres, e especialmente à população
de origem indígena ou africana. Uma verdadeira democracia exige
a superação de todas as formas de discriminação
de classe, de raça e de gênero bem como o fim da violência
e da impunidade
Por um desenvolvimento sustentável
45. Somos chamados a assumir, atentos ao futuro do planeta, um desenvolvimento
sustentável, isto é, onde o ser humano possa produzir tudo
que necessita sem danificar a natureza, fonte de vida para as gerações
futuras.
46. A Igreja propõe, frente ao consumismo dominante, a contribuição
da cultura da simplicidade, intrinsecamente ligada à cultura da
solidariedade. A economia solidária, as iniciativas do terceiro
setor, os serviços prestados gratuitamente por voluntários,
os projetos voltados para o desenvolvimento das comunidades e para o bem
comum podem ser fortalecidos, se receberem o estímulo de políticas
adequadas.
47. É possível a convivência com o semi-árido
brasileiro. Mais do que combater a seca, trata-se de aprender a conviver
com a irregularidade da precipitação das chuvas, como aponta
o caminho alternativo da campanha por um milhão de cisternas, levado
adiante, na região nordestina, pela Cáritas, juntamente
com várias pastorais e organizações da sociedade.
Mas são necessárias também outras medidas econômicas
para garantir a vida do povo no semi-árido.
Diretrizes para as Comunidades Eclesiais
Fundamentos
48. A formação das consciências para a participação
nas transformações sócio-políticas é
responsabilidade de toda a Igreja. A atuação concreta nesse
campo compete, antes de tudo, aos leigos que, de maneira especial, aí
devem exercer o seu protagonismo, como já afirmava o episcopado
latino-americano em Santo Domingo8.
49. Para todos os cristãos, é urgente buscar a união
entre vida e fé, a expressão da fidelidade a Cristo na vida
quotidiana, nas relações sociais e na participação
política. O Concílio denunciava como um dos "erros mais
graves do nosso tempo"9 o divórcio entre a fé professada
e a vida quotidiana. O Concílio afirmava ainda mais: "Ao negligenciar
os seus deveres temporais, o cristão negligencia os seus deveres
para o próximo e o próprio Deus e coloca em perigo a sua
salvação eterna"10.
50. O Papa João Paulo II, na mesma linha do Concílio, na
Exortação Christifideles Laici, afirma: "Para animar cristamente
a ordem temporal, no sentido de servir a pessoa e a sociedade, os fiéis
leigos não podem absolutamente abdicar da participação
na "política", ou seja, da múltipla e variada ação
econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada
a promover orgânica e institucionalmente o bem comum. [...] Todos
e cada um têm o direito e o dever de participar da política,
embora em diversidade e complementaridade de formas, níveis, funções
e responsabilidades. [...] A opinião muito difusa de que a política
é um lugar de necessário perigo moral, não justifica
minimamente nem o ceticismo nem o absenteismo dos cristãos pela
coisa pública. Pelo contrário, é muito significativa
a palavra do Concílio Vaticano II: "A Igreja louva e aprecia o
trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre
si o peso de tal cargo, a serviço dos homens"11.
51. Há, porém, restrições à atuação
político-partidária dos clérigos: "Os clérigos
são proibidos de assumir cargos públicos que implicam participação
no poder civil"12; [Os clérigos] não tenham parte ativa
nos partidos políticos... a não ser que, a juízo
da competente autoridade eclesiástica, o exijam a defesa dos direitos
da Igreja ou a promoção do bem comum"13. A razão
desta norma está bem explicitada no documento de Puebla: "Os pastores,
uma vez que devem preocupar-se com a unidade, se despojarão de
toda ideologia político-partidária que possa condicionar
seus critérios e atitudes. Terão, assim, liberdade para
evangelizar o político como Cristo, a partir de um Evangelho sem
partidarismos nem ideologizações"14.
52. Pesquisas de opinião dos últimos anos indicam que a
maioria dos fiéis católicos e dos cidadãos não
deseja que a Igreja intervenha diretamente na política partidária,
indicando candidatos, mas que ajude os eleitores a decidir melhor em suas
escolhas, com informações e reflexões críticas.
Encontram-se, porém, grupos de católicos e de outros cristãos
que querem eleger candidatos de sua própria confissão religiosa.
É preciso que o critério do bem comum esteja sempre acima
do mero critério da confessionalidade e os católicos levem
em conta as orientações do episcopado na atual conjuntura.
Orientações práticas
53. A Igreja Católica no Brasil, por meio de documentos da CNBB
e de iniciativas diocesanas, procurará:
a) conscientizar cidadãos e cidadãs da sua responsabilidade
de votar e votar bem, tendo presente que seu voto tem valor, escolhendo
com cuidado os candidatos a serem votados nos diversos níveis;
para isso poderá produzir cartilhas, volantes, cartazes, programas
radiofônicos;
b) promover debates e reflexões sobre programas e candidatos, a
fim de propiciar uma melhor avaliação deles;
c) organizar também seminários, encontros e outras modalidades
para debate e aprofundamento de temas sociopolíticos mais específicos
da região ou do lugar, a fim de envolver mais eficazmente um número
maior de pessoas;
d) estimular para que a escolha do candidato se faça a partir do
seu programa, do seu respeito ao pluralismo cultural e religioso, do seu
comportamento ético e de suas qualidades (como honestidade, competência,
liderança, transparência, vontade de servir ao bem comum,
comprovada pela atuação anterior...), do seu compromisso
com a justiça e com a causa dos marginalizados15, com especial
atenção a um programa de ação consoante com
aquele proposto neste Documento;
e) criar ou fortalecer comitês contra a corrupção
eleitoral e para a aplicação da Lei 9.840, que proíbe
a compra de votos e o uso da máquina administrativa;
f) incentivar de modo especial a participação das mulheres
na política, e contribuir para que elas preencham o número
de vagas que lhes são reservadas por lei;
g) valorizar os candidatos católicos eleitos, acompanhando-os no
exercício de seu mandato e procurando manter relações
de diálogo com a comunidade eclesial.
54. A Igreja não indicará candidatos e partidos por meio
da sua hierarquia, mas, para realizar os objetivos e atividades acima
indicados, os fiéis leigos serão incentivados a promover
grupos de "Fé e Política", ou outra forma de organização
que os ajude a assumir um papel ativo na conscientização
e formação política.
55. A Igreja poderá divulgar informações sobre os
candidatos, cuidando da exatidão das informações
e de fazê-lo rigorosamente dentro das exigências da Lei.
56. Para evitar dispersão de votos, recomenda-se que, na escolha
dos candidatos, os eleitores católicos procurem agir em parceria
com movimentos populares, associações de bairro ou outras
expressões da sociedade civil, evitando a identificação
da Igreja com um candidato ou um partido.
57. É oportuno exercer a vigilância com relação
aos partidos que continuam indicando como seus candidatos pessoas comprovadamente
inescrupulosas. Os eleitores devem ser orientados a não apoiar
tais candidatos, e até recusar qualquer candidato de um partido
que acoberte tais pessoas.
58. Recomenda-se particular cuidado quanto aos partidos que incluem em
suas listas líderes católicos, com a única função
de somar votos para a sigla. Os votos dados a tais candidatos contribuem
para a eleição de políticos, nem sempre merecedores
de apoio.
Cronograma mínimo
59. Sugerimos que, ao longo do ano de 2002, até outubro, dioceses,
pastorais, movimentos e grupos de "Fé e Política" estudem
este Documento e promovam:
a divulgação ampla deste documento, visando conscientizar
a opinião pública, mediante debates, encontros, artigos,
estudos, tanto em comunidades e instituições quanto em meios
de comunicação (rádio, TV, jornais...);
a reflexão crítica, envolvendo candidatos a cargos eletivos,
movimentos sociais e partidos, estudantes e intelectuais, trabalhadores
e sindicatos;
a revisão e o esclarecimento daqueles aspectos deste documento
e das posições da Igreja, que no decorrer do debate pré-eleitoral
se revelem necessitados de melhor explicitação e/ou de aprofundamento.
60. Dado o número e a complexidade dos temas, sugere-se um cronograma
para os estudos, debates e divulgação, tendo como critério
enfatizar um aspecto do documento em cada mês, conforme o roteiro
seguinte:
2001
dezembro Primeira divulgação geral do documento e elaboração
do plano de estudo e divulgação em âmbito local. Entregar
o documento aos dirigentes dos partidos, em âmbito federal e estadual,
fazendo apelo para que evitem acolher e acobertar candidatos envolvidos
em processo por corrupção.
2002
janeiro Estudo e divulgação das diretrizes para as comunidades
eclesiais sobre o trabalho de conscientização política.
fevereiro Estudo e divulgação deste documento,
março procurando esclarecer o "porquê" e o
abril "como" da intervenção da Igreja no debate eleitoral.
Elaboração das Cartilhas Regionais, Diocesanas ou Comunitárias.
maio Estudo e divulgação do documento con-
a clusivo da 40ª Assembléia Geral da
setembro CNBB (abril de 2002) sobre a "Exigências Éticas
Evangélicas da Superação da Fome e da Miséria",
em conexão com a reflexão deste documento sobre as eleições
e sobre as Cartilhas.
1 Cf. PNAD 1999 (setembro). Pobre o que tem renda inferior a US$ 1,08
por dia
2 Cf. o "Panorama Social da América Latina 2000-2001", estudo da
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe
(CEPAL), que situa o Brasil como o país de pior distribuição
de renda nas Américas.
3Exortação Apostólica Evangelii Nunliandi n. 31
4 Cf Gaudium et Spes 42.
5 Cf. Laborem Exercens 8.
6 Exortação Pós Sinodal Ecclesia in America nº
56.
7 Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte nº 50.
8 Conferência episcopal de Santo Domingo 103.
9 Gaudium et Spes 43.
10 Idem.
11 Gaudium et Spes 75 e CfL 42.
12 Código de Direito Canônico, 285, § 3.
13 Código de Direito Canônico, cân 287, §
2º.
14 Cf. Documento de Puebla, 526.
15 Cf. Por Uma Nova Ordem Constitucional nº 29
O SR. PRESIDENTE (Edson Portilho PT) Com a desistência antecipada
dos Deputados Luciana Genro, Maria do Carmo, Paulo Moreira, Vieira da
Cunha, Cézar Busatto, Jair Foscarini, Luis Fernando Schmidt, Otomar
Vivian, Sérgio Zambiasi, Adroaldo Loureiro, Iara Wortmann, Maria
do Rosário, Valdir Andres e Abílio dos Santos, a próxima
inscrição pertence ao Deputado Germano Bonow, a quem concedo
a palavra.
O
SR. GERMANO BONOW (PFL) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:
Cumpro aqui quase que um dever como cidadão de Porto Alegre e
do Rio Grande e também junto aos colegas Deputados deste Estado
, o de deixar registrado no plenário o centenário da Associação
Cristã de Moços ACM.
A ACM é uma instituição internacional que congrega
pessoas sem distinção de raça, posição
social, crença religiosa ou política de qualquer natureza.
Nos seus 156 anos de história no mundo, a Associação
atua em mais de 150 países, contando com mais de 15 mil sedes e
aproximadamente 30 milhões de associados, trabalhando nas áreas
de esporte, lazer, voluntariado, educação e assistência
social e de saúde.
Entre alguns destaques da ACM internacional está a criação
do vôlei, basquete e futebol de salão, além de ter
recebido o Prêmio Nobel da Paz em 1946.
Fundada em 26 de novembro de 1901, a ACM Porto Alegre é pioneira
como introdutora da comemoração do Dia das Mães em
Porto Alegre, em 1918.
A ACM Porto Alegre é filiada às ACMs do mundo inteiro. Por
ser uma instituição filantrópica, de assistência
social e atividades educacionais, não tem fins lucrativos. Mesmo
seguindo as linhas filosóficas da Base de Paris, comum a todas
as ACMs, a Associação de Porto Alegre tem autonomia em suas
ações, tendo missão, objetivos, administração
e serviços próprios.
A missão da ACM em Porto Alegre é promover a vida, como
agente de transformação da sociedade, trabalhando por justiça
e paz, de acordo com a mensagem cristã. Tem como objetivo atuar
para a construção de uma comunidade mais solidária
e fraterna. Sua Declaração de Valores diz: Somos, na ACM
de Porto Alegre, pessoas que crêem no diálogo, na troca de
experiências, na fraternidade.
Expressamos nosso fazer buscando o trabalho conjunto e cooperativo, compartilhando
idéias e decisões.
Cremos que os valores pessoais dão forma às normas de conduta,
tanto individuais como de grupo, e, por isso, valorizamos o respeito à
pessoa, ao seu trabalho e à sua dignidade como ser humano.
Buscamos a plena concretização de um agir solidário
e de conquista da autonomia.
Assumimos o compromisso com a qualidade no fazer, no viver, no conviver.
Nossa ética tem por base os ensinamentos cristãos.
Nossa ação nos orienta para os bons resultados nos nossos
fazeres, pois deles dependemos para expressar sempre, e cada vez mais,
a responsabilidade que temos para com nossos semelhantes.
A ACM de Porto Alegre tem diversas instituições, atuando
em várias áreas e com extensões em diversas partes
do nosso Estado. Tem, por exemplo, uma creche, de nome Vovô Cazemiro,
que atende a 250 crianças por dia.
Quanto à área da educação, no colégio
ACM Centro, em Porto Alegre, e em Santana do Livramento, Pelotas, Passo
Fundo e Rio Grande são oferecidos cursos como Técnico em
Contabilidade, Técnico em Transações Imobiliárias
e Técnico em Segurança do Trabalho. Além dos cursos
técnicos, a Associação oferece cursos e oficinas
de informática, panificação e confecções
de doces e salgados.
Na área da cultura, a ACM participou do lançamento da revista
Tchê, do Dia Mundial do Desporto Olímpico e do projeto Os
Pintores, com visitas ao MARGS e estudo das obras de Portinari, Volphi
e Tarsila do Amaral.
Ainda na área da educação, o ano teve como pontos
altos o II Fórum da Cidadania, o Criança Tempo Integral,
o 1º Encontro de Crianças e Adolescentes e a Mostra de
Ciências, entre outros.
O SR. PRESIDENTE (Edson Portilho PT) Deputado, o tempo de V. Exa.
já está ultrapassado. (pausa) Por solicitação
do Orador, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O SR. GERMANO BONOW (PFL) A ACM também desenvolve atividades
na área do esporte e do lazer. Creio que aqui resida um dos seus
pontos fortes, pois, através do esporte, desenvolve um componente
de educação voltado para uma atuação solidária
e de respeito aos próprios companheiros e, principalmente, àqueles
que eventualmente são adversários. É a Associação
Cristã de Moços, com sedes em Tramandaí e em Canela,
que desenvolve no inverno e no verão atividades esportivas e colônia
de férias.
Na área de desenvolvimento social, por exemplo, com os seus cursos
noturnos voltados para diversas áreas técnicas, grupos de
convivência e serviço voluntário, durante o ano de
2000, junto com outras organizações parceiras, teve oportunidade
de coordenar o projeto Serviço Civil Voluntário, do Governo
Federal, que busca a capacitação profissional, a elevação
da escolaridade e o serviço comunitário, atendendo a mais
de 600 jovens entre 18 e 19 anos.
Tem ainda a ACM, na área da saúde, o Projeto Terapêutico
Individual, o qual, através de procedimentos médicos e ginecológicos,
de enfermagem e odontológicos, realiza um total anual de mais de
nove mil atendimentos, desenvolvendo também campanhas de valorização
da saúde em diversos pontos.
A Associação Cristã de Moços trabalha também
com projetos especiais, desenvolvendo ações ecumênicas
como semanas mundiais voltadas à oração, à
confraternização e à paz.
Sr. Presidente, cito apenas alguns dos pontos altos da ACM nas áreas
da educação, saúde, lazer e assistência social,
atividades que realiza nas suas diversas sedes.
Gostaria de deixar registrado aqui que, por ocasião do centenário
dessa Associação, ocorrido no último dia 26 de novembro,
os Deputados desta Casa firmaram um documento de reconhecimento, que diz:
Os deputados que integram a 50ª Legislatura da Assembléia
Legislativa gaúcha, na data em que a Associação Cristã
de Moços ACM completa um século de atuação
em Porto Alegre, através desta manifestação, prestam
uma homenagem de reconhecimento a essa benemérita instituição.
Inspirando-se nos ideais de seu fundador, George Williams, tão
marcante tem sido a presença da ACM junto à comunidade porto-alegrense
que ela é hoje sinônimo de solidariedade, humanismo e fraternidade.
Seus projetos e ações na área social, educacional
e esportiva marcaram de modo indelével sucessivas gerações
de gaúchos.
Por essa razão, os parlamentares do Rio Grande rendem essa homenagem
à centenária ACM, como gratidão pelo seu perseverante
trabalho de integração com a nossa comunidade. Porto Alegre,
26 de novembro de 2001. Assinam o Deputado Sérgio Zambiasi Presidente
desta Casa e os demais 54 Parlamentares.
No momento em que V. Exa. , Deputado Edson Portilho, preside os trabalhos
desta Sessão, faço aqui o registro desse evento.
Para mim, Deputado Onyx Lorenzoni, é uma honra poder entregar essa
placa e fazer esse discurso no momento em que essa instituição
gaúcha completa os seus 100 anos. Muito obrigado. (Não revisado
pelo Orador. )
O SR. PRESIDENTE. (Edson Portilho PT) Por solicitação
do Deputado Onyx Lorenzoni, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação
de líder.
O
SR. ONYX LORENZONI (PFL) Sr. Presidente em exercício neste
momento, Deputado Edson Portilho, Sras. e Srs. Deputados:
No dia de hoje, em Brasília, estão reunidos, no Ministério
da Justiça, o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul
Jungmann, o Diretor-Geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro,
e o Secretário dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro.
O tema da discussão é a violência no campo, assunto
que quase cotidianamente temos enfrentado aqui no Rio Grande do Sul.
Ainda no último dia 3, um grupo de Parlamentares Deputados Frederico
Antunes, Luis Augusto Lara, Berfran Rosado e este Deputado esteve em
São Gabriel. Ali na estrada do Batovi, havia uma reunião
de 400 produtores, com suas famílias, para fazer a defesa e a salvaguarda
de uma propriedade que estava prestes a ser vistoriada.
Essas vistorias, como que tiradas da cartola, surgiram de novo no cenário
do nosso Estado. A Superintendência do INCRA, aqui, no Rio Grande
do Sul, diz que tem que cumprir a lei e ninguém diz diferente
disso , só que é preciso considerar a evolução
necessária da tecnologia que está sendo empregada no campo
gaúcho. Hoje, não se consideram sistemas de produção
que giram, por exemplo, em torno da produção de novilho
com um ano de idade, pesando mais de 380 quilos, de animais de dois anos
de idade, que permitem um grande turnover, uma grande rotatividade no
campo, para, com isso, aumentar a renda do produtor e melhorar o fornecimento
de matéria-prima para o produtor gaúcho.
Em São Gabriel, estavam as famílias que legitimamente produzem
aqui no Rio Grande do Sul para defender aquilo que de mais importante
existe como estrutura de sustentação de uma sociedade livre,
plural e democrática, que é o direito de propriedade.
É curioso que, no Rio Grande do Sul e no Brasil, encontremos espaço,
através do Governo do Estado, dos seus agentes políticos
e inclusive de setores do próprio Poder Judiciário, para
a criação da seguinte fórmula: o invasor, aquele
que esbulha, é premiado; a vítima, aquele que detém
a posse legítima, de acordo com o que determina a Constituição
e o estamento jurídico do País, esse é penalizado.
Fizemos, através de um documento produzido por esta Casa, o apelo
para que a Superintendência do INCRA abrisse, no Rio Grande do Sul,
o processo de discussão desses índices e houvesse a suspensão
das vistorias.
Por que isso é importante? Porque no Rio Grande do Sul estão
sendo feitos assentamentos há mais de 15 anos. Cento e noventa
mil famílias já foram assentadas, e não existe nenhum
assentamento emancipado. Não há emancipação;
há manutenção do recebimento das verbas federais
e estadual para a manutenção dessas famílias no campo.
É preciso tratar com responsabilidade e com seriedade essa questão.
A notícia que circula hoje é de que o Juiz Federal de Livramento
decide se dará ou não força policial para acompanhar
as vistorias. E nós poderemos estar diante de uma situação
de altíssima gravidade, num momento em que os legítimos
detentores da terra, as pessoas que produzem no Rio Grande do Sul poderão
ser agredidas, poderão ser removidas com o uso da violência
para fazer valer o conceito ideológico, a falta de produtividade
que é o que hoje vamos encontrar nos diversos assentamentos feitos
no Rio Grande do Sul e a perspectiva de que vamos continuar, lamentavelmente,
por ação ou omissão das autoridades estaduais e
em muitos momentos federais , a levar para o campo a intranqüilidade,
o terror, o medo e a insegurança.
Este não é o papel do Estado, de nenhum dos Poderes do Estado,
Sr. Presidente. Concluo, reafirmando o compromisso que tem a Assembléia
Legislativa do Rio Grande do Sul de garantir a vigência do estado
de direito, o respeito ao direito de propriedade e, principalmente, a
segurança de que aqui teremos uma sociedade livre, plural e democrática.
Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador. )
O SR. PRESIDENTE. (Edson Portilho PT) Com a desistência antecipada
do Deputado Adilson Troca, não havendo mais Oradores inscritos,
estão encerradas as Comunicações.
Passo às
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