22ͺ SESSÃO/ORDINÁRIA, EM 09 DE ABRIL DE 2002.

 

Presidência dos Deputados Valdir Andres, Maria do Rosário, José Ivo Sartori e Adolfo Brito.

 

Às 14h15min, o Sr. José Ivo Sartori assume a direção dos trabalhos.

 

O SR. PRESIDENTE (José Ivo Sartori – PMDB) – Havendo número regimental e invocando a proteção de Deus, declaro aberta a Sessão.

Solicito ao Secretário que proceda à leitura da Ata de Sessão anterior.

(O Sr. Adolfo Brito procede à leitura da Ata de Sessão anterior.)

Ata da décima oitava Sessão/Ordinária, em 03 de abril de 2002.

Presidência dos Deputados Sérgio Zambiasi, Presidente; Valdir Andres, Primeiro-Vice-Presidente; e Alexandre Postal, Primeiro-Secretário.

Às 14 horas e 15 minutos, o Deputado Alexandre Postal assumiu a direção dos trabalhos. Presentes os seguintes Deputados: Cecilia Hypolito, Dionilso Marcon, Edson Portilho, Ivar Pavan, José Gomes, Luciana Genro, Luis Fernando Schmidt, Maria do Rosário, Ronaldo Zülke, Roque Grazziotin, Adolfo Brito, Érico Ribeiro, Francisco Appio, Frederico Antunes, João Fischer, José Farret, Marco Peixoto, Maria do Carmo, Otomar Vivian, Valdir Andres, Vilson Covatti, Aloísio Classmann, Edemar Vargas, Eliseu Santos, Iradir Pietroski, Luis Augusto Lara, Manoel Maria, Sérgio Zambiasi, Adroaldo Loureiro, Ciro Simoni, Giovani Cherini, João Luiz Vargas, Kalil Sehbe, Paulo Azeredo, Vieira da Cunha, Berfran Rosado, Bernardo de Souza, Cézar Busatto, Iara Wortmann, Mário Bernd, Paulo Odone, Alexandre Postal, Elmar Schneider, Jair Foscarini, João Osório, José Ivo Sartori, Germano Bonow, Adilson Troca, Jorge Gobbi e Jussara Cony. Havendo número regimental, a Presidência determinou a abertura da Sessão, convidando o Deputado Adolfo Brito a proceder à leitura da Ata que, após lida, foi aprovada. Não havendo Expediente a ser lido, passou-se ao Grande Expediente, quando, por cessão de tempo do Deputado Valdir Andres, o Deputado Elmar Schneider homenageou a realização da terceira Expodireto Cotrijal, feira de tecnologia e negócios, organizada pela Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí, estabelecida no Município de Não-Me-Toque, enaltecendo o espírito arrojado dos empreendedores da cooperativa, que sempre tiveram a visão de avançar sem olvidar a responsabilidade social e saudando o trabalho de seu Diretor-Presidente, Senhor Nei César Mânica. O Orador ressaltou que esta feira consolidou-se como evento agrodinâmico do Mercosul. Em apartes, o Deputado Giovani Cherini somou-se à homenagem à Cotrijal, enfatizando sua repercussão internacional. O Deputado Vilson Covatti dissertou brevemente sobre a história da cooperativa e solicitou transcrição nos Anais da Casa de material de seus dados históricos e de divulgação da Feira Expodireto Cotrijal 2002. A seguir, a Presidência suspendeu a sessão por alguns minutos, para que a direção da cooperativa recebesse as devidas homenagens. Na reabertura dos trabalhos, o Presidente Sérgio Zambiasi saudou os alunos da Escola Monsenhor Leopoldo Nais e pronunciou-se, parabenizando a CNBB pela escolha do lema e do tema da Campanha da Fraternidade, – Fraternidade e os Povos Indígenas - Por uma Terra sem Males. Não havendo condições de realizar Grande Expediente Especial devido a alterações no calendário das sessões ordinárias, o Deputado Vieira da Cunha, em duas comunicações de líder, prestou homenagem à Campanha da Fraternidade 2002, destacando a história dos povos indígenas desde a época da colonização. O Parlamentar chamou a atenção para a urgente e justa reinclusão social dos primeiros habitantes deste País e saudou representantes dos índios caingangues e guaranis, presentes no plenário. Em comunicação de líder, o Deputado Roque Grazziotin associou-se à homenagem prestada, reiterando seu apelo à sociedade e aos governantes no sentido de se engajarem na luta pela reconstrução das etnias nacionais. O Orador solicitou a transcrição nos Anais do Manifesto dos Povos Kaingang e Guarani do Rio Grande do Sul – Brasil oriundo do Movimento de Resistência Indígena. Antes de transferir a Presidência dos trabalhos ao Deputado Valdir Andres, o Presidente convidou os homenageados para se dirigirem ao Espaço dos Municípios, no saguão da Assembléia Legislativa, onde se realizava a Exposição do Grupo Reserva Indígena Guarani, Aldeia Jataiti, Cantagalo. A seguir, passou-se à Apresentação e Discussão de Proposições, quando o Deputado José Ivo Sartori encaminhou voto de congratulações ao Colégio Província de São Pedro, de Porto Alegre, pela construção do robô que vencera a primeira etapa de uma competição entre escolas nos Estados Unidos, na condição de único concorrente latino-americano e solicitou transcrição nos Anais de matéria publicada no Jornal Zero Hora, intitulada Robô vence desafio nos EUA e os nomes dos alunos e dos professores responsáveis pelo projeto. Com a desistência do Deputado Giovani Cherini, havendo quórum, passou-se à Ordem do Dia. O Deputado Bernardo de Souza, em uma questão de ordem, alertou à Presidência da ausência de diploma legal para que fosse apreciado o Projeto de Lei nΊ 79/2002. Os Deputados Vilson Covatti e Alexandre Postal solicitaram inversão de pauta para o Projeto de Resolução nΊ 1/2002 e para o Requerimento nΊ 26/2000, no que foram atendidos. A seguir, o plenário aprovou o Requerimento de Grande Expediente Especial nΊ 11/2002. Em comunicação de líder, o Deputado Jair Foscarini denunciou a falta de professores, em escolas estaduais, no seu município e o descaso da Senhora Secretária de Educação quanto ao fato. Ao finalizar, o Orador solicitou transcrição nos Anais da Casa de matéria do Jornal NH, cujo título era Faltam professores em 17 escolas estaduais. O Deputado José Gomes rebateu as acusações, argumentando que seu Governo havia contratado mais de 20 mil professores, ampliado a rede escolar, aberto novas vagas, capacitado professores e reformado escolas. O Deputado José Farret mencionou a benevolência da Oposição para com o Governo do Estado, que vinha aprovando, em sua maioria, os projetos enviados a esta Casa pelo Executivo e que nem se preocupara em saber se essas contratações emergenciais destinavam-se a pessoas preparadas e apolíticas ou a militantes do partido. Ao discutir o Projeto de Resolução nΊ 1/2002, a Deputada Maria do Rosário louvou o interesse dos Pares quanto à matéria, mas discordou quanto à forma de solucionar o impasse financeiro do instituto, defendendo que seu Governo sempre procurou manter o Instituto de Previdência do Estado a serviço do funcionalismo público, ao contrário de outros Estados, que terminaram por extinguir a previdência, suprimindo, inclusive, o atendimento médico aos servidores. A Oradora adiantou que sua Bancada votaria contrariamente ao Relatório. O Deputado Bernardo de Souza expressou seu posicionamento favorável à matéria, asseverando que um dos fundamentos da crise financeira do Estado eram as folhas de pagamento dos inativos e reiterou seu descontentamento relativamente à omissão do Governo do Estado em responder os seus pedidos de informação, tendo solicitado inserção nos Anais de correspondências e de pedidos de informação enviados às autoridades estaduais. O Deputado Francisco Appio assegurou que era responsabilidade do Governo salvar o Instituto de Previdência do Estado, sem sacrificar os servidores, antecipando que votaria com satisfação um documento elaborado com seriedade e que haveria de resolver o problema financeiro existente. Ao encaminhar a votação do Projeto de Resolução nΊ 1/2002, o Deputado Bernardo de Souza afirmou que era possível enfrentar as dificuldades do IPE sem reajuste de alíquotas e, se caso as autoridades chegassem à conclusão de que isso era necessário, houvesse uma consulta entre os beneficiários. O Deputado João Luiz Vargas, Relator da Comissão Especial para Tratar Assuntos de Previdência do Estado, pediu apoio ao Relatório, dizendo que não bastava enviar projeto de alteração da previdência no Estado, pois a necessidade mais urgente era separar os recursos da previdência dos da área da saúde, alertando que os hospitais encontravam-se em gravíssima situação. O Deputado Otomar Vivian, Presidente da mencionada Comissão, elogiou a consistência e a qualidade do Relatório, ressaltando que se tratava de questão de Estado e não de governo, apelando à Bancada do PT que mantivesse a abstenção, como sustentara na reunião da Comissão, e que reconhecesse os pontos positivos nele contidos. O Deputado Manoel Maria solicitou apoio para a votação deste projeto de resolução que aprovava o Relatório da Comissão Especial para Tratar Assuntos de Previdência do Estado e cumprimentou os deputados que a integraram, afirmando que a Assembléia Legislativa estava de parabéns pelo brilhantismo do trabalho elaborado. O plenário aprovou o Projeto de Resolução nΊ 1/2002. Tendo sido localizada a Resolução nΊ 85/88, passou-se à apreciação do Projeto de Lei nΊ 79/2002 e de sua emenda. O Deputado Bernardo de Souza, encaminhando a matéria, ressalvou que a emenda de sua autoria procurava observar os rigorosos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Foi aprovada a Emenda nΊ 1 ao Projeto de Lei nΊ 79/2002. Ao encaminhar o Projeto de Lei nΊ 79/2002, o Deputado Bernardo de Souza esclareceu que sua Bancada ao dar acordo para publicação de matéria na Ordem do Dia não estava, necessariamente, favorável a sua aprovação e que o projeto em apreciação, da maneira como fora apresentado à Casa não poderia ter tramitado, no entanto, em face da anexação da Resolução nΊ 85/88 tornou-se viável sua votação. Ao finalizar, o Orador enumerou três questionamentos: o quanto custava o auxílio-rancho; para quanto passaria; e quanto custaria por ano ao Governo do Estado. Em seguida, o plenário aprovou o Projeto de Lei nΊ 79/2002. A Presidência, atendendo à solicitação do Deputado José Ivo Sartori, consultou as lideranças que acordaram transferir a votação do Requerimento nΊ 26/2000 para o dia seguinte. O Plenário aprovou o Requerimento de Dispensa de Publicação e Interstício bem como a Redação Final do Projeto de Lei nΊ 79/2002 e do Projeto de Resolução nΊ 1/2002. Passou-se ao período das Comunicações quando, com a desistência de vários oradores e por cessão de tempo do Deputado Onyx Lorenzoni, o Deputado Germano Bonow lembrou que até o próximo dia 05 seriam publicados os nomes dos candidatos a cargos eletivos que se desencompatibilizariam de suas funções, aludindo ao lamentável caso do Prefeito Tarso Genro que, durante sua campanha ao atual mandato, empenhara sua palavra aos eleitores que cumpriria os quatro anos na Prefeitura de Porto Alegre. Não havendo inscritos para as Explicações Pessoais, a Presidência encerrou a presente Sessão, às 17 horas e 35 minutos, convocando os Parlamentares para a Sessão Extraordinária do dia seguinte, às 14 horas e 30 minutos. Plenário, em 03 de abril de 2002.

 

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Declaro aprovada a Ata que acaba de ser lida, ressalvando aos Deputados o direito de retificá-la, por escrito, se assim o desejarem.

Solicito ao Secretário que proceda à leitura do expediente que se encontra sobre a mesa.

(Transcreve-se a matéria lida.)

 

Of. Gab. 101/02 Porto Alegre, 26 de março de 2002.

Exmo. Sr. Presidente:

Ao cumprimentá-lo cordialmente, venho através deste justificar minha ausência na sessão plenária do dia 26 do corrente mês, por estar acompanhando o Governador do Estado no ato de lançamento do Pró Guaíba no município de Venâncio Aires e no ato de inauguração do acesso asfáltico ao município de Boa Vista do Sul, acompanhando o Secretário de Transportes. No dia 27 acompanho o Secretário dos Transportes no ato de ordem de início das obras da RS 422/Boqueirão do Leão – Sete Léguas.

Certo de vossa atenção, despeço-me com votos de estima e apreço.

Atenciosamente,

LUIS FERNANDO SCHMIDT

Deputado Estadual - PT

EXMO. SR.:

SÉRGIO ZAMBIASI

PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO

PORTO ALEGRE - RS

 

 

MEMORANDO

NΊ 025/2002

DE: Gabinete Deputado Mario Bernd

PARA: Presidência da Assembléia Legislativa

ASSUNTO: Justificativa

DATA: 08-04-2002

Senhor Presidente:

Ao cumprimentá-lo cordialmente, venho por meio deste justificar a minha ausência na 2Ί Sessão Plenária Extraordinária do dia 05 de abril do corrente ano, pelo motivo de estar participando de uma reunião externa com Vereadores do interior do Estado.

Atenciosamente,

Mario Bernd

Deputado Estadual

 

Of. NΊ 006/2002 Porto Alegre, 09 de abril de 2002.

Exmo. Senhor Presidente:

Ao cumprimentá-lo cordialmente, justifico a ausência do deputado Edson Portilho nas seguintes Sessões Plenárias:

. 14/03/02 – Debate em Torres sobre a UERGS;

. 21/03/02 – Audiência Pública na Unidade Educacional

de Pelotas (Escola Federal) de Sapucaia do Sul, com o

tema UERGS.

Sem mais para o momento, agradeço,

Atenciosamente.

DIONILSO MARCON

Deputado Estadual do PT

Líder da Bancada

Ao Exmo. Deputado Sérgio Zambiasi

Presidente da Assembléia Legislativa RS

Nesta Casa.

 

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Não há mais expediente a ser lido.

Passo, a seguir, ao período destinado ao

GRANDE EXPEDIENTE

 

Está inscrito o Deputado Vieira da Cunha, a quem concedo a palavra.

O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) – Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Faço uma saudação especial às Senhoras e aos Senhores que nos honram com a sua presença nesta Sessão Ordinária.

Quis o destino que este Deputado ocupasse a tribuna por 20 minutos, no período do Grande Expediente – e falo em destino porque este espaço é utilizado de acordo com um sistema de rodízio entre os Deputados, utilizado por meio de inscrição automática –, nesta data que coincide com o aniversário de uma pessoa muito cara, tanto política como pessoalmente.

Refiro-me ao ex-Deputado desta Casa Romildo Bolzan, meu sogro, falecido no último dia 8 de setembro e que hoje, 9 de abril, estaria fazendo 70 anos de idade se a morte não o tivesse levado.

Não poderia deixar de fazer esse registro, essa homenagem póstuma ao Dr. Romildo Bolzan, que honrou esta tribuna por três mandatos consecutivos, tendo sido 1Ί Secretário desta Assembléia e Líder da Bancada do PDT.

O Dr. Romildo Bolzan também assumiu outras funções na sua vida pública. Esse grande homem que, repito, estaria completando 70 anos de idade se vivo estivesse, foi Prefeito de Osório, Presidente do Tribunal de Contas do Estado e Presidente da Agergs, apenas para citar alguns dos cargos públicos relevantes que ocupou.

O segundo registro que desejo fazer antes de entrar no tema propriamente dito deste Grande Expediente é o fato de termos assumido ontem a honrosa missão de presidir, regionalmente, o Partido Democrático Trabalhista.

Uma comissão provisória foi nomeada pela Executiva Nacional do Partido, a qual terá a responsabilidade de conduzir o PDT até a realização da convenção que deverá ocorrer apenas no final do ano de 2002.

Caberá a nós, portanto, a responsabilidade de conduzir o Partido Democrático Trabalhista no Rio Grande do Sul neste ano eleitoral de 2002, em que os desafios serão enormes mas não maiores do que a nossa vontade de vencê-los, um a um, para eleger uma representativa bancada de deputados, tanto nesta Assembléia Legislativa como na Câmara Federal, bem como senadores e os próximos governador e vice-governador do Estado.

Nossa tarefa será facilitada pela companhia dos seguintes membros da comissão provisória, que conosco dividirão a honra e a responsabilidade de conduzir o PDT no Rio Grande do Sul: Pedro Ruas, Romildo Bolzan Júnior, José Fidelis Ramos Coelho, Miguelina Vecchio, Orion Cabral e Heron de Oliveira. São esses os componentes que, somados a este Deputado, formam a nova Direção Regional do PDT, ontem empossada.

Agradecemos à Direção Nacional e, especialmente, ao Presidente Nacional do PDT, ex-Governador Leonel Brizola, a confiança depositada em nós. Assumiremos com ele e com toda a família trabalhista o compromisso de trabalharmos diuturnamente pelo fortalecimento do nosso Partido no Rio Grande do Sul.

Sra. Presidente, passando agora ao tema do Grande Expediente de hoje, não poderia deixar de referir a crise que se instalou no Governo do Estado do Rio Grande do Sul com o pedido de demissão do Procurador-Geral do Estado, Dr. Paulo Torelly, que justifica o seu inusitado pedido de demissão pelo fato de discordar da política salarial do Governo Olívio Dutra.

Temo-nos revezado nesta tribuna – os Líderes que fazem oposição ao Governo –, cobrando do Sr. Governador coerência em relação à política salarial adotada. Temos denunciado o discurso do Governo como demagógico, na medida em que diz que está reajustando a base do funcionalismo e que para os altos salários está concedendo reajuste zero.

Queremos, desta tribuna, nos contrapor a essa pseudopolítica robin hoodiana do Governo Olívio Dutra, denunciando-a como discriminatória, injusta e inconstitucional.

Agora, não estamos mais sós – nós, da Oposição – para fazer esse discurso: ninguém mais ninguém menos do que o Procurador-Geral do Estado do Rio Grande do Sul, militante petista pertencente ao quadro do Governo, acompanha-nos na denúncia de que a política salarial da atual administração é discriminatória.

Se alguma dúvida restava sobre o que estamos aqui afirmando, ela se dissipou na semana passada, por ocasião da votação do Projeto de Lei Complementar nΊ 93/2002, que introduziu alterações no Quadro de Pessoal Efetivo da Secretaria da Fazenda do Estado. Isso porque esse Projeto concedeu disfarçadamente, de maneira não-transparente, a título de progressão funcional para os quadros de nível superior daquela Secretaria, um reajuste na ordem de 6% para os seus Auditores e Fiscais.

De plano, quero dizer da minha concordância com o reajuste. Mais do que isso, considero que os Srs. Fiscais e Auditores do Estado merecem muito mais do que esses 6% que lhes garantiu o art. 4Ί do Projeto de Lei Complementar referido. Afinal de contas, a inflação acumulada no Governo Olívio Dutra já beira os 50% – mais especificamente, de junho de 1998 a fevereiro de 2002, segundo o IGP-M, índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas, a inflação já alcança 46,63%. Portanto, conceder 6% de reposição significa ainda uma defasagem, durante o período do Governo Olívio Dutra, de mais de 40% sobre os vencimentos dos Auditores e Fiscais. Trata-se, portanto, de um percentual ínfimo de reposição salarial e, mais do que tímido, totalmente insuficiente para cobrir o que a inflação corroeu dos vencimentos desses funcionários durante o período.

Ainda queremos observar que os 6% foram concedidos parceladamente a outras categorias. Em pior situação ficaram os Procuradores do Estado, e aí a indignação justificada, compreensível, do Sr. Procurador-Geral e, de resto, de toda a categoria dos Procuradores do Estado do Rio Grande do Sul, dos Defensores Públicos – as chamadas carreiras jurídicas –, dos Delegados de Polícia e dos oficiais superiores da Brigada Militar, que, durante todo este Governo, estão sem receber sequer um ponto percentual de reajuste sobre os seus vencimentos.

Dirão alguns, como tem repetido o Governo: Mas são altos salários! Ora, colegas Deputados, Senhoras e Senhores que acompanham esta Sessão, para resolver o problemas dos altos salários e as distorções que, sabemos, existem no serviço público, há outras formas. Há, por exemplo, o teto salarial, que está previsto na Constituição e deve ser aplicado: estabelecer um valor máximo e cortar os salários que excederem esse valor. Está na Constituição!

Os três Poderes em nível federal estão devendo à Nação Brasileira o envio de um projeto de lei estabelecendo esse valor máximo. Aí, sim, com justiça e eficazmente, o problema das distorções dos altos salários no serviço público estaria sendo resolvido, não só aqui no Rio Grande do Sul, mas em todo o País.

O que não pode acontecer, entretanto, é esse discurso de caçador de marajás – que não é novo na política brasileira, que já foi utilizado pelo não-saudoso Presidente Fernando Collor – ser repetido aqui no Estado e o Sr. Governador, a pretexto de combater os tais altos salários, continuar arrochando os vencimentos dos funcionários públicos do Estado, inclusive das categorias a que me referi: Procuradores do Estado, Defensores Públicos, Delegados de Polícia e oficiais superiores da Brigada Militar, que prestam um serviço essencial e não podem continuar sendo discriminados dessa forma.

O PDT ingressou, em julho do ano passado, com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, por omissão, contra o Governador do Estado – e coube a este Deputado a tarefa de redigi-la e levá-la em mãos ao Supremo Tribunal Federal. Antes de entrar em recesso, o Supremo julgou essa Ação, declarando-a procedente, por unanimidade, e dizendo que o Sr. Governador Olívio Dutra está omisso no cumprimento do seu dever constitucional de conceder aos servidores públicos, sem distinção, a revisão geral e anual dos seus vencimentos.

O acórdão foi publicado no último dia 22 de março. Portanto, o Sr. Governador está em mora com os servidores públicos estaduais, notadamente com aqueles que nem um ponto sequer de percentual de reajuste receberam em seus vencimentos, mora essa declarada pela mais alta Corte do País.

Diz o Ministro Relator Ilmar Galvão, do Supremo Tribunal Federal, julgando a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.481-7, interposta pelo Partido Democrático Trabalhista contra o Governador do Estado: Tornou-se extreme de dúvida, portanto, incumbir ao Presidente, ao Governador ou ao Prefeito o cumprimento do imperativo constitucional, enviando, a cada ano, ao Poder Legislativo, o projeto de lei que disponha sobre a matéria – refere-se o Ministro à revisão geral e anual dos vencimentos dos servidores.

Ocorre, entretanto, como destacado na inicial, que até o presente momento, embora mais de três anos tenham decorrido desde a edição da EC 19/98 e, conseqüentemente, da categórica norma do art. 37, inciso X - e não obstante o fenômeno da inflação se tenha feito sentir, ininterruptamente, durante todo o período -, não se registrou o necessário desfecho, de parte do Governo do Estado, de nenhum processo legislativo destinado a tornar efetiva a indispensável revisão geral dos vencimentos dos servidores estaduais.

Prossegue o Sr. Ministro: Patente, assim, a alegada mora legislativa, de responsabilidade do Governador do Estado, que justificou o ajuizamento da presente ação direta de inconstitucionalidade por omissão.

Anote-se, ainda, que a concessão de aumento de vencimentos a título de reestruturação remuneratória de determinadas categorias funcionais não afasta ocorrência da mora em questão por não configurarem, obviamente, a revisão geral prevista no art. 37, inc. X, da Constituição Federal.

Esse é um trecho do acórdão do Supremo Tribunal Federal, cujo Relator foi o Ministro Ilmar Galvão, que declara o Sr. Governador Olívio Dutra omisso no cumprimento do dever constitucional de enviar a esta Casa projeto de lei concedendo a revisão anual e geral dos vencimentos dos servidores do Rio Grande do Sul.

O Sr. José Ivo Sartori (PMDB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador)

Em primeiro lugar, Deputado Vieira da Cunha, quero cumprimentá-lo pelo pronunciamento e, especialmente, pelas gestões e argüições realizadas, tanto em nível federal como estadual, no que tange ao aumento linear com que deveriam ser distinguidos os servidores públicos pelo gestor estadual.

Devo lembrar que o Partido de V. Exa. não recebeu o mesmo acompanhamento do Partido dos Trabalhadores na questão estadual como recebeu na federal, o que mais uma vez prova que, às vezes, numa questão se marca posição apenas para ficar bem junto à opinião pública e, assim, obter um ganho político. Na verdade, posteriormente, prova-se que a prática é outra quando o interesse particular é contrariado.

Queria ressaltar este aspecto do pronunciamento de V. Exa.: as ações praticadas pelo Partido Governista, o qual tem uma prática federal e outra estadual, não reservam nenhum espírito de coerência.

O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) – Muito oportuna a observação de V. Exa., Deputado José Ivo Sartori, porque, de fato, uma ação semelhante à que ingressamos para cobrar do Governador do Estado o cumprimento do inciso X do art. 37 da Constituição Federal também impetramos para cobrar do Sr. Presidente da República o cumprimento do mesmo dispositivo. A diferença é que lá em Brasília o PDT estava junto com o PT – o Partido dos Trabalhadores subscreveu conosco a ação para cobrar de Fernando Henrique Cardoso – e aqui no Rio Grande do Sul, infelizmente, além de não assinar conosco a ação, o PT nos acusou injustamente de estar querendo defender altos salários.

O Sr. Vilson Covatti (PPB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do Orador)

Nobre Deputado Vieira da Cunha, em nome da Bancada do PPB, quero aqui apresentar nosso mais profundo reconhecimento ao assunto que V. Exa. levanta com propriedade, coerência e conhecimento de causa.

V. Exa., quando na Oposição, defendia coerentemente as suas posições. No Governo do PDT, V. Exa. norteou o seu trabalho mostrando o papel do Estado, valorizando os seus servidores como prestadores de serviço na saúde, na educação e na segurança.

(A Sra. Presidente faz soar as campainhas, anunciando o término do tempo destinado ao Grande Expediente.)

O Sr. Vilson Covatti (PPB) – Continuarei a minha manifestação utilizando uma comunicação de líder, porque a nossa Bancada julga da maior importância fazer este registro.

Com muito conhecimento de causa, V. Exa. aborda a incoerência de um Partido que chegou ao Governo dizendo que iria valorizar o funcionalismo público, resgatando a sua dignidade por meio do contracheque, mas que, ao chegar ao Governo, rasgou as promessas e não fez nada do que prometeu. Fica devendo a reposição da inflação no período do seu Governo, o que configura perda real de salário.

Rasgaram o discurso e as promessas, estão no Governo e são especialistas em fazer com que o Estado nomeie, com o dinheiro público – dinheiro dos Senhores, das Senhoras, da sociedade gaúcha –, cabos eleitorais. Nomearam cerca de 40 mil funcionários públicos, os quais – pasmem, Senhores! – não foram contratados para atuar nas áreas da segurança, da saúde e da educação, mas para servirem de cabos eleitorais descarados por este Rio Grande a fora. Dessa forma, confundiram o papel do Estado, que é o de prestador de serviço, ao transformá-lo em Estado de um Partido Político.

Por isso, Deputado Vieira da Cunha, ninguém com mais propriedade do que V. Exa. poderia ir a essa tribuna, pois teve coerência quando Oposição e quando Governo e agora nos traz esse assunto, que é da maior relevância para quem faz vida pública, porque quem faz vida pública tem de atender ao cidadão e não a um partido político, como estão fazendo esses que estão no Governo, do outro lado da rua. Muito obrigado.

O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) – Agradeço ao nobre Deputado pelo seu aparte.

Sra. Presidente, solicito uma comunicação de líder para concluir meu pronunciamento.

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Está deferida a solicitação de V. Exa.

O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT) – O que não pode continuar acontecendo no Rio Grande do Sul é que, em nome de uma política de aproximação entre os que ganham mais e os que ganham menos, o Governo continue a discriminar diversas categorias, excluindo-as de qualquer percentual de reposição salarial mínimo que seja, como está ocorrendo, por exemplo, com as chamadas carreiras jurídicas – com os Procuradores do Estado e os Defensores Públicos – e também com os profissionais de nível superior da polícia, que são os Delegados da Polícia Civil e os oficiais da Brigada Militar.

Se a situação atual persistir, as conseqüências serão desastrosas para os interesses do Estado, porque o serviço público perderá muito em qualidade, na medida em que vencimentos aviltados, incompatíveis com o preparo exigido para a função, afastarão dessas carreiras jovens altamente qualificados, que certamente buscarão o seu futuro profissional em outras instâncias de governo – federal e municipais – ou mesmo na iniciativa privada. Aliás, é o que já está ocorrendo aqui no Rio Grande do Sul.

Concluo meu pronunciamento, manifestando meu protesto diante da política salarial deste Governo – repito – injusta, discriminatória e, acima de tudo, inconstitucional. Num Governo em que os índices oficiais de inflação aproximam-se de 50%, segundo a Fundação Getúlio Vargas, a concessão de 6% em alguns casos, de 8% em outros e ainda por cima parcelados é um absurdo. Pior ainda é o congelamento, o arrocho, o índice de zero por cento que muitas categorias estão amargando, como é o caso dos Procuradores do Estado do Rio Grande do Sul.

A situação é lamentável e revoltante, ainda mais se considerarmos ser este um Governo que se elegeu prometendo ao funcionalismo respeito e valorização. Promessa não cumprida, compromisso não honrado que certamente levará este Governo a uma derrota retumbante nas eleições que se avizinham.

Agradeço aos colegas Deputados por sua atenção. Que fique registrada a nossa solidariedade aos trabalhadores do serviço público do Rio Grande do Sul! Se Deus quiser, melhores dias virão. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Por solicitação do Deputado Germano Bonow, concedo a palavra a S. Exa. para ocupar o espaço de duas comunicações de líder.

O SR. GERMANO BONOW (PFL) – Sra. Presidente e Srs. Deputados:

Mais uma vez, volto a esta tribuna para discutir o fato de o Sr. Tarso Genro deixar a Prefeitura de Porto Alegre.

Gostaria de valer-me aqui de alguns dados e informações. Lembro aos Colegas um artigo publicado sobre a nova cidade global, que dizia assim: Uma imposição que é feita a todas as grandes cidades nos países que estão fora do núcleo central do capitalismo: inchaço populacional, quebra de seu tecido produtivo histórico, crianças martirizadas – vejam bem! – e violência urbana.

E segue o articulista, dizendo: É necessário lembrar que todas as grandes cidades da periferia e da semiperiferia do capitalismo estão, hoje numa crise brutal, e muitas, como a cidade do México, são quase irrecuperáveis. Porto Alegre poderia também estar numa situação semelhante. Mas ela resistiu e, apesar de todos os nossos graves problemas, podemos nos orgulhar da cidade que temos.

O que faz uma cidade resistir a um processo de decadência global, segundo a FAO? O mesmo articulista responde mais adiante: O que faz a resistência é a capacidade do seu poder público e dos agentes privados locais, que conformaram um modo de vida, uma economia local... E por aí segue. Este artigo foi publicado no jornal Zero Hora, de 14 de fevereiro de 2000, pelo então candidato a prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro.

Outro artigo, publicado no jornal Correio do Povo, em 30 de agosto de 2000, diz: Tarso: ‘Ficarei quatro anos na prefeitura’. Rebate adversários que prevêem sua saída, em caso de vitória, para concorrer ao Piratini em 2002. Estou disputando a eleição municipal e minha prioridade é administrar a Capital nos próximos quatro anos. Tarso Genro afirmou isso respondendo aos então candidatos Cézar Busatto, Alceu Collares e a mim próprio quando questionado.

Pois Tarso Genro se elegeu Prefeito de uma cidade que vem sendo administrada pelo seu Partido desde 1998. São sucessivos Governos de um Partido que se diz defensor dos pequenos, dos humildes e que deveria, nesses 12 anos de administração, ter concluído esta gestão.

Em 25 de janeiro deste ano, foi divulgada uma matéria no jornal Zero Hora, que diz: Triste coincidência: alheios aos acontecimentos em Porto Alegre, meninos de rua dormem tranqüilamente ao lado de um dos totens do Fórum Social. Aliás, se percorrermos os arredores no final da tarde, vamos ver, em torno da Praça da Matriz, bem próximo do Palácio do Governo, uma série de moradores de rua – incluindo crianças – dormindo nas ruas.

Mais adiante, em 7 de fevereiro de 2002, na página 39, o jornal Zero Hora divulgou: "Esses guris estão cada vez mais enlouquecidos". Desabafo feito pela Sra. Eva Sopher se referindo aos flanelinhas que atuam em torno do Theatro São Pedro.

Se procurarmos, Sra. Presidente, um jornal de junho do ano passado, encontraremos a chamada: Sem-teto montam refúgio sob a ponte. Neste caso estamos falando de crianças que não têm onde parar e dormir. Prosseguindo, lemos na mesma matéria: Um homem, uma mulher grávida de seis meses e cerca de 20 adolescentes e crianças vivem em apartamentos subterrâneos improvisados embaixo da ponte sob o arroio Dilúvio.

Lembro o artigo publicado pelo então candidato a prefeito, Tarso Genro, em meados do ano 2000, quando dizia que Porto Alegre tinha uma situação razoável e que resistia porque tinha uma boa administração.

O jornal O Estado de São Paulo, de 25 de julho, afirmou que Porto Alegre sofre do mal da exclusão. A matéria afirma ainda: Uma das primeiras medidas anunciadas pelo Prefeito Tarso Genro no início do ano foi um plano de expansão dos gastos de assistência social. A prefeitura planeja investir R$ 3,2 milhões nessa área neste ano de 2001. E diz mais: O objetivo é dar abrigo para cerca de 700 moradores de rua, entre os quais 400 crianças. Será que não foi possível nesses 12 anos de Administração Petista resolver o problema dessas crianças?

O jornal Zero Hora de 10 de julho do ano passado publicou: Tarso mostra preocupação com aumento da miséria na Capital. Retirada de crianças das ruas é mantida como meta. Segundo o prefeito, esta é uma ‘utopia possível’ de ser realizada até o final do atual mandato, e que está sendo trabalhada com prioridade. Volto a dizer que, segundo os jornais, são 400 crianças.

Porto Alegre e a exclusão social é o título do artigo escrito em 16 de agosto, ou seja, um mês depois, por José Antônio Cezar, Juiz da Infância e da Juventude de Porto Alegre, que afirma: Tem o poder público municipal, desde a assunção do Prefeito Tarso ao cargo, reiterado, mais de uma vez – vejam bem –, ser prioridade da atual administração o enfrentamento da situação de miséria em que se encontram milhares de pessoas em nossa cidade. Dentre estes chamados excluídos, se sobressaem meninos e meninas moradores de rua, cujas presenças chamam a atenção, seja pelo quadro de indignidade expresso no corpo de um ser humano igual a qualquer um de nós – na maior parte dos casos sujos, maltrapilhos, drogados e sexualmente promíscuos –, seja pela falta de comprometimento com os valores da sociedade idealizada, que os impele à transgressão das normas sociais, eis que, nada tendo a perder, nada precisam observar.

Aqui, o Sr. Juiz é bastante explícito e claro ao referir que: Exemplo típico da omissão com que hoje o problema é tratado pelo poder público municipal ocorreu na frente do Fórum Central na manhã de 7 de agosto. No dia anterior, considerando a reunião de diversos adolescentes nas imediações do prédio da Justiça, onde dormiam, alimentavam-se, faziam suas necessidades e obtinham seus ganhos – na maior parte das vezes com induvidoso constrangimento das pessoas que por ali circulam – e que tal situação já perdurava havia semanas, não tendo o Conselho Tutelar agido, determinou o signatário – o Juiz da Infância e da Juventude –, usando uma faculdade legal, que fossem encaminhados para abrigos da municipalidade. Para tanto, solicitou apoio de reduzido número de policiais militares.

Diz ainda o articulista: O poder público municipal – a Prefeitura Municipal, sob a administração do Prefeito Tarso Genro – negou-se a participar de tal ação – vejam a clareza do juiz –, que para consumo externo é sua prioridade, sob a alegação de que não concordava com aquela forma de abordagem. E por aí segue. Dezesseis de agosto de 2001.

Em setembro, referindo-se a mendigos: A cidade tem 800 moradores de rua identificados, sendo – aqui já diminui o número – 338 adolescentes, 338 crianças. Primeiro de setembro de 2001.

Mais adiante, em 26 de outubro, diz a manchete: Acesso a viaduto é lacrado pela SMOV. Meninos usavam elevada da Rodoviária como moradia. A fenda que até ontem serviu como acesso de cinco jovens em situação de rua ao interior do viaduto da Rodoviária, no centro de Porto Alegre, foi lacrada ontem pela Secretaria Municipal de Obras e Viação– SMOV.

A medida visa a evitar a utilização irregular das galeria internas – que ofereciam riscos aos jovens – como moradia e ponto de consumo de tóxicos, denunciada em reportagem publicada por Zero Hora. Outubro de 2001.

Em 27 de novembro de 2001: Prefeitura lança ações para combater a miséria.

 

O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito – PPB) – Deputado Germano Bonow, comunico a V. Exa. que o tempo de suas duas comunicações de líder está esgotado.

O SR. GERMANO BONOW (PFL) – Sr. Presidente, agradecendo a gentileza de V. Exa., concluo mostrando as reportagens veiculadas no jornal Zero Hora, de 7 de abril de 2002: Pontes ocultam um mundo à parte. Igualmente, no dia 28 de junho do ano passado: Sem-teto montam refúgios sob a ponte.

O Prefeito Tarso Genro sai sem cumprir os compromissos que assumiu diante da sua gente. O Prefeito Tarso faltou com a verdade lamentavelmente. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

 

O SR. PRESIDENTE (Adolfo Brito – PPB) – Registramos a presença 25 alunos e professores da Escola Estadual Ministro Poty Medeiros, de Porto Alegre. Agradecemos a visita ao nosso Parlamento.

Por solicitação da Deputada Luciana Genro, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.

A SRA. LUCIANA GENRO (PT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Cumprimento as Senhoras e os Senhores que acompanham esta Sessão.

Parece que o Deputado Germano Bonow somente toma conhecimento da realidade de Porto Alegre pelos jornais. Precisa vir a esta tribuna com recortes da Zero Hora para falar que existe miséria em nossa cidade.

É evidente que existe miséria em Porto Alegre. Todos nós que andamos pela cidade sabemos que existe miséria nesta Capital. E isso é o resultado do modelo econômico vigente no País, porque a cidade não é uma ilha isolada em um País que vai para o buraco; a cidade não é uma ilha em um País cujo Governo aplica um modelo econômico que somente serve aos interesses dos grandes banqueiros e dos especuladores, do grande capital financeiro internacional.

A política econômica do Governo FHC – que o PFL apoiou e sustentou durante quase todo o seu mandato, somente saindo agora às vésperas da eleição – volta nossos recursos para o pagamento da dívida interna e externa. É uma política de juros altos que provocou o crescimento da nossa dívida pública interna milhares de vezes; que faz com que bilhões e bilhões de dólares sejam repassados ao Fundo Monetário Internacional todos os anos. Essa é uma política recessiva, que joga nossa indústria nacional cada vez mais pelo ralo, provocando desemprego e miséria.

Evidentemente existe miséria em Porto Alegre, pois existe miséria no Brasil. Se não existisse miséria aqui, a Capital dos gaúchos não faria parte do Brasil.

O Deputado Germano Bonow, quando vem a esta tribuna falar de Porto Alegre, esquece de referir os Governos do PFL. Afinal, se fosse possível acabar com a miséria em uma única cidade ou mesmo em um único Estado, por que a família Sarney não acabou com a miséria no Maranhão, onde governa há décadas?

Ao contrário, graças à família Sarney e à Sra. Roseana, o Maranhão é um dos Estados mais pobres do nosso País. Sessenta e três por cento daquela população vive com menos de 80 reais por mês. Uma reportagem do Fantástico mostrou as crianças do Maranhão na beira das estradas, das rodovias pedindo esmolas tentando sobreviver. Não fazem mais isso nas cidades, porque nelas ninguém mais dá esmolas, já que todos vivem na miséria.

Essa é a realidade do Maranhão, que é, sim, responsabilidade do Governo Federal, que provoca o desemprego e adota uma política econômica nefasta para aquele Estado, mas é também responsabilidade daquela família da qual a Sra. Roseana Sarney é o máximo expoente, que tem governado aquele Estado e que consegue colocar o seu nome até mesmo nos Tribunais de Justiça.

O Deputado Germano Bonow vem a esta tribuna falar de Porto Alegre, do seu Prefeito que, supostamente, teria mentido, mas não fala de Roseana Sarney, não explica o valor de mais de 1 milhão de reais encontrado nos cofres da Lunus, da qual ela é sócia, junto com seu marido. S. Exa. não explica porque ela faz tanta questão de ter foro privilegiado e de não abrir suas contas, seu sigilo bancário, seu sigilo fiscal, seu sigilo telefônico. Afinal, quem não deve não teme.

Roseana Sarney deve e, por isso, ela teme muito. Por isso ela insiste no foro privilegiado, por isso ela treme quando se fala em alguma investigação das falcatruas que ela e sua família sempre fizeram e que, finalmente, agora parece que vieram à tona. Essa é a realidade!

O Deputado Germano Bonow também não fala do Paraná, governado pelo PFL. Lá campeia a miséria e, mais do que isso, a violência. O Governo do Paraná, encabeçado pelo Sr. Jaime Lerner, é um dos mais violentos contra os trabalhadores.

No dia 2 de maio de 2000, o Deputado Dionilso Marcon presenciou a violência da Polícia Militar contra os trabalhadores sem-terra, pisoteando crianças, o que resultou, inclusive, numa morte.

Esse é o Governo do PFL no Paraná; esse é o Governo do PFL no Maranhão. Sobre essa realidade o Deputado Germano Bonow não fala, porque ele não tem como explicá-la. Muito obrigada. (Não revisado pela Oradora.)

 

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Por solicitação do Deputado Jorge Gobbi, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.

O SR. JORGE GOBBI (PSDB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Saúdo os telespectadores da TV Assembléia e as pessoas aqui presentes.

Não posso deixar passar em branco esta oportunidade de voltar à tribuna, depois de ouvir a velha tática de bater sempre na mesma tecla, já desgastada, quando se apontam os problemas de Porto Alegre.

O Deputado Germano Bonow reproduziu, baseado em algumas reportagens, as próprias palavras do Sr. Tarso Genro, o qual, para não reconhecer e admitir os erros, joga a culpa nos outros, dizendo que os problemas de Porto Alegre são originários do Governo Federal.

Aliás, na versão do PT, do Governo que aí está, todos os problemas do Rio Grande do Sul tem um único culpado: o Sr. Fernando Henrique Cardoso.

Já me pronunciei aqui mostrando o que representa hoje o volume de recursos que o Governo Federal tem enviado para o nosso Estado.

Historicamente, não há registro do que vem acontecendo atualmente em termos de repasse de recursos do Governo Federal para o Rio Grande do Sul, nas áreas de educação, agricultura, habitação, enfim, em todas os setores, principalmente no da saúde. Se isso não acontecesse, a área da saúde do nosso Estado estaria numa situação muito difícil. E em piores condições estariam os Municípios, porque o Governo Estadual não repassa os recursos da Municipalização Solidária da Saúde, conforme prevê o Orçamento.

Aqui em Porto Alegre temos problemas, sim, com crianças. Por isso perguntamos aos Deputados e Deputadas que defendem o Governo por que a Prefeitura de Porto Alegre, desde o ano passado, não cadastrou 24 mil crianças pobres do Município de Porto Alegre para o recebimento de 15 reais do Programa Bolsa-Escola? Se tivesse tomado essa iniciativa desde o ano passado, quem sabe poderia ter diminuído a reconhecida miséria que existe em Porto Alegre.

Sabemos que 15 reais não é um valor significativo, mas está beneficiando 11 milhões de crianças que precisam permanecer na escola em nosso País – e este é o grande mérito do Programa. No Estado, cerca de 500 mil crianças seriam beneficiadas se todas as prefeituras se cadastrassem.

É essa incoerência e falta de lógica política que temos de mostrar nesta tribuna. Não adianta jogar a culpa nos governos anteriores ou em outras esferas, é preciso mostrar competência para fazer mais, aproveitar o que de bom existe e melhorar o que precisa ser melhorado.

O discurso de que os problemas todos decorrem da herança maldita do Governo anterior aqui no Estado e do Governo FHC é uma tecla desgastada, que não pega mais. Não podemos subestimar a inteligência da sociedade na avaliação desses aspectos.

Sr. Presidente, não poderia deixar de vir a esta tribuna ressaltar que a política está mudando de configuração. Hoje, a sociedade quer que os políticos e os governantes mostrem competência. Quem se habilita a assumir um Estado ou um País tem de mostrar capacidade.

Reconheço que o Governo Federal também tem problemas, apesar dos avanços registrados no País. Ao admitir que precisamos melhorar, não podemos deixar de reconhecer o que já conquistamos com sacrifício.

Aqui no Estado, o Governo, o Partido dos Trabalhadores e a Frente Popular pediram para a sociedade votar no seu projeto, pois iriam melhorar o Estado. Quando assumiram, disseram que não podiam fazer nada porque receberam uma herança maldita. Este é o momento de mostrar competência, caso contrário não se pode habilitar a um cargo. Isso vale para qualquer partido, inclusive o meu, quando perante a sociedade se candidatar para assumir um Governo, seja ele de que nível for.

A sociedade espera ter hoje, através da política, o encaminhamento da solução de seus problemas; espera que haja competência do Poder Público para ajudar a resolver os problemas que aparecem – e este amadurecimento está ocorrendo no País, no nosso Estado, em cada Município.

Repito que a tecla de que a herança é maldita e que o Governo Fernando Henrique Cardoso é o culpado por todos os problemas do Rio Grande do Sul não convence mais. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Terminado o Grande Expediente, passo à

 

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE PROPOSIÇÕES

O primeiro Orador inscrito é o Deputado Roque Grazziotin, a quem concedo a palavra.

O SR. ROQUE GRAZZIOTIN (PT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Saúdo as pessoas que nos acompanham nesta Sessão.

Estamos aqui para apresentar uma proposição em favor de um Manifesto pela Paz no Oriente Médio e, para concretizá-la, já entramos em contato com as Lideranças das Bancadas e com a coordenação do Grupo de Ecumenismo, que abrange as diversas religiões do nosso Estado e, de modo especial, de Porto Alegre.

Para o Manifesto pela Paz estamos colhendo assinaturas de nossos Colegas e das lideranças das diversas religiões – cristã, judaica, hinduísta, budista, islâmica, espírita, dos cultos afro-brasileiros –, reivindicando a importância de uma paz que seja fruto da justiça no Oriente Médio.

Hoje Israel lembra o Holocausto; no entanto, essa região vive num holocausto permanente, no qual o povo palestino é massacrado.

Diziam pensadores de outros tempos: Se queres a paz, construas a guerra. Não acreditamos nessa máxima, mas, sim, que a paz é fruto da justiça, da solidariedade e da irmandade entre os diversos povos.

Hoje o mundo globalizado assiste a qualquer ação, a qualquer atividade, em qualquer canto deste planeta, por intermédio dos meios de comunicação, que trazem os acontecimentos a nossa casa e a cada lugar. Não é mais admissível que a guerra ainda exista, por isso esse Manifesto pela Paz.

Esperamos que todos os Deputados desta Casa possam também assiná-lo, juntamente com os líderes das diversas religiões. Desde já fica o convite ao Sr. Presidente, aos Srs. Deputados, às Sras. Deputadas, a todos os funcionários desta Casa e àquelas pessoas que quiserem participar para a celebração de um culto e para a apresentação do Manifesto pela Paz no Oriente Médio, amanhã, às 18 horas, defronte à Capela Ecumênica desta Assembléia Legislativa.

Esse Manifesto será enviado às autoridades palestinas, ao Governo Israelense, ao Governo Brasileiro, ao Itamaraty, para que esse clamor permanente que está acontecendo no mundo inteiro possa ser suprido, em nossos dias, pelo compromisso concreto e objetivo da construção da paz e da justiça.

Essa é a proposição que apresento não somente em meu nome, mas também em nome da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos desta Casa. Já nos manifestamos para diversas autoridades, expressando aos povos envolvidos o desejo de que venha a acontecer uma paz verdadeira. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – O próximo Orador inscrito é o Deputado José Ivo Sartori, a quem concedo a palavra.

O SR. JOSÉ IVO SARTORI (PMDB) – Sr. Presidente, Deputado Valdir Andres – a quem tive o privilégio de ter como 1Ί Secretário na nossa Mesa Diretora, em 1998 –, Sras. Deputadas, Srs. Deputados:

Neste período da Sessão, venho discutir talvez um dos assuntos mais polêmicos do Rio Grande do Sul nos últimos tempos, que envolve todas as pessoas, especialmente os motoristas. Trata-se da instalação dos pardais em nosso Estado.

Já fizemos, em duas oportunidades, solicitação de informações ao Governo do Estado no que tange à arrecadação e ao número de multas.

Estamos por apreciar, nos próximos dias, um Projeto do Deputado Elmar Schneider que transforma em lombadas eletrônicas os controladores eletrônicos, também conhecidos por pardais, o que seria mais benéfico para os motoristas, pois esse sistema permite uma melhor visualização e a conseqüente e desejada diminuição da velocidade.

Hoje pela manhã, ouvindo um debate sobre essa questão, pude constatar que a esmagadora maioria da população – 88% – entendeu que devem ser instaladas lombadas eletrônicas e não pardais. Apenas 12% da população admitia a presença de pardais. O que votaremos aqui, por meio do Projeto do Deputado Elmar Schneider, será o mesmo que a Assembléia Legislativa de Santa Catarina já propôs e aprovou, transformando, assim, a realidade.

Tenho lido, especialmente, o Jornalista Paulo Sant’ana, que em várias e repetidas oportunidades, na sua coluna, tem manifestado opinião sobre isso.

Devo dizer que sou defensor das penalidades existentes. Ninguém é a favor de que não existam as penalidades, os pardais e as lombadas eletrônicas. Eles devem existir, e isso foi instituído pelo Conselho Nacional de Trânsito.

Como dizia há dois ou três anos, quando essa fúria arrecadatória se instalou no Rio Grande do Sul, o que não se pode aceitar é que essas medidas não sejam educativas, mas apenas penalizadoras. Os pardais devem ser instalados onde há ocorrência de grande número de acidentes, critério que, na verdade, não é respeitado, pois esses equipamentos são colocados de forma sorrateira, sendo escondidos, para poderem arrecadar recursos.

Sr. Presidente, concluo defendendo a proposta do Deputado Elmar Schneider e dizendo que, hoje, no programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, a maioria dos consultados manifestou-se a favor da implantação do processo educativo e não do punitivo, que visa apenas a aumentar a arrecadação.

Quando teve início a discussão da instalação dos pardais, fiz um Pedido de Informação, e o então Sr. Secretário dos Transportes, hoje Deputado Federal, dizia que não tínhamos documento nenhum e que o Estado estimava a sua receita, em 24 meses, apenas com os controladores eletrônicos – na época, eram 44 e, hoje, são em torno de 95, com mais 90 lombadas eletrônicas –, em 532 milhões, 952 mil, 260 reais e 94 centavos. São 266 milhões de reais por ano. Esses números são referentes aos anos de 1999 e 2000. Imaginem o que irá acontecer daqui para frente.

Sr. Presidente, solicito que os documentos com esses dados sejam transcritos nos anais da Casa. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

 

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Defiro a solicitação de V. Exa.

(Matéria entregue para transcrição.)

 

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – O próximo Orador inscrito é o Deputado Giovani Cherini, a quem concedo a palavra.

 

O SR. GIOVANI CHERINI (PDT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Acredito que esta Casa esteja encaminhando os projetos de origem parlamentar para que sejam votados neste plenário. Venho promovendo uma campanha cerrada para que esses projetos sejam valorizados. Particularmente, tenho gasto um bom tempo de minha atividade parlamentar na apresentação de projetos.

Esta Casa tem de, definitivamente, valorizar o trabalho dos Deputados quanto à apresentação de projetos de lei. No ano passado, foram votados aqui tão somente 38 projetos de autoria de Parlamentares, o que significa que analisamos neste plenário pouco mais de meio projeto por Deputado. Enquanto isso, votamos mais de 400 matérias, de interesse de diferentes setores, do Poder Executivo e do Poder Judiciário. Dessa forma, estamos seguidamente abrindo mão do nosso papel de legisladores.

Na pauta de hoje constam dois Projetos de autoria do Deputado Frederico Antunes. Na de amanhã constam vários Projetos. Um deles é de autoria do Deputado João Luiz Vargas, e alguns são de minha autoria, os quais cito:

– Projeto que cria o selo para a erva-mate, identificando a composição do produto ao consumidor;

– Projeto que altera a Lei n° 10.982, relativa a descontos no preço das passagens de ônibus para aposentados – esse Projeto tem apoio total da Fetag, que mobilizou, outro dia, 6 mil pessoas na Praça da Matriz, e uma das três reivindicações era justamente a sua votação;

– Projeto que propõe a criação do Programa Vida em Família, que visa à real valorização de crianças adotivas e a possibilidade de que tenham uma família;

– Projeto que institui, em caráter complementar, o ensino de Filosofia nas escolas, a exemplo de Santa Catarina, Paraná e Brasília – hoje, infelizmente, não ensinam as pessoas a pensarem; precisamos introduzir essa disciplina nas nossas escolas, o que certamente mudará a sua realidade; isso já está funcionando em três Estados, por meio de projeto de lei estadual;

– Projeto que institui o Programa de Segurança Comunitária, que hoje existe na Prefeitura de Novo Hamburgo e funciona com rádios ligando a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Guarda Municipal e a Polícia Federal, fazendo a segurança comunitária;

– Projeto que cria o Conselho Estadual de Projetos Sociais – hoje, na área social temos somente discurso e pouca ação;

– Projeto que dispõe sobre a agricultura orgânica no Estado do Rio Grande do Sul;

– Projeto que dispõe sobre a política estadual de incentivo à criação e implantação de consórcio intermunicipal, aquilo que chamo de pós-emancipações;

– Projeto que dispõe sobre a política de desenvolvimento do ecoturismo e do turismo sustentável no Rio Grande do Sul;

– Projeto que institui uma política estadual cooperativista, criando um fundo estadual para o cooperativismo;

– Projeto que dispõe sobre a administração, a proteção e a conservação das águas subterrâneas de domínio do Estado – Projeto que hoje é lei no Estado de Minas Gerais;

– Projeto que institui o Programa Gaúcho de Incentivo à Pecuária de Leite – leite gaúcho – no Rio Grande do Sul.

Todos nós poderemos contribuir muito mais com o nosso Rio Grande se esta Casa adotar a linha de valorizar o trabalho parlamentar – campanha que tenho promovido no interior do Estado e por onde passo.

Precisamos votar projetos de Deputados, pois, na medida em que não votamos, a sociedade julga que fazemos muito pouco. Está na hora de isso acontecer, e felizmente esta Casa está acordando para assim proceder. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

 

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Não havendo mais Oradores inscritos para o período de Apresentação e Discussão de Proposições, passo à

 

ORDEM DO DIA

Solicito ao Secretário que proceda à chamada dos Deputados para a verificação de quórum.

O Sr. Secretário - Bancada do PT: Deputados Cecilia Hypolito (ausente); Dionilso Marcon (ausente); Edson Portilho, presente; Elvino Bohn Gass, presente; Flávio Koutzii (ausente); Ivar Pavan, presente; Luciana Genro, presente; Luis Fernando Schmidt (ausente); Maria do Rosário, presente; Ronaldo Zülke (ausente); Roque Grazziotin, presente.

Bancada do PPB: Deputados Adolfo Brito (ausente); Érico Ribeiro (ausente); Francisco Appio (ausente); Frederico Antunes, presente; João Fischer, presente; José Farret, presente; Marco Peixoto (ausente); Maria do Carmo, presente; Otomar Vivian (ausente); Valdir Andres, presente; Vilson Covatti, presente.

Bancada do PTB: Deputados Abílio dos Santos, presente; Aloísio Classmann, presente; Edemar Vargas, presente; Eliseu Santos, presente; Iradir Pietroski, presente; Luis Augusto Lara (ausente); Manoel Maria, presente; Osmar Severo, presente; Paulo Moreira, presente; Sérgio Zambiasi (ausente).

Bancada do PDT: Deputados Adroaldo Loureiro, presente; Ciro Simoni (ausente); Giovani Cherini, presente; João Luiz Vargas, presente; Kalil Sehbe, presente; Paulo Azeredo (ausente); Vieira da Cunha, presente.

Bancada do PPS: Deputados Berfran Rosado, presente; Bernardo de Souza, presente; Cézar Busatto, presente; Iara Wortmann, presente; Mario Bernd, presente; Paulo Odone, presente.

Bancada do PMDB: Deputados Alexandre Postal, presente; Elmar Schneider, presente; Jair Foscarini, presente; João Osório (ausente); José Ivo Sartori, presente.

Bancada do PFL: Deputados Germano Bonow, presente; Onyx Lorenzoni (ausente).

Bancada do PSDB: Deputados Adilson Troca (ausente); Jorge Gobbi, presente.

Bancada do PC do B: Deputada Jussara Cony, presente.

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Presentes 38 Deputados, há quórum para deliberação.

Em discussão e votação o Projeto de Lei nΊ 204/2001, do Deputado Frederico Antunes: Denomina Estrada do Vinho a Rodovia RST-444. Este Projeto entra na Ordem do Dia de acordo com o art. 63 da Constituição Estadual.

Em discussão. (pausa) Não havendo manifestação de nenhum dos Deputados, encerro a discussão.

Em votação. Solicito aos Deputados que registrem seu voto.

(Procede-se à votação pelo painel eletrônico.)

Partido

UF

PARLAMENTAR

VOTO

PPB

RS

ÉRICO RIBEIRO

S

PTB

RS

MANOEL MARIA

S

PPB

RS

FREDERICO ANTUNES

S

PPB

RS

JOÃO FISCHER

S

PPB

RS

JOSÉ FARRET

S

PPB

RS

VALDIR ANDRES

S

PPB

RS

VILSON COVATTI

S

PMDB

RS

ALEXANDRE POSTAL

S

PPS

RS

BERFRAN ROSADO

S

PPS

RS

CÉZAR BUSATTO

S

PMDB

RS

ELMAR SCHNEIDER

S

PPS

RS

IARA WORTMANN

S

PMDB

RS

JAIR FOSCARINI

S

PMDB

RS

JOÃO OSÓRIO

S

PMDB

RS

JOSÉ IVO SARTORI

S

PPS

RS

PAULO ODONE

S

PC DO B

RS

JUSSARA CONY

S

PTB

RS

ABÍLIO DOS SANTOS

S

PPS

RS

MARIO BERND

S

PTB

RS

ALOÍSIO CLASSMANN

S

PTB

RS

EDEMAR VARGAS

N

PTB

RS

ELISEU SANTOS

S

PTB

RS

IRADIR PIETROSKI

S

PTB

RS

OSMAR SEVERO

S

PTB

RS

PAULO MOREIRA

N

PDT

RS

ADROALDO LOUREIRO

S

PDT

RS

GIOVANI CHERINI

S

PDT

RS

JOÃO LUIZ VARGAS

S

PDT

RS

KALIL SEHBE

S

PDT

RS

VIEIRA DA CUNHA

S

PT

RS

EDSON PORTILHO

S

PT

RS

IVAR PAVAN

S

PT

RS

LUCIANA GENRO

S

PT

RS

MARIA DO ROSÁRIO

S

PT

RS

ROQUE GRAZZIOTIN

S

PPS

RS

BERNARDO DE SOUZA

S

PSDB

RS

JORGE GOBBI

S

PFL

RS

GERMANO BONOW

S

 

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Com 36 votos favoráveis e 2 votos contrários, está aprovado o Projeto de Lei nΊ 204/2001.

A SRA. MARIA DO CARMO (PPB) – Sra. Presidente, voto sim ao Projeto.

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Esta Presidência registra seu voto favorável à matéria recém-aprovada, permanecendo, entretanto, o resultado consignado no painel eletrônico.

 

O SR. VILSON COVATTI (PPB) – Sr. Presidente, solicito a suspensão da Sessão por alguns minutos, antes de apreciarmos o próximo Projeto.

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Solicito aos Líderes de Bancada que se manifestem quanto à proposição apresentada pelo Deputado. (pausa) Havendo a concordância unânime de S. Exas., declaro suspensa a Sessão por três minutos.

(Suspende-se a Sessão.)

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Estão reabertos os trabalhos da presente Sessão.

 

O SR. FREDERICO ANTUNES (PPB) – Sr. Presidente, solicitamos a V. Exa. – este Parlamentar e o Deputado João Luiz Vargas, autores da matéria – a retirada do Requerimento que, com base no art. 63 da Constituição do Estado, propiciou a entrada do Projeto de Lei nΊ 315/2001 na Ordem do Dia.

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Defiro a solicitação de V. Exas.

Em votação o Requerimento de Dispensa de Publicação e Interstício para a imediata votação da redação final do Projeto de Lei nΊ 204/2001, ora aprovado, Requerimento este assinado pela Deputada Maria do Rosário. Os Deputados que o aprovarem permaneçam sentados. (pausa) Aprovado.

Em votação a redação final do Projeto referido no Requerimento ora aprovado. Os Deputados que a aprovarem permaneçam sentados. (pausa) Aprovada.

Não havendo mais matéria a ser deliberada, declaro encerrada a Ordem do Dia.

Passo às

 

COMUNICAÇÕES

Com a desistência antecipada dos Deputados Luis Fernando Schmidt, Valdir Andres e Iradir Pietroski, a próxima inscrição pertence ao Deputado Adroaldo Loureiro. Por cessão de tempo, concedo a palavra ao Deputado Kalil Sehbe.

 

O SR. KALIL SEHBE (PDT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Estivemos, na última sexta-feira, numa reunião na cidade de Feliz com a Associação dos Oleiros da Região do Vale do Caí, os nossos ceramistas, aqueles que confeccionam os tijolos e telhas com qualidade e mão-de-obra familiar.

O Decreto Governamental nΊ 40.179 determinou que se mantivesse o ICMS que incide sobre esses produtos em 7%. Isso é importante para a geração e manutenção de empregos dos oleiros do Rio Grande do Sul. Tenho certeza de que o Sr. Governador do Estado e o Secretário da Fazenda, Arno Augustin, terão o bom-senso de prorrogar esse Decreto, porque conhecem, infelizmente, esta guerra fiscal: os produtos ceramistas oriundos de Santa Catarina têm ICMS de 7%, e o Rio Grande do Sul não pode voltar a ter uma carga tributária de 12% sobre os mesmos produtos.

Por isso, Sr. Presidente e Srs. Deputados, estamos solidários, acompanhando o movimento da Associação dos Oleiros do Estado. A diferença percentual de 5% do produto oriundo de Santa Catarina para o do Rio Grande do Sul faria com que o mercado diminuísse; diminuindo a venda, diminuiria a produção; diminuindo a produção, diminuiriam os empregos.

Nós, conhecedores da Região do Vale do Caí, sabemos que todas as olarias trabalham com mão-de-obra familiar. São pequenas e médias empresas que promovem o desenvolvimento do nosso Estado, gerando muitos empregos nesse setor. Já tivemos perdas decorrentes das enchentes, que foram uma tragédia, e não podemos, em minuto algum, vacilar.

Deixamos ao Líder do Governo o pedido para que o Executivo reedite logo esse Decreto, não para vigorar por um ano ou dois, mas, quem sabe, para ser transformado em lei. Essa guerra fiscal existe, e temos de combatê-la, o que só pode ser feito com bom-senso, não deixando produtos gaúchos fora do mercado.

Por isso, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fizemos esse pedido, que já foi protocolado na Secretaria da Fazenda. No exercício do nosso mandato como Deputado e representante da Região Nordeste do Estado e da Encosta da Serra, solicito providências. Ficamos na esperança de que o Governo do Estado não deixe em pânico os produtores desse segmento comunitário e reedite o Decreto de favorecimento à renda familiar, à pequena e à microempresa do setor oleiro deste Estado. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

 

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Por solicitação da Deputada Jussara Cony, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.

A SRA. JUSSARA CONY (PC do B) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Venho a esta tribuna trazer uma manifestação da nossa Bancada e do nosso Partido, o PC do B, contra a barbárie, em defesa da paz e do povo palestino.

O que está ocorrendo é uma afronta às resoluções da Organização das Nações Unidas – ONU – , é uma indiferença aos brados de protesto que ecoam em todos os continentes. O Governo de Israel, sob a chefia do truculento General Ariel Sharon, vem alargando a cada dia a ocupação militar das cidades e dos territórios sob a administração da Autoridade Nacional Palestina. Nessa invasão, que se exacerbou nos últimos tempos, o exército israelense utiliza numeroso e sofisticado aparato bélico, numa guerra aberta e covarde contra a população civil palestina. As tropas israelenses, numa agressão inominável, continuam mantendo sob sítio o Presidente Yasser Arafat, em Ramallah.

A fúria guerreira israelense, neste momento, vem adquirindo feições hediondas. Comete-se o genocídio contra o povo palestino. Milhares de civis continuam prisioneiros em suas próprias casas. Centenas de tanques deslocam-se destruindo tudo o que encontram pela frente. Segundo a Cruz Vermelha, uma organização internacional, a aviação está bombardeando inclusive hospitais. O cerco militar está impedindo a entrada de alimentos e medicamentos; as ambulâncias estão proibidas de socorrer os feridos e até mesmo de recolher os cadáveres que estão apodrecendo nas ruas ou no interior das residências; as igrejas históricas, os locais religiosos, sagrados e os sacerdotes estão sendo alvo de agressões.

Esse massacre, talvez um dos mais cruéis a que a humanidade assistiu nos últimos tempos, está ocorrendo com a cumplicidade do imperialismo norte-americano. É bom denunciarmos isso, porque o Sr. George Bush está se arvorando no grande defensor da paz, o que não é verdade. O Governo Bush vem respaldando e apoiando, historicamente, as atrocidades de Ariel Sharon e do exército israelense.

O povo palestino está sendo mais uma vítima da guerra longa e prolongada jurada por Bush quando dos atos terroristas aos Estados Unidos, que condenamos. Mas também condenamos as atitudes de Bush, que dizia, na época dos atentados terroristas: Ou estão conosco ou estão com os terroristas – numa clara manifestação contra as lutas de libertação dos povos que não concordam com a política imperialista dos Estados Unidos.

É bom que esses fatos fiquem claros, porque hoje a ONU está exigindo a retirada, e a imprensa, de forma geral, noticia que o Presidente Bush é quem está buscando esse acordo e pedindo a retirada das tropas.

Diante de situação tão grave, o Partido Comunista do Brasil expressa sua veemente condenação a essa operação guerreira do Governo de Israel contra uma população desarmada e indefesa. Nós, do PC do B, consideramos tal agressão uma verdadeira barbárie que necessita ser barrada pela manifestação vigorosa de todos os setores democráticos progressistas do nosso País e do mundo.

 

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Deputada, o tempo de V. Exa. já está ultrapassado. (pausa) Por solicitação da Oradora, concedo o tempo de mais uma comunicação de líder a S. Exa.

A SRA. JUSSARA CONY (PC do B) – Nós, do PC do B, estamos exortando todos os que se opõem a essa guerra criminosa e que sejam partidários da paz a realizarem atos e manifestações. No Brasil tem ocorrido muitos atos importantes em Brasília, em São Paulo, e precisamos multiplicá-los pelo País afora. No domingo passado, Deputado José Farret, realizou-se uma manifestação importante no Brique da Redenção; amanhã, teremos outra, às 16 horas, na Rua Voluntários da Pátria, em frente à Ulbra, antigo prédio da Mesbla.

Há pouco, o Presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, Deputado Roque Grazziotin, estava recolhendo assinaturas de todos os Deputados. Amanhã, às 18 horas, teremos aqui na Assembléia Legislativa um culto ecumênico pela paz, reunindo todas as religiões, todos aqueles que buscam efetivamente a paz – não a paz dos cemitérios, patrocinada pelas guerras imperialistas – que se fundamenta na soberania das nações, na autodeterminação dos povos.

O Sr. Kalil Sehbe (PDT) – V. Exa. permite um aparte?

 

A SRA. JUSSARA CONY (PC do B) – Nobre Deputado, estou em comunicação de líder e, infelizmente, não posso conceder apartes, o que me deixaria honrada, porque V. Exa. é um companheiro defensor da luta dos povos, da paz e da democracia. Mas faço referência a V. Exa., Deputado Kalil Sehbe, e ao Deputado José Farret, que são Parlamentares que têm origem neste povo de luta, o povo palestino, o povo árabe, os povos do Oriente Médio.

Nosso Partido Comunista do Brasil – nossos Vereadores, nossos Deputados Estaduais e Federais, nossos Senadores e a Direção Nacional do nosso Partido, que produziu este manifesto Contra a Barbárie, em Defesa da Paz e do Povo Palestino –, assim como todos os democratas do mundo, reafirma sua solidariedade ativa ao bravo povo palestino e exige a imediata retirada do Exército Israelense dos territórios ocupados. Não aceitamos a retirada simbólica para reduzir a pressão internacional. Que retirada simbólica é essa de retirarem as tropas e os soldados, se o cerco pode ser mantido? Que retirada simbólica é essa, se Ariel Sharon, Primeiro- Ministro de Israel afirma, no Parlamento, que a ofensiva na Cisjordânia continuará até que os extremistas palestinos sejam esmagados?

O que significa ser extremista? O que é extremismo senão a invasão dos povos, a matança que está sendo feita com o povo palestino? Este conflito hediondo no Oriente Médio está sendo patrocinado pelos interesses do imperialismo, fundamentados na questão econômica, na questão do petróleo.

Se o povo de Israel tem direito ao seu Estado – e concordamos com isso – , o povo palestino também tem direito ao Estado Palestino. E nós, democratas do mundo, temos de lutar por isso, somando-nos à brava luta do povo palestino, no sentido de garantir a sua soberania, a sua independência, o seu Estado Palestino. Queremos que se ponha fim ao execrável confinamento imposto ao Presidente Yasser Arafat, autoridade respaldada pelo povo palestino.

A paz almejada no Oriente Médio só será possível – e nós, do PC do B, temos consciência disto e, há muito, vimos dizendo – com o estabelecimento do Estado Palestino, conforme as várias resoluções da ONU. E mais, a instituição do Estado Palestino, para garantir a paz no Oriente Médio, é uma importante contribuição para a paz no mundo, nessa ótica de que a paz mundial só será alcançada com respeito à autodeterminação dos povos, com a garantia do direito dos povos de construírem o seu Estado nacional. E é isto o que o povo palestino quer: construir o seu Estado nacional, resgatando sua soberania e sua independência. Só podemos falar em paz se houver a nossa participação efetiva pela paz.

No nosso País, por exemplo, neste ano de 2002, construir um projeto nacional é essencial para a construção da soberania do Brasil, contribuindo assim também com a construção da soberania das demais nações.

Finalizo meu segundo tempo de liderança manifestando-me contra a barbárie, em defesa da paz e em defesa do povo palestino, e somo-me a todos os democratas e patriotas deste País, que, nesta jornada heróica dos povos do mundo, irão garantir, sem dúvida, o apoio ao heróico povo palestino. Obrigada. (Não revisado pelo Oradora.)

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – O próximo Orador inscrito é o Deputado Jair Foscarini, a quem concedo a palavra.

O SR. JAIR FOSCARINI (PMDB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Hoje pela manhã, participei da reunião da Comissão de Educação desta Casa, da qual não sou membro titular, nem suplente, pois presido a Comissão de Constituição e Justiça, cujas reuniões ocorrem no mesmo dia e na mesma hora. Lá tive a oportunidade de trazer à tona um assunto de relevante importância que está acontecendo na área de educação em Novo Hamburgo.

Neste último fim de semana, pela segunda vez, invadiram uma área da Escola Estadual Senador Alberto Pasqualini para lá fazerem ocupação urbana. Já houve uma invasão, de 27 famílias, no ano passado; mais exatamente no dia 21 de maio de 2001. O Estado entrou com uma ação de reintegração de posse, recebeu autorização, só que, até o momento, não foi feita essa reintegração de posse.

Agora nesse fim de semana, ocorreu uma segunda invasão nessa Escola. A comunidade escolar está sobremaneira alvoroçada. A questão de segurança, principalmente, atinge diretamente os mais de mil alunos que freqüentam a Escola Alberto Pasqualini.

O Estado está tentando resolver o problema com a Secretaria Especial de Habitação há praticamente um ano, só que, como ainda não surgiu nenhuma possibilidade de solução para o impasse, houve essa segunda invasão.

Hoje, pela manhã, em Novo Hamburgo, fui procurado por oito representantes da Escola, preocupados que estão com a situação. Afinal, foram arrebentados cadeados e correntes quando adentraram no prédio mais de 150 pessoas, que ainda se encontram lá, numa área destinada à educação e não à habitação. O temor do corpo docente e discente da Escola é que essas invasões continuem acontecendo, inviabilizando o funcionamento da Escola e gerando o caos absoluto.

Seria fundamental criarmos um grupo e irmos, in loco, analisar a situação para, juntamente com a 2ͺ Coordenadoria Regional do Ensino, com a Secretaria Especial de Habitação do Estado e com a Secretaria de Habitação de Novo Hamburgo, realizarmos uma reunião com a finalidade de estancar esse problema, sob pena de, amanhã ou depois, termos quinhentas ou mil pessoas numa área, repito, destinada à educação e não à habitação. Os Deputados Jorge Gobbi, Edson Portilho e Maria do Rosário já manifestaram seu apoio à formação desse grupo.

Se houver um consenso por parte do corpo funcional e do corpo de alunos da Escola Senador Alberto Pasqualini no sentido de ceder parte de sua área para um projeto habitacional, será possível uma solução, mas acredito que não haja a possibilidade desse acordo, já que a área é destinada ao ensino, e sequer essas áreas estão sendo respeitadas hoje. Invadem uma escola do mesmo modo que invadem áreas de fazendas improdutivas, e sendo uma área destinada a um estabelecimento de ensino deveria ter o respeito de todos.

Estamos falando no direito de estudar, de ir-e-vir; no direito de tranqüilidade e de segurança dos alunos e professores. Quando um grupo de mais de 150 pessoas invade um terreno, ficam muito intranqüilas todas as famílias, todos que lá estão.

Esperamos que o Estado reverta essa situação, conseguindo uma moradia digna para essas pessoas, mas não dentro de uma área destinada à educação. Era isso, Sr. Presidente. (Não revisado pelo Orador.)

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Registro e saúdo a presença em plenário do ex-Deputado Arno Frantz, grande amigo desta Casa.

A próxima inscrição pertence à Deputada Maria do Rosário, a quem concedo a palavra.

A SRA. MARIA DO ROSÁRIO (PT) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

É impossível não nos pronunciarmos, não oferecermos à sociedade gaúcha uma clara posição sobre os acontecimentos no Oriente Médio e não nos pautarmos pelo caminho da paz, da unidade dos povos e do direito não só à autodeterminação, mas a uma vida com dignidade e, para tanto, a uma nação, a um território reconhecido internacionalmente.

Recebi da Professora Marila Fay de Azambuja, ex-Diretora – hoje aposentada – do Instituto de Educação General Flores da Cunha, um cartão em que ela diz que encontrou na Bíblia a definição de paz. Escreveu a Professora Marila: Seu sentido – o da paz – ultrapassa o da própria ausência de guerra. Na realidade, é o dom que inclui todos os outros: bem- estar, felicidade, saúde, prosperidade, segurança, salvação, relações sociais equilibradas, harmonia entre Deus e os homens, vida vivida em plenitude. E pergunta ela: Não é isso que buscamos?

Para onde vai a humanidade? Para onde caminha a humanidade, se nos sentimos à vontade e percebemos como naturais os acontecimentos no Oriente Médio? Esses acontecimentos devem ser rejeitados plenamente, na medida em que, confinados numa pequena fração do seu território, mais de 3 milhões de palestinos enfrentam uma guerra total, provocada por um Estado terrorista, o Estado de Israel.

A conquista do Estado de Israel, quando da sua definição pelas Nações Unidas, foi saudada por toda a humanidade como uma conquista democrática para os povos. É impossível não percebermos, no entanto, que a outra parte dessa resolução, a qual estabelece pleno respeito ao território palestino, ao Estado Palestino, foi em tudo desrespeitada na última metade do século.

Portanto, vivemos uma situação na qual a política belicista do Governo de Israel contradiz todo o interesse de uma humanidade que clama pela paz e que inaugurou o ano 2000 com a perspectiva de que essa paz pudesse ser uma realidade para os povos do mundo.

É impossível convivermos com o fato de que, desde 28 de setembro de 2000, mais de 1.025 mortos foram contabilizadas pelo povo palestino. Desses, cerca de 30% eram crianças e adolescentes menores de 18 anos. É impossível fecharmos os olhos para a prática do assassinato seletivo, por meio da qual o Estado de Israel persegue e mata especialmente os jovens, que podem oferecer alguma resistência à opressão bélica israelense.

É inaceitável que muitos dos jornalistas que se encontram naquela região não possam sequer oferecer boletins informativos aos veículos de comunicação internacionais, como é inaceitável que Yasser Arafat se encontre hoje cercado pelos tanques israelenses. Se isso ocorre com uma liderança reconhecida internacionalmente, imaginem o que se passa com o povo palestino, com as mães, com as crianças, com os desarmados que estão vivendo essa situação de guerra, de território ocupado!

Há mais de 30 anos os territórios destinados aos palestinos estão ocupados pelo Governo Israelense. Até onde vai a ousadia do Estado de Israel? Até onde vai a ousadia terrorista do Estado de Israel? Até onde os Estados Unidos, por meio do Governo Bush, estabelecerem uma retaguarda militar para essa ação oportunista, bélica e avassaladora sobre o povo palestino.

Nós, que estamos no sul do Brasil, no Rio Grande do Sul, onde convivemos com ambas as comunidades e onde percebemos a grandeza da contribuição de cada uma delas, onde judeus e palestinos, nesta Casa, assim como em todos os cantos deste Estado, nas escolas e no mundo do trabalho, convivem e constroem um tempo de harmonia, podemos dar, sem dúvida, uma declaração de não-tolerância à violência no Estado de Israel, uma declaração de apoio e solidariedade ao povo palestino, uma declaração, enfim, que afirme que a violência não nos levará a nada que não seja a própria violência e a destruição. Muito obrigada.(Não revisado pela Oradora.)

 

O SR. PRESIDENTE (Valdir Andres – PPB) – Com a desistência antecipada da Deputada Iara Wortman, a próxima inscrição pertence ao Deputado Vilson Covatti. Por cessão de tempo, concedo a palavra ao Deputado José Farret.

O SR. JOSÉ FARRET (PPB) – Sr. Presidente e Srs. Deputados:

Ocupo esta tribuna para fazer minha homenagem aos 175 anos do nascimento de João Niederauer Sobrinho.

Aos 17 anos, João Niederauer Sobrinho adotou Santa Maria como sua terra natal e é considerado o mais ilustre descendente dos imigrantes Niederauer, bem como a mais ilustre personalidade militar local.

Na madrugada de 4 de abril de 1827, nasceu na localidade de Três Forquilhas, atual Itati, o guri João Niederauer Sobrinho – conhecido pelos seus apenas como João Niederaruer –, filho de Felipe Leonardo Niederauer e Anna Catarina Diehl.

Em janeiro de 1850, alistou-se como alferes no Primeiro Regimento de Cavalaria. Participou da campanha contra Oribes e Rosa de 1851 a 1852, tendo sido condecorado com a medalha de prata com fita verde.

Em 1852, casou-se com sua prima Maria Catarina Niederauer.

Em 1854, nomeado Capitão-Comandante do 1Ί Esquadrão de Cavalaria, marchou com a Divisão Imperial Auxiliadora para sufocar uma revolução no Uruguai.

Em 1857 e 1858, vigiou a fronteira oeste do País, integrando o 4Ί Corpo Provisório da Guarda Nacional do Exército de Observação do Ibicuí.

Pelos relevantes serviços prestados à Pátria, foi nomeado, em maio de 1860, Tenente-Coronel do 41Ί Corpo da Guarda Nacional do Município de Santa Maria, Rio Grande do Sul.

No período entre lutas, exerceu a função de Juiz de Paz, Vereador e Delegado de Polícia. Foi eleito Vereador em 1861, tendo sido reeleito em 1864 como o mais votado e, mais uma vez, em 1868. Durante essas duas gestões, foi convocado para participar da campanha da Tríplice Aliança.

Em 1865, participou da Batalha de Payssandu e do Cerco de Montevidéu. Em 1866, foi nomeado Coronel-Comandante Superior da Guarda Nacional de Santa Maria.

Após as Batalhas Estero Belaco e Tuiuti, foi investido do Comando da 3ͺ Brigada e da 2ͺ Divisão de Cavalaria. Participou das Batalhas de Curupaiti, Tuyucué, Humaitá e da tomada da Vila do Pillar, tendo sido destacado por sua bravura pelos comandantes da Divisão e do Exército.

Em abril de 1868, foi nomeado Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro. Comandou a 2ͺ Divisão na Batalha de Avaí. No segundo embate, em Villeta, foi atingido por uma lança paraguaia de forma traiçoeira enquanto inspecionava os mortos após o combate, vindo a falecer em 13 de dezembro de 1868, com 41 anos de idade. O vanguardeiro de Itororó ficou conhecido por sua notável bravura, perícia e magnanimidade para com os vencidos.

Santa Maria é considerada a segunda cidade do País em potencial militar, e a nossa 6ͺ Brigada de Infantaria é denominada Brigada Niederauer. Por isso, nada mais justo do que prestar esta homenagem. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Com a desistência antecipada do Deputado Luis Augusto Lara e do Deputado Ciro Simoni, a próxima inscrição pertence ao Deputado João Osório. Por cessão de tempo, concedo a palavra ao Deputado Elmar Schneider.

O SR. ELMAR SCHNEIDER (PMDB) – Sra. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Concordo com a Deputada Maria do Rosário quando diz que a violência realmente não traz nada a ninguém, mas seria bom que as palavras de S. Exa. pudessem fazer eco também junto ao Movimento dos Sem-Terra, sustentado no Rio Grande do Sul com dinheiro público, com dinheiro do Governo do Estado, cujos integrantes ficam embaixo de uma lona preta, ganham em torno de 15 reais por dia – mais a cesta básica – e, quando invadem propriedades, Deputado José Farret, seqüestram as pessoas e destroem o que elas possuem. Isso é algo que acontece diante dos nossos olhos aqui no Rio Grande do Sul.

Tomara Deus que esse episódio tenha reflexos no nosso dia-a-dia, para que tenhamos um pouco mais de paz no campo, na fronteira do Rio Grande, onde as pessoas estão assustadas, apavoradas com os trabalhadores sem terra, que andam por aí armados, promovendo verdadeiras guerrilhas e destruindo aquilo que as pessoas adquiriram ao longo das suas vidas com muito trabalho e sacrifício. Que a paz que está sendo pedida para o Oriente Médio possa chegar também ao nosso Estado do Rio Grande do Sul. Queira Deus que isso possa vir a acontecer.

Também gostaria de agradecer a todos os meus colegas Parlamentares que aprovaram um Projeto de nossa autoria, vetado pelo Governador Olívio Dutra – o que, aliás, é normal, pois S. Exa. realmente não tem uma boa relação com os Poderes Judiciário e Legislativo –, que trata da doação de órgãos no Estado do Rio Grande do Sul.

Ontem tive a alegria de receber das mãos do Presidente desta Assembléia Legislativa, Deputado Sérgio Zambiasi, a nova Lei nΊ 11.751, um Projeto de Lei nosso, que incentiva a doação de órgãos. Esse Projeto foi construído sobre três pilares. O primeiro é no sentido de que a Central de Transplantes tenha autonomia financeira, para que seus agentes possam deslocar-se com tranqüilidade para todas as regiões do Estado do Rio Grande do Sul.

O segundo pilar, Deputado Cézar Busatto, se refere ao fato de que já temos 15 hospitais que estão autorizados a fazer o primeiro atendimento. Com essa autonomia financeira, a Central poderá nomear uma equipe inter-hospitalar com um coordenador para todos esses hospitais, o qual trabalhará junto à família do doador e para conseguir mais doadores.

O terceiro pilar seria no sentido de que a Secretaria de Estado da Educação estude a possibilidade de haver, na escola pública estadual, uma disciplina que divulgue a doação de órgãos, o que é fundamental.

Hoje, graças ao bom Deus, no Rio Grande do Sul temos três doadores para um milhão de habitantes, enquanto que, no Brasil, a média é de oito doadores para cada milhão de habitantes.

Olhem as dificuldades que enfrenta a nossa Central! Para que o telespectador da TV Assembléia possa ter uma idéia, conto um fato ocorrido. Para salvar uma vida, um táxi foi a Caxias do Sul buscar um coração. Na volta, a Polícia Rodoviária o interceptou e constatou que a documentação estava incompleta. O taxista dizia que precisava seguir viagem, mas a Polícia dizia que não podia liberá-lo. Mas eu estou transportando um coração para salvar uma vida!, alegava o motorista aflito.

E o Governador Olívio Dutra vetou esse nosso Projeto. Meu Deus do céu!

Numa outra ocasião, morreu um doador de órgãos cuja filha não sabia dessa circunstância, dessa opção do seu pai. Ao saber do seu falecimento, a filha, que estava em Curitiba, disse: Ninguém coloca a mão no meu pai enquanto eu não estiver de volta. E assim têm sido perdidas chances de salvar vidas.

Com esses exemplos, quero dizer que, graças à Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, essa Lei propiciará o salvamento de novas vidas, dará mais esperança às pessoas que estão na fila, angustiadas, desesperadas, aguardando um coração, um rim, uma córnea, um fígado.

Sra. Presidente e Srs. Deputados, estou muito feliz, pois, no meu primeiro mandato, sou autor de cinco Leis. E tenho certeza de que, nesta ou na próxima semana, a Assembléia Legislativa estará votando mais um Projeto de Lei de minha autoria, que elimina todos os pardais e oferece a possibilidade de instalação de lombadas eletrônicas. Se Deus quiser, terminarei o mandato com seis Leis que reputo de extrema importância. Muito obrigado. (Não revisado pelo Orador.)

A SRA. PRESIDENTE (Maria do Rosário – PT) – Com a desistência antecipada dos Deputados Ronaldo Zülke, Adolfo Brito, Manoel Maria, Jussara Cony e Jorge Gobbi, não havendo mais Oradores inscritos, estão encerradas as Comunicações.

Passo às

EXPLICAÇÕES

PESSOAIS

Não havendo Oradores inscritos para este período, declaro encerrada a presente Sessão, convocando os Deputados para outra, amanhã, à hora regimental.

(Levanta-se a Sessão às 16h50min.)

Estiveram presentes a esta Sessão os seguintes Parlamentares:

Bancada do PT: Deputados Dionilso Marcon; Edson Portilho; Elvino Bohn Gass; Ivar Pavan; Luciana Genro; Maria do Rosário; Roque Grazziotin.

Bancada do PPB: Deputados Adolfo Brito; Érico Ribeiro; Frederico Antunes; João Fischer; José Farret; Maria do Carmo; Otomar Vivian; Valdir Andres; Vilson Covatti.

Bancada do PTB: Deputados Abílio dos Santos; Aloísio Classmann; Edemar Vargas; Eliseu Santos; Iradir Pietroski; Manoel Maria; Osmar Severo; Paulo Moreira.

Bancada do PDT: Deputados Adroaldo Loureiro; Giovani Cherini; João Luiz Vargas; Kalil Sehbe; Paulo Azeredo; Vieira da Cunha.

Bancada do PPS: Deputados Bernardo de Souza; Berfran Rosado; Cézar Busatto; Iara Wortmann; Mario Bernd; Paulo Odone.

Bancada do PMDB: Deputados Alexandre Postal; Elmar Schneider; Jair Foscarini; João Osório; José Ivo Sartori.

Bancada do PFL: Deputados Germano Bonow; Onyx Lorenzoni.

Bancada do PSDB: Deputados Adilson Troca; Jorge Gobbi.

Bancada do PC do B: Deputada Jussara Cony.