
SESSÃO SOLENE PARA ENTREGA DA MEDALHA DE DEPUTADO EMÉRITO, EM 11 DE DEZEMBRO DE 2002
Presidência do Deputado Sérgio Zambiasi
Às 14h15min o Sr. Sérgio Zambiasi assume a direção dos trabalhos.
O
SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Invocando a proteção
de Deus, declaro aberta a presente Sessão Solene, de outorga do título
de Deputado Emérito ao Exmo. Sr. Senador e ex-Deputado Pedro Simon.
Exmo. Sr. Senador e ilustre homenageado desta Sessão, Sr. Pedro Simon; Exmo. Sr. Chefe da Casa Civil, Sr. Gustavo de Mello, neste ato representando o Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Sr. Olívio Dutra; Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça do Estado em exercício, Sr. Roberto Bandeira Pereira; Exmo. Sr. Deputado Federal e Governador eleito do Estado do Rio Grande do Sul, Sr. Germano Rigotto – em seu nome, saúdo os demais Exmos. Srs. Deputados Federais presentes; Exmo. Sr. Ministro do Superior Tribunal Federal e ex-Senador da República, Sr. Paulo Brossard; Exmo. Sr. Procurador-Chefe da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, Sr. Luis Alberto D’Azevedo Aurvalle; Exmo. Sr. Vereador Luiz Fernando Záchia, neste ato representando o Exmo. Sr. Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Sr. José Fortunati; Exmo. Sr. Diretor do Foro Central de Porto Alegre, Sr. Rinez da Trindade; Exmo. Sr. Coronel Iranir Flores de Siqueira, neste ato representando o Exmo. Sr. General do Exército e Comandante do Comando Militar do Sul, Sr. Pedro Augusto da Silva Néto; Exmo. Sr. Cônsul-Geral da Itália, Sr. Mario Panaro; Exmo. Sr. Cônsul-Geral do Japão, Sr. Kanji Tsushima; Exmo. Sr. Cônsul Honorário do Líbano, Sr. Ricardo Malcon; Exmo. Sr. Conselheiro e Presidente em exercício do Tribunal de Contas do Estado, Sr. Porfírio Peixoto; Exmo. Sr. Presidente do Tribunal Militar, Sr. João Carlos Bona Garcia; Exmas. Sras. e Exmos. Srs. Parlamentares e ex-Parlamentares desta Casa; Revmo. Sr. Irmão Mainar Longhi, neste ato representando o Magnífico Sr. Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Irmão Norberto Rauch; Exmo. Sr. Presidente da Associação dos Juízes do Estado do Rio Grande do Sul – Ajuris –, Sr. Desembargador José Aquino Flôres de Camargo; Exmas. Sras. e Exmos. Srs. Prefeitos e Vice-Prefeitos; Exmas. Sras. e Exmos. Srs. Presidentes de Câmaras de Vereadores; Exmas. Sras. e Exmos. Srs. Vereadores; Ilma. Sra. Conselheira-Presidente do Conselho Superior da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul, Sra. Maria Augusta Feldman; Ilmas. Sras. e Ilmos. Srs. Presidentes Dirigentes de Partidos Políticos; Ilmas. Sras. e Ilmos. Srs. Presidentes Dirigentes de Sindicatos, Associações e Órgãos de Classe; demais autoridades; Ilmas. Sras. e Ilmos. Srs. Servidores desta Casa; Ilmas. Sras. e Ilmos. Srs. Representantes da Imprensa; Senhoras e Senhores:
Convido os presentes para, de pé, ouvirmos o Hino Nacional, executado pelo cantor Vítor Hugo e acompanhado pelo músico Paulo Bracht.
(Ouve-se o Hino Nacional.)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Homenageamos, hoje, um homem que ao longo de sua vida firmou-se como um autêntico patrimônio do Rio Grande do Sul e símbolo da coragem e da fibra de nossa gente.
Pedro Simon ultrapassou todas as fronteiras de partidos e ideologias para tornar-se um cidadão gaúcho especial, uma voz identificada com o nosso povo, as nossas raízes e as nossas ambições. Uma voz forte, que tem levado a saga do Rio Grande do Sul pelo Brasil afora.
Desde o início da sua carreira como Vereador em Caxias do Sul, em 1960, passando por vários mandatos nesta Casa, no Senado e, também, como Ministro e Governador do nosso Estado, Simon forjou com trabalho e dignidade uma imagem forte para todos nós, Parlamentares e homens públicos, de luta, ética, coerência e profundo espírito democrático.
Simon é um exemplo para todos aqueles que defendem a democracia, a liberdade e a construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Ele é um dos poucos homens públicos em plena atividade e vigor que já reservou seu lugar na história do Brasil, do Rio Grande e, como não poderia deixar de ser, deste Parlamento, que hoje o distingue com o mais que merecido título de Deputado Emérito.
Podemos ressaltar também a grande coragem deste gaúcho notável, que, ao lado de outras figuras importantes da história brasileira recente – como Ulisses Guimarães, Teotônio Villela, Franco Montoro, Mário Covas e outros –, lutou bravamente pelo restabelecimento da democracia.
Pedro Simon sempre esteve ao lado das grandes causas, nunca se acovardou ou fugiu do debate, sempre esteve presente na defesa intransigente da ética, da coerência e da honestidade pública.
Por essa sua luta, Simon se tornou um símbolo do Rio Grande e ganhou respeito, admiração e um profundo reconhecimento. Hoje, o nosso Senador está no pódio máximo dos homens que ajudaram a dar uma dimensão especial para a história rio-grandense.
Mais do que um prêmio, Senador Pedro Simon, V. Exa. merece o nosso respeito, o nosso carinho e os nossos desejos de que continue a iluminar a estrada dos políticos gaúchos por sua conduta irrepreensível e pela sua sabedoria de um cidadão realmente especial.
Por isso, amigo Simon – permita-me assim chamá-lo –, gostaria também de registrar publicamente, antes de passar a palavra ao Deputado Alexandre Postal, proponente desta homenagem, o privilégio que terei, a partir de fevereiro do próximo ano, de conviver mais amiudemente com V. Exa., como seu Colega da Bancada Gaúcha no Senado. Com certeza, recorrerei à sua sabedoria e ao seu conhecimento, consultando-o e buscando orientação sempre que a dúvida me assaltar e os interesses do Rio Grande estiverem em jogo.
Convido o Exmo. Sr. Deputado Alexandre Postal, proponente desta homenagem, a fazer uso da palavra em nome do Parlamento Rio-Grandense. Muito obrigado.
O SR. ALEXANDRE POSTAL (PMDB) – Exmo. Sr. Presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Deputado Sérgio Zambiasi, Senador eleito que, a partir do próximo ano, com orgulho, estará ao lado do nosso Senador Pedro Simon e do Senador eleito Paulo Paim; Exmo. Senador Pedro Simon, ilustre homenageado desta Sessão; Exmo. Sr. Chefe da Casa Civil, Sr. Gustavo de Mello, neste ato representando o Exmo. Sr Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Sr. Olívio Dutra; Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça do Estado em exercício, Sr. Roberto Bandeira Pereira; Exmo. Sr. Germano Rigotto, Deputado Federal e Governador eleito do Estado do Rio Grande do Sul, na pessoa de quem saúdo os demais Deputados Federais presentes; Exmo. Sr. Ministro do Superior Tribunal Federal, Sr. Paulo Brossard; Exmo. Procurador-Chefe da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, Sr. Luis Alberto D’Azevedo Aurvalle; Exmo. Sr. Vereador Luiz Fernando Záchia, colega Deputado eleito, neste ato representando o Exmo. Sr. Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Sr. José Fortunati; Exmo. Sr. Diretor do Foro Central de Porto Alegre, Sr. Rinez da Trindade; Exmo. Sr. Coronel Iranir Flores de Siqueira, neste ato representando o Exmo. Sr. Comandante do Comando Militar do Sul, Sr. General-de-Exército Pedro Augusto da Silva Néto; Exmo. Sr. Cônsul-Geral da Itália, Sr. Mario Panaro; Exmo. Sr. Cônsul-Geral do Japão, Sr. Kanji Tsushima; Exmo. Sr. Cônsul Honorário do Líbano, Sr. Ricardo Malcon; Exmo. Sr. Presidente em exercício do Tribunal de Contas do Estado, Sr. Porfírio Peixoto; Exmo. Sr. Presidente do Tribunal Militar, Sr. João Carlos Bona Garcia; Exmas. Sras. e Exmos. Srs. Parlamentares e ex-Parlamentares presentes, que honram esta Casa; Revmo. Sr. Irmão Mainar Longhi, neste ato representando o Magnífico Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Sr. Irmão Norberto Rauch; Exmo. Sr. Presidente da Ajuris, Desembargador José Aquino Flôres de Camargo; Exmas. Sras. e Srs. Prefeitos e Vice-Prefeitos; Exmas. Sras. e Srs. Presidentes de Câmaras de Vereadores; Exmas. Sras. e Srs. Vereadores; Ilma. Sra. Conselheira-Presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados e ex-Deputada desta Casa, Sra. Maria Augusta Feldman; Ilmas. Sras. e Srs. Presidentes e Dirigentes de Partidos Políticos; Ilmas. Sras. e Srs. Presidentes e Dirigentes de Sindicatos, Associações e Órgãos de Classe; demais Autoridades; Sras. e Srs. Servidores desta Casa; Sras. e Srs. Representantes da Imprensa; Sras. e Srs. Companheiros do meu PMDB, Sras. e Srs. Integrantes de todos os Partidos que nos honram com sua presença:
Neste dia, é uma honra muito grande, para mim, representar o meu Partido nesta homenagem ao maior líder, sem sombra de dúvida, que o PMDB produziu no século passado; um homem como tantos que – não só do PMDB, mas de outros partidos –, nesta Casa, se forjaram e iniciaram a sua vida pública.
Esta Casa, em maio de 1988, instituiu a distinção Deputado Emérito, a ser outorgada a ex-Parlamentares que, ao longo de sua carreira, tenham prestado relevantes serviços ao Poder Legislativo do Rio Grande do Sul.
Tive a honra, em 12 de abril de 2000 – portanto, há mais de dois anos –, de propor a outorga desse título ao Senador Pedro Simon.
Que esta oportunidade, na qual a Assembléia Legislativa do Estado presta justa homenagem a S. Exa., também sirva para exaltarmos as posturas com que esta Casa, em todos os tempos, esteve comprometida sempre que chamada a dar seu testemunho quanto aos mais importantes acontecimentos da história do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Os envelhecidos volumes dos anais, que repousam silenciosos em nossa biblioteca desde os distantes idos de 1835, quando da instalação da primeira Assembléia Provincial, dão-nos notícia das extraordinárias figuras que enobreceram este Parlamento durante o Império, a Primeira República e nos tempos modernos.
Daqui saíram inúmeros governadores, secretários, ministros, chefes de gabinete parlamentaristas, presidentes dos mais altos tribunais e presidentes da República. Mas não podemos deixar de referir que, além de políticos e juristas, daqui também saíram notáveis intelectuais, poetas consagrados e os mais valentes guerreiros.
Não foi por acaso que o pensador de Pedras Altas, em sua História Rio-Grandense, disse ter sido aqui, no próprio seio do Parlamento, consolidada a idéia da revolta de 1835. Nesta Casa tinham assento, quando da eclosão daquela que foi nossa maior epopéia, Bento Gonçalves, José Domingos de Almeida, Marciano Pereira Ribeiro, Gonçalves Chaves e Magalhães Calvet, entre outros.
Quando adentramos o velho prédio que foi a sede deste Poder por um século e meio, do outro lado da Rua Duque de Caxias, ao lado do Palácio Piratini, é óbvio que não nos deparamos com a figura de homens como Gaspar da Silveira Martins, Assis Brasil, Getúlio Vargas, Raul Pilla, João Neves da Fontoura, Lindolfo Collor, Daniel Krieger, Mem de Sá, Fernando Ferrari, José e Francisco Brochado da Rocha, Tarso Dutra, João Goulart, Dionélio Machado e Egídio Michaelsen, que já nos deixaram há muito tempo. Mas sentimos, sim, a estranha sensação de que ali, na chamada Casa Cor-de-Rosa – que já foi denominada por alguns pesquisadores de Catedral da Política Rio-Grandense –, esses homens ainda estão confabulando, cada qual escrevendo com mais brilho do que o outro a página que lhe foi reservada na história política desta Província.
Essas figuras extraordinárias, entre tantas outras, engrandeceram as tradições políticas de nosso Estado, projetaram-se no cenário nacional e se transformaram em lideranças com atuações marcantes em todos os grandes episódios que a nossa Pátria já viveu, cada um a seu tempo e dentro das circunstância de cada época.
Por que outorgar a Pedro Simon o honroso título de Deputado Emérito?
Ora, Sr. Presidente, minhas Senhoras e meus Senhores, dentre as muitas maneiras de se aferir o reconhecimento em relação à atuação de um homem público, duas, desde logo, brotam ao natural: a que emana dos profissionais da imprensa que, ao longo dos anos, exercem sua atividade no campo político – e que por isso mesmo se tornam testemunhas da história – e a que decorre da expressão do povo, traduzida de diferentes formas, mas principalmente da que se infere em razão do voto, da confiança renovada.
Pedro Simon exerceu o mandato de Deputado nesta Casa por 16 anos, exatamente num dos mais difíceis momentos da vida brasileira.
Chegou aqui aos 32 anos – como este Deputado –, depois de consagrado pelos seus conterrâneos de Caxias do Sul e de ter exercido uma das mais notáveis lideranças na política universitária brasileira. Simon começou sua militância presidindo o grêmio estudantil do seu colégio e chegou à presidência da tradicional União Nacional dos Estudantes – UNE – com passagens pela presidência de entidades de abrangência sul-americana.
No decorrer de seus quatro mandatos, Simon proferiu mais de 2 mil discursos, segundo os registros levantados em nossos anais. Com exceção do seu primeiro ano, logo assumiu a liderança da bancada de seu partido e, como conseqüência natural, a da oposição gaúcha ao regime militar imposto ao povo brasileiro em abril de 1964.
Há pouco, o ex-Deputado Waldir Walter dizia-me que, naquela época, cada Parlamentar proferia, em média, 100 discursos por ano, enquanto Pedro Simon não proferia menos de 300 nesse mesmo período.
Pretender bordar este pronunciamento com o registro de episódios que, na ocasião, alcançaram a mais alta repercussão, protagonizados pelo ilustre Senador rio-grandense, seria torná-lo fastidioso, apesar da importância que cada um deles encerrava. Seriam contas em demasia; contas, sem dúvida, do mais alto valor; contas, enfim, do rosário da sua vida pública.
O melhor mesmo é simplesmente lembrar que um dos acontecimentos mais aguardados naquela época era a outorga do Prêmio Springer por um Rio Grande Maior. Uma expectativa incomum era gerada ao final de cada legislatura, pois todos queriam saber que Deputado seria escolhido, em razão de sua atuação, pelos jornalistas credenciados na Casa. O Springer era a maior glória que um Parlamentar poderia receber. Para noticiar a solenidade de entrega desse Prêmio, os jornais generosamente abriam suas páginas; as emissoras, seus espaços.
Pois bem, nos 16 anos em que desempenhou mandato nesta Casa, Pedro Simon foi agraciado oito vezes com o cobiçado troféu, incluindo-se dois destaques especiais em razão de sua extraordinária atuação política.
Quando Simon chegou ao Senado Federal, em 1979, seu nome já despontava nacionalmente como sendo o de uma das maiores e mais consagradas lideranças deste País. Não foi por outra razão que, um ano depois, lhe foi confiada a secretaria-geral de seu partido e, logo, a vice-presidência nacional.
Pedro Simon sempre revelou especial preferência pelo jogo da política, com a qual tem mantido relação monogâmica, e sua atuação como Deputado Estadual foi rica em tomada de posições, nas quais colocava o interesse do Estado acima de interesses pessoais ou partidários.
A implantação do Pólo Petroquímico, que hoje representa um dos maiores esteios de nossa economia, é o exemplo mais expressivo do que afirmo.
O Rio Grande estava marginalizado. O novo Pólo iria para a Bahia, ou para o Rio de Janeiro, ou para São Paulo. Nada indicava, à época, que essa tendência pudesse ser alterada. Foi então que o líder da Oposição, exatamente aquele que mais fustigava os governantes de então, atravessou a Praça da Matriz para levar sua solidariedade ao Governador, dando início a um dos maiores movimentos de que se tem notícia, um movimento de união entre todos os segmentos da sociedade gaúcha em torno de um objetivo que era comum e representava um anseio generalizado.
Todo o Brasil falou sobre o assunto, apontando nosso Estado como exemplo em relação à forma de se proceder quando está em jogo um interesse maior. Foi uma luta árdua, liderada por uma Comissão Especial criada e presidida por Pedro Simon, que moveu céus e montanhas, mas acabou por conquistar o que no início parecia impossível. Os grandes jornais gaúchos rasgaram manchetes proclamando: O Pólo é nosso. Foi uma batalha gigantesca, completada mais tarde, quando Simon era Governador, com o início da duplicação do Pólo, levada a cabo definitivamente já em outros governos, que também somaram esforços em torno da grande luta.
A conquista do Pólo foi festejada por todos, e os profissionais da imprensa não pouparam referências, as mais elogiosas, à decisiva contribuição prestada por Simon.
Há outros três fatos, entre incontáveis, protagonizados pelo atual Senador, em relação aos quais a imprensa foi unânime em proclamar sua extraordinária participação. Apesar de terem acontecido quando S. Exa. já não mais exercia seu mandato de Deputado, não há por que não os mencionar, tal sua excepcional significação.
Há unanimidade sobre ter sido o movimento das Diretas Já que determinou o fim do período de autoritarismo que imperou no Brasil por mais de 20 anos, a partir de 1964. Essa convicção está inserida em nossa história.
Mas é sempre bom lembrar que foi aqui em Porto Alegre que aconteceu o primeiro ato público daquela extraordinária explosão das multidões brasileiras. Foi realizada ali na Esquina Democrática, onde estiveram presentes Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, entre outros, a reunião organizada pelo PMDB gaúcho. Simon era o coordenador nacional do movimento, designado pela direção de seu Partido. Depois de Porto Alegre, veio Cachoeira do Sul, Curitiba, Goiás, e aí o Diretas Já se alastrou por todos os cantos do Brasil. Ganhou de tal forma fantástica as praças públicas que seu grande condutor passou a ser o povo brasileiro, mais ninguém. Mas foi Simon quem liderou e organizou as primeiras manifestações.
O mesmo Simon que, no período negro do autoritarismo, liderou a resistência democrática, demonstrou, a par de uma infinita capacidade de diálogo, a firmeza e a indignação necessárias para evitar, por exemplo, que o pior acontecesse com prisioneiros do sistema repressivo.
Da mesma forma, S. Exa. teve atuação da maior importância quando, já no processo de retorno à democracia, contribuiu, ao lado de Teotônio Vilela, para que a anistia se transformasse em realidade e tantos brasileiros pudessem reencontrar as suas condições plenas de cidadania.
O outro fato está relacionado ao Mercosul. Apesar de se saber que acordos internacionais só se operam por meio de entendimentos e de ações promovidos por estados independentes, representados por seus respectivos governos, ninguém negará que, quando Governador do Estado, Pedro Simon conquistou a honra de ter sido um dos mais importantes pioneiros da criação do Mercosul.
O Correio do Povo, em editorial publicado no dia 23 de agosto de 1989, assinala que, em relação ao Mercosul, o nome de Simon já está na história. E assevera em seguida: No bojo desse processo, que há de florescer, estará sempre presente o nome de Pedro Simon, um de seus maiores incentivadores.
Foram incontáveis as vezes em que o nosso Deputado Emérito se reuniu com os Presidentes da Argentina, do Uruguai e do Paraguai, entre outros. Sua palavra foi calorosamente aplaudida por Alfonsin, Menem, Sanguinetti, Lacalle, André Rodrigues, Zamora, Patricio Aylwin e Sarney.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Srs. Convidados e Governador do Estado eleito, Sr. Germano Rigotto, Pedro Simon é o único rio-grandense que mantém mandato popular há 44 anos, ininterruptamente. Começou como Vereador em Caxias do Sul, sua terra natal, e nunca mais parou. Deputado Estadual por 16 anos; Senador de terceiro mandato; Governador do Estado. Nas eleições parlamentares que disputou, sua votação foi sempre num crescendo. Sete mil e oitocentos votos em 1962; 34 mil em 1966; 62 mil em 1970; 142 mil em 1974; 1 milhão e 751 mil votos em sua primeira eleição para o Senado – 56% do eleitorado gaúcho votou nele. Em 1990, sua volta ao Senado foi consagradora. Já em 1998, fez mais votos do que todos os candidatos que disputaram o pleito no Rio Grande do Sul. Obteve mais votos que o candidato que se elegeu governador e muito mais que os candidatos presidenciáveis que aqui concorreram. Pode-se afirmar, sem medo de estar cometendo um exagero: Pedro Simon também é um autêntico campeão de votos!
A esta qualidade, acrescente-se a de ser ele um autêntico homem de partido. Sem dúvida, Pedro Simon foi a força propulsora básica na organização do MDB e do PMDB gaúchos, antes de dar também sua contribuição decisiva no plano nacional. Não por acaso, a seção rio-grandense do Partido sempre foi considerada uma referência para todo o País em termos de estruturação e posicionamentos programáticos, o que o PMDB sempre teve de melhor.
É preciso destacar que nunca se construiu um Parlamento sólido e eficiente sem a existência de partidos igualmente preparados para interpretar e canalizar a voz das ruas, o clamor da sociedade, transformando-o em ações conseqüentes, como o PMDB gaúcho tem feito ao longo da sua existência.
Certa feita, em discurso proferido no Senado, Simon disse o seguinte: A rigor, sou um animal político. Nunca pratiquei qualquer tipo de atos de comércio. Advoguei e fiz política. Minhas contas são abertas. Sou um homem da classe média, de hábitos da classe média e que mantém o seu padrão ao longo do tempo. Estou nesta Casa porque gosto. Poderia aceitar as aposentadorias integrais a que tenho direito, mas não as recebo. Sendo Senador, só como Senador devo receber. Eticamente, essa é a posição que me conforta.
Para concluir esta justa homenagem ao grande líder de todos os peemedebistas e – por que não dizer – de homens e mulheres de todos os partidos que admiram a sua forma de conduzir a política, sempre dentro dos princípios éticos que a própria política exige, faço a seguinte afirmativa:
Pedro Simon jamais herdou patrimônio público de quem quer que seja. Como alguém já proclamou, sua vida pública foi construída toda ela, tijolo por tijolo, dentro de uma postura irrepreensível. Dele não se conhece um só ato que deixasse de estar revestido com o manto que simboliza sua mais notável marca: a humildade, a obstinação pelo cumprimento do dever e a honestidade.
Meu Líder, uma de suas grandes lições que vai marcar a minha história política, a história do nosso PMDB e a história dos povos gaúcho e brasileiro, não poderia passar em branco.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados e Srs. Convidados, certa vez, num passado não muito distante, Pedro Simon destacou o seguinte: Não sou daqueles cuja consciência sempre machuca. Não sou daqueles que consideram ter realizado grandes obras. Aquele líder da oposição que, durante 30 anos, andou pelo Rio Grande do Sul, não fez tudo o que sonhava para melhorar as condições de vida do seu povo durante o seu governo. Na verdade, entre o que queremos, o que sonhamos e o que fazemos há uma diferença infinita. A minha consciência, porém, não me acusa de não ter feito o que podia, de não ter cumprido a minha parte.
Caros colegas Parlamentares, que essa mensagem de Simon sirva de exemplo à nossa consciência política, para que possamos avançar e cada vez mais diminuir aquela diferença infinita entre sonhar, querer e fazer para melhorar as condições de vida de todos os cidadãos.
Quero agradecer a todos que, de uma maneira ou de outra, colaboraram para que esta Sessão Solene pudesse acontecer. Agradeço ao Dr. José Bacchieri Duarte, nosso amigo; ao Deputado Bernardo de Souza; ao Renato Abreu; à Assessoria de Imprensa da Bancada do PMDB – Eunice de Siqueira Flores, Carlos Sávio e Celso Luiz Bender –, aos departamentos de fotografia e de eventos culturais, à Biblioteca, ao Cerimonial e a todos os Parlamentares que colaboraram para que pudéssemos realizar este ato.
Quero agradecer, Senador Pedro Simon, pela sua história, por aquilo que representa para nós, homens públicos deste País, em termos de ética, de honradez e de exemplo que nos dignifica.
Temos grandes tarefas pela frente. Ninguém mais do que nós e o Governador eleito Germano Rigotto terá pela frente tão grandes tarefas. Mas nos estamos espelhando em V. Exa., com a confiança de fazer o máximo que cada um pode para termos no futuro também a tranqüilidade de dizer que fizemos aquilo que pudemos, e não tudo aquilo que gostaríamos. Obrigado, Senador Pedro Simon. (palmas) (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Antes da manifestação do nosso homenageado, convido o Exmo. Sr. Deputado Alexandre Postal, 1º-Secretário da Mesa Diretora desta Casa, para que juntos, em nome do Parlamento Gaúcho, com muita honra, outorguemos o título de Deputado Emérito a S.Exa., o Sr. Senador Pedro Simon.
(Procede-se à entrega do título.) (palmas)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Neste momento, concedo a palavra a S. Exa. o Sr. Senador da República e Deputado Emérito do Rio Grande do Sul, Pedro Simon.
O SR. PEDRO SIMON – Exmo. Sr. Presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Deputado Sérgio Zambiasi, que, como Senador deste Estado, haverá de honrá-lo no Senado Federal; Exmo. Sr. Chefe da Casa Civil, Gustavo de Mello, neste ato representando o ilustre Governador do Estado, Sr. Olívio Dutra; Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça do Estado em exercício, Roberto Bandeira Pereira; Exmo. Sr. Deputado Federal e Governador recém-eleito do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. Em seu nome, saúdo os demais Deputados Federais. Nossas esperanças e minha certeza, meu amigo Rigotto, de que, representando o Estado, haverás de honrar o Governo do Rio Grande do Sul.
Prezado amigo Paulo Brossard, velho lutador que, quando falava, o Brasil parava para escutar. Foi Brossard que, em 1974, percorrendo os caminhos do Rio Grande, disse-me: Pedro, repara como as coisas estão mudando. O Brasil já não é mais o mesmo. As nossas reuniões já estão cheias de mulheres e de crianças. Algo que, antes daquela época, não acontecia. Com Brossard, mudamos aqui, e, com Brossard, mudou o Senado Federal.
Exmo. Sr. Procurador-Chefe da Procuradoria Regional da República da 4a Região, Luis Alberto D’Azevedo Aurvalle; prezado amigo Vereador Luiz Fernando Záchia, líder, companheiro de Partido e sofredor do Internacional, neste ato representando o Exmo. Sr. Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, José Fortunati; Exmo. Sr. Diretor do Foro Central de Porto Alegre, Rinez da Trindade; Sr. Coronel Iranir Flores de Siqueira, neste ato representando o Exmo. Sr. General de Exército e Comandante Militar do Sul, Pedro Augusto da Silva Néto; Exmo. Sr. Cônsul-Geral da Itália, Mario Panaro; Exmo. Sr. Cônsul-Geral do Japão, Kanji Tsushima; Exmo. Sr. Cônsul Honorário do Líbano e prezado amigo, Ricardo Malcon; Exmo. Sr. Conselheiro, Presidente em exercício do Tribunal de Contas do Estado e prezado amigo, Porfírio Peixoto; Exmo. Sr. Presidente do Tribunal Militar, João Carlos Bona Garcia; Exmas. Sras. e Srs. Parlamentares e ex-Parlamentares desta Casa; Revmo. Sr. Irmão Mainar Longhi, neste ato representando o Magnífico Sr. Reitor da minha querida Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, uma das instituições maristas às quais devo toda a minha formação – ocorrida no Colégio Rosário e na Faculdade de Direito da PUC –, Irmão Norberto Rauch; Exmo. Sr. Presidente da Ajuris – Associação dos Juízes do Estado do Rio Grande do Sul –, Desembargador José Aquino Flôres de Camargo; Exmas. Sras. e Srs. Prefeitos e Vice-Prefeitos; Sras. e Srs. Vereadores; Exmas. Sras. e Srs. Presidentes de Câmaras de Vereadores; Sra. Conselheira-Presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados, Maria Augusta Feldman; Sras. e Srs. Presidentes e Dirigentes de Partidos Políticos; Sras. e Srs. Presidentes, Dirigentes de Sindicatos, Associações e Órgãos de classe; demais Autoridades; Sras. e Srs. Servidores desta Casa; Sras. e Srs. Representantes da Imprensa; Senhoras e Senhores:
Confesso que esta foi a mais longa lista de saudação que já fiz. Nunca vi um serviço de cerimonial tão perfeito como o de V. Exa., Presidente Sérgio Zambiasi. Meus cumprimentos.
Meu prezado amigo Deputado Alexandre Postal, agradeço a V. Exa. por esta iniciativa e pelas palavras aqui proferidas, que conseguiram me emocionar. V. Exa. foi muito além daquilo que eu merecia, mas foi na medida exata do que merece esta Assembléia Legislativa. Digamos que se aproveita o espaço, que se aproveita uma pessoa, colocando-a na frente para recordar a biografia e a história do nosso Rio Grande e da nossa Assembléia Legislativa.
Tenho a honra de falar desta tribuna e de dizer que não há tribuna mais digna, nem mais firme, nem mais respeitável na história deste Brasil do que a da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Esta é uma tribuna que tem história, que representa um povo fantástico, que é o povo gaúcho.
Com o maior respeito e com o maior carinho pelo Brasil, afirmo que o Rio Grande é o Rio Grande. A pátria rio-grandense representa uma biografia, uma história de luta e de garra, de resistência e de conquista. Mas não se pode olhar para o Rio Grande do Sul sem olhar para a Assembléia Legislativa, porque é ela que representa exatamente a plêiade de capacidade, de dignidade e de correção da gente gaúcha.
Eu, como o Paulo Brossard, comecei lá na casa velha. Tivemos a honra de ser Deputados no velho casarão da Assembléia Legislativa. De lá, viemos para cá, para esta excepcional sede, mas não mudaram a honradez e a firmeza da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
De 1963 a 1980, vivi aqui momentos difíceis, mas, nesses momentos, esta Assembléia Legislativa continuou prestando grandes serviços ao Brasil.
Enfrentamos grandes debates, grandes lutas defendendo o velho MDB; e os nossos adversários do outro lado. Mas, como salientou muito bem o Deputado Alexandre Postal, na hora de unirmos o Rio Grande, estávamos juntos.
Acredito, Sr. Representante do Governador e meu querido amigo Rigotto, que haverá de acontecer aquilo que sempre dizíamos desta tribuna, ainda que Deputados cassados, ainda que injustiças estivessem acontecendo: O que é bom para o Rio Grande do Sul é bom para o PMDB.
E acredito que esta é uma característica nossa, do povo deste Estado: colocarmos o Rio Grande em primeiro lugar! Colocarmos a nossa terra à frente de tudo na hora de defender o Rio Grande do Sul!
Foram momentos difíceis. Momentos em que tivemos que fazer afirmativas duras, em que ocorreram afastamentos de companheiros nossos, companheiros que lutaram e defenderam o Rio Grande do Sul e que, desta Casa, foram afastados pela força. Mas nós continuamos a caminhada defendendo a tese de que a democracia haveria de ser retomada pela paz e pelo respeito, sem luta armada, sem guerra civil e sem força bruta.
Lembro-me, Senador Brossard, da nossa campanha de 1970, quando fomos derrotados pelo voto em branco porque havia grupos que não nos aceitavam, que achavam que o MDB era um Partido que estava coonestando o regime e que estava impedindo que as lutas democráticas assumissem e levassem de roldão os que se estavam adonando do poder. Parecia que, em 1970, a democracia havia sucumbido.
Logo depois, em 1974, começamos tudo de novo e conseguimos a retomada da democracia. E, graças a Deus, este País se tornou democrata, alcançou a liberdade e a democracia passo a passo, conquista por conquista, sem a luta armada, sem a violência e sem a guerra civil.
Quando cobravam de mim companheiros outros que caminhavam naquela direção por que nós, do MDB do Rio Grande do Sul, não aceitávamos participar, por que continuávamos numa posição cômoda, numa tribuna tranqüila em vez de aceitar a luta, respondíamos: Qual a garantia que nos dão de que isso possa ter êxito? Que garantia temos de que a luta armada não dividirá o Brasil, assim como a Coréia, em Brasil do Norte e Brasil do Sul? Acho que devemos caminhar firmes até chegarmos lá. E chegamos. Passo após passo, conquista após conquista, chegamos à plenitude da vida democrática.
Hoje, em entrevista à imprensa internacional, o nosso ilustre Presidente eleito, Lula, falando como futuro Presidente, respondeu àqueles que queriam compará-lo às forças radicais da Colômbia, a Fidel Castro e a outros mais que não admite essas comparações, porque quando entraram na caminhada para buscar o poder, entraram pela via institucional. Fundaram um partido político, defenderam uma idéia, entraram na campanha, lutaram e ganharam. E hoje estão lá, na Presidência da República.
Que bom o caminho da vida democrática! Nós sabemos a luta e a dificuldade que tivemos para trilhá-lo. E que bom termos, neste momento, um Presidente que significa o novo. Nós, adversários ou companheiros, devemos rezar para que esse Governo dê certo. É muito importante que dê certo. Quem é companheiro do Lula deve torcer para que dê certo, e quem não gosta do Lula deve torcer para que dê certo, porque é ruim, é péssimo para o Brasil que não dê certo. Da mesma forma, Rigotto, é bom para nós que o teu Governo dê certo, e haverá de dar certo.
Hoje, vivemos um momento tremendamente importante na vida brasileira. É inédito um operário, um retirante, um salvado da morte sair de uma cidade onde o índice de mortalidade infantil era de 60% e chegar à Presidência da República, apresentando um projeto que, me parece, haverá de ter o apoio de todos nós.
É importante esta hora que vive o País, porque o mundo olha para o Brasil. Não é à toa que o Presidente Bush fez questão de receber o Presidente eleito de maneira especial, fazendo uma série de referências. Parece até que eram amigos a vida inteira.
A verdade é que o Brasil tem um grande futuro. Nosso País é hoje, na minha opinião, junto com a Índia e com a China, a Nação que apresenta os prognósticos do novo e do futuro deste século. A China apresenta uma explosão fantástica, crescendo 10% ao ano; a Índia está praticamente terminando com o problema da fome, e o Brasil possui as maiores reservas de terras agricultáveis do mundo, as maiores reservas de água doce do mundo, um povo de paz e amante do trabalho.
Essas três supernações, essas três nações-continente reúnem as condições para serem o futuro num mundo que hoje prima por ser um só, de um único país. Haveremos de ser o mundo globalizado, onde as lideranças de vários países poderão falar.
Falo assim, falo para a frente, falo para o futuro, porque não gostaria de falar apenas no passado. Ser Deputado Emérito é uma honra muito grande. É uma emoção muito grande estar ali, ao lado do meu amigo Brusa Netto, irmão e companheiro de todas as horas, ao lado de Britto Velho, o grande Britto Velho.
Quando estourou o movimento de 64 saímos daqui, chegamos no Rio e não sabíamos o que fazer, todo mundo com medo de todo mundo. O Britto Velho nos pegava e nos levava ao gabinete do Ministro da Justiça Milton Campos, que aceitava as reivindicações do Rio Grande do Sul. E no Diário Oficial, na Hora do Brasil daquela noite já saíam as determinações.
É uma honra ser Deputado Emérito, mas Deputado Emérito fica mais ou menos próximo da biblioteca ou do arquivo. Eu prefiro ser Deputado Emérito olhando para a frente, olhando para o futuro, continuando a lutar com a mesma garra, com a mesma vontade e com o mesmo destemor.
Falo para os meus irmãos, para os jovens que estão aqui, para esse menino, o Governador Rigotto, que a luta deve continuar e que a caminhada deve seguir. Devemos prosseguir, devemos ter coragem, devemos ter garra e entender que o nosso País é mais do que nós e que a nossa caminhada vale a pena.
Sinto-me muito feliz por estar aqui. Passei horas boas e horas amargas quando, no meu sangue, na minha família sofri um baque que quase não consegui superar. Mas Deus me deu ânimo e fé para prosseguir, continuar uma pregação, o que significa olhar para a frente, semear idéias, amor, paz e respeito. Significa nos respeitar, entender que devemos nos dar as mãos e caminhar para o futuro, ter coragem de dizer que essa luta vale a pena.
Pode-se chegar praticamente ao final, como eu, com as mãos tão vazias como quando se começou. Não tem importância. Pode-se chegar nem sempre com a alegria de grandes realizações e grandes feitos. Também não tem importância. Isso não modifica o juízo que Deus faz de nós, meus irmãos.
Na caminhada para o mundo que vem depois, não pensem que aqueles que receberam mais aplausos e atingiram os caminhos mais elevados, os picos mais altos, são os mais respeitados. Muitas vezes, gente simples e humilde, o trabalhador digno e correto que vive de seu trabalho e que luta, que educa seus filhos, que ama a sua pátria, que cumpre o seu dever tem mais respeito do que aqueles que mais fizeram. Não nos esqueçamos nunca disso.
Pedi ao meu Governador que lesse a Bíblia que está ao seu lado e observasse o que foi dito por Cristo, pois a quem mais for dado mais será cobrado. Tu, por exemplo, agora recebeste o Governo do Estado e não calculas a responsabilidade que terás, perante Deus, para cumprir esse mandato. Haverás de cumpri-lo, mas terás muito a fazer.
Não podemos cobrar do operário que está ali o mesmo que se cobra do Pedro Simon. Cada um deve ser exigido de acordo com a sua capacidade. O importante, no entanto, é que cada um faça a sua parte. O Brasil será grande quando cada um, realmente, fizer a sua parte.
Faço questão de terminar o meu pronunciamento com uma reflexão utilizada na reunião da Ordem Terceira de São Francisco, por ocasião do nosso encontro na semana passada:
Quando o dia da paz renascer,
Quando o sol da esperança brilhar,
Eu vou cantar.
Quando o povo, nas ruas, sorrir
E a roseira, de novo, florir,
Eu vou cantar.
Quando as cercas caírem no chão,
Quando as mesas se encherem de pão,
Eu vou cantar.
Quando os muros que cercam os jardins
Destruídos, então,
Os jasmins vão perfumar.
Vai ser tão bonito se ouvir a canção cantada de novo
No olhar do homem, a certeza do irmão,
Reinado do povo.
Muito obrigado. (palmas) (Não revisado pelo Orador.)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Convido o Exmo. Sr. Deputado José Ivo Sartori a proceder à entrega de uma placa da Bancada do PMDB em homenagem ao Exmo. Sr. Deputado Emérito desta Assembléia Legislativa, Senador Pedro Simon.
(Procede-se à entrega.) (palmas)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Convido a todos os presentes para, de pé, ouvirmos o Hino Rio-Grandense.
(Ouve-se o Hino Rio-Grandense.)
O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Após o término desta Sessão Solene, convidamos a todos para o descerramento da fotografia do nosso Deputado Emérito Pedro Simon na galeria localizada no Espaço Osvaldo Aranha, no 1º andar do Palácio Farroupilha.
Agradecendo a presença das Senhoras e dos Senhores, nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a presente Sessão Solene, convocando os Deputados para a próxima Sessão Regimental.
(Levanta-se a Sessão às 16h50min.)
Estiveram presentes a esta Sessão os seguintes Parlamentares:
Bancada do PT: Deputados Dionilso Marcon; Edson Portilho; Elvino Bohn Gass; Ivar Pavan; Maria do Rosário; Ronaldo Zülke; Roque Grazziotin.
Bancada do PPB: Deputados Adolfo Brito; Érico Ribeiro; Frederico Antunes; João Fischer; José Farret; Otomar Vivian; Valdir Andres; Vilson Covatti.
Bancada do PTB: Deputados Abílio dos Santos; Aloísio Classmann; Edemar Vargas; Eliseu Santos; Iradir Pietroski; Luis Augusto Lara; Manoel Maria; Osmar Severo; Sérgio Zambiasi.
Bancada do PDT: Deputados Giovani Cherini; João Luiz Vargas; Kalil Sehbe; Paulo Azeredo; Vieira da Cunha.
Bancada do PPS: Deputados Bernardo de Souza; Cézar Busatto; Iara Wortmann; Paulo Odone.
Bancada do PMDB: Deputados Alexandre Postal; Elmar Schneider; Jair Foscarini; José Ivo Sartori.
Bancada do PSDB: Deputados Adilson Troca; Jorge Gobbi.