SOLENIDADE EM HOMENAGEM AOS 80 ANOS DO RÁDIO NO BRASIL E AOS 40 ANOS DA ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO – AGERT

 

Realizada em 1º de outubro de 2002

 

O SR. PRESIDENTE SÉRGIO ZAMBIASI (PTB) – Declaro aberta a presente solenidade em homenagem aos 80 anos do rádio no Brasil e aos 40 anos da AGERT.

Saúdo o Sr. Presidente da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão – AGERT –, Paulo Sérgio Pinto; o Sr. Coronel Irani Flores de Siqueira, neste ato representando o Comando Militar do Sul; o Exmo. Sr. Presidente do Tribunal Militar do Estado do Rio Grande do Sul, João Carlos Bona Garcia; o Exmo. Sr. Cônsul-Geral do Uruguai, Oscar Demaria; o Sr. Gerente Regional da Anatel e Delegado do Ministério das Comunicações, João Jacobi Betoni; o Sr. Presidente em exercício da Associação Riograndense de Imprensa, João Batista Filho; as Sras. e os Srs. Parlamentares; as Sras. e os Srs. Diretores, Gerentes, Comunicadores e Funcionários de emissoras de rádio e televisão; as demais autoridades; as Sras. e os Srs. Servidores desta Casa; as Sras. e os Srs. da Imprensa; as Senhoras e os Senhores.

Confesso que hoje é um dia especial e cheio de emoções para mim. Realizo um sonho, ainda que de forma simples e singela: o de devolver ao rádio e aos seus profissionais, na forma desta homenagem, um pouco de tudo aquilo que me proporcionaram como homem, como profissional e como político.

Não preciso dizer que o rádio é minha vida e minha grande e verdadeira paixão. Foi através dele que conheci de perto os problemas de nossa gente e foi ele que me transformou num homem público disposto a lutar contra tantas desigualdades entre irmãos. Foi por meio do rádio que enxerguei melhor o mundo e pude compreender as diferentes facetas da alma humana.

Tudo o que sou, tudo o que sei devo ao rádio. Não há como negar que foi o rádio que deu um sentido e uma missão para a minha vida.

Além disso, esta Casa tem especial vocação para acolher os homens e mulheres que fizeram ou fazem do rádio suas vidas. Temos aqui a Deputada Maria do Carmo Bueno e os Deputados Francisco Appio, Valdir Andres, Adolfo Brito e Adroaldo Loureiro como representantes da radiodifusão, sem contar também que por esta Casa já passaram tantos outros e tão ilustres profissionais dessa área.

Estamos aqui para lembrar dois fatos importantes: os 80 anos da primeira transmissão radiofônica oficial brasileira e os 40 anos da nossa Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão, a AGERT. Faço deles uma oportunidade ímpar para declarar publicamente minha devoção e homenagear os homens e mulheres que aqui no Rio Grande fizeram e fazem do rádio esse maravilhoso e ao mesmo tempo poderoso veículo de comunicação.

Como bem disse um dos mais ilustres homens do rádio desta terra, o grande mestre de várias gerações de radialistas e uma das figuras ilustres que passou por esta Casa, Cândido Norberto, em recente artigo publicado no jornal Zero Hora, essas atividades constituem a festa certa no lugar certo. Ou seja, o mais popular e democrático veículo de comunicação festejando seu aniversário na sede do mais democrático e representativo poder.

O rádio continua tão atual, tão vivo e tão vibrante como sempre foi, mesmo que a humanidade tenha avançado velozmente nas formas de se comunicar. Novas tecnologias, Internet, televisão digital, telefonia celular, computadores de mão e de bolso, telefone com imagem e tantas outros avanços compõem um cenário forte, demonstrando a evolução e a criatividade humana. Mas mesmo que tenhamos todas essas coisas à mão, à nossa disposição, o rádio é insubstituível. É o meio mais simples, mais fácil e mais econômico para as pessoas saberem o que se passa na sua comunidade e no mundo.

O rádio acompanha-nos em todos os lugares. No carro, no parque, no estádio, na rua, no sítio ou no arranha-céu da cidade, o rádio é a grande companhia, o grande mensageiro. Traz notícias, traz música, traz comentários, traz a voz de todos os lados, de todas as mazelas e de todas as virtudes do ser humano.

Digo isso porque há 35 anos vivo as emoções do rádio. Através dele, me aproximei ainda mais das pessoas, conheci milhares de realidades de todas as dimensões, vi o mundo, a alegria, o prazer e a felicidade que o rádio proporciona não só para quem está com o microfone na mão, mas também para quem ouve, para quem sabe que a sua vida pode ter uma nova motivação através de uma mensagem, uma frase ou uma orientação. O rádio é um prestador de serviço. É utilidade pública, é lazer, é cultura.

Essa emoção que o rádio provoca em todos nós talvez seja a mesma daquelas pessoas que buscavam meios para se comunicar com mais rapidez. Uma dessas figuras maravilhosas, a quem muito devemos, é o brasileiro Padre Landell de Moura. No ano de 1901, ele conseguiu três cartas patentes nos Estados Unidos para os seus inventos – o telégrafo sem fio, o telefone sem fio e o transmissor de ondas sonoras. Ele foi o grande precursor nas transmissões de vozes e ruídos, embora o seu real valor nunca tenha sido devidamente reconhecido. Mas, sem dúvida, fez muita gente despertar para a possibilidade de transmissão de vozes e sons.

Essa mesma emoção que moveu o Padre Landell de Moura fez o Rio de Janeiro acordar diferente no dia 7 de setembro de 1922. Nessa data, 100 anos da Independência do Brasil, comemorávamos não só nossa liberdade, mas a primeira transmissão radiofônica oficial feita no nosso País.

O Presidente Epitácio Pessoa saudou a Pátria, a Independência e foi tomado pela mesma emoção que hoje as pessoas sentem quando falam no rádio. Os 80 anos desse grande evento, dessa grande revolução nas comunicações merecem o nosso mais emocionante reconhecimento ao poder, à força e às glórias do rádio brasileiro.

Depois disso, o rádio não parou de fazer parte do dia-a-dia do brasileiro, seja morador das mais distantes coxilhas, das mais fechadas florestas, das grandes cidades, das vilas, das favelas, dos palacetes. O rádio não tem distância, não tem limites, não tem fronteiras. É a voz que consola a solidão de milhares de pessoas, a voz que leva alegria e informação de todos os lados para todos os cantos.

Com o surgimento das emissoras de rádio a partir da fundação da Rádio Sociedade Rio de Janeiro, em 1923, a primeira rádio brasileira, idealizada por Roquete Pinto, o pai do rádio brasileiro, as ondas sonoras não pararam de levar adiante a sua potência e a sua mensagem. Aqui no Rio Grande do Sul, o pioneirismo coube à Rádio Sociedade Rio-Grandense, à Rádio Sociedade Gaúcha e à Rádio Pelotense.

O rádio marcou profundamente a história do século XX no Brasil e continuará séculos afora com essa mesma finalidade. Seja transmitindo as emoções do futebol, da música, da política ou de qualquer outro tipo de programa, o rádio é fundamentalmente um amigo presente em todos os momentos.

É universal, democrático, amplo, plural e especial para todos nós, assim como foi no passado para nossos avós e pais, que cresceram e viram seus ídolos surgirem em programas musicais de auditório ou em radionovelas. O rádio está presente em todas as horas e tem uma potência infinita, um poder tão grande que os governantes do início dos anos 60 tentaram estatizar as emissoras para controlar a informação e manipular consciências. Seria uma involução, provocada pela mesmice. Não teria graça.

Rebelando-se contra essa possibilidade, brasileiros ilustres se uniram e fundaram a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT –, no dia 27 de novembro de 1962, há 40 anos. Era uma forma de demonstrar união e de mostrar que o rádio não podia ficar atrelado a um dono, a uma só função, a uma só finalidade. O rádio não podia perder a sua missão de abraçar todas as causas da sociedade e todas as finalidades que até então defendia. A ABERT foi vitoriosa.

Pouco depois, em 13 de dezembro de 1962, surgia a AGERT, a nossa homenageada, fundada por 62 homens da radiodifusão gaúcha, entre eles Flávio Alcaraz Gomes, Hugo Vitor Ferlauto, Antônio Abelin, René Corbellini, Nelson Dilmas de Oliveira, Salvadore Rosito, Franklin Peres, Maurício Sirotsky Sobrinho e Frederico Arnaldo Ballvé.

Desde o nascimento da AGERT, na sede da Associação Riograndense de Imprensa, estes 40 anos de vida da entidade proporcionaram grandes batalhas e grandes vitórias, dando a real e devida dimensão ao rádio gaúcho.

A AGERT conta hoje com 296 filiados, entre emissoras de rádio, televisão e representantes comerciais, e teve presidentes do porte, da grandeza e da magnitude de Nelson Dimas de Oliveira, Gildo Milman, Flávio Alcaraz Gomes, Antônio Abelin, Fernando Ernesto Corrêa, David Figueiredo Martins, Otávio Gadret, Lauro Müller, Ricardo Gentilini e Ênio Berwanger. É dirigida hoje, com competência e sensibilidade, por Paulo Sérgio Pinto.

A AGERT, nestes 40 anos, mostrou a fibra do empreendedor gaúcho. Cresceu, levou a modernização e a atualização técnica para todos os recantos onde atua. Hoje, o rádio gaúcho não fica devendo em qualidade e competência a ninguém. Tem equipamentos, comunicadores e, acima de tudo, ética, respeito e coragem.

A AGERT, que uniu as emissoras de rádio e deu um significado especial para as comunicações radiofônicas no Estado, merece o nosso aplauso, o nosso respeito e a consideração permanente desta Casa. Temos certeza de que a Associação continuará a sua trajetória de realizações em favor da comunicação radiofônica, em benefício dos gaúchos e da democracia.

Não poderia encerrar esta manifestação sem uma menção especial ao 23 de Setembro, dia dedicado ao Radialista. Não esqueçamos dos milhares de profissionais que, nas 24 horas do dia, seja Natal, Carnaval, Ano-Novo, Páscoa ou mesmo eleição, estão ali, sempre, em qualquer circunstância, levando à sua comunidade as novidades do dia, da hora, a música, uma palavra de consolo, de estímulo, de fé e de esperança.

São os homens e mulheres que dão ao rádio sua verdadeira alma, sua personalidade, sua emoção. A todos os que vivem o rádio, a nossa mensagem de respeito e grande consideração pelos imensos serviços que prestam para o engrandecimento do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Desde ontem, a Assembléia vive uma série de atos que marcam esta parceria entre a Casa do Povo e o veículo de comunicação mais popular e acessível a todos.

Ontem, tivemos oportunidade de conviver com dezenas de homens e mulheres que fizeram e fazem o rádio. Inauguramos a exposição de rádios antigos, no saguão de entrada desta Casa. Hoje, pela manhã, tivemos uma programação especial para celebrar os 40 anos da AGERT e os 80 anos do rádio, no estúdio da Assembléia Legislativa, e, há pouco, inauguramos a placa comemorativa relativa a essas datas.

Todos estão convidados para, hoje, à noite, a partir das 20 horas, assistir ao espetáculo As Vozes do Rádio, no Auditório Dante Barone, do qual participarão comunicadores, cantores e atores do rádio.

Convidamos a todos também para acompanharem, logo após esta Sessão, no Salão Júlio de Castilhos, o lançamento do CD intitulado As Vozes do Século XX, uma coletânea dos arquivos pessoais e profissionais do nosso colega Flávio Alcaraz Gomes.

Queremos que este CD chegue a todas as emissoras de rádio do Rio Grande do Sul e que, após o seu lançamento, a AGERT, com a nossa parceria, possa encaminhar esse arquivo de vozes históricas que marcaram o século XX, não apenas para as emissoras de rádio, como também para todas as faculdades de Comunicação do Rio Grande do Sul.

Outra data que é referência obrigatória num dia em que se homenageia a radiodifusão gaúcha é o 1º de outubro, pois hoje a Empresa Jornalística Caldas Júnior completa 107 anos de atividades, entre elas a radiodifusão realizada pela nossa querida Rádio Guaíba, um dos modelos do bom rádio praticado no Estado.

Aproveito este momento para prestar a nossa homenagem aos seus diretores e funcionários e, acima de tudo, ao imenso público que acompanha o seu trabalho ao longo deste século.

Esta Presidência registra a visita a esta Casa de alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Duque de Caxias, da cidade de Santa Cruz do Sul, acompanhados da Professora Hedi Inês Jacobs. É uma alegria e uma honra para nós a sua visita.

Agradeço a presença, convidando a todos novamente para a seqüência desta homenagem no Salão Júlio de Castilhos desta Casa, com o lançamento do CD As Vozes do Século XX.

Está encerrada a presente solenidade.