72ª SESSÃO ORDINÁRIA, EM 13 DE SETEMBRO DE 2000.
Presidência do Deputado Alexandre Postal.
Às 14h15min, o Sr. Alexandre Postal assume a direção dos trabalhos.


O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal – PMDB) – Havendo número regimental e invocando a proteção de Deus, declaro abertos os trabalhos da presente sessão.

Solicito ao secretário que proceda à leitura da ata de sessões anteriores.

(O Sr. Adolfo Brito procede à leitura da ata de sessões anteriores.)

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal – PMDB) – Declaro aprovadas as atas que acabam de ser lidas, ressalvando aos deputados o direito de retificá-las, por escrito, se assim o desejarem.

Solicito ao secretário que proceda à leitura do expediente que se encontra sobre a mesa.

(Transcreve-se a matéria lida.)

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal – PMDB) – Não há mais expediente a ser lido.

Passo, de imediato, ao

GRANDE  EXPEDIENTE

Está inscrita a Deputada Jussara Cony. Por permuta de tempo, irá falar o Deputado Edson Portilho. Esse deputado também permutou seu tempo com o Deputado Francisco Appio, que prestará uma homenagem à abertura da Semana Farroupilha e aos 150 anos de emancipação do Município de Vacaria.

Saúdo, em nome desta Casa, o Exmo. Deputado Francisco Appio, proponente deste Grande Expediente, e, em seu nome, cumprimento os ilustres parlamentares.

Saúdo o folclorista e escritor Paixão Côrtes, os tradicionalistas, os representantes da imprensa, as Senhoras e os Senhores.

Concedo a palavra ao nobre Deputado Francisco Appio.

O SR. FRANCISCO APPIO (PPB) – Sr. Presidente e Srs. Parlamentares:

Dirijo-me inicialmente às Senhoras e aos Senhores que nos visitam, ao ilustre patrão do CTG Sentinela da Querência, de Vacaria, Angelo Antônio Constante; ao ilustre tradicionalista coordenador do rodeio comemorativo ao sesquicentenário de Vacaria, Sr. Cláudio Vieira, ex-patrão do CTG Porteira do Rio Grande.

Reporto-me, porque se encontra entre nós, ao folclorista, tradicionalista, pesquisador, estudioso, João Carlos Paixão Côrtes.

Dentro de uma semana, estaremos festejando o 165º aniversário do início da Revolução Farroupilha. E, dentro de um mês, iremos comemorar os 150 anos de emancipação político-administrativa de Vacaria, berço e catedral do nosso tradicionalismo.

Com este Grande Expediente, a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul pretende registrar, nos anais deste Parlamento, um e outro acontecimento, ambos de grande significação para o povo gaúcho.

Na realidade, este ano 2000 é marcado por uma verdadeira revolução cultural, graças a um dos filhos notáveis deste Estado, dedicado pesquisador e folclorista, João Carlos Paixão Côrtes, que, daqui a pouco, irá autografar uma das suas mais procuradas publicações, que resgata a importância do Tropeirismo, com os lendários Birivas. Uma tarde de autógrafos, no Espaço Oswaldo Aranha, cercado pelas fotos de Alencar Turella, pelas danças do Grupo Biriva, de Caxias do Sul, lança a terceira edição do livro com a meta de atingir, até o final do ano, a distribuição gratuita de 150 mil exemplares, destinados às escolas, bibliotecas e aos interessados nas mais diferentes manifestações da cultura gaúcha, como danças, músicas, vestes, gastronomia, crenças e comportamento.

Coincidindo com a Semana Farroupilha, nosso renomado folclorista é convidado da Unesco, a partir de amanhã, como palestrante em Buenos Aires. Convém lembrar que, em 1914, a Casa A Electrica de Porto Alegre gravou o primeiro tango argentino, em disco, por encomenda da nação amiga. A música foi o primeiro passo, portanto, de integração cultural, bem antes dos aspectos formais do Mercosul.

Trataremos neste Grande Expediente, comemorativo aos 165 anos do início da Revolução Farroupilha e aos 150 anos de Vacaria, de um tema novo, objeto de pesquisas que poderíamos denominar: Meus Cantares, Músicas e Danças do Gauchismo.

Se pudesse desta tribuna falar, Paixão Côrtes diria: Após longa carreira de pesquisador do nosso folclore musicoreográfico, depois do contatos mantidos com grupos das mais variadas classes sociais e planos culturais, veio-nos a certeza de que a simples reprodução mecânica de uma coreografia ou de uma música, sobre um motivo regional, não é o suficiente para atingir o que se propõem aqueles que, num sentido de comunicação, de lazer, de arte e mesmo pedagógico, procuram levar ao povo a essência de sua cultura comum. Esta certeza se fortaleceu ainda mais com a observação e participação nossa em espetáculos através do Brasil, do convívio com mais de três mil educadores em cursos por nós ministrados no nosso Estado e fora dele, entre os quais, citamos: o III Estágio Internacional de Educação Física, em Niterói – Rio de Janeiro; a 111ª Jornada de Educação Física, em Belo Horizonte – Minas Gerais; o V e o VII Curso de Aperfeiçoamento Técnico e Pedagógico, em Santos – São Paulo; 11º Congresso Internacional de Educação Física, em Curitiba – Paraná; Curso de Atualização de Educação Física do Instituto Regional de Estados Pedagógicos, em Salvador – Bahia.

Também em seminários nos apercebemos da destacada repercussão recreativa que os temas musico-reográficos podem desempenhar nas comunidades. Este aspecto e seu sentido cultural, somado ao valor social, proporcionam, freqüentemente, verdadeira simbiose espiritual entre grupos humanos geograficamente tão afastados.

Relacionamos ainda os shows realizados no Cassino Estoril – Portugal; na Feira Mundial de Comunicações, Munique – Alemanha; na Universidade da Sorbonne; no Teatro Olimpia; no Hotel de Ville – prefeitura – em Paris, onde atuamos, por quatro meses, em espetáculos e cabarés da França.

Diria ainda o notável folclorista: É oportuno lembrar que, ao falarmos em determinada música ou dança, não nos devemos limitar só aos seus fundamentos coreográficos e musicais, mas transmitir os aspectos culturais que os envolvem.

Há, nos parece, de se fazer ver aos intérpretes musicais ou dançarinos que a beleza deste ou daquele tema não está ligada unicamente à exatidão dos passos e compassos – como assistiremos a seguir com a apresentação do grupo de danças do CTG Pampa Rio Grande, de Caxias do Sul –, ao colorido das vestes, à autenticidade dos trajes ou à correção poética.

É preciso entender o sentido do motivo, sua essência e, nele, colocar a sensibilidade da alma, executando-o com pujança do coração. Muitos desenvolvem certos motivos, mas não o sentem e não transmitem o sentido de suas raízes nativas. Não deve haver imposição ao uso de uma vestimenta típica para dançar, nem mesmo de determinado instrumento ou arranjo vocal, para justificar autenticidade. O mister é divulgar e ensinar os temas, adequando-os a cada momento.

O povo – crianças, jovens e velhos – cantará e dançará em 'manga de camisa', na rua; enfatiotado, nas reuniões sociais; em trajes de gala, nos salões e clubes; em roupa de balé, ao som de uma orquestra sinfônica; no palco, no colorido artístico dos teatros; desportivamente, nas ruas de recreio e praças públicas; no clima salutar universitário das faculdades – ou de forma singela, através de corais como o da Assembléia Legislativa, que nos prestigia e irá enriquecer esta homenagem.

Folclore é alma!

Folclore é coração!

Chegará o momento – temos confiança absoluta – em que o nosso povo, inclusive aqueles que pertencem a entidades tradicionalistas, abandonará a impressão, hoje generalizada, de que somente aquele em traje típico gaúcho tem o direito de tocar, cantar ou dançar motivos folclóricos.

Estaremos, então, diante de uma verdadeira consciência no culto aos motivos folclóricos e tradicionalistas. Viveremos as festas da querência, e os participantes não se sentirão obrigados a se exibir em trajes característicos, nem terão a preocupação maior de se apresentar em espetáculo ou show, vestidos exclusivamente de forma gauchesca, ou passar pela vergonha de, conhecendo temas da terra, ser apontados como grossos, seja por cantar ou dançar as coisas do Rio Grande.

É bom ressaltar: tradição e folclore não são só música e dança. Entretanto, a qualidade do conhecimento poético-musicoreográfico de um povo civilizado é um elemento precioso para se aquilatar o nível cultural da gente desta terra.

Na capa do seu long-play, de agosto de 1982, Paixão Côrtes escreveu:

O presente LP, condensado de duas produções da Continental – PAIXAO CÔRTES – LP GRAN PRIX 1-04-405-12 7 (1970), PAIXÁO CÔRTES – LP DO FOLK AOS NOVOS RUMOS 1-04-405-191 (1977) –, reúne uma significativa representatividade de gêneros musicais –formas –, dos mais apreciados pelos gaúchos, traduzidos no que em nosso livro 'Falando em Tradição e Folclore Gaúcho' – 1981 – classificamos como Música Campeira, De Projeção Folclórica, Música Galponeira, De Inspiração Gaúcha, Música Fandangueira, Música Gauchesca, etc.

Não foi deixado de lado o que chamamos de música de Novos Rumos, que mereceu, em algumas faixas, um tratamento musical e vocal, em que estiveram presentes, praticamente, meia Sinfônica de São Paulo, além dos notáveis Titulares do Ritmo, acompanhados por quatro vozes femininas, sob a regência do maestro Renato de Oliveira.

Temas dos mais singelos, como do primitivo Fandango e da Trança do Ombro – adptada –, relembram as remotas cantilenas do século passado, ao som da original viola de doze cordas, tendo como companheira a rabeca.

A teatralidade do gaúcho, característica de sua personalidade, está presente em uma espécie de dança pírrica – Faca Maruja – e nos variados e vibrantes sapateios de inúmeros temas coreográficos de antanho. Do mesmo modo, a gaita – acordeão – dá o toque da música alegre gaúcha e atual.

Nossos votos são de que ouçam, pensem, analisem e, quiçá, gostem deste LP.

Escreveu Paixão Côrtes em agosto de 1982.

Quando, em 1975 – ainda lembra o folclorista – fomos convidados pelo saudoso jornalista Aramis Millarch, um dos mais expressivos 'experts' sobre música fonográfica do Brasil, para, como representante único do Rio Grande do Sul, participar do I Encontro de Pesquisadores da Música Brasileira, sob os auspícios da Funarte, não poderíamos imaginar que nosso singelo trabalho, de menos de duas páginas datilografadas, fosse causar tal repercussão, reformulando a Historia da Discografia Nacional entre estudiosos e comunicadores musicais brasileiros, reunidos no Teatro Guaíra, em Curitiba.

Até então, as fontes documentais históricas da indústria fonográfica brasileira estavam centradas no Rio de Janeiro e São Paulo.

Sobre o 'Disco Gaúcho' da 'Era Gramofone', produzido pela 'Casa A Electrica', de Porto Alegre, havia fugídias citações, passando o mesmo desapercebido de sua importância nacional e internacional nos prômodos do Século XX.

Na procura de fontes bibliográficas sobre o assunto nos deparamos com um questionamento levantado pelo respeitabilíssimo pesquisador Ary Vasconcelos, quando nos afirma em seu livro 'Panorama da Música Popular Brasileira' –1964:

'Se achar um disco de música popular brasileira, seja de que época for, mesmo dispondo de uma biblioteca especializada – e ela se reduz a seis ou sete livros que abordam apenas aspectos da mesma e a seis ou sete capítulos de obras não-especializadas ... –, não conseguirá saber nada além do que está no rótulo do disco: o nome da música, às vezes do gênero, do compositor – que freqüentemente não corresponde ao verdadeiro autor –, o número do disco e da matriz. Quando foi gravado? Que músicos participaram do acompanhamento? Quem são os solistas? De quem é o arranjo? São problemas que não conseguirá solver – referimo-nos apenas aos casos simples; nos outros a complicação se complica ainda de muito...

Este é o ponto em que estão os estudos da história da música popular brasileira entre nós. Estamos praticamente na estaca zero.'

Este horizonte não era diferente no Rio Grande do Sul. Nada se havia escrito sobre a matéria que fosse do nosso conhecimento. Daí a nossa imperiosa necessidade de sair por coxilhas e canhadas do nosso 'interland', buscando fontes informativas autênticas de matéria sonora gravada originalmente, relacionadas ao mundo do disco gauchesco e que, daquela época aos dias de hoje, os mesmos continuamos custeando por nós mesmos, sem auxílio de outrens.

Assim, passaram-se anos, quando, então, surgiu a oportunidade de mostrarmos a coleta de nossas pesquisas, realizadas em porões, em soturnos galpões, em forro de casas, em bolichos de beira de estrada, em depósitos de quinquilharias, em feiras de objetos antigos, adquirindo a preço de ouro de colecionadores, etc. Oportunidade esta, repetimos, que nos veio, em 1975, para estarmos presentes ao lado de destacados estudiosos da memória fonográfica nacional.

Nossos estudos sobre essa matéria fonoindustrial datam de 1949, quando, em pesquisa sobre danças e músicas tradicionais, transmitidas ao 'vivo' por elementos 'folks', encontramos as primeiras 'chapas', como eram chamados os discos utilizados em gramofones.

Achamos oportuno, na presente publicação, rever textos de exposições que realizamos por ocasião do I e III Encontro dos Pesquisadores; transcrever manifestações de conceituados investigadores musicais brasileiros; dar ciência do parecer do XXV Congresso Tradicionalista realizado na cidade de São Luiz – RS –, sobre trabalho por nós apresentado, assim como excerto de diversas entrevistas para jornais locais, nacionais e mesmo internacionais sobre o complexo temático da 'Casa A Electrica', matéria esta de nossas pesquisas divulgadas.

Decorrente do programa nacional de desenvolvimento cultural da Associação dos Pesquisadores, estivemos também no II Encontro, como palestrante, exibindo e comentando um documentário que realizamos em Super-8 colorido, sob o título 'A Fábrica de Discos A Electrica', filme este exibido no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1976.

As continuadas investigações sobre a fonografia rio-grandense dos primeiros decênios do século XX até os dias de hoje têm-nos mostrado meandras surpresas, que, para um simples colecionador de disco, ou um afoito músico curioso, poderão passar despercebidas e levar a falsas conclusões, já que a fabricação dos discos da 'A Electrica' tem abrangências técnicas e comerciais que nos levam à Europa e à Argentina, fontes preciosas na elucidação de inúmeras óticas.

As declarações inéditas, gravadas e filmadas, da Dona Alay de Leonetti da Silva – filha de Savério Leonetti –, de privilegiada e límpida memória, vieram-nos esclarecer aspectos até então obscuros quanto aos 'selos' criados, à numeração das 'chapas', à bela sede da fábrica e à residência de seus pais, ângulos estes ainda não revelados por nós e desconhecidos do público, pretendidos a serem trazidos a lume, no enriquecimento da reedição de nosso livro 'Aspectos da Música e Fonografia Gaúcha', editado em 1984 e hoje esgotado. Atualmente, empenhamo-nos pela reedição dessa obra.

Sr. Presidente; Srs. Parlamentares; ilustre Patrão do CTG Sentinela da Querência, de Vacaria, Sr. Angelo Antônio Constante, neste ato representando o tradicionalismo dos Campos de Cima da Serra; ilustre Sr. Paixão Côrtes; Srs. Visitantes, o pioneirismo do Disco Gaúcho e da 'Casa A Electrica' no cenário discográfico brasileiro mereceu um capítulo à parte.

Segue Paixão Côrtes: Ao ensejo do I Encontro de Pesquisadores da Música Popular Brasileira, que se realiza em Curitiba, sob os auspícios da Fundação do Teatro Guaíra, e atendendo à solicitação de que cada convidado apresentasse uma breve colaboração à música brasileira, trazemos a presente Comunicação, sob o título 'Disco Gaúcho: sua presença na discografia brasileira'.

O que nos animou a fazer o presente informe sobre o trabalho que estamos desenvolvendo foram as palavras de incentivo e de interrogação transmitidas por reconhecidos estudiosos da música e da discografia brasileira.

Em 1913, instalou-se em Porto Alegre, em uma construção com 27 metros de frente, à Rua Ceará, nº 9, entre os Bairros da Glória e Teresópolis – distantes do centro da cidade na época –, a gravadora 'A Electrica'.

Seu proprietário era um italiano, com trinta e poucos anos, casado, com três filhos e natural da Calábria. Seu nome: Savério Leonetti.

Sabe-se que ele esteve nos Estados Unidos da América do Norte e que, depois de radicado no Rio Grande, voltou à Itália, visitando parentes, quando manteve contato com seus irmãos cremoneses Aquiles e Carlos, residentes em Milão. Desse encontro, resolveu se dirigir a Hamburgo, na Alemanha, onde adquiriu todo o maquinário indispensável para prensagem de disco, material e técnica da época do gramofone que nos foi descrita por informantes que trabalharam nesse setor da firma e que também eram músicos.

Trouxe consigo, também, Leonetti, quando do retorno a Porto Alegre, mão-de-obra especializada e, ao mesmo tempo, uma série de matrizes alemãs, já prontas, às quais deu títulos curiosos e particulares, quando as divulgou por sua firma.

Em torno de 10 anos se manteve Savério Leonettí gravando e prensando discos que eram vendidos em Porto Alegre, na sua também casa comercial 'A Electrica', situada à Rua dos Andradas, nº 302, defronte à atual Casa Masson, e que mantinha o maior sortimento de 'artigos phonográphicos do Estado e único fabricante dos afamados gramophones marca Electrica e Disco Gaúcho'.

Criou ele o selo 'Gaúcho', no qual aparecia um campeiro montado a cavalo num cenário campestre. Segundo o que nos descreve Paixão Côrtes, Savério Leonetti apresentou mudanças: A etiqueta sofreu, no transcurso da sua existência, modificações quanto ao desenho e cores.

Lançou Leonetti, através das 'chapas' de 20,5 cm e 25 cm de diâmetro, registradas em uma face ou em duas, dezenas de composições rio-grandenses, gravando, inclusive, com grupos do interior do Estado, especialmente da região colonial alemã.

Grandes artistas do Rio de Janeiro e de São Paulo e mesmo estrangeiros que chegavam à Capital gaúcha integrando companhias do teatro e revistas acabaram deixando sua voz ou o som de seus instrumentos na gravadora de Leonetti, que, como era característica da época, no disco, se fazia anunciar pela voz do Paulinho, seu sobrinho, que gritava: 'Gravado para a Casa A Electrica, Porto Alegre' – como recorda Paixão Côrtes.

Manteve, outrossim, ao que parece, intercâmbio comercial com firmas nacionais e estrangeiras, distribuindo seus discos por outros Estados e prensando matrizes não originais de sua etiqueta.

Das pesquisas realizadas, foi-nos possível catalogar 326 discos com o número do selo, intérprete, gênero, dentro das características discográficas vigentes na época. Desse registro, 112 correspondem a uma numeração de um disco para duas músicas. O que vale dizer que foram arroladas 360 produções.

Hoje, no ano 2000, a relação dos discos identificados ultrapassam a um mil.

Merece se registrar nesta oportunidade, além dos gêneros valsa, mazurca, polca, havaneira, dobrado, modinha, fado, etc., um aspecto relacionado aos primórdios das gravações brasileiras, quando ainda não se havia rotulado em definitivo o ritmo 'samba' para uma música, já Savério Leonetti incluía no repertório de sua fábrica 'Sambas Carnavalescos' como: 'Yá Yá me Diga' – nº 4040 –, 'Yá Yá vem à Janela' – nº 4044–, 'Nha Maruca foi s'embora' – nº 683 –, 'A Bahianada' – nº 4036 –, e outros "sambas".

Também chamamos a atenção para o que nos parece ser um dos primeiros solos de acordeão – instrumento que o gaúcho chama de 'gaita', e assim constando no selo da 'Casa A Electrica' –, registrado na discográfica brasileira através das interpretações do célebre Maestro – conterrâneo vosso de Vacaria, Patrão Cláudio Vieira – Moisés Mondadori e que nos reproduziu, da outrora, gravações das primeiras músicas tidas de caráter folclórico do Rio Grande do Sul e, quem sabe, do folclore brasileiro.

Em 1913, a Casa Edison instalava, no Rio de Janeiro, a primeira fábrica do disco da América do Sul – segundo o Pesquisador Ary Vasconcelos. É certo que o 'Disco Gaúcho' de Savério Leonetti para a 'Casa A Electrica' de Porto Alegre, tem sua partida posta à venda em 25 de outubro de 1913, e que, ainda em sua primeira fase, tinha discos gravados em nossa Capital, porém prensados na Europa.

A produção fonográfica definitiva – gravação e prensagem – da Fábrica de Leonetti é posta à venda em 23-10-14, em nossa Capital. Dessa forma, acreditamos que se instalara, nesse ano, historicamente, no Rio Grande do Sul, a segunda fábrica de discos no Brasil e possivelmente a segunda no continente sul-americano.

Reservemos espaço para um pouco de reflexão. Paixão Côrtes, na sua conferência sobre músicas e danças, como convidado, representando o Rio Grande do Sul no I Encontro de Pesquisadores da Música Popular Brasileira, em Curitiba, destacou:

A matéria que ora submetemos à apreciação dos presentes representa esforços de longo anos de pesquisa no campo da fonografia brasileira.

A contribuição deste material, coligido no Sul do País, não tem pretensões maiores que não o desejo de uma integração mais expressiva dos gaúchos no contexto da memória musical brasileira.

Srs. Parlamentares, para fazer justiça aos que iniciaram neste Estado o Movimento Tradicionalista Gaúcho – estamos dando início à Semana Farroupilha –, prossigo a leitura deste documento, que significa o mais importante registro da história da música e do disco gaúcho.

A importância da indústria de prensagem e gravação no Brasil e no Rio Grande do Sul, neste cenário artístico-industrial, só começou a ser analisada por nós de forma mais profunda em 1975, quando apresentamos breve trabalho no I Encontro de Pesquisadores da Música Popular Brasileira, realizado em Curitiba, sob os auspícios do Teatro Guaíra. A coleta de discos já vínhamos realizando desde 1949 e tínhamos chamado a atenção sobre o assunto em entrevistas a jornais. As nossas incertezas e inquietudes começaram a se dissipar com a coleta de novas peças dessa área da cultura popular do País. O surgimento do título 'Disco Gaúcho' e da 'Casa A Electrica' foram marcos significantes na indústria discográfica no Brasil, salvo provas em contrário.

Estimulados pelos incentivos recebidos no primeiro trabalho, fomos para o II Encontro dos Pesquisadores da Música Popular, desta feita projetando documentário no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, em 1976, tanto do ângulo visual – filmes, slides e prensa de matriz original –, como de áudio, onde mostramos execuções originais de gravações em acordeão.

Partindo de estudo que realizamos sobre a divisão da música gaúcha em períodos, em nosso livro 'Gaúcho – dança, traje, artesanato' – 1978 –, se o que chamamos em nossa classificação de geração gramofone se iniciou no Brasil, em 1902, com a edição de discos para gramofone contendo música e canto de artistas nacionais, no Rio Grande do Sul esse período surge a partir de 1913, quando se começam a levar à cera expressões artísticas do cenário gaúcho.

Assim, quando se fala em pioneirismo no Brasil, no que tange à indústria de gravação e prensagem de disco e sua importância na década de 1910, o Rio Grande do Sul está presente expressivamente, representado especialmente por um trinômio composto por uma pessoa, Savério Leonetti, por uma fábrica, 'Casa A Electrica', e por um selo, 'Disco Gaúcho'.

Mas, realmente, o centro gerador desse trinômio era o ítalo Savério Leonetti, nascido em 16–10–1875, que chegara nos primórdios do atual século a Porto Alegre, já casado. Trazia ele a inquietude própria dos pioneiros. Atirou-se de corpo e alma ao campo algo inexplorado e desconhecido, mas florescente, das gravações sonoras, pensando, talvez como imigrante, 'fazer a América' no Rio Grande do Sul.

De passagem pelos Estados Unidos e Argentina, antes de chegar ao Brasil, trazia a vivência comercial que o levou a solicitar registro na Junta Comercial de Porto Alegre, com negócio no ramo de artigos de papelaria, a varejo e atacado, e cartões postais. Sua casa comercial estava situada na Rua dos Andradas, nº 275.

Savério Leonetti ampliou o ramo de negócio e, novamente, dirigiu-se à Junta Comercial para que o estabelecimento, em vez de seu nome, começasse a constar com a denominação de 'A Electrica', estabelecida na mesma rua, porém, no número 413.

Trabalhando com artigos de armarinho, louças, brinquedos e outros produtos importados da Alemanha e da Itália, sua casa era a principal representante das lâmpadas Osram, como anunciava destacadamente nos jornais, numa época em que a iluminação não estava ao alcance de todos.

Amante da música, realizava freqüentemente em sua residência – verdadeira chácara com vários hectares com bosques, jardins, árvores frutíferas, chafarizes, breve auditório ao ar livre, quadra de tênis, cancha de bocha, localizada nos arredores de Porto Alegre – festas que muitas vezes duravam mais de um dia, com inúmeros convidados e animados grupos musicais, que acabavam gravando para sua fábrica.

Foi nesse ambiente socioartístico e nessa área situada entre os Bairros Teresópolis e Glória, na então Avenida Ceará, nºs 9, 98 e 11, que Leonetti instalou uma fábrica de discos marca 'Gaúcho', gravando 'expressamente para a Casa A Electrica', situada, agora, à Rua dos Andradas, nº 302, onde vendia também gramofones de sua fabricação.

Pois este italiano calabrês, Savério Leonetti, teve uma passagem político-econômico-cultural no setor díscográfico brasileiro e rio-grandense, acreditamos, inigualável. Criou, na época, um marketing de invejável visão do mercado do Brasil e do continente sul-americano. Mas isso, caso não estejamos incorrendo em erro maior e histórico, não termina aí. Ele foi mais longe e podemos sintetizar, nesta comunicação, o seguinte:

- Pioneirismo no Rio Grande do Sul na indústria de gravação e prensagem de discos;

- Etiquetas lançadas por Savério Leonetti, e as suas quase mil edições identificadas por título da composição, número do selo e de matrizes, época de lançamento, intérpretes, gêneros, etc., material este que merecerá uma ampla e específica publicação;

- O primeiro 'sambista' gaúcho no mercado musicográfico nacional.

Eis, aí, algo que despretensiosamente estamos trazendo a este encontro por meio deste trabalho de pesquisa:

a) Enfocamos Savério Leonetti, suas idéias, o selo 'Disco Gaúcho', suas atuações, seu pioneirismo e o perfil do seu idealizador, tanto no campo técnico como artístico e comercial, dentro e fora do Brasil;

b) o surgimento de outras etiquetas em função do aparecimento do 'Selo Gaúcho' e a importância da 'Casa A Electrica' no mercado nacional e internacional, de 1913 à 1924;

c) o primeiro 'sambista' gaúcho, Geraldo Magalhães, e seus sambas no cenário brasileiro;

d) O 'pacote' 'Odeon' e 'Odeon-Record', sessenta e nove anos depois, contendo dados biográficos, informações, etc., de artistas gaúchos, em gravações que registramos seus nomes.

Porém o samba não foi o único a receber esse toque de pioneirismo no setor discográfico do Brasil e da América Latina. As incursões discográficas, no campo industrial e artístico, pelo descortino de Savério Leonetti, estenderam-se até Buenos Aires. De lá, o célebre Maestro Francisco Canaro veio a Porto Alegre gravar 'o primeiro tango gravado e prensado' em disco na América Latina. Isso tudo através da 'Casa A Electrica', de Savério Leonetti.

Artistas platinos vinham especialmente a Porto Alegre, a partir de 1914, para perpetuar suas composições, produções estas que eram depois exportadas para seu país de origem, já que a prensagem dos discos argentinos era feita nos EUA ou na Europa.

Assim, a 'Casa A Electrica' de Leonetti conquistou, historicamente, o galardão de ter sido o segundo estabelecimento industrial do setor fonográfico estabelecido no Brasil e a primeira fábrica do nosso País a exportar discos.

Foi Savério uma das maiores figuras da história da indústria do disco brasileiro de projeção sul-americana, pois não só contribuiu enormemente para que compositores, instrumentistas, intérpretes e a música rio-grandense se projetassem no Norte e Nordeste, enfim no cenário nacional, como ampliou a área de atuação de grandes artistas do Centro do País, abrindo-lhes novo mercado de trabalho no Sul, no setor fonográfico, com gravações para 'A Electrica'.

Muita coisa já foi dita por nós, por ocasião dos dois anteriores encontros, em Curitiba, e, aqui, no Rio de Janeiro. Agora, novamente, nesta 'Belacap', como todos costumamos a chamar, mas antes de mais nada, de amar, o que não rouba de nós, rio-grandenses pelo menos em um aspecto, um dos tantos pioneirismos: o de termos ajudado a iniciar a indústria de gravação e prensagem da memória brasileira e até a estrangeira neste continente.

Os mistérios dos porquês tentaremos expor e documentar. Caberá aos meus pacientes companheiros perquirir e saber se estamos em caminhos certos, fazendo história, que acreditamos que deva ser feita de forma consciente, paciente e responsável, baseada em documentos, para que não tenhamos que ser corrigidos de forma mais dura pelas gerações que nos sucederam, com justificadas razões.

O que trazemos, deixamos à disposição dos companheiros deste III Encontro, na esperança de que algo possa despertar a atenção dos presentes." Rio de Janeiro 15/16/17 de abril de 1982.

A seguir, este documento dedica um tópico ao levantamento discográfico de LPs gaúchos.

O presente estudo é uma contribuição à discografia da música do Rio Grande do Sul, especialmente sobre aquela ligada a temas do meio rural rio-grandense.

Foi tomado tão-somente nos atendo a 'Long-Plays' editados.

A ausência de certos elementos fundamentais requeridos a uma discografia mais adequada, tais como data de edição do disco, endereço da gravadora, etc., deve-se, em grande parte, a certas fábricas que não registram esses dados no 'Long-Play'. Não podemos também deixar de citar que, na nossa pesquisa, apreciável número de artistas, para os quais solicitamos informações, deixou de nos responder, ou, em certos casos, as respostas estão imprecisas, especialmente quanto a relançamentos.

Outrossim, vale lembrar as transformações freqüentes por que passam duplas, trios, conjuntos, dificultando uma mais precisa classificação.

Fica, no entanto, esta nossa tentativa, pioneira no Rio Grande do Sul por certo, em que se relaciona um número tão elevado de artistas que gravaram 'Long-Plays'. Estudiosos que a completem e aperfeiçoem.

Os discos constantes nesta relação contêm, sobremaneira, músicas que dentro de nossa classificação designamos como 'Folclórica' – ou de projeção – e 'Tradicionalista'. No entanto, vamos encontrar apreciáveis composições Regionais, herança de compositores e artistas que se iniciaram em outros gêneros, especialmente no Sertanejo e que hoje, tocando, cantando e gravando música nativa rio-grandense, ainda incluem em seu repertório esses gêneros, por realmente gostarem, por confusão, por interesse exclusivamente comercial ou quiçá por ignorância em discernir os gêneros...

Nos Regionais encontramos artistas que moram não só no Rio Grande do Sul, mas também gaúchos que, deixando os pagos, sozinhos ou reunidos a outros, estão vivendo em outros Estados – especialmente em Santa Catarina e Paraná – e que continuam cantando saudosamente, distantes, imagens de suas querências. O mercado de trabalho abre caminho para que outros rincões brasileiros recebam a mensagem das tradições gaúchas através de seus artistas.

Remontando a aspectos históricos nacionais no setor discográfico, não podemos esquecer o período em que o cantor gravava diante de um cone acústico – 'gravação gritada', diríamos nós – e de prensagem mecânica, iniciada no Brasil, em 1913.

O disco tecnicamente sofre uma modificação no seu sentido de produção industrial, em 1927, com a prensagem elétrica, aumentando assim a capacidade de produção das fábricas.

Iniciadas com gravação em um só lado, as mais primitivas 'chapas' – como eram chamados os discos na era do gramofone – evoluíram para ter suas duas faces gravadas, ainda muito antes dessa última data.

Melhora, posteriormente, o disco ainda mais sonoramente, com o surgimento da vitrola elétrica e, posteriormente, da eletrola e de subseqüentes aparelhos eletrônicos de alta fidelidade.

Na fase dos discos mais evoluídos, mas ainda de fácil quebradura, 78 rotações, as gravações eram feitas ao som monofônico – apenas uma pista. O som dos instrumentos era reunido na própria gravação, não permitindo alterações posteriores.

A partir de 1950 verifica-se o aparecimento mundial do Estéreo, possibilitando gravar em 2, 4, 8 e mais canais. Abre-se caminho para o 'play-back', isto é, pode-se gravar primeiro a parte instrumental para depois o cantor colocar a voz.

Em torno de 1952 dá-se uma reviravolta técnica no Brasil: nosso País começa a fabricar discos 'long-play' e ainda 'inquebráveis'; num só disco são postas 10 músicas – 5 de cada lado – devido aos sulcos mais estreitos. São os discos de 10 polegadas com 33 rotações por minuto.

Antes dessa última data, Diu Melo, Stelinha Egg e outros gravam temas rio-grandenses, além de artistas gaúchos como Pedro Raymundo, Dupla Campeira, Quitandinha Serenaders, todos, porém, em 78 rotações.

Deve-se ao Conjunto Vocal Farroupilha, que até então tinha seu repertório voltado para músicas nacionais e internacionais – especialmente norte-americana –, a gravação do primeiro 'long-play' 10 polegadas – 0005 – com temas gaúchos, através da etiqueta Rádio, do Rio de Janeiro. Foi dos primeiros fabricados nacionalmente, dentro dessa nova tecnologia iniciada em nosso País, em 1952. Por isso, o lançamento desse disco mereceu solene entrega por J. Antônio D'Avila – então diretor da Rádio Farroupilha – ao Presidente Getúlio Vargas. Deu-se, depois, o oferecimento de outro exemplar, no Palácio Piratini, ao Governador do Estado, em cerimônia especial.

Estávamos em 1952. Geração LP: iniciava-se uma nova era para a música do Rio Grande.

Foi feita a seguinte observação em relação a esse tópico que acabo de ler: A matéria principal, constante no presente artigo, que foi elaborada con-comitantemente com o poeta Dimas Costa, figurando da Edição Especial do 'Correio do Povo – Caderno de Folclore -'14/12/76.

Passemos ao próximo título deste documento: Cronologia dos discos gaúchos.

1900 – No decênio que inicia o novo século, poucas eram as casas porto-alegrenses que atuavam no mercado de discos. Merecem citação: Relojoaria Guarany, de Manera e Irmãos – situada no Campo do Bom Fim, nº 112 –, Guinle e Cia. – Andradas, nº 341– e Au Palais Royal – Andradas, nº 186. Dentre os gêneros musicais fonográficos mais apreciados estavam os solos de Caruso, concertos como Colone, óperas completas com 20 discos, operetas, duetos, quartetos produzidos predominantemente por etiquetas estrangeiras e Favorite Record.

1908-18/9 – Savério Leonetti se estabelece com casa comercial em seu nome individual, segundo Registro da Junta Comercial.

1911-20/5 – Solicita ele, ao setor competente, a utilização das palavras 'A Electrica' para empregá-las em faturas, cartões, inclusive para letreiro frontal de sua casa de comércio.

1913-23/6 – Leonetti dirige-se à Junta Comercial de Porto Alegre requerendo registro da marca 'Disco Gaúcho' e anexa desenho, no qual consta 'Disco gravado pela Casa A Electrica – Porto Alegre'. As matrizes, porém, eram enviadas à Alemanha para a devida prensagem, sendo o disco pronto, inclusive etiquetado, remetido à Capital gaúcha para ser comercializado.

27/9 – A Casa Hartlieb, dos irmãos Carlos e Theodoro Harfieb, a mais importante no gênero de instrumentos musicais e afins, anuncia a chegada de navio dos Discos Rio-Grandenses, gravados na sua casa, para a Casa Edison, do Rio de Janeiro, para cuja produção havia sido enviado, antecipadamente, um técnico em fonografia, por Fred Figner, da Capital da República. Trazidas de navio, seguem-se outras partidas discográficas.

05/10 – Discos Rio-Grandenses são anunciados como da 'marca Odeon' e da 'indústria brazileira', pela casa Hartlieb. Portanto, prensados no Rio de Janeiro. Surge na propaganda o desenho de um gramofone, substituindo o símbolo da Odeon. A publicidade desse estabelecimento logo se esmaece sobre tais 'chapas'.

25/10 – Savério Leonetti lança 'Disco Gaúcho – Nova marca Brazileira – gravado única e exclusivamente para a Casa A Electrica', de sua propriedade, e indica como destaque músicas do 'maestro rio-grandense Pedro Borges'. Discos de uma só face em 78 rotações.

Dezembro – A Casa Odeon de São Paulo – sucursal da Casa Edison do Rio de Janeiro– anunciava, em seu 'Suplemento do Mez de Dezembro de 1913', discos gravados em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, para Fred Figner. Consta no veículo publicitário o desenho da marca Odeon.

1914-7/3 - O maestro Pedro Corrêa Borges e a 'Banda da Brigada Militar do Estado, sem dúvida uma das melhores do Brasil', iniciam para a 'Casa A Electrica' a definitiva fase de gravação e prensagem de 'chapas', de Savério Leonetti, em Porto Alegre.

Junho/Julho – Chega de Buenos Aires, no navio 'El Toro', o Maestro Francisco Canaro para gravar os primeiros tangos argentinos para a 'Casa A Electrica', o que recebeu a numeração 001. Instituía-se El Chamuyo, e é de autoria do próprio maestro.

23/10 – É publicado no jornal 'Correio do Povo' desenho do Disco Gaúcho diferente do constante no seu primeiro registro. Esse seria tomado como base para o selo definitivo – denominamos de 'tricolor' – e que foi o mais popular. Outras etiquetas Gaúcho surgiram depois. Nesta data é posta à venda a F partida do 'Discos Gaúchos' gravados e prensados, na Fábrica de Leonetti, em Porto Alegre.

1914/1915 – Publica a imprensa porto-alegrense foto mostrando instalações e dependências da Fábrica de Disco e Gramophone Gaúcho, de Savério Leonetti, e relaciona as seguintes marcas de discos: 'Gaúcho', 'Phoenix', 'Telephones' e 'Era'.

1914/1915 – O selo Phoenix é lançado como 'fabricado por Savério Leonetti – Porto Alegre', assim como 'gravado expressamente para a Casa Edison de Gustavo Figner São Paulo'.

1915-27/3 – Fred Figner entra na Justiça Federal de Porto Alegre com ação contra Savério Leonetti por 'infração de direitos autorais'. Com apreensão de discos e 19 matrizes, acreditamos que seja este o primeiro processo do gênero, no Brasil. Entre as músicas está Caboca de Caxangá.

24/4 – Savério registra Estabelecimento Fabril, destinado ao seu ramo de negócio - gramofones, discos, etc. –, à Avenida Sergipe, nº 9, embora já estivesse em atividade desde o ano anterior.

14/09 - Leonetti faz a inscrição oficial de sua etiqueta Atlanta, anexando desenho e descrição, selo este mais destinado ao mercado exterior – rio-platense.

27/11 – Solicita o proprietário da 'Casa A Electrica' registro do selo Era, sem maiores detalhes.

1916-17/9 – Lê-se, na imprensa, através dos 'Disco Gaúcho', relação fonográfica com os nomes dos maestros argentinos Roberto Firpo, Francisco Canaro e outros.

1917-15/8 – Savério Leonetti solicita pela segunda vez, o mesmo registro da etiqueta Era, efetivado em 1915.

1919-2/1- É requerido registro de novas marcas por Savério:

Telephone e Itália, documentos estes que receberam, no mesmo dia, as numerações 3563 e 3564, respectivamente. A primeira etiqueta ele já a havia anunciado.

28/4- Sob o nome de 'Fábrica Phonográfica União', o proprietário Leonetti da 'Casa A Electrica' requer à Junta Comercial o uso dessa denominação na fabricação de discos produzidos pela sua firma, localizada à Avenida Sergipe, n° 9.

1921 – A publicação ítalo-rio-grandense 'Almanaco Italiano Illustrativo' insere, em página inteira, publicidade sobre 'A Electrica', referente à fabricação dos discos Gaúcho, Phoenix, Atlanta e Era.

1924 – Savério Leonetti, em 10 de janeiro, é comunicado, através da 'Junta Distrital da Vara Comercial de Porto Alegre', da falência de seu estabelecimento comercial.

1924 – O então proprietário da 'Casa A Electrica' e da Fábrica de Disco deixa Porto Alegre e começa a trabalhar no setor discográfico em Buenos Aires, com seu antigo parceiro de negócio, Henrique Amendola, homem influente no setor. Documentos jornalísticos da Argentina registram a presença dos Selos Atlanta, Era e um tal Eléctra – ? –, no mercado buonairense. Savério estende sua atividade por 1925 a dentro.

1926/1927 – Retorna ao Brasil, fixando residência na Capital paulista, e reativa o selo 'Disco Gaúcho', com Gustavo Figner, através da 'Fonotipica Nacional – São Paulo, Indústria Brasileira', na fase da 'gravação Electrica'.

1928/1929 – Deixa São Paulo, para se estabelecer em ramo diferente de negócio, Em Niterói – Rio –, funda a Metalúrgica Leonetti.

1952 – 21/6 – Falece Savério Leonetti, aos 77 anos, em Niterói.

Observa Paixão Côrtes, em sua carreira de pesquisador do nosso folclore musi-coreográfico, que, depois dos contatos mantidos com grupos das mais variadas classes sociais e planos culturais, veio-lhe a certeza de que a simples reprodução mecânica de uma coreografia ou de uma música, sobre um motivo regional não é o suficiente para atingir o que se propõem aqueles que, num sentido de comunicação, de lazer, de arte ou mesmo pedagógico, procuram levar ao povo à essência de sua cultura comum e de sua história. Esta certeza se fortaleceu ainda mais com a observação da participação sua em espetáculos através do Brasil, de convívio com mais de cinco mil educadores em cursos que vem ministrando em nosso Estado, fora dele e mesmo no exterior.

Também em seminários, se apercebe ele da destacada repercussão recreativa que os tema musi-coreagráficos podem desempenhar nas comunidades. Este aspecto e seu sentido cultural, somado ao valor social, proporcionam, freqüentemente, verdadeira simbiose espiritual entre grupos humanos geograficamente tão afastados.

É oportuno lembrar que, ao se falar de determinada música ou dança, não nos devemos só aos seus fundamentos coreográficos e musicais, mas transmitir os aspectos culturais que os envolvem, que dizem da sua identidade, no povo.

Há, nos parece, de se fazer ver aos intérpretes musicais ou dançarinos que a beleza deste ou daquele tema não está ligada unicamente à exatidão dos passos e compassos, ao colorido das vestes, à autenticidade dos trajes ou à correção poética. É preciso entender o sentido do motivo, sua essência e nele colocar a sensibilidade da alma, executando-o com a pujança do coração.

Muitos desenvolvem certos motivos, mas não o sentem e não transmitem o sentido de suas raízes nativas. Não deve haver imposição ao uso de uma vestimenta típica para justificar autenticidade. O mister é divulgar e ensinar os temas adequando-os, a cada momento, à nossa história.

Assim, crianças, jovens, idosos, o povo cantará e dançará em 'manga de camisa', na rua; enfatiotado, nas reuniões sociais; em trajes de gala, nos salões e clubes; em roupa de balé, ao som de orquestra sinfônica; no palco; no colorido artístico dos teatros; desportivamente nas ruas de recreio e praças públicas ou no clima salutar universitário das faculdades.

Folclore é coração!

Folclore é alma!

Folclore é tradição!

Chegará o momento, temos confiança absoluta, em que o nosso povo, inclusive aqueles que pertencem a entidades tradicionalistas, abandonará a impressão hoje generalizada de que somente aquele em traje típico gaúcho tem o direito de tocar, cantar ou dançar motivos folclóricos e representar a terra rio-grandense!

Estamos, é verdade, buscando uma maior consciência no culto dos motivos de nosso passado.

E a Revolução Farroupilha, cujas comemorações amanhã se iniciam e que esta Casa, sabiamente, oficializou em nosso Estado, em 1964, quando então era o seu Presidente Francisco Solano Borges, é um marco que nesta hora reverenciamos.

Mas, também, é um marco histórico, o tropeirismo Biriva, que veio do século XVIII, anterior ao acontecimento farrapo, tema que foi razão da publicação Tropeirismo Biriva – Gente, Caminhos, Danças e Canções, de autoria do folclorista Paixão Côrtes, que teve a satisfação de vê-la editada por esta Casa, proposta minha.

Pois esta mesma obra estará sendo lançada daqui a pouco, dentro do espírito das comemorações alusivas à Revolução Farroupilha, no salão Osvaldo Aranha, cujo autor a autografará e oferecerá gratuitamente aos presentes e ao povo.

Complementando esse momento cultural e artístico, o Centro de Tradições Pampa do Rio Grande, vindo especialmente de Caxias do Sul, abrilhantará com seu elenco, bailando danças Birivas. Completando este cenário, o fotógrafo Alencar Turella mostrará sua arte, com uma bela exposição de temas sobre vestimentas de bailes gauchescos de outrora.

É bom renovadamente ressaltar a importância da música entre os povos como elemento precioso para se aquilatar o nível cultural da gente de uma terra.

Pois, neste momento, estamos diante de uma nova obra deste incansável pesquisador Paixão Côrtes, falando-nos de cantares, de discos e de enfoques fonoindustriais, da memória da música gaúcha, numa notável investigação folclórica.

Ele nos traz, o primeiro disco da fonografia rio-grandense em que aparece a palavra gaúcho, em uma gravação que vem dos primórdios do século XX.

Relaciona temas de cerca de mil chajas – como eram conhecidos os discos na época do gramofone – prensados originalmente em nosso Estado e a importância da fábrica 'A Eléctrica', de Porto Alegre, no contexto da indústria fonográfica nacional, nesse período.

Músicas e cantores são relacionados assim como selos e marcas nesse raro e riquíssimo acervo documental.

Outrossim, o referido autor descobre sensacionalmente o inédito registro de primeiro tango argentino gravado na América do Sul, cuja gravação foi feita em nossa Capital pioneiramente.

A estes aspectos Paixão Côrtes acrescenta, na presente obra, sua sensibilidade e capacidade artística, como cantor, relacionando, para o ensino educacional às escolas, às universidades, aos cantos, aos corais e ao povo, letras de dezenas de composições folclóricas e de autores atuais rio-grandenses.

Vale tal divulgação, em sua importância, como documento histórico à fonografia gaúcha, já que todos os discos de Paixão Côrtes, apesar do sucesso alcançado, estão esgotados e ausentes de comercialização, pesarosamente...

Em Vacaria, a comissão oficial dos festejos do sesquicentenário, presidida pelo Vice-Prefeito José Antônio Casanova, realizará em outubro o Primeiro Rodeio dos Verdes Campos de Cima da Serra, juntamente com o CTG Sentinela da Querência, cujo patrão Angelo Constante aqui se encontra, e com a coordenação do tradicionalista Claudio Vieira, também presente a este ato.

Srs. Parlamentares, temos a mais absoluta confiança de que chegará o momento em que o nosso povo, inclusive aqueles que pertencem a entidades tradicionalistas, estarão cada vez mais irmanados nesse movimento cultural e artístico.

Fazem parte deste trabalho, que contém a cronologia dos discos gaúchos, algumas letras de músicas dos primeiros discos gravados: Negrinho do Pastoreio; Os Homens de Preto; Céu, Sol, Sul, Terra e Cor; Desgarrados; Pialo de Sangue; Deu prá Ti; Gauchinha Bem-Querer; Querência Amada; Prenda Minha; Felicidade – esta de Lupicínio Rodrigues. Há ainda algumas observações em relação a cada uma dessas canções. São produções que devem fazer parte do anais desta Casa, pois folclore é tradição. Folclore é coração.

Negrinho do Pastoreio
(Barbosa Lessa)

'Muita gente não sabe que Barbosa Lessa a compôs, mas é consagrador quando o povo acaba assumindo a autoria da música como sua.'

Negrinho do pastoreio
Acendo essa vela pra ti
E peço que me devolvas
A querência que eu perdi
Negrinho do pastoreio
Traz a mim o meu rincão
Eu te acendo essa velinha
Nela está meu coração
Quero rever o meu pago
Coloreado de pitanga
Quero ver a gauchinha
Brincando na água da sanga
Quero trotear nas coxilhas
Respirando a liberdade
Que eu perdi naquele dia
Que me embretei na cidade
Negrinho do pastoreio

Os Homens de Preto
(Paulo Ruschel)

'Os Gaudérios lançaram a música em 1995. Foi sucesso até em Paris quando nos apresentamos lá.'

Os homens de preto trazendo a boiada
Vêm rindo, cantando, dando gargalhada
E o bicho coitado não pensa em nada
Só vai pela estrada direito à charqueada
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez
Os homens de preto trazendo a boiada
Vêm rindo, cantando, dando gargalhada

Céu, Sol, Sul, Terra e Cor
(J. Moreci Teixeira)

'Não é uma música pesarosa, enaltece belezas de que não nos damos conta. É uma música claramente positiva, como poucas.'

Eu quero andar nas coxilhas
sentindo as flechilhas das ervas do
chão
ter os pés roseteados de campo,
ficar mais trigueiro do que sol de
verão
Fazer versos, cantar as belezas
desta natureza sem par
e mostrar para quem quiser ver
o lugar para viver sem chorar
É o meu Rio Grande do Sul,
Céu, Sol, Sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

Desgarrados
(Mário Barbará e Sérgio Napp)

'Aponta para novos rumos da música gaúcha. Tem tema social mas não é de protesto, é registro de uma época.'

Eles se encontraram no cais do porto
pelas calçadas
Fazem biscates pelos mercados,
pelas esquinas
Carregam o lixo, vendem revistas,
juntam baganas
E são pingentes nas avenidas da
capital
Eles se escondem pelos botecos
entre os cortiços
E prá esquecerem contam bravatas,
velhas histórias
Então são tragos, muitos estragos,
por toda noite
Olhos abertos, o longe é perto e o
que vale é o sonho
Sopram ventos desgarrados,

Pialo de Sangue
(Raul Elwanger)

'A melhor composição de Elwanger. Muitos corais a cantam pela sua sofisticação harmônica.'

Que mistérios trago no peito
Que tristezas trago comigo
Se meu sangue é colono, é gaúcho
Lá no pampa é que eu encontro abrigo
O cheirinho de chuva na mata
Me peala, me puxa pra lá
Quero só um pedaço de terra
um ranchinho de santa-fé
Milho-verde, feijão, laranjeira
Lambari cutucando o pé
Noite alta o luzeiro alumiando
Um gaúcho sonhando de pé
Quando será este meu sonho
Sei que um dia será novo dia
Porém não cairá lá do céu
Quem viver saberá que é possível
Quem lutar ganhará seu quinhão
Velho Rio Grande, velho Guaíba
Sei que um dia será novo dia
Brotando em teu coração
Quem viver saberá que é possível
Quem lutar ganhará seu quinhão

Deu pra Ti
(Kleiton Ramil e Kledir Ramil)

'É renovadora no ritmo e na poética, sem compromisso com a tradição rígida. Por ser um tema urbano, fez sucesso entre os jovens.'

Deu pra ti
Baixo astral
Vou pra Porto Alegre, tchau
Quando eu ando assim meio down
Vou pra Porto e... bá!, tri legal
Coisas de magia, sei lá
Paralelo 30
Alô tchurma do Bomfim
As guria tão tri afim
Garopaba ou Bar João
Beladona e chimarrão
Que saudade da Redenção
Do Fogaça e do Falcão
Cobertor de orelha pro frio
E a galera no Beira Rio

Gauchinha
Bem-Querer
(Tito Madi)

'O paulista Tito Madi fez uma canção moderna sem ser vulgar, sem compromisso de ser gauchesca. Eu gravei Gauchinha Bem-Querer.'

Rio Grande do Sul
Vou-me embora sem amor
Vou-me embora do Rio Grande
Vou tão só com a minha dor
Levarei a lembrança comigo
De um amor que de olhares nasceu
De um amor que depressa floriu
E tão cedo morreu
Rio Grande do Sul
Eu um dia voltarei
Pra rever o meu Guaíba
Pra rever meu bem-querer
E depois se ela ainda quiser
Só nós dois a sonhar e a sorrir
Rio Grande do Sul
Vou chorar ao partir

Querência Amada
(Teixeirinha)

'Teixeirinha é o artista mais importante da música popular regional dos últimos 50 anos. Sua obra não é gauchesca – é regional.'

Quem quiser saber quem sou
Olha para o céu azul
E grita junto comigo
Viva o Rio Grande do Sul
O lenço me identifica
Qual a minha procedência
Da província de São Pedro
Padroeiro da querência
O meu Rio Grande de encantos mil
Disposto a tudo pelo Brasil
Querência amada dos parreirais
Da uva veio o vinho
Do povo veio o carinho

Prenda Minha
(Domínio Público)

'Até os gaúchos irem para o Rio, na Revolução de 30, não era popular. Combina melodia singela e versos elaborados.'

Vou-me embora, vou-me embora,
prenda minha
Tenho muito que fazer
Tenho de ir parar rodeio,
prenda minha
No campo do bem-querer
Noite escura, noite escura,
prenda minha
toda noite me atentou
Quando foi de madrugada,
prenda minha
Foi-se embora e me deixou
Troncos secos deram frutos,
prenda minha
Coração reverdeceu
Riu-se a própria natureza,
prenda minha
No dia em que o amor nasceu

Felicidade
(Lupicinio Rodrigues)

'A melodia não é regional mas tem alma gauchesca. É simples e bonita, prova que a felicidade do povo está na singeleza das rimas.'

Felicidade foi-se embora
e a saudade do meu peito ainda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo
Quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa
Quando começa a pensar

Para finalizar, Srs. Deputados, ao mesmo tempo em que comemoramos a abertura da Semana Farroupilha, Vacaria também dá início às comemorações do sesquicentenário de sua emancipação.

Os Senhores estão convidados para uma tarde de autógrafos, daqui a instantes, do nosso pesquisador e folclorista Paixão Côrtes, autor do livro Biriva, que menciona muito os Campos de Cima da Serra, os tropeiros que vieram muito antes mesmo da emancipação de Vacaria, que se desmembrou de Santo Antônio da Patrulha. Haverá também uma apresentação do Grupo de Danças Birivas no Salão Oswaldo Aranha, ao lado de uma exposição de fotos que demonstram, reproduzindo o vestuário de gaúcho, as características de nosso povo.

Em Vacaria se fará o 1º Rodeio dos Verdes Campos de Cima da Serra. Por essa razão, estão presentes o Patrão do CTG Sentinela da Querência, o Patrão Cláudio Vieira e o Vice-Prefeito José Antônio Casanova, presidente da comissão dos festejos. Antecipadamente, este parlamentar serve-lhes de porta-voz, fazendo um convite para que todos visitem Vacaria, berço e catedral do nosso tradicionalismo. Naquele município, os Senhores poderão também comprovar a qualidade de um fruto que distribuí aos Srs. Parlamentares, como um gesto de hospitalidade, de carinho e que representa o trabalho sério daquele povo.

O Sr. Adolfo Brito (PPB) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Nossas saudações ao patrão do CTG Sentinela da Querência, de Vacaria. Em nome da Bancada do PTB, autorizado pelo Deputado Sérgio Zambiasi, externo nossas congratulações ao pronunciamento do eminente Deputado Francisco Appio, que dá início às comemorações da Semana Farroupilha e dos 150 anos do Município de Vacaria.

É com muita alegria que participamos desta homenagem muito especial a Paixão Côrtes, este que é uma legenda em nosso Estado e o mais autêntico representante do tradicionalismo, do folclore, da música e dos costumes do Rio Grande do Sul. Ao saudá-lo, saudamos todos os tradicionalistas que aqui estão e todos aqueles que acompanham a história mais verdadeira do nosso Estado por meio de suas obras e da sua música.

Deputado Francisco Appio, receba, de parte da Bancada do PPB e também da Bancada do PTB, nossa saudação efusiva por seu extraordinário pronunciamento, que marcará não só o Município de Vacaria, mas todo o Estado do Rio Grande do Sul, que, verdadeiramente, tem uma tradição muito bonita, traduzida especialmente por nosso querido Paixão Côrtes.
Obrigado por nos proporcionar a oportunidade de fazer esta saudação pelo início da Semana Farroupilha e de felicitar o progressista Município de Vacaria.

O Sr. Ciro Simoni (PDT) – V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Caro Deputado Francisco Appio, a Bancada do PDT também se manifesta, neste momento, por intermédio deste deputado, no sentido de parabenizá-lo pela homenagem feita aos gaúchos e à tradição farroupilha, que sempre nos honra. A nossa história permite que tenhamos orgulho e, de cabeça erguida, olhemos o Brasil sempre com altivez.

Permita-me, Deputado Francisco Appio, além de suas palavras, saudar todos os gaúchos, na pessoa do nosso companheiro e amigo Paixão Côrtes. Se não fosse seu esforço e sua boa vontade, talvez ainda nos estivéssemos escondendo atrás das nossos costumes, como fizemos durante muito tempo. Hoje, ao contrário, nossas tradições fazem com que os gaúchos sejam lembrados por todo o Brasil.

É importante prestarmos a homenagem a Vacaria no mesmo momento em que se homenageia a Semana Farroupilha. Outros municípios também se destacaram no episódio Farroupilha, mas Vacaria é um dos que mais se empenham para que as nossas tradições sejam mantidas.

Na figura do patrão do CTG, nossa Bancada do PDT registra aqui seu abraço e sua satisfação em poder homenagear também a grande cidade de Vacaria, os seus cidadãos, as suas cidadãs.

Nossos cumprimentos ao Deputado Francisco Appio por esta homenagem conjunta, que, de fato, é uma demonstração de respeito a todos nós, gaúchos.

O Sr. Mário Bernd (PMDB) - V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Deputado Francisco Appio, em nome da Bancada do PMDB, cumprimentamos V. Exa. pela homenagem emotiva, sincera e verdadeira que presta ao Município de Vacaria, na passagem de seus 150 anos.

É muito oportuna a lembrança de V. Exa. faz na abertura da Semana Farroupilha, homenageando todos os gaúchos na pessoa de Paixão Côrtes, que é a expressão máxima da nossa cultura e do nosso folclore.

Parabenizamos V. Exa. e associamo-nos ao justo preito a um município que é símbolo do Rio Grande do Sul.

O Sr. Roque Grazziotin (PT) - V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Deputado Francisco Appio, em nome da Bancada do PT, saudamos os 150 anos do Município de Vacaria e a homenagem que presta à Semana Farroupilha. A lembrança desse episódio nos faz recordar, de um modo especial, o sentimento de liberdade, de luta, de igualdade, de humanidade demonstrado pelo heróico povo rio-grandense quando estava subjugado pelo Império e ansiava por liberdade.

Reverenciamos essa data que ficou marcada no coração de todos os gaúchos, assim como as tradições que nos fazem recordar a caminhada de um povo que não deseja somente liberdade, mas também justiça e igualdade.
Parabenizamos o Município de Vacaria, do qual somos vizinhos. Saudamos todos os vacarienses, desejando que mantenham-se cidadãos altivos, alimentando os ideais que norteiam o povo gaúcho.

O Sr. Jorge Gobbi (PSDB) - V. Exa. permite um aparte? (assentimento do orador)

Prezado Deputado Francisco Appio, permita-me cumprimentar o Sr. Paixão Côrtes, símbolo do tradicionalismo do Rio Grande do Sul, o Sr. Angelo Antônio Constante e demais representantes da comunidade de Vacaria e do tradicionalismo.

A Bancada do PSDB associa-se a esta homenagem que V.Exa. presta à Semana Farroupilha e ao Município de Vacaria na passagem dos seus 150 anos.

Reafirmamos a importância da valorização do tradicionalismo como forma de cultivar os valores desta terra, tão essenciais para nós, gaúchos. Muitas vezes, mesmo valorizando o tradicionalismo, não temos consciência da trajetória e das variáveis que implicam essa prática.

Hoje V. Exa. apresentou-nos a questão da música e do disco, o que talvez pouca gente conheça - particularmente, não conhecia.

É interessante conhecer a história que levou o tradicionalismo a se constituir num fator cultural importante para nosso Estado. Até pouco tempo, as pessoas consideravam os CTGs e os bailes atividades não muito sociais. Felizmente, hoje esses acontecimentos fazem parte de todos os setores da sociedade gaúcha.

Apesar de Campestre da Serra estar no entremeio, São Marcos é vizinho de Vacaria, e estamos aqui para abraçar aquela comunidade pela passagem dos 150 anos de seu município. Tenho certeza de que os valores aqui reverenciados levarão o município a crescer também em outros setores. Parabéns a V. Exa., aos tradicionalistas e aos munícipes de Vacaria.

O SR. FRANCISCO APPIO (PPB) - Agradecemos os apartes aos nobres colegas.

Queremos, neste momento, agradecer também ao Coral da Assembléia Legislativa a apresentação; ao Grupo de Danças de Caxias do Sul, que assistiremos a seguir; a honrosa presença ao nosso extraordinário Paixão Côrtes; ao Presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho, Jair Lima, que designou representante para esta cerimônia, e às entidades tradicionalistas a alegria de sua presença; aos Srs. Deputados Vieira da Cunha, Paulo Odone, Aloísio Classmann e Valdir Andres que nos prestigiam neste ato.

Especialmente ao Sr. Presidente desta Casa somos gratos pela oportunidade que tivemos de, neste Grande Expediente, promover a abertura na Assembléia Legislativa das comemorações da Semana Farroupilha e a homenagem aos 150 anos de Vacaria. Muito obrigado. (Não revisado pelo orador.)

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal - PMDB) - Deputado Francisco Appio, esta presidência solidariza-se com V. Exa. nesta homenagem justa que presta à Semana Farroupilha e à passagem dos 150 anos do importante Município de Vacaria que V. Exa. honra neste Parlamento.

A seguir ouviremos, pelo Coral da Assembléia Legislativa, regido pelo Maestro João Paulo Sefrin, a canção do folclore gaúcho intitulada João Carreteiro e, logo após, o Hino Rio-Grandense.

(Ouve-se a apresentação.)

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal - PMDB) - Esta presidência agradece ao Maestro João Paulo Sefrin e ao Coral da Assembléia Legislativa a apresentação.

Terminado o período do Grande Expediente, declaro suspensa a sessão por dois minutos.

(Suspende-se a sessão por dois minutos.)

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal - PMDB) - Estão reabertos os trabalhos da presente sessão.

Passo, de imediato, à

APRESENTAÇÃO  E   DISCUSSÃO
DE PROPOSIÇÕES

Não havendo oradores inscritos para este período da sessão, passo, de imediato, à

ORDEM DO DIA

Não havendo matéria a ser apreciada, passo às

COMUNICAÇÕES

Com a desistência antecipada dos Deputados Ivar Pavan, João Fischer, Elmar Schneider, Edemar Vargas, Ciro Simoni, Luciana Genro, José Farret, Giovani Feltes, Eliseu Santos, Giovani Cherini, Luis Fernando Schmidt, Marco Peixoto, Jair Foscarini, Iradir Pietroski, Adilson Troca e Jussara Cony, declaro encerrado o período das Comunicações.

Por solicitação do Deputado Roque Grazziotin, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.

O SR. ROQUE GRAZZIOTIN (PT) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Há pouco recebia, também em nome do presidente desta Assembléia Legislativa, a Comissão Estadual do Plebiscito da Dívida Externa, representada pela Sra. Loiva de Oliveira e pelo Sr. Milton Viário, que entregaram, para que faça parte da biblioteca desta Casa, o resultado do plebiscito.

No período de 2 a 7 de setembro, mais de duas mil entidades sociais, populares e partidos fizeram realizar no País o Plebiscito da Dívida Externa, convictos de que a democracia não se limita ao voto, mas deve abranger a discussão e o aprofundamento das decisões que os eleitos tomam em nosso nome.

Essa consulta começou a ser gestada em 1998, durante o simpósio Divida Externa: Implicações e Perspectivas, quando foi lançada a idéia do Tribunal da Dívida, que por sua vez reuniu mais de duas mil pessoas no Rio de Janeiro, em 1999, definindo pela realização do plebiscito.

Essas entidades tentaram sensibilizar o governo e o legislativo federais. Não obtivemos êxito. Mesmo assim, arregaçamos as mangas e saímos a campo, difundindo a idéia da discussão deste tema fundamental para a vida dos brasileiros. Fomos combatidos duramente, mas o trabalho prosseguiu durante todo o primeiro semestre de 2000, envolvendo lideranças, pastorais sociais, voluntários, enfim todos aqueles que entendem que a nossa vida está diretamente ligada à exploração a que somos submetidos pelas nações hegemônicas, que enriquecem fomentando as brutais desigualdades sociais no mundo.

Ontem mesmo, o relatório do Banco Mundial revelou que o percentual de pobres na América Latina aumentou para 15,6% de sua população. No mundo, 2 bilhões e 800 milhões de pessoas, quase a metade dos habitantes, têm renda inferior a 2 dólares por dia, e 1 bilhão e 200 milhões recebem menos de 1 dólar por dia.

Hoje, venho prestar contas do resultado das discussões levadas a efeito em milhares de comunidades do nosso Estado, as quais se concretizaram nos números finais do plebiscito, que a comissão estadual está divulgando. Tivemos votações em 332 cidades do Estado, onde 4.907 urnas colheram um total de 527.485 votos, ultrapassando a meta prevista para o Estado.

No Brasil, foram mais de 5 milhões de votantes, sinalizando que esse tema interessa à população, que pede para participar. Nosso povo não é incapaz de discutir temas complexos.

Como aponta a Carta Aberta ao Povo Gaúcho, que está sendo divulgada pela coordenação do plebiscito no Estado, não queremos dar o calote nos credores nacionais e internacionais. Dissemos não ao acordo com o FMI e queremos um plebiscito oficial sobre a dívida externa, além da realização de uma auditoria pública que revele, com clareza, os termos do acordo com o Fundo Monetário Internacional, os recursos tomados como empréstimo, o seu destino, os beneficiários, os valores já pagos e o que ainda resta a pagar.

Certamente, o plebiscito nacional da dívida externa, com mais de 5 milhões de participantes em todo o Brasil, foi a maior manifestação popular contra a política econômica vigente no País na última década.

Solicito a transcrição nos anais desta Casa da Carta Aberta ao Povo Gaúcho, bem como dos resultados finais do plebiscito da dívida externa realizado no nosso Estado. Muito obrigado. (Não revisado pelo orador.)

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal – PMDB) – Esta presidência defere o pedido de V. Exa.

(Matéria entregue para transcrição.)

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CARTA ABERTA AO POVO GAÚCHO

Plebiscito da Dívida Externa
A Vida Acima da Dívida

Nos últimos 500 anos, poucas vezes o povo brasileiro foi chamado a opinar sobre as questões que lhe dizem respeito. Vivemos 322 anos como colônia, 388 convivendo com a escravidão e 389 sob regime monárquico. Nas poucas vezes em que experimentamos, em escala nacional, o exercício da democracia direta, fomos chamados a opinar sobre temas da organização política, como ocorreu em 1963 e 1993, quando esteve em questão o sistema e a forma de governo.

Para nós, a democracia não se limita a votar e eleger representantes. Para nós, a democracia deve ser exercida em todos os locais: em casa, nas escolas, nas empresas, nas comunidades, na sociedade como um todo. Entendemos que a democracia deve ser representativa e também direta, como acontece nos referendos e plebiscitos, previstos na Constituição Federal.

Por isso, afirmamos, reivindicamos e exigimos o direito e o dever do povo de se pronunciar sobre todos os assuntos da vida política, econômica e social,, os quais estão diretamente ligados, e dizem respeito à vida de todos os cidadãos e cidadãs de nosso país. Foi com essa compreensão que decidimos ouvir a opinião da população sobre três temas: o acordo com o FMI, a dívida externa e a dívida interna.

POR QUE UM PLEBISCITO
SOBRE DÍVIDA EXTERNA?

O Plebiscito da Dívida Externa tem sua origem a partir da comemoração do Jubileu do ano 2000, tema assumido pela Igreja Católica e todas as Igrejas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, no qual se focaliza o resgate das dívidas sociais do povo para que a vida digna seja um direito de todos.

A partir dessa proposta, realizou-se em Brasília, em 1998, o Simpósio da Dívida Externa, onde percebemos a necessidade de colocar o debate sobre a dívida externa junto à população, a fim de que discutíssemos a relação que existe entre a dívida externa e as dívidas sociais.

Em 1999, realizou-se no Rio de Janeiro, o "Tribunal da Dívida Externa", onde a proposta foi abraçada por diversos movimentos populares, entidades e organizações. Assumimos, nesse Tribunal, o compromisso de realizar um Plebiscito Nacional sobre a Dívida Externa.

PLEBISCITO DA DÍVIDA EXTERNA O QUE É?
QUAIS OS SEUS OBJETIVOS?

Plebiscito é uma Consulta à População sobre um determinado tema, neste caso, a dívida externa. É uma atividade legal, prevista na Constituição Federal de 1988.

Escolhemos o período da Semana da Pátria para essa Consulta, porque acreditamos num país livre e independente. Acreditamos no Brasil dos brasileiros, construído por este povo e para beneficiar este povo.

Nosso Plebiscito Popular foi uma grande campanha e um grande mutirão, que teve como objetivos centrais o debate sobre a dívida externa e o resgate da cidadania do povo brasileiro na construção de um país justo, democrático, soberano e com vida digna para seu povo.

Campanha porque colocou o debate da dívida externa junto ao povo. Com esse debate, percebemos que a dívida de nosso país com os credores internacionais têm números alarmantes e que todos esses calores enviados ao exterior têm uma relação direta com a falta de recursos para a saúde, educação, trabalho, moradia, transporte ... coisas necessárias à vida do povo. Milhares de cartilhas, jornais, folders, informativos, cartas, poemas, textos, prosas e versos produzidos em mutirão, contribuíram neste trabalho e, isso foi possível devido à dedicação de dezenas de milhares de pessoas voluntárias, que realizaram o trabalho de base.

Meses de debate intenso nos fizeram ter certeza que as dívidas externa e interna são mecanismos que concentram renda, riqueza e poder nas mãos de alguns grupos de nossa sociedade.

Mutirão porque foi nas famílias, comunidades, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, nas associações comunitárias, nos movimentos estudantis que o plebiscito foi sendo organizado.

Foi o esforço coletivo do povo gaúcho, de norte a sul de nosso Estado, que garantiu o sucesso dessa campanha.

O RESULTADO DA CAMPANHA E
SUA CONTINUIDADE

O comparecimento de 527.485 gaúchos, nas 4.907 urnas, de 332 municípios, a uma iniciativa popular, não obrigatória e inédita na história do país, transformou o Plebiscito Nacional da Dívida Externa no que foi, até hoje pelo menos, a maior manifestação contra a política econômica vigente no país.

Com o Plebiscito NÃO queremos dar o "calote". Mais de 90% da população que disseram NÃO ao acordo com o FMI, à dívida externa e à dívida interna, manifestaram o seu SIM na luta por um Plebiscito Oficial sobre a dívida externa e pela realização de uma auditoria pública desta dívida que revele com clareza ao povo brasileiro os termos do acordo existente com o FMI, os recursos tomados como empréstimo, o seu destino, os beneficiários, os valores já pagos e o que ainda resta a pagar.

Que o nosso grito seja ouvido em todos os pagos de nosso Estado, e que sua energia fortaleça a continuidade da luta por um Brasil de igualdade, democracia e vida digna para todo o povo brasileiro.

A VIDA ACIMA DA DÍVIDA
PROGRESSO E VIDA, PÁTRIA SEM DÍVIDAS

Porto Alegre-RS, 12 de setembro de 2000.

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal – PMDB) – Por solicitação do Deputado Mário Bernd, concedo a palavra a S. Exa. para uma comunicação de líder.

O SR. MÁRIO BERND (PMDB) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados:

Subo à tribuna para registrar duas notícias muito importantes a respeito de decisões do Governo do Estado com relação a determinados acontecimentos. Refiro-me especificamente à invasão dos prédios da Receita Federal e do INCRA em Porto Alegre, com a conivência explícita da parcela do governo que apóia o MST.

Os fatos lamentáveis ocorridos na sede dessas duas autarquias federais demonstram que a nossa Brigada Militar está sem comando. Mais do que isso, quem dá as ordens hoje é um sem-terra. O Sr. Ailton Croda, como a imprensa mostrou, deu ordem a um oficial que comandava a Brigada Militar de se retirar do local.

A conivência deste governo é tanta que podemos afirmar que os mesmos que mandaram invadir os prédios ordenaram hoje a sua desocupação, Sr. Presidente.

Quando as bancadas governistas, especialmente a do PT, se referem ao movimento dos sem-terra, consideram-no um movimento social e dão-lhe o seu apoio irrestrito e incondicional. Vejam a estratégia que está usando o MST aqui no Rio Grande do Sul, a única unidade federada em que o movimento conta com o apoio oficial do Governo do Estado.

Portanto, além da balbúrdia, da incompetência e do despreparo deste governo, assistimos hoje aos primeiros passos para a anarquia, que estão sendo dados com a cumplicidade do Executivo estadual.

Da mesma forma, preocupa-nos também outra notícia divulgada pela imprensa, segundo a qual os técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento que estão atuando no combate à febre aftosa na região de Jóia estão sem receber ajuda de custo. Revelaram que dormem e se alimentam de forma precária e que está faltando dinheiro em suas residências para o pagamento das contas.

Este é o Governo Olívio, que não teve competência para executar o convênio realizado entre os governos federal e estadual para a vigilância sanitária. Agora faz a pior das agressões contra os servidores da Secretaria da Agricultura que foram deslocados já há mais de 30 dias para distantes regiões do Estado, deixando-os sem perceber as vantagens legais, como indenização e diá-rias.

Dessa forma, ficam esses servidores sem as mínimas condições de trabalhar nessa tarefa fundamental, que felizmente está entregue aos técnicos do Rio Grande do Sul. Se dependesse do Governo do PT, já saberíamos qual o desfecho desse affaire da aftosa. Entretanto, apesar de todas as dificuldades, esses abnegados, competentes e dedicados técnicos – médicos veterinários, zootecnistas e o quadro de nível médio – estão lá, em nome do serviço público, dando a sua contribuição a esse trabalho inestimável para o setor produtivo gaúcho, especialmente para a economia do Estado.

Faço esse registro, Sr. Presidente, apesar da ausência do Partido dos Trabalhadores no plenário. Aliás, a Bancada do PT não quer debater mais nada. Até o dia 1º de outubro estará ausente, a divulgar mentiras pelo Rio Grande. O verdadeiro debate que deveria ser travado nesta Casa eles não têm condições de manter: expulsam a Ford e não pagam os funcionários que trabalham no controle à aftosa, como a imprensa registra. Muito obrigado. (Não revisado pelo orador.)

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Postal – PMDB) – Passo ao período das

EXPLICAÇÕES PESSOAIS


Não havendo oradores inscritos para este período, declaro encerrada a presente sessão, convocando os deputados para a Sessão Solene da próxima terça-feira, às 15 horas.

(Levanta-se a sessão às 15h30min.)

Estiveram presentes a esta sessão os seguintes parlamentares:

Bancada do PT: Deputados Dionilso Marcon; José Gomes; Luciana Genro; Roque Grazziotin.

Bancada do PPB: Deputados Adolfo Brito; Francisco Appio; Valdir Andres.

Bancada do PMDB: Deputados Alexandre Postal; Giovani Feltes; Mário Bernd; Paulo Odone.

Bancada do PTB: Deputados Abílio dos Santos; Aloísio Classmann; Edemar Vargas; Eliseu Santos; Iradir Pietroski; Paulo Moreira; Sérgio Zambiasi.

Bancada do PDT: Deputados Adroaldo Loureiro; Ciro Simoni; Giovani Cherini; Vieira da Cunha.

Bancada do PFL: Deputado Germano Bonow.

Bancada do PSDB: Deputado Jorge Gobbi.

Bancada do PSB: Deputado Bernardo de Souza.

Bancada do PC do B: Deputada Jussara Cony.