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COMISSÃO ESPECIAL
Audiência pública apresenta avanços em pesquisas com células-tronco
Marinella Peruzzo - MTB 8764 - 12:41 - 20/03/2009
Doutora Patrícia Pranke, da UFRGS, foi uma das palestrantes da manhã
Doutora Patrícia Pranke, da UFRGS, foi uma das palestrantes da manhã

A Comissão Especial sobre Avanços das Pesquisas com Células-Tronco, presidida pelo deputado Paulo Brum (PSDB), realiza audiência pública na manhã e na tarde desta sexta-feira (20), no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa. Pela manhã, as professoras Patrícia Pranke e Lygia da Veiga Pereira palestraram sobre "Células-Tronco e Nanotecnologia" e "Promessas e Realidade da Terapia Celular". À tarde, falarão os pesquisadores Rubens Tavares, Maria Júlia Carrion, Rogério Sarmento Leite e Roberto Correa Chem.

A audiência marca o encerramento das atividades da comissão, que, nos últimos quatro meses, visitou centros de pesquisa, conversou com cientistas e divulgou o tema à população. O deputado vai propor agora a criação de uma frente parlamentar para continuar acompanhando os avanços na área. "Numa primeira etapa, a comissão especial fez a parte técnica, ou seja, visitou laboratórios e institutos no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e em Brasília", explica o parlamentar. "O segundo momento é este evento. Estamos trazendo os principais pesquisadores do Brasil nas pesquisas com células-tronco, tanto adultas como embrionárias".

Otimismo e cautela
A primeira palestra foi da professora de hematologia da Faculdade de Farmácia da UFRGS, doutora Patrícia Pranke, que trabalha com células-tronco há mais de 10 anos. A pesquisadora abordou o tema "Células-Tronco e Nanotecnologia". Ela apresentou uma visão de como o assunto evoluiu na mídia e na ciência nos últimos anos e declarou-se otimista e cautelosa. "Estamos falando de ciência e não de milagre".

A pesquisadora disse que até dez anos atrás vigorava uma lei na neurociência de que "tudo pode morrer e nada pode se regenerar" e que as pesquisas com células-tronco representaram uma luz no fim do túnel. Na sua avaliação, as células-tronco representam hoje o que os antibióticos representaram quando foram criados: "As pessoas tiveram a sua expectativa de vida ampliada".

Patrícia também falou sobre a Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005), que proíbe a engenharia genética de embriões, a clonagem reprodutiva ou terapêutica e a comercialização de embriões humanos, e permite a obtenção de células-tronco a partir de embriões sob determinadas condições.

Promessas e realidade
A segunda palestra, que concluiu o ciclo da manhã, foi da pesquisadora Lygia da Veiga Pereira, chefe do Laboratório de Genética Molecular do Instituto de Biociências da USP. A professora falou sobre as promessas e a realidade da terapia celular e destacou a importância das células-tronco para a pesquisa básica.

Segundo a palestrante, não há hoje nenhum tratamento consolidado na área além dos transplantes de medula óssea. "Já saímos das pesquisas com camundongos, estão sendo feitos estudos em seres humanos, mas nenhum médico pode ainda sair receitando tratamentos com células-tronco a seus pacientes", disse. "O tema ainda é uma caixa-preta. Não se sabe exatamente que células estão exercendo determinado efeito, ainda estamos vivendo uma época muito empírica".

A pesquisadora informou o nome de um site pelo qual é possível acompanhar todos os testes clínicos com seres humanos que estão em andamento (clinicaltrial.gov) e revelou que, por razões de segurança, compatibilidade e ética/legislação, não há testes de células embrionárias em seres humanos.

Ela também relatou estudos com pacientes portadores de cardiopatia grave que tiveram células de medula óssea injetadas no coração e, quatro meses depois, apresentaram melhoras. "Na área cardíaca, esses estudos mostraram resultados promissores e justificaram um estudo em larga escala, com 1.200 pacientes, que está sendo feito atualmente".

Presenças
Participaram da abertura do evento os deputados Paulo Brum (PSDB) e Miki Breier (PSB), o secretário de Acessibilidade e Inclusão de Porto Alegre, Tarcísio Cardoso, e os pesquisadores e palestrantes Patrícia Pranke, da UFRGS, Lygia da Veiga Pereira, da USP, Rubens Tavares, da UFMG, e Roberto Correa Chem, da UFCSPA.

Programação
O evento prossegue à tarde, a partir das 13h30, com as palestras dos pesquisadores Rubens Tavares, da UFMG, sobre "Célula-Tronco embrionária animal: isolamento e diferenciação neuronal", Maria Júlia Carrion, da PUCRS, sobre "Epilepsia e células-tronco", Rogério Sarmento Leite, do ICFUC, sobre "Células-Tronco em cardiopatias", Roberto Correa Chem, da UFCSPA, sobre "Uso das Células-Tronco em cirurgia plástica".

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