ARTIGO
Nas “crises”, a memória é seletiva!
Giovani Feltes | MDB - 09:08 - 16/03/2011
É oportuno saber que o governador Tarso Genro não classifica a dura realidade das finanças públicas do Estado como em “crise”, dada a ausência de uma situação de “ruptura e imprevisibilidade”. Portanto, esta situação estrutural, como o próprio governador define (ZH – 13/03), estava (ou deveria estar) presente no recente processo eleitoral. O que não podemos concordar é com o mecanismo da memória seletiva que tenta, agora que a realidade bate à porta, jogar luz apenas ao viés que lhe interessa na análise do quadro financeiro.
 
Com a mesma volúpia com que criou expectativas positivas durante a campanha, vendendo a ideia de que o RS e os servidores públicos teriam o melhor dos mundos, o governo agora se caracteriza pela mais profunda das incoerências. Se de fato é fantasioso o tal do “déficit zero” e sendo compromisso do atual governo racionalizar gastos públicos, controlar excessos salariais no topo e melhorar os da base, a primeira das medidas seria pedir a devolução da maioria dos projetos que tramitam na Assembleia Legislativa e revogar algumas das leis sancionadas nos últimos meses.
 
Não cabe sob o mesmo teto da coerência acenar para o público que quer limitar os salários em R$ 17 mil, mas antes aumentar vencimentos de alguns escolhidos para até R$ 24 mil, de que não tem dinheiro para pagar o piso nacional do Magistério e ampliar em R$ 30 milhões/ano as despesas com novos de cargos de indicação políticas.
 
Seria ingenuidade imaginar que, em não criando os 515 CCs, o governo teria meios para atender as reivindicações salariais de professores, agentes da segurança e do funcionalismo como um todo. Mas seria um bom começo, sem dúvida, calcado na coerência de quem diz que as finanças estão desequilibradas.
 
Além das causas que o governador aponta, creio que o maior dos desafios e que não foi mencionado se relaciona com a nossa previdência, que projeta um rombo de R$ 4,6 bilhões para este ano e é, de longe, o que está em pior situação entre todas no país. Por isso, Senhor Governador, por ser estrutural e agravando-se governo após governo, as finanças estão tecnicamente ou muito perto da efetiva “ruptura” e a exigir medidas sérias. Não podemos é aceitar a ideia de que o bicho agora é mais feio do que antes da eleição.
 
A qualquer gaúcho que almeje sentar na Vossa cadeira a primeira coisa que devemos exigir é coerência. A ”crise” não pode ser de tal sorte mais profunda do que há meio ano. Seremos parceiros de primeira hora para aprovar a redução dos super salários, desde que acompanhados de um plano de carreira que lhe dê sustentação jurídica ou para enfrentar o grave problema do déficit previdenciário; seremos aliados intransigentes na implantação de políticas sociais, mas é preciso rever o inchaço da máquina com tantos CCs.
 
Seremos aliados permanentes em favor do desenvolvimento equilibrado da nossa economia, sem “os imediatismos paradisíacos”, mas para isso queremos a Vossa contrapartida em pelos uma bandeira. Nos auxilie a mobilizar o povo gaúcho, suas instituições e representação política para derrubar o veto do ex-presidente Lula à Emenda Ibsen, que busca uma distribuição justa dos royalties do petróleo do pré-sal a todos estados e municípios do Brasil. Só com esta medida, seriam injetados na receita de prefeituras e do Estado algo próximo dos R$ 2,8 bilhões a cada ano, o que certamente ajudaria em muito na esperança, da qual comungamos, de um RS mais justo e um povo mais feliz.
 
Giovani Feltes
Deputado Estadual - Líder da Bancada do PMDB
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