50ª Legislatura

Estado do Rio Grande do Sul
Diário da Assembléia
Porto Alegre, quarta-feira, 05 de maio de 1999


1ª Sessão Legislativa

 

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1999
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Ford centraliza debates
 

A desistência da Ford em instalar uma unidade em Guaíba voltou a ser o centro dos debates ontem na Assembléia. No plenário, excluindo-se o Grande Expediente Especial, dos 21 pronunciamentos feitos da tribuna, 18 foram sobre a decisão da montadora. As lideranças dos partidos de oposição criticaram duramente o comportamento do governo do Estado durante as negociações, apontando-o como responsável pela perda de milhares de empregos que seriam gerados com a nova fábrica e demais empresas que se instalariam na região. Em defesa do governo, suas lideranças disseram que as oposições insistem na tese de que o governo é o culpado, quando a Ford é que teria resolvido ir embora antes de conhecer a proposta da atual administração.

No início da noite, a direção da Famurs esteve na Assembléia, entregando ao Presidente Paulo Odone documento aprovado por unanimidade em assembléia geral, em que a Federação anuncia sua disposição de lutar pela reabertura das negociações entre governo do Estado e a Ford. O documento, assinado por 16 das 18 associações que integram a Famurs, expressa a preocupação dos municípios gaúchos com a saída da montadora, pelo que representa em termos de evasão de divisas, de mão-de-obra que seria empregada e dos investimentos que seriam atraídos ao Estado e anuncia a disposição da entidade de se integrar à luta por meios que garantam a manutenção da fábrica. A proposta da Federação é a de formação de um grupo de negociação, envolvendo o governo do Estado, a Assembléia Legislativa, bancada gaúcha no Congresso, Famurs, entidades empresariais e sociedade civil.

Também ontem, o governador Olívio Dutra encaminhou a Paulo Odone cópia da carta que o executivo enviou à direção mundial da Ford, nos Estados Unidos, reafirmando o interesse em manter a montadora no Rio Grande do Sul e a proposta apresentada pelo governo. Ao analisar o documento, o líder do governo, deputado Ronaldo Zülke, concluiu tratar-se de um gesto que demonstra a vontade política do governo, "que não encontrou reciprocidade na direção brasileira da Ford". Na segunda-feira, Odone esteve com a direção da Ford em São Paulo, em nova tentativa do Legislativo gaúcho de reabrir as negociações entre o governo e a fábrica de automóveis. Lá, o presidente da Assembléia recebeu do presidente nacional da Ford, Ivan Fonseca e Silva, carta em que ele explicava as razões da montadora para desistir do investimento em solo gaúcho. No retorno a Porto Alegre, Odone encaminhou ao governador cópia daquele documento.

Municípios ameaçam parar transporte escolar 

Em reunião extraordinária na tarde de ontem, a Comissão de Educação, presidida pelo deputado Giovani Cherini (PDT) ouviu dos prefeitos que integram a Famurs a disposição de suspenderem o transporte escolar, feitos pelos municípios, de 134 mil alunos de escolas estaduais. Os prefeitos deram prazo até amanhã para que a Secretaria Estadual de Educação apresente alternativas que garantam recursos para que as prefeituras mantenham o serviço. 


Opinião

Promessas e bigodaços

Eliseu Santos - PTB

Convém, às vezes, recorrer ao velho dicionário Aurélio Buarque de Holanda para que possamos compreender com exatidão o sentido das palavras. E em especial de das delas que dizem respeito a todos os gaúchos que, na recente campanha eleitoral, ouviram um desfilar de promessas do atual governador Olívio Dutra. Ocorre que, ignorando o que prometera, Olívio simplesmente bigodeou suas promessas.

Bigodear (v.t.d( – 1. Iludir, enganar, lograr, embrair; 2 – Fazer pouco de, escarnecer;

Promessa (s.f.) 1. Ato ou efeito de prometer; 2 – P.ext.: coisa prometida; 3. Oferta, dádiva; 4. Compromisso; 5. Voto, juramento

(do Dicionário Aurélio B. de Holanda)

Pois, com mais de 120 dias de governo, os gaúchos nada mais assistiram do que bigodaços do governador Olívio Dutra. E a vítima não é apenas a coerência daquele que ousou se apresentar na campanha como "governador de verdade", mas a própria população, que cultivou ilusões com as fantasiosas promessas e soluções apresentadas. Nunca é demais recordar os compromissos de Olívio.

"Banco do Povo – Vai criar um fundo para financiar as micros, pequenas e médias empresas e os trabalhadores autônomos."

Até o momento não recebi nenhum projeto com esta iniciativa. Bigodaço! Programa Primeiro Emprego – Vai ajudar os jovens a conseguir o primeiro emprego e ter experiência. O governo vai pagar os salários durante seis meses e as empresas se comprometeram a manter os jovens empregados por mais 18 meses.

Tenho recebido centenas de jovens buscando enquadrar-se neste projeto, que até o momento não existe. Você conhece alguém que se beneficiou com esta promessa de campanha? Mais um bigodaço!

"Renda Mínima – Vai completar o salário de mais de 280 mil famílias pobres que ganham até dois salários mínimos."

Se o governo não ajuda as famílias que ganham até dois mínimos, imagine ajudar aqueles que não recebem nada. Bigodaço!

"Recursos para a Saúde – Implantação do SUS pelo Estado como manda a lei, aplicando R$ 450 milhões por ano na saúde, que é o dobro do que gastou o governo Britto."

O governo deveria aplicar, pela sua própria proposta, R$ 37 milhões por mês, o que, em quatro meses, resultaria no montante de R$ 148 milhões. Mas novamente vem o Bigodaço, pois, até agora, o governo aplicou menos de R$ 50 milhões, ou seja nem um terço do prometido.

"Postos de Saúde – Os postos vão ter médicos, remédios e os exames que a população precisa."

Esta era a promessa. E o que vemos agora? Quando muito, os doentes marcam consultas para daqui a seis meses, um longo período para quem está mal de saúde. para conferir, basta passar num posto de saúde.

"Vagas nos Hospitais – Acabarão as filas nos hospitais, porque Olívio aplicará o dinheiro do SUS como manda a Lei."

Bela promessa. É pena que os hospitais estejam fechando suas portas, e muita gente fica do lado de fora. Os doentes que conseguem entrar têm que esperar dias e até meses por um atendimento cirúrgico.

"Programa Nascer e Crescer sem Fome – Todos os dias será distribuído leite para 100 mil crianças pobres de zero a dez anos."

Aqui, o Bigodaço não poupou nem os pequenos. Triste exemplo de incoerência são as crianças da Ilha do Pavão, dentro de Porto Alegre, que tentavam aplacar a fome bebendo água do rio com açúcar. Onde foram parar os prometidos 400 mil litros de leite, nestes quatro meses?

"Cestão Popular – Cem mil ranchos todos os meses. Arroz, feijão, açúcar, farinha de trigo, azeite, macarrão e farinha de milho para famílias carentes."

Os mais pobres ainda estão esperando a distribuição dos ranchos prometidos. Será que o Orçamento Participativo não indicou ainda quem merece receber ajuda?


 Deputados 

Comandante Militar do Sul visita presidente 

O general-de-Exército Francisco Pintos do Santos visitou na manhã de ontem, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Paulo Odone. A visita, de cortesia, foi retribuição pela participação de Odone na posse de Santos como Comandante Militar do Sul, ocorrida há duas semanas.

Durante o encontro, Paulo Odone agradeceu a comenda com que foi agraciado recentemente, em solenidade realizada no Gigantinho. Sete parlamentares gaúchos recebem medalhas do Exército.


Plenário

Alexandre Postal (PMDB) Apresentou projeto que permite a locatários solicitar o corte de água da Corsan ao desocupar o imóvel. Também propôs projeto de prorrogação do financiamento do Feaper, relativo ao projeto Troca-Troca. Argumentando que a agricultura é um setor "desamparado e entregue às intempéries".

Marco Peixoto (PPB) Protocolou projeto visando a ordenar o uso do Diário Oficial do Estado, que se tornou "um informativo do partido do governo", afirmou. Ressaltou que o Diário não está atingindo seus objetivos e que, através do projeto, somente será autorizada a publicação de atos que necessitem de publicidade para sua validação.

Adroaldo Loureiro (PDT) Informou ter visitado o município de São Luiz Gonzaga, juntamente com a Comissão de Agricultura e diversas autoridades e representantes do setor, ocasião em que foi apresentado documento intitulado "Carta das Missões", contendo as perdas da lavoura na última safra. "A produção primária é a base de sustentação da economia gaúcha", disse, apontando descaso por parte do governo federal.

Elmar Schneider (PMDB) Cobrou providências do Governo do Estado para atender os pequenos agricultores e lembrou que Olívio Dutra "dizia na campanha política que o seu projeto estava voltado sempre para os pequenos". Afirmou que o agricultor precisa vender 1.750 litros de leite para pagar os R$ 400,00 que recebeu na época da seca.

Mário Bernd (PMDB) Apelou a Olívio Dutra para que assuma pessoalmente as negociações com a Ford e observou que o discursos do governador em relação aos pequenos encontra guarida, "pois em Guaíba, dezenas de microempresários se instalaram por causa da montadora". Desafiou o líder Ronaldo Zülke a provar "que o seu governo tem vontade política para manter a Ford no Estado e faça o governador encabeçar essa negociação".

César Busatto (PMDB) Solicitou a transcrição nos anais da nota emitida pela oposição intitulada. O governo não tem o direito de destruir o nosso futuro. Destacou que, em 120 dias de governo "estamos presenciando a falácia do discurso petista". Este governo, assinalou, dizia que nenhum tostão do dinheiro público iria para os grande, para as montadoras, mas, agora, tira dinheiro dos professores para dar para a GM, demonstrando total incoerência.

Roque Grazziotin (PT) Rebateu as críticas da oposição assinalando que ao recordar fatos passados, constata-se que o Fundo do Magistério desapareceu, a lei salarial não foi cumprida e que, ainda, a CRT e a CEEE foram vendidas e, vivendo uma situação, a comunidade soube, nas urnas, dizer não. Informou, também, que está encaminhando solicitação à Comissão de Serviços Públicos para que convide os diretores da CRT para esclarecer as constantes denúncias registradas pela imprensa.

João Fischer (PPB) Afirmou que a perda maior em relação ao episódio da Ford foi a da credibilidade "que custou muito para ser conquistada e pela qual os gaúchos tanto lutaram". Cobrou, novamente, o cumprimento das propostas do Programa para o Desenvolvimento do Complexo Coureiro-Calçadista. Disse que, caso não sejam estabelecidas, irá rasgá-las, porque palavra que não se cumpre; é palavra de quem não tem palavra.

Manoel Maria (PTB) Relatou os trabalhos da Comissão de Economia e Desenvolvimento relacionados às negociações com a Ford ao lamentar a desistência da empresa em instalar-se no Estado. Em outra manifestação, solicitou aos líderes de bancadas que indiquem os integrantes da subcomissão que tratará sobre os transgênicos.

Berfran Rosado (PMDB)

Registrou que a proposta do PT apresentada à Ford é uma farsa. Alegou que ela se propõe a usar recursos públicos de outras instâncias de governo sem que sejam, de fato, procuradas. "Faz proposta de usar recursos da agência de desenvolvimento que não estão disponíveis", argumentou, ao destacar que o dinheiro não existe e que tudo fazia parte de uma cena para enganar a população e os trabalhadores.

Edson Portilho (PT) Declarou que as condições colocadas pela Ford são inviáveis e que o povo do Rio Grande do Sul não será sacrificado em função de uma empresa. Lembrou a venda da CEEE e da CRT pelo governo Britto ao criticar os deputados da oposição pela cobrança da manutenção da palavra de Olívio Dutra em relação a permanência da montadora. Disse que alternativas serão apresentadas em busca do desenvolvimento econômico do Estado. 

Saída da Ford faz oposição e situação trocarem críticas

Por Décio Walter

A desistência da Ford em se instalar no Estado foi o tema predominante nos debates de plenário, ontem, na Assembléia. O deputado Alexandre Postal (PMDB) abriu o debate, ao anunciar a apresentação de projeto de lei em que estabelece a doação da área de terras desapropriada pelo Estado, bem como as obras e benfeitorias existentes na área que se destinava à implantação da Ford, ao município de Guaíba para que possa viabilizar o melhor aproveitamento econômico e social possível. O deputado Luís Augusto Lara (PTB), pediu um minuto de silêncio para simbolizar as perdas do Estado em termos de empregos e desenvolvimento. As bancadas de oposição atenderam o pedido, mas as da situação se retiraram do plenário. Isso motivou o líder da bancada do PMDB, deputado João Osório, a criticar o comportamento, afirmando que a solicitação era de um minuto de silêncio para assinalar as perdas e não o silêncio total da bancada do PT.

O deputado Onyx Lorenzoni (PFL) disse que o projeto da Ford já se constituía uma conquista e era um investimento para mais de 50 anos, mas que foi perdido pela "incompetência, negligência e por conta da ideologia conservadora do governo do Estado". A deputada Jussara Cony (PC do B) assegurou que ao governo interessa debater esse assunto em profundidade, não nos moldes da "campanha brutal de mistificação da opinião pública feita pelo oposição", mas com a sociedade gaúcha, democraticamente, no Orçamento Participativo. O líder do governo, deputado Ronaldo Zulke (PT), sustentou que a forma como um setor de oposição vem combatendo o atual governo demonstra que esse grupo não aceita a democracia e a vontade popular. "Perderam a eleição, mas querem que nosso governo governe como eles". Disse que a melhor prova de que estão "fazendo oposição por oposição", é a atual crítica que fazem ao suposto desvio de recursos da educação à GM. O líder da bancada do PPB, deputado Francisco Appio, afirmou que "o Rio Grande está de luto", com a perda definitiva da Ford. Criticou o governo do Estado, afirmando que em 120 dias de administração não fez nada mais do que desmentir tudo o que havia dita na campanha eleitoral. E manifestou temor de que o Estado passe a ter problemas com outros empreendimentos previstos, devido à política contrária aos incentivos fiscais da atual administração. 

Homenagem aos 35 anos de Zero Hora no Grande Expediente

Por Vicente Romano 

O deputado José Haidar Farret (PPB) homenageou, ontem através do Grande Expediente, os 35 anos do Jornal Zero Hora. Farret discorreu sobre a história do jornal, destacando a consolidação do tablóide entre a população gaúcha, reformulações editoriais empreendidas e modernização dos equipamentos gráficos. Ele citou o jornalista Maurício Sirotsky Sobrinho, fundador da RBS, como inspiração de diretores, editores e funcionários da empresa. Estiveram presentes os diretores da empresa, Nelson e Jaime Sirotsky.

O vice-líder do PPB afirmou que Zero Hora sofreu inúmeras transformações ao longo dos 35 anos de existência, sempre voltada para os interesses de seus leitores. Inspirado nos ideais do fundador Maurício Sirotsky Sobrinho, o maior jornal gaúcho enfrentou uma trajetória de mudanças gráficas, editoriais e tecnológicas, sem abrir mão de seus compromissos com o público, com o país e com a verdade. Segundo ele, o jornal jamais se afastou do compromisso assumido com o público nas linhas iniciais de seu primeiro editorial. "Nasce um novo jornal, autenticamente gaúcho. Democrático. Sem vínculo ou compromissos políticos. Nasceu com um único objetivo: servir ao povo, defender seus direitos e reivindicações, dentro do respeito as leis e autoridades", relembrou.

Farret assinalou que Zero Hora desde o seu início, em 4 de maio de 1964, sempre se diferenciou dos jornais concorrentes pela agilidade de seu parque gráfico, concretizada em edições e rodagens extras. "Nem acidente e contratempos impediram o jornal de consolidar seu crescimento. Em 1975, já circulando em 232 municípios gaúchos, ZH foi reconhecida como o jornal de maior venda avulsa no Estado.

Por último, o deputado do PPB ressaltou a importância da implantação das Casas Zero Hora em sete municípios gaúchos, mantendo uma forte relação com toda a comunidade. Também se somaram à homenagem prestada os deputados João Osório, Bernardo de Souza, Valdir Andres, Francisco Appio, Jussara Cony, Vieira da Cunha, Jorge Gobbi, Manoel Maria, Ronaldo Zülke e Germano Bonow. 


Comissões 

CCJ aprova dia em homenagem aos técnicos industriais

 A Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa aprovou por unanimidade, na sessão desta terça-feira, projeto de lei de autoria do deputado José Ivo Sartori (PMDB) que institui o Dia Estadual do Técnico Industrial. A data será comemorada no dia 23 de setembro.

A profissão de Técnico Industrial é reconhecida pela Lei 5.524/68 e regulamentada pelo Decreto 90.922/85, abrangendo cerca de 700 mil profissionais em todo o País, dos quais 40 mil no Rio Grande do Sul.

Essa categoria de profissionais situa-se uma posição intermediária na escala de formação escolar, habilitados em cursos plenos nas áreas de arquitetura, construção civil, metalurgia, minas, eletricidade, eletrônica, telecomunicações, têxtil, química, mecânica e alimentos, sendo que o seu preparo permite que atue na execução de tarefas, bem como na participação das decisões que movem os processos produtivos.

Transgênicos – A Comissão e Constituição e Justiça decidiu adiar a votação dos projetos que tratam da comercialização e cultivo de organismos geneticamente modificados (transgênicos) para propiciar um debate mais profundo sobre o tema, que tem gerado muita polêmica. Dois projetos estão na ordem do dia da CCJ. Um deles, de autoria do deputado Elvino Bohn Gass (PT), veda o cultivo comercial de transgênicos no Estado do Rio Grande do Sul e tem parecer favorável do deputado Vieira da Cunha (PDT). Outro, de autoria do peemedebista Alexandre Postal, institui a rotulagem dos alimentos resultantes dos transgênicos. O presidente da Comissão, deputado José Ivo Sartori, defende a criação de uma subcomissão responsável para debater o assunto. O objetivo é fazer um amplo debate sobre as competências legais e constitucionais do Estado em relação aos transgênicos.

Educação vê conflito em Guaíba e falta de professores no Parobé

Por Marco Dziekaniak 

A Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado Giovani Cherini (PDT) vai encaminhar esta semana ofício à Secretaria de Educação do Estado (SEC) solicitando atenção especial em relação à sindicância que apura irregularidades administrativas na Escola Estadual Augusto Meyer, localizada no município de Guaíba.

Na próxima segunda-feira, a SEC dará um parecer sobre a investigação, e a Comissão de Educação pretende juntar ao processo os depoimentos prestados ontem pela diretora afastada da escola, professora Eliane Margarete Ribeiro, na reunião da Comissão que discutiu os conflitos administrativos em escolas estaduais e a falta de vagas na rede pública. No encontro, realizado no Plenarinho da Casa, Eliane Margarete Ribeiro denunciou perseguições políticas de parte da Delegacia de Educação no município para contestar o seu afastamento e lembrou que o órgão permitiu que dois professores da escola, colocados à disposição pela ex-diretora, continuem a dar aulas em outro estabelecimento de ensino.

O deputado Giovani Cherini lamentou a ausência da secretária da Educação, Lúcia Camini, e leu uma correspondência do representante da SEC justificando o não-comparecimento da titular da pasta devido a outros compromissos agendados. O parlamentar pedetista observou que a comissão quer contribuir com os trabalhos desenvolvidos pela sindicância da SEC sem interferir na autonomia do órgão par decidir sobre a questão.

Já a diretora do Colégio Técnico Industrial Parobé, Carmem Angela Straliotto, manifestou a sua preocupação com a falta de professores para o ensino técnico e revelou que, no ano passado, mais de mil alunos que fizeram cursos na escola tiveram somente o ensino médio. A diretora explicou que o Parobé possui 187 cargos para montar o banco de dados da escola técnica e alertou que muitos professores não têm conhecimento integral para dar comandos lógicos, citando as áreas de informática, hidráulica e pneumática, que carecem de profissionais especializados.

De acordo com Carmem Straliotto, há mais de 20 anos os professores não se especializam no Parobé e, na última década, a escola vem perdendo gradativamente o seu quadro funcional, que em 1995 era de 220 profissionais e em 1998 já estava em apenas 84 professores. Ela disse que no período de 1996 a 1999 somente houve saída de professores do Parobé, seja por exoneração, falecimento ou licença e que, independentemente da grade escolar, 34 turmas ficaram sem ensino técnico, atingindo 830 alunos. Carmem Straliotto pediu à SEC providências para a contratação de 100 professores nos próximos dois anos e a liberação de recursos financeiros que permitam iniciar as aulas em caráter emergencial.

Comissão vai discutir Cultivo dos transgênicos

Por Telmo Flor

A questão do cultivo de produtos transgênicos no Estado será discutida amanhã, em Bagé, durante reunião da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia. A decisão foi anunciada pelo presidente da Comissão, deputado Adolfo Brito, que irá acompanhar as atividades do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional, que ocorrerá na cidade. Na reunião, que será realizada a partir das 14h, na escola Estadual Justino Quintana, também serão debatidos outros temas relacionados ao setor.

Adolfo Brito convidou para a reunião representantes da Secretaria Estadual da Agricultura, Embrapa, CTNBio, Fepam, Emater, Farsul, Famurs, Irga, Fepagro, Federarroz, Abrasem, Abiove, Anec, sindicatos, cooperativas e secretários municipais. Pela manhã, a partir das 10h, Brito concederá audiências para os produtores, líderes do setor, prefeitos e vereadores da região.

CORDEIROS

Hoje, o presidente da Comissão de Agricultura participa de reunião em Encruzilhada do Sul. Ele foi convidado pela Associação Comercial e Industrial daquele município e pelos secretários municipais de Agricultura das regiões Sudeste e Fronteira para comparecer ao encontro que tratará da "Produção de Cordeiros para Abate – Nova Alternativa da Ovicultura". A reunião será realizada no Clube do Comércio.

Denunciada dificuldade de Acesso aos financiamentos

Por Neiva Alves 

A Subcomissão sobre o Desemprego, que tem a relatoria do deputado Roque Grazziotin, recebeu ontem os presidentes das comissões municipais de emprego das cidades de Caxias do Sul, São Leopoldo, Santa Maria, Gramado, Pelotas e Porto Alegre.

Durante seus depoimentos, os representantes das Comissões foram unânimes nas denúncias envolvendo o sistema financeiro que repassa os recursos do FAT para os projetos de geração de emprego e renda. Conforme os depoentes, existe uma deliberada política no sentido de dificultar o acesso dos pequenos aos recursos, quando impõe hipotecas e garantias que o cidadão não dispõe. Em Pelotas, mil interessados se inscreveram como candidatos a financiamentos de atividades geradoras de emprego e renda, sendo que só 10 conseguiram os recursos. Em Santa Maria, 184 foram os inscritos e 12 conseguiram.

O deputado Roque Grazziotin avaliou a reunião como bastante representativa, uma vez que pólos importantes da economia se fizeram presentes. "Como encaminhamentos, vamos ter que nos reunir com o sistema financeiro, que não está facilitando os empréstimos. Sabe-se que cerca de 50% dos recursos do FAT ficam retidos no Ministério da Educação que, arbitrariamente, decide que tipo de qualificação profissional vão subsidiar. Agora o Banco do Brasil é acusado de exercer uma política clientelista. Ora, se a pessoa é cliente do Banco, então não está precisando de recursos do FAT. Este dinheiro é para os pequenos."

 Conclusão do porto de Cachoeira Mobiliza lideranças da região

Por Viviane Pires 

O porto de Cachoeira do Sul foi construído no governo Collares, e no governo de Antônio Britto foi iniciada a dragagem do Rio Jacuí, para formar a hidrovia. A operação não foi concluída por falta de recursos. As comunidades de Cachoeira do Sul e das região estão mobilizadas para pôr em funcionamento o porto junto com o sistema de armazenagem pública e privada local. As autoridades regionais reivindicam também a melhoria das estradas de acesso ao porto. "Uma obra vai respaldar a outra, e juntas vão ser um grande impulso para o transporte da produção regional, seja para o mercado interno ou externo

", salientou o deputado João Luiz Vargas, presidente da Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa, ao defender o funcionamento do porto, em audiência pública no auditório da Fenarroz, em Cachoeira do Sul.

O diretor financeiro da Superintendência de Porto e Hidrovias, Marcos Citolim, e o diretor de Portos, Paulo de Tarso Carneiro, presentes no evento, anunciaram que vão elaborar um documento relatando a situação do porto e o interesse regional para apresentar na assembléia do Orçamento Participativo, no dia 19 de junho, em Santa Maria. Participaram da audiência pública os deputados estaduais, Sérgio Zambiasi, Abílio dos Santos, Otomar Vivian, José Ferret e Vieira da Cunha